Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

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1. Equivocanálise: "Despudoradamente"

terça-feira, 29 de maio de 2018 Nenhum comentário
Despossuída de culpa,
te pico e não fico
Ou, me peça e eu não faço
Paro! Sobre o término do limite da minha liberdade.

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Transcendência (A hora da redenção)

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3.

Naquela hora tomei os temores de todos para dentro de mim
E temi as noites sem orações (e a descrença nas palavras de minha boca)
E temi a fraqueza da aliança com Deus
E subiu à mente as vezes que inclinei ao rompimento do entrelace de nossos dedos
E temi não alcançar outro milagre
E senti percorrer dentro de minhas veias, leite azedo em desaproveito
E quando tudo se deu conta do meu medo, desceu ao coração: a renúncia à morte
E meu sangue voltou ao viço
E como acalento, seu adeus: "Rogai por mim?!"
E parte de mim, se foi...

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Saudação

domingo, 27 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Se me escutas
Noutro sonho efêmero te vi
presente à cabeceira,
ansiando o desdobramento das minhas pálpebras.

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Se minha casa falasse Ed.2 - Organização/mudança simples para dormitório (médio)

sexta-feira, 25 de maio de 2018 Nenhum comentário
✅Se você ainda não leu a edição anterior, clique no titulo seguinte: "Como montar/reformar um banheiro muito pequeno".


O papel de parede utilizado, fácil encontra-se, em tons pasteis e geometrizados. A melhor alternativa para quem deseja aplicá-lo sozinho, é a utilização do material que possui cola adesiva no verso. Caso prefira, pode ser substituído por espelho.
Na altura de aproximadamente até o termino da cabeceira, foi aplicado tijolinho de isopor.

Conhecendo a planta
  • As paredes possuem 3,60 m e 2,70 m lineares, totalizando em 9,72 m quadrados;
  • As aberturas (porta e janela) estão dispostas em paredes opostas e que possuem o menor comprimento;
  • A circulação entre as extremidades laterais da cama, são de aproximadamente 0,86 m e a circulação livre aos pés da cama, é de aproximadamente 0,60 m.




O ambiente possui forte presença do modernismo: simplicidade, geometrização e poucos ornamentos.


  
Os bancos de concreto foram usados como mesa de apoio, substituindo o criado mudo. Para a quantidade de bancos, deve ser levada em consideração a sua necessidade.

Transição

terça-feira, 22 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Tu, despejo
Em vão convida-me à assistir a própria glória
Quando me viste cear com o inimigo?

(Desassossegada me prendera à frente
Rasguei o ventre,
desabrochei tórrido e rosado)

Tu, desgosto
Tornaste eu-broto álgido e pálido.

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Tabacaria

domingo, 20 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
Que ninguém sabe quem é,
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

..."

Álvaro de Campos
15 de Janeiro de 1928


Eutanásia

quinta-feira, 17 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Diga-me o que queres?
Uma canção das minhas melhores cordas?
O tempo tocou em minha destreza

Agora, não vago sobre os olhos da noite,
acelerada pelos corredores frios, ao encontro do seu riso festivo

Me alimento de conflitos ambulantes
Num canto avesso às minhas costelas,
contra paredes exaustas dos meus rangidos

Tu, não fiques!
Fico só!
Vai!
E não prolongues o meu sofrimento...

Contra a parede

quarta-feira, 16 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Estes olhos desatentos
Antes sentenciados ao encantamento,
Salivam famintos por um gosto de percepção

O que há para ser visto que valerá o empenho?
Que invalide meu medo?
Qual vulto provocará contentamento?

Enquanto vagarosamente hospeda-se a penumbra,
sem hesito,
cada pedaço seu confisca todo meu deleite.


 
Desenvolvido por Michelly Melo.