À deriva

terça-feira, 27 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu não acredito mais, que pessoas boas recebem coisas boas - sobre colher o que plantou. Eu vivo isso e é injusto esperar que a providência divina interceda por mim - embora, cristã. Eu e os outros, nós, precisamos de justiça enquanto integrantes ativos/vivos na sociedade, nesse momento nos cabe equidade/justiça legal, pelo plano em que sobrevivemos. É fácil esperar pela vida eterna, para quem está com a vida de agora, farta. Eu não aceito, heresia, não - "Bíblia sim, constituição não!".

O privilégio, em sua totalidade, é a resultante da monopolização/concentração dos direitos civis à uma determinada comunidade social, em detrimento à outras. Direitos constitucionais esses, que teoricamente, segundo a Constituição, acolhem todo indivíduo humano.

Eu e os outros, nós, não conseguimos nos abster integralmente do capitalismo, infelizmente, somos dependentes e por ele, nossas vidas é ceifada - física, psicológica, intelectualmente.

Eu, se ousasse encorajar o choro em todas as minhas vontades, este seria o fim do meu planeta água. Secaria até a umidade do ar envolto. 
Então, guerrilhemos - e choremos, também.
Mas, não há vitória sem guerra e como há de haver guerra se não há corpo íntegro? Corpo mutilado não se sustenta em pé. 
Nossos inimigos - os líderes vilões e os que agem de má fé em seu poder/direito democrático -, são maus. Eles não estão perdidos. O vento que nos balança em alto mar, par que tornemos os próximos náufragos.

A paciência alimenta a esperança. A esperança engole toda a paciência.

in[só]nia

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não exija minhas intimidades, que, quando espremida expilo de minha essência muito de uma só vez. há tempo que me reconstituo de todo o passado sombrio e das sombras de dúvidas.
por aqui, tudo acontece muito tardio:
tarde no tempo,
tarde da noite.
e ao final estou só.
só, para reconquistar meus compostos.
e a cidade adormece...


Bandeira vermelha

sábado, 24 de março de 2018 Nenhum comentário
O dia não terminou.
Diga aos inimigos que minha vida sobre os teus ombros será prejuízo
Minhas armas não cessarão de alçar o timbre do trabalho
Minha voz ecoará pelos ares dos teus ouvidos.
O fardo é maior do que juntos podem carregar.

Desencontro de gargantas

segunda-feira, 19 de março de 2018 Nenhum comentário
Meus desejos são mesquinhos:
não há empenho mínimo necessário para me amar
Me reduzo à palavras de fundo de gaveta
- para caber no pedaço dum verso seu -
Faço saudosas as memórias,
Sirvo à mesa, minha carne macia e fresca.
Mas antes,
antes, meu bem
permita,
permita que eu me meta em suas entranhas
Ou diga,
diga bem dentro do meu ouvido:
que à sua liberdade,
ao seu amor,
nada do que é meu te há de ser cacife.

"tingi tudo de preto"

sexta-feira, 16 de março de 2018 Nenhum comentário
“[…]
tacaram fogo nim mim
tacaram fogo no meu cabelo
tacaram fogo na minha pele
tacaram fogo nos meus olhos
tacaram fogo na minha respiração
tacaram fogo na minha voz

logo
não puderam me conter
poluí seus ares com meu grito

queimei suas casas caras brancas
com meu choro

queimei suas esperanças brancas
tingi tudo de preto

sou brasa forte
tição pós-apocalíptico
pior que deuses ditadores

não mexe
não mexe
não mexe
não mexe comigo não…

que à dor
à dor
à dor
à dor
eu sei reagir.”


_

poema de Kika Sena - via palavra, preta!
 
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