Amanhã talvez não seja, o que hoje parece ser

domingo, 7 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
A convicção é uma coisa que até os sábios omitem ter - subentende-se. Desconfio dos que juram que suas crenças são absolutas. As coisas nem sempre são o que parecem e noutra hora a gente desperta e descobre o tolo que foi - ou não. Há um tempo acreditei com excelência, que precisava justificar porque era quem eu era ou deixava de ser. Depois, descobri que fazendo assim, destravava o gatilho para que soubessem onde em mim havia mais vulnerabilidade. Também admirei o inverno, até descobrir que não era recíproco - pelo contrário, maus tratos ao extremo. Mas o tempo é rei, e aos que ouvem, diz, se a tal verdade/convicção prevalece. 
Você não pode coagir os outros para que acreditem suas verdades - infelizmente, nem nas coisas boas; menos ainda, nas demagogias. A menos que não esteja tentando ser uma boa pessoa. E se está tentando ser uma boa pessoa, deixe livre os que te escutam. E se os seus não quiserem acreditar suas verdades, isso não define o que sentem por você, os bons se atraem, independentemente, se análogos ou opostos. Mas você não precisa acreditar no que eu digo.

pérolas aos porcos

sábado, 6 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
a compaixão de meu âmago, 
é sentida pelos que destinam energia ao ódio.

a demanda da aversão, 
desgosto e rancor, 
inimizade e repulsa...
insaciável!

o que resta à afeição? 
lamentável destilação.

alma velha tem seus êxitos:
a premissa de que pérolas não se lança aos porcos.

toma lá! dá cá!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
a comunhão de todas as sensações e sentimentos - grotescamente - que compõe o nós, é a alma. assim como a união de todas as virtudes, é a caridade. 

que vezes mais se lava, senão quando há acumulo de impurezas? um respingo ou outro se remove com cuidado localizado - se tratando de alma.
um renascimento em cada vez que lavá-la, tempos de ascendência lançados fora.
"- toma lá! 
- dá cá, tudo que te há!"
aos de alma exuberante, feliz quem recebe os descartes - às águas viçosas do mar, baita oferenda!

busquemos luz, para que com sabedoria, possamos reparar os respingos e vigiar as impurezas para que  não se massifiquem.

confronto efêmero

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
o café do meu amigo parece sempre estar mais cremoso. capturo uma foto no ápice de minha beleza e arquivo depois de descansar sobre o retrato da moça mais bela no mundo.

são as impressões referenciais do que é belo tentando iludir. a desgraça é lucrativa pra ascensão capitalista: "em busca da debilidade espiritual e da abstratificação do real" - meu eslogã pro capitalismo.

a esperança pelo dia que desnudarei a alma, não se abstêm. com tempo, decerto dedicarei graciosamente à mim, minha melhor admiração, como o velho Gaudí¹ a observar a Sagrada Família.
"…uma obra que está nas mãos de Deus e na vontade do povo" - disse.
Gaudí se foi em 1926 e a obra ficou à concluir - a previsão é pra 2026. uma arte coletiva, cada contribuição é indispensavel, sagrada. 

não há quem esteja pronto ou apto à se definir, somos seres mutáveis com sentimentos ambulantes.

deixemos de ser hostis conosco. fragmentemos as balizas do sistema. não evitemos de parar para a contemplação da vitória por temermos ser atropelados - o medo arquiva os sonhos mas os sonhadores arquivam o medo. sejamos corajosos pra reconhecer que somos vencedores. como nós.

¹Antonio Gaudí, arquiteto catalão, aos 75 anos faleceu após atropelamento - por um bonde a 10km/h - enquanto observava a Sagrada Família.

estica que dá!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018 Nenhum comentário

trenas! as manuais, existem de três, cinco, oito e outros metros. é abominável esticá-la ao limite, pois há uma probabilidade gigatesca de separá-la da base, tornando difícil o manuseio e armazenamento. um dos fatos que pode definir o fim da utilidade.

minha primeira - cor de camarão, fita em aço, cinco metros - levava meu nome. pediram pra cuidá-la como uma pomba faz com a cria. pelos tombos, periodicamente era calibrada pra validar a qualidade.
entre quedas e desencantos, a força pra carregar entusiasmo.

às vezes a gente atinge a exaustão. é a margem de segurança, depois dos cinco metros, o desconfortável lado miserável. ninguém quer estar lá: entre o não saber e o querer.
é nesse momento quando se faz valer o seu credo - no fim da linha subsiste uma força.

uma vez, essa mesma trena cortou meus dedos em sua lâmina - de dois gumes - afiada, pra intimidar ou chamar a atenção. somente aceitei, permitindo que deslizasse moderadamente - são coisas que não são obvias, compreende só que está atento aos sinais. são os chacoalhões quando algo deseja te despertar.

onde acende a luz pra que repare o caminho e não chegue ao fim da lâmina antes do tempo? 

não se sabe quantos metros de caminho tem a vida. cuide pra não atingir a exaustão inúmeras vezes.
entre quedas e desencantos, deve haver força pra perdurar o tesão de continuar se flexionando, indo e vindo, envergando ao oposto sem fragmentar.

"estica que dá!", não! o universo está conectado ao seu compasso.

 
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