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Rondó da Liberdade

domingo, 5 de novembro de 2017

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Carlos Marighella (★ 5/12/1911 - ♰ 04/11/1969)
São Paulo, Presídio Especial, 1939
- via -

saudoso sabiá laranjeira

sábado, 4 de novembro de 2017

precoce à primavera floresci
por onde voas que ainda não te ouvi?

se pousou pra outra abençoar
de tristeza, meu sabiá
sou eu que vou cantar.

quase!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

🍀

me bagunça numa escala que estremece e transcende tudo de sagrado que me há. me sonda, libertando - porque permito - todas as vísceras que enjaulei por anos e sem querer, escrevo quase tudo o que tinha calculado guardar. não tem meu não. é involuntário como me esforço para aprender os seus caprichos. nada pesa, tudo pulsa.

quase ao seu dispor: tudo de bom que sinto e tudo que ouso chamar de meu. quase juro majestosamente. muso, muso, muso!
ao seu dispor: quase tudo que, escrevendo, me escapa dos dedos. minúsculas demais - eu, as frases, as palavras e as letras - para grafar a plenitude.

quase!

atrevidamente me avessa, põe quase tudo para fora, mas não se retira.

deve ser...

quinta-feira, 2 de novembro de 2017


deve ser de amar, sentir o calor dos vasos que vibram e agitam o líquido fervente e espesso que impulsiona a vida permitida. deve ser de amar, cada estrutura microscópica justaposta, que respira e inspira a querer ficar ali, para sempre - e fazer dos corpos uma unidade só. deve ser de amar, os movimentos do conjunto de vértebras no ápice da saudabilidade, que flexionam em compasso repetitivo e acolhedor dizendo que ali o abrigo é seguro. 

deve ser. 

a gente aprende a aprender de corpo longe, sem prender. 

o tempo que voa não volta para devolver o tempo perdido. haja vida para recuperar se eu for esperar.

escorrendo pelos vãos dos dedos dos que estão em prontidão para me segurar e esquivando dos olhares observadores que prometeram me decifrar até quando eu não souber como e quem sou, sigo avançando. negando para os que não sabem enxergar. em silêncio - é quando mais falo.

atividade extemporânea

terça-feira, 31 de outubro de 2017


(disse que lançou indiretas ao vento:

"- Liberdade não é uma das filosofias do sentir?"

quem dera tivessem me alcançado a tempo
e tocado mais pro-fundo.

chegaram!
perdidamente frias e desfiguradas.)