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Arquitetura inclusiva?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

(fotografia ilustrativa ao texto / archdaily, acesso em 13/07/2017 às 20:20)

Antes de escrever este texto, pesquisei alguns escritos sobre arquitetura inclusiva. Curiosidade esta, provocada a partir de uma publicação nas redes, deste projeto da foto acima.

Trata-se de um edifício de uso misto (comercial ou residencial) inclusivo com apartamentos flexíveis destinados à estudantes, jovens casais, solteiros ou pessoas idosas...
Em algumas analises breves e superficiais, nota-se que o projeto não é inclusivo em sua plenitude. Considerando que o mesmo possui somente escada (pessoas idosas?), calçada lateral inclinada no sentido transversal (acessibilidade?)... Mas deve-se considerar outros valores que foram priorizados, tais como: consumo racional dos recursos naturais, fortificação das relações sociais comunitárias, inclusão social da classe trabalhadora...

"[...] arquitetura inclusiva é a arquitetura que respeita a diversidade humana e gera acessibilidade para todos." (definição genérica da internet)

A inclusão, na arquitetura sociológica não deve ser generalizada, trata-se de diversas oportunidades que podem ser (estão sendo) proporcionadas: promover a independência aos portadores de necessidades especias; promover acesso ao espaço social; mobilidade urbana; direito à moradia (flexibilidade, economicamente includente, humanização...); direito à cidade (ser parte dela); direito e acesso aos equipamentos públicos sem restrições...
O contexto e infraestrutura urbana onde a arquitetura será aplicada, é de essencial importância para o funcionamento da proposta, de modo a zelar pela qualidade de vida e bem-estar da pessoa humana.

A relação homem-espaço não tem priorizado o humanismo. Ao contrario do que muitos a consideram, a arquitetura não é só mais produto para embelezar a vitrine do capitalismo.

Arquitetura é sensibilidade, humanismo, abrigo, história, proteção, afeto, bem-estar, flexibilidade, poesia, arte-técnica[..] Arquitetura não é casa-dormitório, produção em massa (cópia e cola), tampouco exclusividade da classe dominante. Arquitetura é funcional, direito à moradia digna é respeito à vida.

✅Leia também: A cidade como produto na vitrine do capitalismo

A cidade como produto na vitrine do capitalismo

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

(via O Globo)

Recentemente descobri minha paixão na sociologia urbana e arquitetura sociológica. No inicio quando fui apresentada à disciplina houve uma rejeição de minha arte. Parecia complexo demais (e é), mas abracei a causa.

Sexta-feira (11-novembro-16), em sala, na aula de Sociologia e antropologia estávamos abordando o tema: ocupação de imoveis que não cumprem sua função social (Art. de nº 182 da Constituição Federal). Assistimos o documentário Leva e após o termino, a orientadora abriu um espaço para debate.

Algumas pessoas tiraram suas duvidas, conversaram mais um pouco e repente, veio a seguinte afirmação: 
"Essa gente que ocupa esses edifícios é vagabunda. Não deveria existir esse negocio de 'ceder' a edificação para eles. Quanto mais o governo permitir e inventar projetos habitacionais, mais gente vai aparecer querendo casa de 'graça'."
No documentário Leva, um dos lideres do grupo do movimento dos sem teto, conta sua história pessoal, onde ele começou a namorar sua esposa quando a mesma tinha pouca idade e logo que o pai da garota descobriu, feriu a moça de modo que ela decidiu 'fugir' de casa. Os dois passaram a morar na casa dele e em seguida a tia do rapaz decidiu levá-los com ela para a cidade de São Paulo. Passaram por diversas dificuldades, tiveram filhos, conheceram e se juntaram ao movimento.
"Não viu esse rapaz? Ele tinha onde morar anteriormente, a moça também. Mas por motivo de relacionamento preferiram ir pra rua porque sabe que vai invadir (ocupar) e vai conseguir pra si uma casa enquanto a gente tem que trabalhar para conseguir..."
E tornou a dizer que enquanto o governo continuar cedendo habitações para essa gente, mas vai aparecer. Disse ainda, que demoliria todas essas edificações abandonadas para que esse negocio de ocupação se estancasse de só uma vez. "Antes o imóvel ao chão que tomado por desocupados."

Esse (o da fala) é o apoiador dos devoradores capitalistas, que diz que todos possuem boas oportunidades na vida, só não sabem aproveitar (meritocracia). Segundo ele, o sistema não possui reféns.
Será mesmo tão simples assim, só está na rua quem quer?

No livro O direito à cidade, Henri Lefebvre (filósofo marxista e sociólogo francês), diz:
"Só a classe operária pode se tornar o agente, o portador ou o suporte social dessa realização..."
Ou seja, só a classe trabalhadora pode conquistar seus ideais, por meio de projetos e movimentos sociais e estando à frente pela luta do “direito de ter seus direitos” e continuar elegendo representantes políticos progressistas...

O déficit habitacional no país só aumenta e onde está o direito de moradia à todos? Só funciona com a classe média e alta?

Ainda no documentário Leva, a líder principal do movimento faz questão de mencionar a exata quantidade de imoveis (salvo erro, mais de 400k) distribuídos pela São Paulo, que não estão cumprindo suas respectivas funções sociais (quantidade suficiente para abrigar todos que estão na rua). E a maioria (se não todos) desses imoveis já não contribuem com impostos há anos e por esse motivo o poder publico passa a ter o poder da desapropriação. E se isso é possível, porque o poder publico não desapropria os imoveis que não cumprem a função social e não contribuem com impostos e os transformam em conjuntos de habitações de interesses sociais para as famílias em situações de ocupações?
A resposta é simples, não é? Se não houver retorno lucrativo para o poder publico, nada acontece e não é novidade.

A cidade hoje, não é mais só um conjunto aglomerado de pessoas. A cidade é um produto no mercado capitalista, onde quem tem capital excedente compra e vende enquanto o proletário se divide em 10 (10? vezes quanto?) para concretizar o sonho da casa própria.

Essas pessoas que se abrigam em imóveis de ocupações, não querem morar de graça, não querem ser chamadas de vagabundas. Elas também querem pagar por uma habitação para chamar de sua, elas também querem contribuir com impostos, como você. Mas pagar com o que? Sob quais condições?
Eles querem que o Estado honre o  Art. de nº 06 da Constituição Federal que diz à respeito dos direitos sociais:
"São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição." (via Planalto)
Com tanta casa vazia ainda temos pessoas sem casa. Isso está acontecendo agora, debaixo dos nossos cílios.

(via)

Recentemente elaborei um trabalho sobre o assunto e disponibilizei para leitura. É um resumão e possui inúmeros erros (de tudo: gramatica, organização, linguagem (informal) e outros trocentos), mas foi uma experiencia incrível abordar esse tema. Espero realmente que leia e me dê teu parecer. :)
 Boa leitura, amiguinha/o!
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