nome blog
Mostrando postagens com marcador respeito à vida?. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador respeito à vida?. Mostrar todas as postagens

Eu, vitimismo: Capítulo V - Não sou tuas negas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Quem é que nunca ouviu alguém reproduzir a expressão "não sou tuas negas", ao menos uma vez na vida? Essa, sem dúvida é uma das violências hediondas frequentes que atinge diretamente a mulher preta.

Partindo do conhecimento básico da História da colonização europeia - e sem necessariamente ter muito intelecto - é possível concluir um pensamento coeso sobre a vida das escravas. De 'trabalhadoras domésticas' e rural, à amas de leite, cada uma delas pertenciam a algum senhor.
Violentadas nas mais diversas possibilidades e desconheceram o respeito, o qual não tiveram direito; usadas de modo satisfatório - explorador -  por quem as compravam.

Quando alguém diz que não é nega do outro, este, está se referindo a aquelas mulheres pretas. Traduzindo, está dizendo que não é propriedade alheia para que façam o que quiserem com suas vidas; que não são bagunça para que lhe fucem; que são donas de si mesmas. Mas afirmar, desse modo, é confirmar o racismo instaurado em si, é faltar com respeito com a vivência da mulher preta, é ser indiferente com a história alheia, é dizer que pode ser independente e enjaular as de pele escura, é se mostrar superior... É querer provar que diferentemente das negas, não só serve para sexo e servir.

"(...) 92% dos brasileiros acreditam que há racismo no país, somente 1,3% se considera racista. O instituto calculou que 92 milhões (68,4%) dos brasileiros adultos já presenciaram um branco se referir a um negro como “macaco”. E, destes, apenas 12% tomaram alguma atitude.(...)" 

Não precisa nem ser universitário das ciências exatas, para perceber a discrepância na incoerência dos números. Como pode ser 92% racista e somente 1,3% assumir que é? Os demais, por certo estão divididos entre racistas não assumidos e racistas que ouvem os amigos contar piada sobre preto, não se sente desconfortável e ainda complementa com risos. Independente do assunto, qualquer um que seja, deveria ser humano o suficiente para repreender as piadas que de algum modo fere o próximo.

Mas, numa coisa estão certos! Embora muitos ainda desejam, felizmente, muitas de nós não somos mais tuas negas subalternas. Estamos conquistando independência, falando umas pelas outras, trocando afeto e oferecendo abrigo. Muitas de nós, não somos mais tuas negas e deve ser um processo indigesto aceitar que mulheres cotistas/bolsistas estão superando os traumas e provando - primeiramente a si mesmas - aos 'ex senhores', sua importância.

O capitalismo está superfaturando com o comércio racista. Até lojas desconstruidonas que pregam empoderamento feminino (empoderamento branco) comercializam estampas com esta afirmação, mesmo sendo notificadas. Hipocrisia em dose pura, e o mercado lucra sem medir limites. Racismo é a única tendência que nunca sai de moda.

Nos respeitem porque não lhes damos oportunidades para faltar com respeito, não lhes permitimos nos chamar de 'nega', não somos seus pertences.
A estereotipação e a marginalização são cruéis. Nos fazer convenientes só quando somos lucrativas, é imperdoável.

Preconceito e conservadorismo em nome de Jesus

domingo, 6 de agosto de 2017

👀

Lembro claramente do dia que sofri preconceito dentro da igreja. Um senhor, aparentemente bem fervoroso, disse ao meu pai que o modo que eu usava meu cabelo, não agradava Cristo. Disse ainda, que já vira Satanás se manifestar em uma mulher que estava como eu.

Estava com o cabelo natural, preso para cima, como na foto.

Quando tive ciência do que me aconteceu fiquei confusa, e irritada com meu pai por não ter dito nada ao meu respeito. Hoje, entendo a suposta relação do meu cabelo com Satanás: o considerado feio, certamente não foi Cristo quem fez.

Preconceito e conservadorismo pregado em nome de Jesus, para facilitar a aceitação sem questionamento. Qual a maior blasfêmia, se não esta? 
Quais medidas ele pensou que eu tomaria, afim de agradá-lo? Será que ele já disse isto à uma mulher branca? 

Se confio minha vida ao Cristo, porque eu temeria a homem pecador com falácia estranha?
Sou tão grata, por ter a oportunidade de ter me tornado quem sou; por analisar cada palavra que recebo, filtrar, e absorver só que não me adoece.

Sou evangélica e sinto muito por cada um que mancha esse movimento. Sinto muito, pois podem querer manipular alguém, que, diferente de mim, absorve perigosamente tudo que lhe é servido.

Que Jesus é este que higieniza seu povo, partindo de princípios classista e étnico (e outros)? Felizmente, este, desconheço. O meu é outro.

Quando digo que é difícil ser mulher preta, não estou apenas reproduzindo por costume. Nos obrigam a ser forte, cada segundo, independente do âmbito em que estamos inseridas.

Observação: Não estou generalizando as igrejas e os evangélicos. Sou evangélica, e acredito nos princípios, à minha maneira (segundo o meu Cristo). A intenção deste texto, é dizer que infelizmente não existe exceção, não estamos imunes dependente de onde estamos. Devemos continuar resistindo, até nos lugares onde deveriam nos oferecer abrigo.

Eu, vitimismo: Capítulo IV - Não somos todos iguais

segunda-feira, 31 de julho de 2017

(ph: Tainan Silva)

Mais um capítulo lírico-comum.

Essa falácia incessante que diz que "somos todos iguais"; me irrita, me faz refletir e me toca toda vez que leio ou escuto.

Juro, juro que tento entender o que vos convence a acreditar neste argumento. Essa sociedade, máquina de moer carne humana e digerir espírito, não promove a tal igualdade que tanto fala. Fala por hábito ou senso comum. Não se pode, 517 anos depois, ainda ter a audácia de se recusar a entender a causa e respeitar a luta alheia.

Não somos todos iguais, se tu trata os grupos da minoria como sinônimo de obsolescência humana. Teu higienismo é sujo.

Não somos todos iguais, se tu acredita em meritocracia e defende 'as suas conquistas', com o argumento de que todos possuem oportunidades iguais. Não, não faça os vulneráveis acreditarem que não merecem benção de suas divindades e que por este motivo estão onde estão.

Não somos todos iguais, se tu acredita que não é útil educar pessoas pobres, afim de mante-las te servindo e varrendo o chão que pisas. Ou se queres, que elas continuem sendo invisíveis, sem conhecimento a nível básico que seja, para que não tomem ciência de seus direitos e saiam do anonimato, denunciando toda sua opressão.

Não somos todos iguais, se tu comemora a destituição de governos democráticos e progressistas, mesmo sabendo em que dimensão chegará a deficiência, para os que dependem dos programas sociais. Ou se priva alguém, de seus direitos.

NÃO, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS, se tu não abre mão dos teus privilégios para o outro usufruir de parte dele. 


Quero viver para tangir a emancipação desse povo. Hoje, essa parcela é como a tartaruga, daquela fábula 'A lebre e a tartaruga'. Caminhando devagar, resistindo e confiante de que um dia cruzará a linha de chegada. A diferença, é que essa tartaruga nunca partiu do mesmo ponto inicial que a lebre, sabotaram-os.  As lágrimas se secarão e não será por desidratação.
. . .

Como proceder em casos de ameaça ou violência contra a mulher?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

(foto ilustrativa - via)

A mulher vítima de violência ou qualquer tipo de agressão deve denunciar o agressor. Para isso, ela pode se dirigir a uma das unidades da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (DEAM) ou ligar para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência - Ligue 180, um serviço de utilidade pública, confidencial e tem amparo na Lei Maria da Penha. As ligações podem ser feitas gratuitamente de qualquer parte do território nacional.

O serviço é oferecido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, desde 2005. O Ligue 180, que funciona como disque-denúncia, tem como finalidade receber denúncias de violência e orientar as mulheres sobre seus direitos e a legislação vigente, encaminhando-as para os serviços adequado, quando necessário.

O primeiro passo que a mulher vítima de violência deve adotar é denunciar o agressor. Em seguida, realizado o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial encaminhar o caso, para o juiz irá apurar a situação para iniciar o processo. As denúncias são encaminhadas para o Ministério Público de cada Estado com cópia para a Segurança Pública e tem apoio do Programa Mulher, Viver sem Violência’.

Qualquer pessoa, que não esteja diretamente ligada à agressão, também pode formalizar a denúncia, informando e revelando em detalhes o acontecido, que será encaminhado às autoridades competentes da região do demandante. Os tipos de provas contra o agressor podem ser úteis: fotos, ligações registradas, gravações, e-mails, mensagens do whatsApp com ameaças, além de testemunhas que presenciaram o fato ou situação.

Outra maneira de receber orientação e atendimento nos casos de violência é procurar outros órgãos responsáveis como Defensoria Pública, Ministério Público, Centro de Referência de Assistência Social ou a Vara de Violência Doméstica e Familiar. Em algumas

Respeito, proteção e garantia à vida das crianças e dos adolescentes

sexta-feira, 3 de março de 2017

(autoria: Sérgio Silva / via)
"O adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, morreu na madrugada da última segunda-feira (27/02), ao sofrer uma parada cardiorrespiratória depois de ser perseguido por seguranças da rede de fast-food Habib’s na Vila Nova Cachoeirinha, bairro da Zona Norte da capital paulista. De acordo com as investigações, o jovem pedia dinheiro e alimentos para os clientes do estabelecimento."
Este foi o assunto de alguns jornais nacionais desde a semana anterior (27/02). Trata-se da morte de um adolescente onde uma testemunha ocular disse ter visto o segurança agredindo o mesmo (edição em 04/03/2017: João realmente fora agredido e arrastado do local, por 'seguranças'), sendo este o ato covarde que tomou posse da vida de João. João pedia R$1,00 para o alimento.

O Brasil possui um sistema politico e econômico relacionado fortemente ao capitalismo. Num país em subdesenvolvimento, a vulnerabilidade social possui presença notória, pois como é de conhecimento, a  economia não é distribuída igualmente entre a massa (a burguesia corrupta neo-liberalista não permite).

Os meninos de rua podem ser vistos em qualquer espaço geográfico, principalmente no perímetro urbano e os motivos, são os de sempre: a podridão do recorte social e/ou racial que os devoram, a falácia da meritocracia, a desigualdade socioeconômica, o descaso desumano (e existe descaso humano?)...

Diante destas situações corriqueiras, é fácil lembrar-se da Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e outras providências. Dos direitos fundamentais, são eles: Direito à Vida e à Saúde; Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade; Direito à Convivência Familiar e Comunitária; Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer; Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho; Prevenção (prevenir a violação dos direitos)...

​Mas a sociedade é estruturalmente podre: a mulher sem condição física-financeira engravida e não lhe é permitido a escolha entre aborto saudável ou continuar com o ciclo da gestação. Obrigatoriamente o filho nasce, mais um para ficar à mercê do descaso social. ​A​ ​​criança cresce e percebe que o sistema lhe obriga a buscar por algo (suprimentos vitais, infração à Lei, refúgio no mercado e consumo de entorpecentes...) e quando ela faz isto, a sociedade diz que bandido bom é bandido morto, que a maioridade penal deve ser reduzida... Quando na idade, não tem a oportunidade de acesso à educação, menos ainda ao ingresso no ensino superior, ou seja, permanecerá sendo o descarte social.
E esta sociedade quem dita isso, é a pró-nascimento que amaldiçoa o aborto legal porque a vida é dom divino mas invisibiliza o menino/adolescente na rua. (Assunto abordado numa postagem antecedente)

"Meu filho era humilde igual eu, catador de lixo. Foi espancado por pedir um real para comer um lanche", diz pai do adolescente.

E o Estado está a cruzar os braços, desonrando os princípios fundamentais da Constituição Federativa do Brasil. Reproduzindo a não dignidade da pessoa humana; negando o direito à cidadania e aos valores sociais; submetendo pessoas à tortura (física e psicológica) e tratamento desumano;  não promovendo a solidariedade; não repudiando o racismo; não solucionando pacificamente os conflitos... (se e ainda não conhece alguns dos princípios fundamentais, leia aqui).

Se o ECA está em vigor, por que não contempla toda e qualquer criança e adolescente? 
Por que só lhe compete respeitar, proteger e garantir a vida dos filhos burgueses e dos filhos dos governantes corruptos e ilegítimos (usurpadores que exalam mau cheiro)?
Quando se encarrará o extermínio do povo? Quando terão paz e liberdade?

Finalizo com uma poema de Sérgio Vaz, (o qual admiro em excesso o trabalho do mesmo) para a reflexão:

Quantos Jorginhos temos/teremos mais?