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Como extinguir estupradores?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Tortura, é a imposição de força de um indivíduo sobre o outro; a dominação para fins de "crueldade, intimidação ou punição", tendo como consequência o dano físico ou psicológico, a destruição da individualidade. Isso é o estupro.

Supremacia de gênero, é a ideologia conservadora de que existe diferença de importância entre os gêneros ou que um é mais legítimo que os outros. Em questão, o masculino é universalmente superiorizado e os que sustentam isso, sentem repulsão por todos os outros gêneros. O estupro tenta afirmar isso.

Objetificação, é o ato de tratar outro individuo como descartável, considerando que o mesmo não tem caráter de unicidade e que não é senciente. O descartável é o que "se deita fora após uma ou mais utilizações, objeto facilmente substituível". É essa a perspectiva do estuprador para com a vitima.

Estas são apenas três das violações.

Para qualquer sujeito capaz de pensamentos coesos, sem mais é possível perceber que estas e outras não são reproduzidas pelo órgão sexual masculino. São exercidas e reproduzidas por seres humanos concebidos com o órgão sexual masculino.

A inibição do impulso sexual em forma química ou cirúrgica é "corrida perdida antes mesmo da largada". A diminuição do desejo sexual ou da possibilidade de ereção não faz com que o individuo perca o interesse em violentar, visto que existem outros instrumentos passiveis de violar a vitima tanto quanto o falo. O fato é que o ato não será impedido de ser cometido. Os meios não altera o fim.

O próprio autor da PL 5398-2013 é um estuprador em potencial/recluso (que pensa que relação sexual forçada, o estupro, é método corretivo para algo que acredita ser verdade única) e vive a insultar e violar - com palavras, até então - a população feminina. Haja visto seus pensamentos expostos, tal como "Só não te estupro porque você não merece".

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

Considerando a laicidade, não seria bom que incluíssemos na analise a fé que Jair Messias diz professar. Mas, no minimo, com tamanha hipocrisia perfaçamos que este é um discípulo adepto a traição.
O que diz "Michelle, enquanto não faltar água no mar, não deixarei de te amar" para a esposa, também diz "...Foram quatros homens. Aí, no quinto eu dei uma fraquejada e veio mulher". [O Pai fraquejou? A Tua imagem e semelhança, podemos descartar?]

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

A castração não é o gume que corta os pés do mal para que deixe de caminhar. O projeto é tanto incoerente que propõem voluntariedade do transgressor: considerando a fragilidade da nossa construção social de masculinidade, só consigo pensar em "o voluntário involuntário".
As medidas correcionais devem funcionar segundo a sociedade qual será aplicada, e não apropriar-se de leis estrangeiras considerando que estas são onipresentemente eficaz.

Deve-se pensar em anticonceptivos e não em "pilulas do dia seguinte". Mas para tal, é necessário que isto seja feito a partir da perspectiva do sujeito vitima, ou seja, mulheres precisam ser eleitas, para pensarem políticas feministas - que também tenha como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente.

Não se pensa solução sem antes pensar prevenção. Deve-se viabilizar mecanismos que invistam em educação progressivamente efetiva, pois enquanto for precária ou nula, terão que continuar alimentando os sistemas de repressão e punição, os quais dissecam e consomem "corpos vazios e sem ética".
Educação de qualidade, não significa que pessoas violentas deixarão de agir, mas reduzirá a propensão para corrupção ao ensinarmos às nossas crianças como serem íntegras e mais próximas da irrepreensibilidade social.

E nós, individualmente perceptores de sentidos e socialmente lúcidos, cuidemos de nossa estabilidade psicológica - o que tem sido luta íngreme - para que juntos e com firmeza, não deixemos sucumbir a consciência social em nome da justiça [revolucionária].

 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Afro cristãos brasileiros sofrem amnésia histórica?

domingo, 12 de agosto de 2018 2 comentários
CATOLICISMO E EVANGELIZAÇÃO
No inicio dos últimos cinco seculos, houveram projetos de evangelização, sob olhos colonizadores. O Império concedia poder para a Igreja, que por sua vez tinha poder influenciador na vida politica do país.
A posição da Igreja em relação aos escravizados era de consenso com a opressão, pois não os acolhiam, uma vez que vigorava uma união exploradora com colonizadores.
As propostas evangelizadoras não tinham como interesse a emancipação dos escravos. Os negros não eram aceitos e não lhes eram assegurados o direito de exercer a fé em sua própria religião: assistiam "do lado de fora" ou praticavam sincretismo.
(Mas antes mesmo de grande parte da Europa, o cristianismo se difundiu na Etiópia (no Império de Axum), conclui-se que, posteriormente, os negros não se apropriaram da fé do opressor).

A INSTALAÇÃO DO PROTESTANTISMO NO PAÍS E SUA [NÃO]PREOCUPAÇÃO COM A ESCRAVIDÃO
No século XIX, uma nova vertente do cristianismo, a Igreja Reformada se instala definitivamente no Brasil. 

No inicio não foi tarefa fácil, sofreu rejeição, expulsão, perseguição e conflitos de interesses constantes entre católicos e protestantes.

O Protestantismo chega com a proposta de renascimento, inclusão e [re-]humanização, também aos imigrantes: um Deus que não abraça tão somente a burguesia capitalista. Seria esse o inicio do progresso, do reconhecimento e da atribuição de dignidade humana aos oprimidos? O inicio da emancipacão?

Os missionários em sua maioria eram norte-americanos. Seus principais ideais eram a separação entre a Igreja e o Estado; promover a educação, a democracia e a liberdade de pensamento. Se identificavam como Liberalistas.
Porém, além de instruírem os novos convertidos a libertarem seu súditos, não concretizaram ações que de fato mudaram a ordem social estabelecida. Outros agentes missionários ainda, usaram de mão-de-obra escrava para se instalarem no sudeste brasileiro.

A grosso modo, só concordaram e assumiram posições mais brandas e contrárias ao sistema governamental escravocrata, quando o mesmo foi abolido - mas há muito a ser lido sobre as posições declaradas e individuais, das diversas igrejas protestantes.

À MARGEM SOCIAL, NUM NÃO LUGAR
Contudo, o movimento cristão - de modo geral -, foi seletivamente acolhedor e comungou com a escravidão - houve consenso ao não ser anti-escravista. Não promoveu o discurso e ações emancipacionistas efetivas.

O Protestantismo correspondia com os interesses da classe dominante - os senhores de terras/senhores de escravos. Isso era claramente visível nos veículos impressos - de autoria dos missionários protestantes -, por exemplo, o povo negro não era contemplado como agente de mudança histórico-social - mas sim quem antes o detinha: os senhores.
Nesse momento - após a abolição - a visão que se tinha é de que o povo negro deveria ser "resgatado, regenerado e educado", segundo os princípios morais protestantes e então só assim este se tornaria humilde e distante da rebeldia (raiva), para que pudesse se tornar produtivo e ativamente saudável na práxis: o caminho que leva a sociedade a liberdade.

Desprendido de seus senhores e teoricamente livres, os negros se perceberam num não lugar, instalados numa sociedade com bases racistas, sem infraestrutura ou oportunidades de trabalhos para se edificarem - sozinhos - como humano.

A FÉ QUE LIBERTA: CONTRA TODA OPRESSÃO
Um pulo - com pernas grandes - aos dias atuais, para compreender de forma coesa a presença negra num espaço considerado racista - pós conhecimento da participação dessa fé, num sistema escravocrata.

A leitura do livro sagrado, a Bíblia, desde o princípio foi feita a partir do olhar eurocêntrico, sexista, classista...
Para o começo de uma fé libertadora, é preciso que a hermenêutica seja apropriada a partir da perspectiva e história de quem a lê - por exemplo, quando os negros, a classe dominada, as minorias tornam sujeitos que reinterpretam e conduzem o sentido da leitura é diferente de como o cristão-fascista a faz.
Não há leitura neutra e absoluta e com isso é possível [re]conhecer o Evangelho, que é de fato acolhedor, abundante em amor.

"É importante ressaltar que, em momento algum, a Bíblia foi neutra diante da escravidão, antes serviu como “ferro em brasa” e “algemas” que aprisionavam negras e negros no “doce inferno” do engenho de açúcar." (...) "foi usada não apenas para legitimar a escravidão, mas também para amaldiçoar o povo negro, através de sua interpretação repleta de etnocentrismo"(ref. 1)

A Teologia Negra (Teologia da Libertação) - surgiu entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, sob a liderança de Martin Luther King - nasce da discriminação vivida e designa a libertação do "pecado social que marginaliza e escraviza".

"...Ela se concentra na reflexão teológica sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther King Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade dominada pelos brancos. (...) Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo de oprimidos..." (ref. 9)

O povo negro cristão, reconhece o Evangelho como potencial libertador, trazido por Jesus Cristo, Aquele que foi penalizado com morte por sustentar seus princípios de justiça.
A divida histórico-social com os negros, não deve ser atribuída a Deus e seus ensinamentos. Iniciou-se com a leitura e [não]ações intencionalmente violentas pregada pelo Estado-Igreja, para legitimar seus interesses.

Pelas vezes que puseram sob analise a sanidade negra e a atribuíram incapacidade coerencial, quando este sujeito se afirma cristão: não há amnesia histórica. É preciso reinterpretar as escrituras - pela perspectiva do oprimido - e a representação de Jesus:
"Aquele que condenou o acúmulo de riquezas; andou com os pobres; anunciou a partilha dos bens; disse quera preciso escolher entre o amor a Deus ou ao dinheiro; impediu processos de execução; não estimulou a violência; acolheu as pessoas humilhadas pelos preconceitos culturais e religiosos; confrontou as estruturas de poder..." (...) "precisamos abraçar a causa da justiça econômica; do respeito à diversidade; da critica ao poder; do grito dos oprimidos."(ref. 2)
"Liberto e livre, ninguém aqui é incapaz,
Viver bem com a consciência Plantando a semente da paz
Ajudar ao próximo mais do que você pode
Sei que és forte, corajoso, não mede esforços,
A força divina não vai lhe abandonar,
O despertar do amanhecer é uma nova conquista,
De quem não se entregou e para aquele que acredita,
Injustiça não há nas mãos de Deus,
Se apegue a ele...
" (Se tu lutas, tu conquistas", Somos Nós a Justiça) 
Prevaleçam o Amor e a Caridade. Permaneçam a lucidez, a participação social, a promoção da dignidade da vida, o movimento progressista... que Teus passos sejam seguidos.
A Tua imagem e semelhança: um Jesus que abraça a diversidade e desmonta o etnocentrismo.
_
Indicação:
a. "Não existe leitura neutra da Bíblia", Ronilso Pacheco. <link>

Referencias bibliográficas:
1. "Hermenêutica Negra Feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6"., Cleusa Caldeira. <link>
2. "Jesus era de esquerda?", Henrique Vieira. <link>
3. "Como a Igreja Católica tratou negros e negras nestes 507 anos?", David Raimundo dos Santos. <link>
4. "'Negro não entra na igreja: espia da banda de fora' - protestantismo e escravidão no Brasil Império", Márcia Leitão Pinheiro (resenha do livro). <link>
5. "500 anos do Protestantismo e escravidão no Brasil", Hernani Francisco da Silva (para Afrokut). <link>
6. "As igrejas coptas da Etiópia: Em busca das raízes cristãs", Marcello Lorrai. <link
7. "Afro Cristianismo no Brasil", Marco Antonio Sá. <link>
8. "O Protestantismo no Brasil", Alderi Souza de Matos. <link>
9. "A Teologia Negra: Uma introdução", Filipe Dunaway. <link>


 esta soy yo!Eli Belizário
Cristã, afrofeminista

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

"Estou escrevendo essa carta, meio aos prantos..."

quarta-feira, 25 de abril de 2018 2 comentários

Música "A carta", composição: Claudio Matta / Alvaro Socci

Acima, apresento a mais tolerável das gravações (se está lendo no celular, avance para o minuto 3:16, mas as duas primeiras músicas valem seu tempo), porém não menos virulenta. Digo que na voz de outros, por exemplo, Eduardo Costa, é mais irritante, mas acredito que essa é minha posição enquanto individuo. Tratando-se do sujeito, em todas as vozes é igualmente problemática.

O intento não é vigiar e punir o sertanejo - aqui não se marginaliza mais, gênero algum.

Recentemente concluí as duas temporadas de "Doctor Foster", pertencente à BBC, disponível na Netflix.
Em busca de resenhas, ao que parece, todos que a assistiram, aplaudem Bartlett pelo drama. Mike Bartlett, o criador, se diverte fazendo de Gemma (Suranne Jones), uma mulher com um estado psicológico perturbado e programado à destruição das faces do marido Simon, após desconfiar de uma possível traição.

Gemma e Simon, ao fundo / via: Cine Pop 

Nos fatos seguintes, Gemma se dedica inteiramente ao processo investigativo, ficando ineficiente no trabalho e reduzindo a quase nada de sua atenção dedicada ao filho Tom, 12 anos.

Contudo, Gemma se propõe perdoar Simon se ele for leal e revelar a infidelidade.

É notável a justificativa universal: "Devemos ficar juntos, pelos nossos filhos". Mas, a atribuição da responsabilidade majoritária numa família com filhotes, é para o sujeito materno. O número de mães sem cônjuges têm crescido e esse é o fato qual comprova que a natalidade não fortalece as relações - entre os pais. Quem assim faz, neste intento, é procriador egoísta.

Gemma ainda ouve de Tom que, se o papai buscou uma relação extraconjugal, é por não ter recebido a atenção necessária da mamãe.

Infelizmente, existem inúmeras Gemma's.
Não é natural perdoar sem implodir as consequências. Se fossemos analisar este tal perdão, talvez descobríssemos que de fato, não é perdão. O perdão está banalizado.

Sucessivamente, Simon atribui a culpa à Gemma pela não regeneração da família: "Podemos esquecer tudo e vivermos como nada houvesse nos fragmentado!"

Bartlett, cria uma personagem à beira da loucura: porque essa é a visão masculina calculada sobre a traída, como quem diz que as mulheres não são estáveis o suficiente para sobreviver ao indesejável.

Quando numa relação afetiva, dois indivíduos consentem em absolutamente tudo, um dos dois está com dificuldade de 'ser individuo'. É necessário buscar ajuda.

"E por isso decidi
Que eu vou ficar com ela
(...)
Ao enxugar minhas lágrimas com beijos
Revelou que já sabia
Mas iria perdoar"

Temo a bondade de muitas mulheres. Estão se alimentando de sobras. Sobras estrategistas e hegemônicas, em nome do amor.

Violência moral e psicológica é agressão.

"Se você manter silêncio sobre as suas dores, eles vão te matar e dizer que você gostou."
(Zora Neale Hurston)
_
Leia:
🚩 "Perdão é reconquista"
🚩"A lealdade é um dos sentimentos mais puros"

Muito másculo!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Armas mais fortes. Tanque mais cheio. Alta voltagem. Na rua, harém de 'vagabunda mulata' - sujeitinho insignificante. Sem choro, sem massagem, sem chance, sem isso de querer sentir. Dente por dente. Sangra sem dor. Não se corrompe pelo amor. Sentimento suprimido. Perversidade,  força, inflexibilidade, intolerância, independência, racionalidade, auto-suficiência, soberania. "Coisa de homem!"

Atribuição de papéis. Evitação da feminilidade:  cultura do estupro, homofobia, misoginia, machismo, racismo, feminicídio. Abatedouro de mulheres: construção - tóxica - de masculinidade. Impunidade...

"EM NÚMEROS: A violência contra a mulher brasileira(acesso em 19/01/2018, 15:48)
"ONU: Taxa de feminicídios no Brasil é quinta maior do mundo" (acesso em 19/01/2018, 15:48)


Um compilado chamado: "Renuncia à empatia"

segunda-feira, 20 de novembro de 2017 Nenhum comentário

O racismo estrutural

"O cabelo de Lele", é um livro, escrito por Valéria Belém, que é: jornalista, escritora, branca e seu sonho é "tocar o coração daqueles que leem seus livros, assim como ela já foi tocada por vários autores". O problema de alguns brancos - sem generalização - escreverem sobre racismo é a forma como enxergam e sentem. Para estes, tudo se resolve com conversa e conhecimento - tudo que os racistas tem ao dispor: fala e conhecimento, fosse assim, não mais existiria racismo. 

Lele é uma menina que não gosta do cabelo ao se olhar no espelho. Seu cabelo, aparentemente - após ver a ilustração - é do tipo 4b e 4c, crespo/crespíssimo. Ao conhecer a história de seus ancestrais, reconhecer a origem de seu cabelo, Lele naturalmente começa a gostar do que vê no espelho.

Toda vez que alguém conclui um conto de racismo com final feliz, minha saliva parece ficar mais espessa e com dificuldade para passar onde sempre coube. 
Não tem como, quem não sofre racismo, escrever como é a vivencia de quem sofre. Nem quem sofre racismo consegue escrever em plenitude, como é sofrer.

Onde começa o racismo? 

"Karina, 15, se matou com medo do vazamento de fotos íntimas". Karina não sofria bullying, sofria racismo - como disse o pai da adolescente. O racismo foi praticado pelos que compartilharam o espaço social e escolar. Nesse caso, o cabelo - a raiz alta, quando o cabelo começa a crescer e a química a descer - era o alvo. A pele. Karina era o alvo. E isso - infelizmente, Valéria Belém - não acabou com final feliz.
A violência contra Karina não foi uma só. A presença do silêncio protagonizando a vida de Karina dizia muito.

Porque Lele, Karina e outras milhares de meninas pretas não gostam do cabelo? Porque não conheceram ainda sua ancestralidade? Depois que conhecerem, passarão a gostar?
Quem diz isso, nunca ouviu contar a História do Brasil.

Num outro livro infantil, "Tudo Colorido - Preconceito racial", categoria bullying - quando é que racismo virou bullying? -, escrito por Suelen Katerine A. Santos, não tive o desprazer de encontrar algo se quer, sobre a mesma. No livro, Suelen narra que a menina Tainá, de pele preta, se recusa a fazer tranças com uma cabeleireira  branca. A menina é mal educada. Depois, Tainá vê a vizinha com tranças muito bonitas e a tal disse que fez com a cabeleireira branca que Tainá havia recusado - POR SER BRANCA -. Sendo assim, Tainá voltou ao salão, pediu perdão e fez as tranças com a cabeleireira.
Suelen Katerine A. Santos, covardemente, criou um conto onde uma menina preta vulnerável é racista reversa. 
Existe inúmeras Suelen.

É assim que ensina crianças pretas, se amar, amar o próximo e como combater racismo?

Como tem gente que ainda tem coragem de 'sustentar' o pensamento meritocrático? 
"O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos."
Conversando com um professor de História - que já foi docente no Ensino Público -, abordamos a 'ausência de interesse' da classe baixa, quanto à Educação; como os docentes tratam esses 'alunos problemáticos'; como 'ninguém' se interessa em cutucar de onde vem o 'não interesse'. 
Os docentes - sem generalização -  sofrem tanto descaso pelas instituições que representam o Estado que não têm estimulo para se interessar pelo 'não interesse alheio'. Os discentes sofrem descaso múltiplas vezes. As instituições que representam o Estado omite direitos. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é impecável, mas a ineficácia e carência de Politicas Públicas é gigantesca. Como no slogan da Reforma da Previdência: "Contra os privilégios. A favor da igualdade", as instituições que representam o Estado 'sustentam' e promovem o pensamento meritocrático.

O Brasil é rico em ausência de real igualdade de oportunidades, raciais, sociais, culturais, sexuais e de genero. Mais perigoso que lutar por igualdade é mencionar a introdução de equidade. Perigosíssimo.

Desigualdade, sexualidade, identidade e desigualdade de genero

"Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi". Quando há mais de um fator que consequentemente 'define' a vida de alguém, a onda de violência é muito mais destruidora. O patriarcado e a 'soberania' são experientes em ser hereges. Promovem a Vida e o Amor em nome de tudo que é Santo e faz tudo como não deve ser. Autores da perseguição que mata muitos.

Está disponível na Netflix, o documentário "A morte e vida de Marsha P. Johnson". Retrata a vida e morte de Marsha, ativista dos direitos trans. Enfrenta a violência que a leva a morte. Filme indicadíssimo, para conhecimento - mais conhecimento - de como é sobreviver, sendo não heterossexual e branco. 

O processo de higienização está presente. Na ausência de oportunidade, na punição por ser rebelar, no embranquecimento forçado - como no caso da peça que retrata a vida de Carolina de Jesus - e em muitos outros fatos que compõe as estatísticas.

Coleguismo asqueroso

Com William Waack, perante prova o perito audiovisual, Maurício de Cunto, concluiu dizendo que aparentemente, William, diz preto, mas que não pode afirmar que é esta palavra
O coleguismo, este sim, é coisa de violentos em potenciais. Como no caso, "Marcelo Freixo é acusado de machismo pela ex-esposa".
Marcelo Freixo, que é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, filiado ao PSOL, que 'vestiu a camisa' do feminismo diversas vezes. Também recebeu solidariedade dos parceiros.

Oportunistas em potencial

A ex-presidente Dilma Vana Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores, eleita democraticamente por 54.501.118 milhões de votos em 2014; ao se posicionar contra William Waack - enquanto nas redes, se movimentava a hashtag #coisadepreto - em seu Twitter, disse: "(...) O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.".
É desleal se apropriar da 'causa alheia' para promover a si. Ser empático é esquecer os próprios interesses.

Os problemas são muitos e a manutenção no sistema 'está sendo feita' - está? existe interesse  'de cima para baixo'? - erroneamente. Não há ingenuidade em nenhum momento. A falha é estrutural - naturalizada, patrimônio imaterial -, está nos livros educativos circulando nas escolas - inclusive, aprovados pelo MEC -, na apropriação de fala exercida pelos que tem privilégio em ser ouvidos, na falácia meritocrática, na omissão dos direitos, na negação de oportunidades, na reprodução de desigualdades, na ausência de empatia, ao atribuir responsabilidade e culpa à vítima, ao reproduzir que o racismo só existirá enquanto falar dele...

A Justiça não é cega. É seletiva, asquerosa, renuncia a empatia e age cientemente. Não será tirando o chapéu e dizendo: "- Com licença, senhor!", que a liberdade será conquistada.

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Todos os links foram acessados em 19/11/2017 entre 08:09PM e 10:57PM.

sistema operacional

segunda-feira, 6 de novembro de 2017 Nenhum comentário
de todas as vezes que sobre minhas costelas, da lama poupei seus pés, nem ao menos - ainda que com desprezo - expressou gratidão.

sob o sol, couro esticado, desfibrando cada centímetro quadrado.

vida de gado!

da lama lavo os pés e tiro fora meu corpo minado.

imprestável, murmurarei pelo resto dos dias. pseudo liberdade tardia.

Eu, vitimismo: Capítulo 4 - Não somos todos iguais

segunda-feira, 31 de julho de 2017 2 comentários
(ph: Tainan Silva)

Mais um capítulo lírico-comum.

Essa falácia incessante que diz que "somos todos iguais"; me irrita, me faz refletir e me toca toda vez que leio ou escuto.

Juro, juro que tento entender o que vos convence a acreditar neste argumento. Essa sociedade, máquina de moer carne humana e digerir espírito, não promove a tal igualdade que tanto fala. Fala por hábito ou senso comum. Não se pode, 517 anos depois, ainda ter a audácia de se recusar a entender a causa e respeitar a luta alheia.

Não somos todos iguais, se tu trata os grupos da minoria como sinônimo de obsolescência humana. Teu higienismo é sujo.

Não somos todos iguais, se tu acredita em meritocracia e defende 'as suas conquistas', com o argumento de que todos possuem oportunidades iguais. Não, não faça os vulneráveis acreditarem que não merecem benção de suas divindades e que por este motivo estão onde estão.

Não somos todos iguais, se tu acredita que não é útil educar pessoas pobres, afim de mante-las te servindo e varrendo o chão que pisas. Ou se queres, que elas continuem sendo invisíveis, sem conhecimento a nível básico que seja, para que não tomem ciência de seus direitos e saiam do anonimato, denunciando toda sua opressão.

Não somos todos iguais, se tu comemora a destituição de governos democráticos e progressistas, mesmo sabendo em que dimensão chegará a deficiência, para os que dependem dos programas sociais. Ou se priva alguém, de seus direitos.

NÃO, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS, se tu não abre mão dos teus privilégios para o outro usufruir de parte dele. 


Quero viver para tangir a emancipação desse povo. Hoje, essa parcela é como a tartaruga, daquela fábula 'A lebre e a tartaruga'. Caminhando devagar, resistindo e confiante de que um dia cruzará a linha de chegada. A diferença, é que essa tartaruga nunca partiu do mesmo ponto inicial que a lebre, sabotaram-os.  As lágrimas se secarão e não será por desidratação.

Efeito do condomínio privado sobre a cidade

sábado, 11 de fevereiro de 2017 Nenhum comentário

(via)

O conceito de cidade, não é um só. Existe uma amplitude de fatores que provam isto, existem também diversos estudiosos, jornalistas, escritores e urbanistas que já contribuíram com os seus pensamentos quanto à isto.

Raquel Rolnik, urbanista e  professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), autora de "O que é cidade", livro este que ela discorreu sobre seus múltiplos olhares sobre a cidade, enquanto: produto para atrair indivíduos externos, livro de histórias culturais e de seus habitantes e outros.

O processo de urbanização da cidade, não é simples. O planejamento urbano é essencial para que o resultado seja uma cidade que atenda às necessidades de todos.
A cidade é um livro aberto onde a escrita é a história de seu povo, desde seu nascimento.  É também um cenário de vivencias sociais, culturais e outros, ou seja, possui função. Necessita de uma infra-estrutura que valorize sua respectiva densidade humana.

Jane Jacobs afirma que mesmo que o poder público/privado tenha capital excedente para investir no planejamento urbano, ainda assim isto não se auto sustenta. Nem só de capital vive o planejamento urbano, embora o mesmo dependa bastante da economia. Pois se assim fosse, não teria tantos bairros em condições de vulnerabilidade de lazer, moradia e mobilidade urbana.
O fato é que o investimento socieconômico publico/privado não soluciona problema algum, se o mesmo for aplicado de forma incorreta.

A idealização do condomínio residencial privado, desde o principio, foi pensando em assegurar plenitude  de conforto e segurança. Para Jane Jacobs, ao invés disto, o condomínio privado desperta o interesse do infrator para adentrar o espaço. O mesmo pensa que "se está fechado, certamente existe coisas de valores armazenadas dentro dos muros" e então, o discurso de segurança, perde a sustentação.

Em minha cidade, existe um complexo privado de uso múltiplo, onde os idealizadores prometem satisfazer as necessidades das famílias contemporâneas com elegância e exclusividade: apartamentos de 68,00 m² à 215,00 m². O empreendimento conta com apartamentos residenciais, comerciais e corporativos. Reúne num lugar só, quase tudo que é essencial para a vida humana. 


Isto parece ótimo para quem conseguiu adquirir. Mas não acredito ser bom para uma vida saudável em sociedade, pois uma vez que o morador tem quase tudo ao seu curto alcance, o mesmo não necessitará sair de seu raio de conforto e isto resulta na não-promoção da socialização humana.

Ainda referenciando Jane Jacobs, ela acredita que as vias da cidade, contribuem fortemente com a segurança para todos. Se as mesmas possuírem uma ótima infraestrutura, iluminação, conservação física, consequentemente promoverão um fluxo constante de transeuntes e automóveis. Crianças não terão medo de brincarem no período noturno, pessoas não terão medo de ficar debruçadas na janela de seus dormitórios a observar o movimento. E isto promoverá ainda, a segurança de todos, pois o transeunte terá o pensamento de que enquanto tiver alguém a observá-lo, nada maldoso lhe acontecerá.

Se o planejamento urbano fosse tratado com seriedade, não seria necessário a implantação de condomínios. É fato que os mesmos não garantem a segurança plena, talvez somente confortabilidade. Jacobs considera que os condomínios horizontais e verticais são barreiras visuais e limitam a paisagem urbana.

Cada vez mais, constroem-se condomínios privados na cidade e isto fortalece a segregação socioespacial econômica enquanto oferece uma segurança utópica aos moradores dos mesmos.
Vale analisar também se estes condomínios estão sendo implantados num ponto dentro do contexto, pois este de minha cidade não condiz com o entorno e fora locado onde poderia ser implantado um parque ou outro equipamento que atenda as reais necessidades dos cidadãos do local.

O planejamento urbano é importantíssimo e nenhum pouco simples de ser elaborado, mas é o primeiro passo para que uma cidade tenha um bom desempenho. Lembrando que deve se pensar na cidade como uma metamorfose, para que posteriormente não seja necessário o processo de reurbanização, o que seria mais complexo ainda (e quase nunca acontece, por isto o mau funcionamento nas grandes cidades).

Concluindo, acredito que a vida em sociedade merece uma nova oportunidade para nos cativar. Não apoio o fim dos condomínios privados já existentes, apoio o inicio de novos pensamentos críticos, ao invés de somente implantar empreendimentos que têm por objetivo conter a vida do morador num só espaço. Pois como já foi abordado acima, a segurança oferecida é incerta.

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Referências: Resenha de Morte e vida de grandes cidades, Jane Jacobs 2000 (via Vitruvius) e livro O que é Cidade?, Raquel Rolnik.

 
Desenvolvido por Michelly Melo | Ilustração por Gabriela Sakata