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"E se todos fossemos negros?"

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

(via)
"Negros podem alisar os cabelos, pintar de loiro, usar lentes de contato... porque é “interessante” parecer branco. E o processo inverso? Como funcionaria? Não há nada de degradante nisso.  Uma ferida aberta na história da humanidade que parece não cicatrizar. Um assunto tão ultrapassado e que ainda persiste, comprovando o quanto ainda somos primitivos. Sei que no paraíso não há racismo nem racistas. Isso é uma coisa mundana e suja.  Em recente viagem a um éden natural banhado pelo mar do Caribe, fiquei hospedado em um resort que recebe visitantes de todos os cantos do planeta em busca de diversão, descanso e principalmente comodidade e mordomia. Neste universo turístico, ainda há o chamado Royal Service, onde uma casta abonada de brancos é servida incansavelmente por uma equipe qualificada de negros. Negros e negras lindos, com olhos brilhantes e saudáveis, muitos deles oriundos do Haiti ou de países africanos.  A situação se torna desconfortável quando percebemos que alguns destes “brancos endinheirados” tratam os funcionários do local como se fossem robôs, ou “máquinas de servir”, chegando ao ponto de não cumprimentar os mesmos na chegada em um determinado espaço onde serão atendidos.  Em que ponto exatamente em nossa história antiga se estabeleceu que havia uma raça superior à outra? Que espinho é esse cravado em nossa sociedade que até hoje não foi arrancado? Que sentimento preconceituoso é esse, daqueles que se intitulam superiores? Quem são os portadores de tal arrogância, entre nós da raça humana?  Impressiona o fato de ainda nos confrontarmos com este câncer que mistura discriminação, indiferença e sofrimento. Acredito que a principal razão para tanta intolerância seja o medo. As pessoas em geral têm medo de seus próprios sentimentos e de tudo aquilo que é desconhecido. No momento em que colocamos alguém em uma posição “inferior” a nossa, nos sentimos valorizados e privilegiados, e isso é mais do que lamentável, é vergonhoso.  E se todos nós fossemos negros? Pensando nisso, criamos uma série de retratos de personalidades imaginando as mesmas pertencendo à raça negra. Chefes de estado, celebridades e ícones da nossa cultura fazem parte do experimento What If? – The portrait collectionA ideia partiu de Henrique Steyer ao retornar de recente visita à República Dominicana. Os retratos foram criadas em parceria com o designer Felipe Rijo, especialista em manipulação de imagem." (Henrique Steyer, disponivel aqui, acesso em 17/08/17)

Fazia uma pesquisa sobre arquitetura e design, quando encontrei no boomspdesign, o perfil de Henrique Steyer: homem branco, formado em arquitetura e urbanismo, pós-graduado em imagem publicitária e pós-graduado em design estratégico.
Algo que me instigou a querer conhecê-lo, sem dúvida, foi o trecho seguinte, presente em sua apresentação:
"Com um espírito criativo absolutamente globalizado e raízes muito bem fincadas no Brasil, Steyer aposta também em outra faceta: o desenho industrial. Suas coleções autorais saíram das pranchetas com forte acento arrojado, passeando por temas que mesclam patriotismo, erotismo, crítica social, crítica racial, política, poder, sincretismo religioso e muito mais."
Numa breve googelada logo o encontrei, consequentemente, seu projeto 'What if?' (E se?). A partir disso, infelizmente, tive mais certeza de que brancos, realmente não se importam em saber o que é racismo.

Olhos claros e cabelos lisos com fios loiros não é cultural, muito menos genética intrínseca de uma única etnia. Nunca foi "interessante" parecer branco. Todo o mundo que os privilégios estão concentrados e trancados com as 7 chaves dos padrões da supremacia branca heteronormativa. Para parecer conveniente e razoavelmente aceito em diversos meios, alguns negros se submetem a diversos procedimentos.

Racismo não é assunto ultrapassado, está acontecendo agora, na frente de todos e não precisa expandir muito o horizonte para vê-lo. Essa tal ferida está longe de cicatrizar, uma vez que os microrganismos que a inflamam, continuam se multiplicando.

Como esse tal espinho poderá ser arrancado? Tenha certeza que não será com essa ideia 'E se?', de conscientização.

Quando dizem que os negros são lindos e saudáveis - somente -, só reforça a ideia de que só se interessam pela beleza seletiva e funcional que produz dinheiro para os senhores.

Brincar de  colorir não conscientiza ninguém. A negritude está se movimentando e morrendo em massa, não basta para conscientizar? Quantas outras vidas precisam ser tratadas indignamente? A luta é vã? Porque, enquanto hipotetizam os fatos, o genocídio só aumenta.

Não é sobre enegrecer os brancos - negro não é fantasia -, é sobre cobrar que os respeite com dignidade e humanismo. Que papelão (para alguém que se considera intelectual), que pecado (para alguém que acredita no paraíso), que blasfêmia, quanta ausência de respeito, quanta indiferença com a cultura negra! Black face até no Adolf, hein?
Ativismo mais legitimo que este? Impossível! "Denuncio o racismo mas continuo explorando os negros lindos e saudáveis!"

Essa surrealidade é real. What if, a branquitude começasse se importar com a negritude? What if, eles parassem de fingir não compreender que as raízes do racismo é institucional, é político-social? Nada é tão superficial quanto fingem pensar. Reproduzir falácia pobre de História e continuar no trono, reforça o conceito de que realmente não se importam.

Ao invés de What if, porque vocês não se disponibilizam para trocar - literalmente -, um dia de vida com Rafael braga, Cláudia Silva Ferreira ou Luana Barbosa? Aí ninguém quer! Racismo é lucro, não é? O sistema ganha, vocês ganham vendendo isso que chamam de arte/conscientização; e quem perde são só os negros... Covardia institucionalizada!
Observação: 1- Acesse o arquivo de Steyer para ver mais desgraças. 2- Se você, sr. Henrique Steyer, por acaso ler isso, por gentileza se posicione ainda que isto seja indefendível.

Preconceito e conservadorismo em nome de Jesus

domingo, 6 de agosto de 2017

👀

Lembro claramente do dia que sofri preconceito dentro da igreja. Um senhor, aparentemente bem fervoroso, disse ao meu pai que o modo que eu usava meu cabelo, não agradava Cristo. Disse ainda, que já vira Satanás se manifestar em uma mulher que estava como eu.

Estava com o cabelo natural, preso para cima, como na foto.

Quando tive ciência do que me aconteceu fiquei confusa, e irritada com meu pai por não ter dito nada ao meu respeito. Hoje, entendo a suposta relação do meu cabelo com Satanás: o considerado feio, certamente não foi Cristo quem fez.

Preconceito e conservadorismo pregado em nome de Jesus, para facilitar a aceitação sem questionamento. Qual a maior blasfêmia, se não esta? 
Quais medidas ele pensou que eu tomaria, afim de agradá-lo? Será que ele já disse isto à uma mulher branca? 

Se confio minha vida ao Cristo, porque eu temeria a homem pecador com falácia estranha?
Sou tão grata, por ter a oportunidade de ter me tornado quem sou; por analisar cada palavra que recebo, filtrar, e absorver só que não me adoece.

Sou evangélica e sinto muito por cada um que mancha esse movimento. Sinto muito, pois podem querer manipular alguém, que, diferente de mim, absorve perigosamente tudo que lhe é servido.

Que Jesus é este que higieniza seu povo, partindo de princípios classista e étnico (e outros)? Felizmente, este, desconheço. O meu é outro.

Quando digo que é difícil ser mulher preta, não estou apenas reproduzindo por costume. Nos obrigam a ser forte, cada segundo, independente do âmbito em que estamos inseridas.

Observação: Não estou generalizando as igrejas e os evangélicos. Sou evangélica, e acredito nos princípios, à minha maneira (segundo o meu Cristo). A intenção deste texto, é dizer que infelizmente não existe exceção, não estamos imunes dependente de onde estamos. Devemos continuar resistindo, até nos lugares onde deveriam nos oferecer abrigo.

"Cê é linda, cê é boa, cê é importante!"

terça-feira, 25 de julho de 2017

(ph: Tainan Silva)
Não me disseram que sou linda, boa e importante. Demorei, mas, descobri quase sozinha. Algumas mulheres pretas intelectuais me influenciaram. Minha beleza não é só estética. Minha bondade fomenta. Minha importância é peculiar.

Não sou propriedade escravocrata, ou objeto satisfatório, ou fortaleza inabalável. Não sou o que querem que eu seja. Eu sou o que quero ou não, ser. Sinto fraqueza quando preciso sentir. Tenho desejos. Sou meu templo, só meu.

Não preciso de oportunidades por pena, ou perdões forçados. Minha ação é voluntária. Um ou dois perdões não valem para 517 anos.

Não preciso de seu elogio reproduzido impulsivamente. Se sinto orgulho por quem sou não foi tu quem ajudou edificar.

Se preciso de cotas sociais para acessar o conhecimento, não sou privilegiada. A culpa é sua pelo apodrecimento desse sistema sujo.


Demorei, mas descobri quase sozinha, que tenho o direito de amar e ser livre.

Tu nunca deu um passo por mim, por que ainda queres que varra seu chão?
Não sou sua opção, sou minha prioridade!

Hoje, 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Seguimos juntas, apoiando e mostrando o quão incríveis somos, pela vida e contra toda violência!





Reconhecer o privilégio da branquitude é diferente de estar disposto a abrir mão dele

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Recentemente um vídeo da estréia do programa da emissora Globo, "Tá no ar" enfebreceu no Facebook. O nome do vídeo é Branco no Brasil. 

É protagonizado por Marcelo Adnet. Superficialmente o trabalho me foi interessante, mas coube uma breve análise. 

Marcelo Adnet, homem branco bem-sucedido, denunciando universalmente, o racismo no Brasil. Uma colega de rede social levantou uma questão: quantos negros existem na equipe de Adnet? Nenhum (e se tem, se quer apareceu na foto tirada que também está na internet. e se não apareceu, porque? então prefiro pensar que não tem).

Os negros, são sinônimo de monstruosidade (que rouba, mata e faz tudo é fora de lei), causam estranhamento em diversos ambientes e segundo os opressores: só servirmos para servir. Negros morrem pelo sistema racista todos os dias. RENEGADOS, uma vez que "não são filhos" de quem disse que colonizou o país. Negros são infratores só por existir (pois estão fazendo o uso da vida, que por sinal eles não têm direito, não é?!)

OS NEGROS, DENUNCIAM O RACISMO TODOS OS DIAS E SÃO CHAMADOS DE VITIMISTAS. Há que diga que exageram nos fatos e enxergam coisas onde não tem.

Quando o branco fala, todos escutam e assinam sob o que eles escrevem. Ainda mais se for branco com fama. Todos se levantam, aplaudem e jogam confetes, e o cara branco famoso passa ser o maior revolucionário da história negra no país. Todos passam a enxergar que realmente existe racismo e que os brancos possuem inúmeros privilégios.

O homem branco NÃO deve se apropriar do local de fala do homem negro, pois também é uma forma de silenciamento e revogação de seus direitos.
De nada vale o branco reconhecer o privilégio branco, se não está disposto a abrir mão dos mesmos. Enquanto isso, o protagonista reforça e endeusa sua própria imagem pública e midiática, e o número de negros na TV continua a ser desproporcional, o número de negros nas universidades continua a ser desproporcional, uma vez que a população do Brasil é predominantemente negra.

516 anos e 39 dias de Brasil e o retrocesso ainda em prevalência! Que problemático, não?!