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Goela rasa

sábado, 21 de julho de 2018 Nenhum comentário
Engoliu outro copo amargo e raspou a língua contra os dentes com muito esforço - parecia espessa o suficiente para não caber dentro da boca. 
Se lavou, o mais rápido que pudera e se pôs a dormir. 
E de dentro dele, se ouvia um barulho que batia contra as janelas do quarto e voltava como eco. Era ronco, um conjunto deles. 
Mas o sono parecia se atrasar naquela noite e o barulho nascia no estômago.
E no meio do atraso, levantou repentinamente, caminhou descalço e  tão depressa, que no andar abaixo se podia ouvir o batuque nos pisos.
Pôs pra fora o jantar e a embriaguez da crença nas convicções alheias. E foi a última vez.
Olhou dentro dos olhos do reflexo na água, que lhe murmuraram sobre deixar de engolir tudo que lhe era servido.
- "Fármaco pra suportar as surras, adoece a mente!"
Na bula, tudo é escrito com técnica pra não entender que o efeito consequente é a submissão.
Manipulação.
Daquela noite em diante: "Goela rasa!". O que não consente melhora, volta pra fora noutro instante.
 
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Ilustração por Gabriela Sakata
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