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Um compilado chamado: "Renuncia à empatia"

segunda-feira, 20 de novembro de 2017


O racismo estrutural

"O cabelo de Lele", é um livro, escrito por Valéria Belém, que é: jornalista, escritora, branca e seu sonho é "tocar o coração daqueles que leem seus livros, assim como ela já foi tocada por vários autores". O problema de alguns brancos - sem generalização - escreverem sobre racismo é a forma como enxergam e sentem. Para estes, tudo se resolve com conversa e conhecimento - tudo que os racistas tem ao dispor: fala e conhecimento, fosse assim, não mais existiria racismo. 

Lele é uma menina que não gosta do cabelo ao se olhar no espelho. Seu cabelo, aparentemente - após ver a ilustração - é do tipo 4b e 4c, crespo/crespíssimo. Ao conhecer a história de seus ancestrais, reconhecer a origem de seu cabelo, Lele naturalmente começa a gostar do que vê no espelho.

Toda vez que alguém conclui um conto de racismo com final feliz, minha saliva parece ficar mais espessa e com dificuldade para passar onde sempre coube. 
Não tem como, quem não sofre racismo, escrever como é a vivencia de quem sofre. Nem quem sofre racismo consegue escrever em plenitude, como é sofrer.

Onde começa o racismo? 

"Karina, 15, se matou com medo do vazamento de fotos íntimas". Karina não sofria bullying, sofria racismo - como disse o pai da adolescente. O racismo foi praticado pelos que compartilharam o espaço social e escolar. Nesse caso, o cabelo - a raiz alta, quando o cabelo começa a crescer e a química a descer - era o alvo. A pele. Karina era o alvo. E isso - infelizmente, Valéria Belém - não acabou com final feliz.
A violência contra Karina não foi uma só. A presença do silêncio protagonizando a vida de Karina dizia muito.

Porque Lele, Karina e outras milhares de meninas pretas não gostam do cabelo? Porque não conheceram ainda sua ancestralidade? Depois que conhecerem, passarão a gostar?
Quem diz isso, nunca ouviu contar a História do Brasil.

Num outro livro infantil, "Tudo Colorido - Preconceito racial", categoria bullying - quando é que racismo virou bullying? -, escrito por Suelen Katerine A. Santos, não tive o desprazer de encontrar algo se quer, sobre a mesma. No livro, Suelen narra que a menina Tainá, de pele preta, se recusa a fazer tranças com uma cabeleireira  branca. A menina é mal educada. Depois, Tainá vê a vizinha com tranças muito bonitas e a tal disse que fez com a cabeleireira branca que Tainá havia recusado - POR SER BRANCA -. Sendo assim, Tainá voltou ao salão, pediu perdão e fez as tranças com a cabeleireira.
Suelen Katerine A. Santos, covardemente, criou um conto onde uma menina preta vulnerável é racista reversa. 
Existe inúmeras Suelen.

É assim que ensina crianças pretas, se amar, amar o próximo e como combater racismo?

Como tem gente que ainda tem coragem de 'sustentar' o pensamento meritocrático? 
"O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos."
Conversando com um professor de História - que já foi docente no Ensino Público -, abordamos a 'ausência de interesse' da classe baixa, quanto à Educação; como os docentes tratam esses 'alunos problemáticos'; como 'ninguém' se interessa em cutucar de onde vem o 'não interesse'. 
Os docentes - sem generalização -  sofrem tanto descaso pelas instituições que representam o Estado que não têm estimulo para se interessar pelo 'não interesse alheio'. Os discentes sofrem descaso múltiplas vezes. As instituições que representam o Estado omite direitos. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é impecável, mas a ineficácia e carência de Politicas Públicas é gigantesca. Como no slogan da Reforma da Previdência: "Contra os privilégios. A favor da igualdade", as instituições que representam o Estado 'sustentam' e promovem o pensamento meritocrático.

O Brasil é rico em ausência de real igualdade de oportunidades, raciais, sociais, culturais, sexuais e de genero. Mais perigoso que lutar por igualdade é mencionar a introdução de equidade. Perigosíssimo.

Desigualdade, sexualidade, identidade e desigualdade de genero

"Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi". Quando há mais de um fator que consequentemente 'define' a vida de alguém, a onda de violência é muito mais destruidora. O patriarcado e a 'soberania' são experientes em ser hereges. Promovem a Vida e o Amor em nome de tudo que é Santo e faz tudo como não deve ser. Autores da perseguição que mata muitos.

Está disponível na Netflix, o documentário "A morte e vida de Marsha P. Johnson". Retrata a vida e morte de Marsha, ativista dos direitos trans. Enfrenta a violência que a leva a morte. Filme indicadíssimo, para conhecimento - mais conhecimento - de como é sobreviver, sendo não heterossexual e branco. 

O processo de higienização está presente. Na ausência de oportunidade, na punição por ser rebelar, no embranquecimento forçado - como no caso da peça que retrata a vida de Carolina de Jesus - e em muitos outros fatos que compõe as estatísticas.

Coleguismo asqueroso

Com William Waack, perante prova o perito audiovisual, Maurício de Cunto, concluiu dizendo que aparentemente, William, diz preto, mas que não pode afirmar que é esta palavra
O coleguismo, este sim, é coisa de violentos em potenciais. Como no caso, "Marcelo Freixo é acusado de machismo pela ex-esposa".
Marcelo Freixo, que é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, filiado ao PSOL, que 'vestiu a camisa' do feminismo diversas vezes. Também recebeu solidariedade dos parceiros.

Oportunistas em potencial

A ex-presidente Dilma Vana Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores, eleita democraticamente por 54.501.118 milhões de votos em 2014; ao se posicionar contra William Waack - enquanto nas redes, se movimentava a hashtag #coisadepreto - em seu Twitter, disse: "(...) O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.".
É desleal se apropriar da 'causa alheia' para promover a si. Ser empático é esquecer os próprios interesses.

Os problemas são muitos e a manutenção no sistema 'está sendo feita' - está? existe interesse  'de cima para baixo'? - erroneamente. Não há ingenuidade em nenhum momento. A falha é estrutural - naturalizada, patrimônio imaterial -, está nos livros educativos circulando nas escolas - inclusive, aprovados pelo MEC -, na apropriação de fala exercida pelos que tem privilégio em ser ouvidos, na falácia meritocrática, na omissão dos direitos, na negação de oportunidades, na reprodução de desigualdades, na ausência de empatia, ao atribuir responsabilidade e culpa à vítima, ao reproduzir que o racismo só existirá enquanto falar dele...

A Justiça não é cega. É seletiva, asquerosa, renuncia a empatia e age cientemente. Não será tirando o chapéu e dizendo: "- Com licença, senhor!", que a liberdade será conquistada.

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Todos os links foram acessados em 19/11/2017 entre 08:09PM e 10:57PM.

"Minha beleza acaba quando começa a da outra!"

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Até recentemente, minha beleza não acabava quando a da outra começava, porque, se quer havia beleza em mim. 

Lastimavelmente, durante a infância e adolescência, compensei a ausência disso no desenvolvimento escolar. Era nota quase sempre A. As outras, no auge das meninices, aproveitando tal, faziam sucesso entre os meninos. Eu nunca senti vontade disso. A maioria das minhas amizades eram meninos, oportunidade essa, que só foi possível graças a minha aparência. Falávamos das meninas de seus interesses e outras coisas meio masculinas. Adorava ficar no anonimato, me escondendo das pops, não estava a altura para acompanhá-las (e já ouvi isso, de forma 'menos' violenta). 

Ninguém se relaciona amorosamente com alguém que não acha bonito. Se eu me achava feia, não havia algum sentimento afetivo por mim mesma. É normal estarmos condicioados a gostar do que o padrão impõe através dos diversos veículos (não, não é normal e o conformismo é doença).

Considero violento, o ato de se comparar com a outra; aliás, um dos mais devastadores. Não se ver em sua imagem, é perigoso. Exterminar o amor que deveria sentir por si, é perigoso.

Uma vez, ouvi uma moça dizer que não se sentia bonita todas as vezes que se via no espelho. As vezes acontece, mas não pode permitir, se isto está sendo influenciado por terceiros.

Hora ou outra, me sinto bela, depois não mais. Algumas vezes porque queria ser como alguma específica, outras, porque queria ter menos disso e mais daquilo. Ainda estou em processo de auto reconhecimento. Me esquivei do auto conhecimento antes, mas hoje não fujo, é mais que necessário. Tenho me moldado conforme sinto necessidade e graças a Deus, nada está sendo tão brusco. 

Ninguém pode te dizer que não é bela, mas dizem. O mercado lucra com a não aceitação alheia. Para o capital, sua beleza não é bem-vinda, quanto maior sua insatisfação, mais gigante ele se sente. Enquanto ele puder te destruir, assim fará.

A minha e a sua beleza, não acabam quando a da outra começa, podemos ser belas no mesmo momento. A Terra dá um jeitinho de comportar tamanha plenitude. 
Você pode ser bonita como você.
Demorei, mas descobri quase sozinha (a afirmação que quase sempre me define). É processo e se precisar de apoio externo para isso, busque um profissional específico, não é vergonhoso.

Dizem que o amor é cego, prefiro discordar. Ele enxerga e além. Quando você se ama primeiro, não há beleza alheia que te intimide, ainda que fique boquiaberta com a beleza da outra. Se amar é uma das expressões mais belas que há. É quando você assume a importância da vida. 

Desejo que ao acordar, você consiga dizer ao padrão e a cobrança excessiva: "Hoje não!"

Eu, vitimismo: Capítulo VI - Qual é a cor da solidão?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017


Às vezes parece que sou exagerada, que faço tempestade com um copinho d'água. Quem dera ter esse privilégio.

Me protejo com todos os escudos que me são possíveis, principalmente dos males que tentam brotar aqui dentro. E conseguem.
Cada gesto seu, é analisado. Até as coisas quase inalcançáveis aos sentidos, faço questão de sentir. Nada que me faça é irrelevante.

As pessoas sentem necessidade de questionar, quando é que vou ter um parceiro, e elas não fazem por maldade, é cultural. Essa pergunta, um dia se responderá. Tudo no meu melhor tempo.

Me abster do que não me transborda é Lei, para viver bem. Quando sinto que sou útil só quando convém, fujo para a outra ponta. E isso acontece quase sempre. Minha sensibilidade é do tamanho do mundo.
Não sou covarde por fugir, sou guerreira por me proteger sozinha. Preciso ser. Haja pernas para correr quase todos os dias.

Queria poder temer o escuro, contar com outra coragem. Sou eu por mim. Ninguém mais me abriga melhor que eu.

Se não pretende acrescentar, não ouse cativar. Expectativas quando depositadas em lugar errado, são tóxicas (mas agora já sei que o problema não sou eu). Cansei de perdoar! O transtorno consequente, é só meu.

Esse breve texto é lírico. É o relato da vida de outras milhares de mulheres pretas. Peterimento violento. Não sinto vergonha em dizer, menos ainda, desejo que tu sinta compaixão. Escrevo isso, para dizer que não somos vitimistas: a solidão da mulher preta é real, é cultural. Infelizmente. Existe ainda, as que a sofrem mesmo estando num relacionamento. É surreal. Mulher preta não é para casar, segundo o ideal social (basta dar uma gogleada), não tem problema vacilar com ela, é só um rascunho. E sangrando sem corte, questiono: quanto valem os nossos corações? (Gostaria de ter produzido um texto a altura de quem acompanha o blog, mas no momento não é possível. Existem artigos incríveis e completos pela internet, não deixe de pesquisar)

Eu, vitimismo: Capítulo V - Não sou tuas negas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Quem é que nunca ouviu alguém reproduzir a expressão "não sou tuas negas", ao menos uma vez na vida? Essa, sem dúvida é uma das violências hediondas frequentes que atinge diretamente a mulher preta.

Partindo do conhecimento básico da História da colonização europeia - e sem necessariamente ter muito intelecto - é possível concluir um pensamento coeso sobre a vida das escravas. De 'trabalhadoras domésticas' e rural, à amas de leite, cada uma delas pertenciam a algum senhor.
Violentadas nas mais diversas possibilidades e desconheceram o respeito, o qual não tiveram direito; usadas de modo satisfatório - explorador -  por quem as compravam.

Quando alguém diz que não é nega do outro, este, está se referindo a aquelas mulheres pretas. Traduzindo, está dizendo que não é propriedade alheia para que façam o que quiserem com suas vidas; que não são bagunça para que lhe fucem; que são donas de si mesmas. Mas afirmar, desse modo, é confirmar o racismo instaurado em si, é faltar com respeito com a vivência da mulher preta, é ser indiferente com a história alheia, é dizer que pode ser independente e enjaular as de pele escura, é se mostrar superior... É querer provar que diferentemente das negas, não só serve para sexo e servir.

"(...) 92% dos brasileiros acreditam que há racismo no país, somente 1,3% se considera racista. O instituto calculou que 92 milhões (68,4%) dos brasileiros adultos já presenciaram um branco se referir a um negro como “macaco”. E, destes, apenas 12% tomaram alguma atitude.(...)" 

Não precisa nem ser universitário das ciências exatas, para perceber a discrepância na incoerência dos números. Como pode ser 92% racista e somente 1,3% assumir que é? Os demais, por certo estão divididos entre racistas não assumidos e racistas que ouvem os amigos contar piada sobre preto, não se sente desconfortável e ainda complementa com risos. Independente do assunto, qualquer um que seja, deveria ser humano o suficiente para repreender as piadas que de algum modo fere o próximo.

Mas, numa coisa estão certos! Embora muitos ainda desejam, felizmente, muitas de nós não somos mais tuas negas subalternas. Estamos conquistando independência, falando umas pelas outras, trocando afeto e oferecendo abrigo. Muitas de nós, não somos mais tuas negas e deve ser um processo indigesto aceitar que mulheres cotistas/bolsistas estão superando os traumas e provando - primeiramente a si mesmas - aos 'ex senhores', sua importância.

O capitalismo está superfaturando com o comércio racista. Até lojas desconstruidonas que pregam empoderamento feminino (empoderamento branco) comercializam estampas com esta afirmação, mesmo sendo notificadas. Hipocrisia em dose pura, e o mercado lucra sem medir limites. Racismo é a única tendência que nunca sai de moda.

Nos respeitem porque não lhes damos oportunidades para faltar com respeito, não lhes permitimos nos chamar de 'nega', não somos seus pertences.
A estereotipação e a marginalização são cruéis. Nos fazer convenientes só quando somos lucrativas, é imperdoável.

"E se todos fossemos negros?"

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

(via)
"Negros podem alisar os cabelos, pintar de loiro, usar lentes de contato... porque é “interessante” parecer branco. E o processo inverso? Como funcionaria? Não há nada de degradante nisso.  Uma ferida aberta na história da humanidade que parece não cicatrizar. Um assunto tão ultrapassado e que ainda persiste, comprovando o quanto ainda somos primitivos. Sei que no paraíso não há racismo nem racistas. Isso é uma coisa mundana e suja.  Em recente viagem a um éden natural banhado pelo mar do Caribe, fiquei hospedado em um resort que recebe visitantes de todos os cantos do planeta em busca de diversão, descanso e principalmente comodidade e mordomia. Neste universo turístico, ainda há o chamado Royal Service, onde uma casta abonada de brancos é servida incansavelmente por uma equipe qualificada de negros. Negros e negras lindos, com olhos brilhantes e saudáveis, muitos deles oriundos do Haiti ou de países africanos.  A situação se torna desconfortável quando percebemos que alguns destes “brancos endinheirados” tratam os funcionários do local como se fossem robôs, ou “máquinas de servir”, chegando ao ponto de não cumprimentar os mesmos na chegada em um determinado espaço onde serão atendidos.  Em que ponto exatamente em nossa história antiga se estabeleceu que havia uma raça superior à outra? Que espinho é esse cravado em nossa sociedade que até hoje não foi arrancado? Que sentimento preconceituoso é esse, daqueles que se intitulam superiores? Quem são os portadores de tal arrogância, entre nós da raça humana?  Impressiona o fato de ainda nos confrontarmos com este câncer que mistura discriminação, indiferença e sofrimento. Acredito que a principal razão para tanta intolerância seja o medo. As pessoas em geral têm medo de seus próprios sentimentos e de tudo aquilo que é desconhecido. No momento em que colocamos alguém em uma posição “inferior” a nossa, nos sentimos valorizados e privilegiados, e isso é mais do que lamentável, é vergonhoso.  E se todos nós fossemos negros? Pensando nisso, criamos uma série de retratos de personalidades imaginando as mesmas pertencendo à raça negra. Chefes de estado, celebridades e ícones da nossa cultura fazem parte do experimento What If? – The portrait collectionA ideia partiu de Henrique Steyer ao retornar de recente visita à República Dominicana. Os retratos foram criadas em parceria com o designer Felipe Rijo, especialista em manipulação de imagem." (Henrique Steyer, disponivel aqui, acesso em 17/08/17)

Fazia uma pesquisa sobre arquitetura e design, quando encontrei no boomspdesign, o perfil de Henrique Steyer: homem branco, formado em arquitetura e urbanismo, pós-graduado em imagem publicitária e pós-graduado em design estratégico.
Algo que me instigou a querer conhecê-lo, sem dúvida, foi o trecho seguinte, presente em sua apresentação:
"Com um espírito criativo absolutamente globalizado e raízes muito bem fincadas no Brasil, Steyer aposta também em outra faceta: o desenho industrial. Suas coleções autorais saíram das pranchetas com forte acento arrojado, passeando por temas que mesclam patriotismo, erotismo, crítica social, crítica racial, política, poder, sincretismo religioso e muito mais."
Numa breve googelada logo o encontrei, consequentemente, seu projeto 'What if?' (E se?). A partir disso, infelizmente, tive mais certeza de que brancos, realmente não se importam em saber o que é racismo.

Olhos claros e cabelos lisos com fios loiros não é cultural, muito menos genética intrínseca de uma única etnia. Nunca foi "interessante" parecer branco. Todo o mundo sabe que os privilégios estão concentrados não nas mãos dos negros . Para parecer conveniente e razoavelmente aceito em diversos meios, alguns negros se submetem a diversos procedimentos.

Racismo não é assunto ultrapassado, está acontecendo agora, na frente de todos e não precisa expandir muito o horizonte para vê-lo. Essa tal ferida está longe de cicatrizar, uma vez que os microrganismos que a inflamam, continuam se multiplicando.

Como esse tal espinho poderá ser arrancado? Tenha certeza que não será com essa ideia 'E se?', de conscientização.

Quando dizem que os negros são lindos e saudáveis - somente -, só reforça a ideia de que só se interessam pela beleza seletiva e funcional que produz dinheiro para os senhores.

Brincar de  colorir não conscientiza ninguém. A negritude está se movimentando e morrendo em massa, não basta para conscientizar? Quantas outras vidas precisam ser tratadas indignamente? A luta é vã? Porque, enquanto hipotetizam os fatos, o genocídio só aumenta.

Não é sobre enegrecer os brancos - negro não é fantasia -, é sobre cobrar que os respeite com dignidade e humanismo.
Ativismo mais legitimo que este?"Denuncio o racismo mas continuo explorando os negros lindos e saudáveis!"

Essa surrealidade é real. What if, a branquitude começasse se importar com a negritude? What if, eles parassem de fingir não compreender que as raízes do racismo é institucional, é político-social? Nada é tão superficial quanto fingem pensar. Reproduzir falácia pobre de História e continuar no trono, reforça o conceito de que realmente não se importam.

Racismo é lucro, não é? O sistema ganha, 'os artistas' ganham vendendo o que chamam de arte/conscientização; e quem perde são só os negros... Covardia institucionalizada!
Observação: 1- Acesse o arquivo de Steyer para ver mais desgraças. 2- Se você, sr. Henrique Steyer, por acaso ler isso, por gentileza se posicione ainda que isto seja indefendível.

Eu, vitimismo: Capítulo IV - Não somos todos iguais

segunda-feira, 31 de julho de 2017

(ph: Tainan Silva)

Mais um capítulo lírico-comum.

Essa falácia incessante que diz que "somos todos iguais"; me irrita, me faz refletir e me toca toda vez que leio ou escuto.

Juro, juro que tento entender o que vos convence a acreditar neste argumento. Essa sociedade, máquina de moer carne humana e digerir espírito, não promove a tal igualdade que tanto fala. Fala por hábito ou senso comum. Não se pode, 517 anos depois, ainda ter a audácia de se recusar a entender a causa e respeitar a luta alheia.

Não somos todos iguais, se tu trata os grupos da minoria como sinônimo de obsolescência humana. Teu higienismo é sujo.

Não somos todos iguais, se tu acredita em meritocracia e defende 'as suas conquistas', com o argumento de que todos possuem oportunidades iguais. Não, não faça os vulneráveis acreditarem que não merecem benção de suas divindades e que por este motivo estão onde estão.

Não somos todos iguais, se tu acredita que não é útil educar pessoas pobres, afim de mante-las te servindo e varrendo o chão que pisas. Ou se queres, que elas continuem sendo invisíveis, sem conhecimento a nível básico que seja, para que não tomem ciência de seus direitos e saiam do anonimato, denunciando toda sua opressão.

Não somos todos iguais, se tu comemora a destituição de governos democráticos e progressistas, mesmo sabendo em que dimensão chegará a deficiência, para os que dependem dos programas sociais. Ou se priva alguém, de seus direitos.

NÃO, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS, se tu não abre mão dos teus privilégios para o outro usufruir de parte dele. 


Quero viver para tangir a emancipação desse povo. Hoje, essa parcela é como a tartaruga, daquela fábula 'A lebre e a tartaruga'. Caminhando devagar, resistindo e confiante de que um dia cruzará a linha de chegada. A diferença, é que essa tartaruga nunca partiu do mesmo ponto inicial que a lebre, sabotaram-os.  As lágrimas se secarão e não será por desidratação.
. . .

Viajar é necessário e todos deveriam se aventurar!!!

sábado, 14 de janeiro de 2017

(MG, estado que viverei para conhecer! /autoria: Sérgio Mourão, Acervo Setur - MG / via)


Viajar para um espaço delimitado pelo mapa que não seja de teu convívio cotidiano, aprender sobre a cultura alheia, conhecer a história do local e as marcas antecedentes, é incrivelmente prazeroso e enriquecedor.

Esta é a tendência da transição de 2016 para 2017. Todos saltam os olhos e vibram os ouvidos ao tocar o assunto. É a pauta discutida com uma aspiração que não se pode medir, como se o mundo já estivesse tão saudável, a ponto de nos restar somente o usufruto benéfico material como consequência.

A maioria dos que sentem essa aspiração ininterruptível, são os integrantes do movimento good vibes classe alta, a burguesia pé no chão que valoriza a vida simples e tranquila, 'pratica o desapego material', expira calmaria, prioriza o dormitório com paisagens incríveis nascendo ao peitoril da varanda, 'acampa' no terraço jardim particular para assistir a dona Lua bailando toda elegante de vestido branco rendado...

Viajar não é errado, é incrível. O que percebo, é uma infração cometida contra a singularidade condicional ao individuo desprovido, uma imposição dessa tal necessidade contra a parcela em estado de deficiência socioeconômica, que mal se sustenta com o crédito mensal total da casa. E quem não atende a demanda, fica do lado externo da circunferência pomposa.

Significado de Necessidade s.f.
Característica ou particularidade do que é necessário (essencial).
Aquilo que não se consegue evitar; inevitável: comer é uma necessidade.
O que não se deve prescindir; que não se pode pôr de parte; imprescindível: ele precisava suprir suas necessidades.
Pode-se concluir que viajar não é necessidade vital. As despesas são tamanhas que não cabem no bolso de todo e qualquer individuo, basta googlar brevemente para ter conhecimento das mesmas. Todos possuem reais necessidades vitais que são inevitáveis, prioridades.

Uma conscientização sobre o assunto é necessária, pensamentos devem ser re-analisados e não mais serem reproduzidos (impostos) aos que carecem de condições sociais. A viagem é convidativa, mas não contempla todo e qualquer mochileiro. O Sol nasce para todos: para alguns, ao peitoril da varanda do dormitório; para outros, da janela de aço oxidada devido a patologia atrevida do material.