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Afro cristãos brasileiros sofrem amnésia histórica?

domingo, 12 de agosto de 2018 2 comentários
CATOLICISMO E EVANGELIZAÇÃO
No inicio dos últimos cinco seculos, houveram projetos de evangelização, sob olhos colonizadores. O Império concedia poder para a Igreja, que por sua vez tinha poder influenciador na vida politica do país.
A posição da Igreja em relação aos escravizados era de consenso com a opressão, pois não os acolhiam, uma vez que vigorava uma união exploradora com colonizadores.
As propostas evangelizadoras não tinham como interesse a emancipação dos escravos. Os negros não eram aceitos e não lhes eram assegurados o direito de exercer a fé em sua própria religião: assistiam "do lado de fora" ou praticavam sincretismo.
(Mas antes mesmo de grande parte da Europa, o cristianismo se difundiu na Etiópia (no Império de Axum), conclui-se que, posteriormente, os negros não se apropriaram da fé do opressor).

A INSTALAÇÃO DO PROTESTANTISMO NO PAÍS E SUA [NÃO]PREOCUPAÇÃO COM A ESCRAVIDÃO
No século XIX, uma nova vertente do cristianismo, a Igreja Reformada se instala definitivamente no Brasil. 

No inicio não foi tarefa fácil, sofreu rejeição, expulsão, perseguição e conflitos de interesses constantes entre católicos e protestantes.

O Protestantismo chega com a proposta de renascimento, inclusão e [re-]humanização, também aos imigrantes: um Deus que não abraça tão somente a burguesia capitalista. Seria esse o inicio do progresso, do reconhecimento e da atribuição de dignidade humana aos oprimidos? O inicio da emancipacão?

Os missionários em sua maioria eram norte-americanos. Seus principais ideais eram a separação entre a Igreja e o Estado; promover a educação, a democracia e a liberdade de pensamento. Se identificavam como Liberalistas.
Porém, além de instruírem os novos convertidos a libertarem seu súditos, não concretizaram ações que de fato mudaram a ordem social estabelecida. Outros agentes missionários ainda, usaram de mão-de-obra escrava para se instalarem no sudeste brasileiro.

A grosso modo, só concordaram e assumiram posições mais brandas e contrárias ao sistema governamental escravocrata, quando o mesmo foi abolido - mas há muito a ser lido sobre as posições declaradas e individuais, das diversas igrejas protestantes.

À MARGEM SOCIAL, NUM NÃO LUGAR
Contudo, o movimento cristão - de modo geral -, foi seletivamente acolhedor e comungou com a escravidão - houve consenso ao não ser anti-escravista. Não promoveu o discurso e ações emancipacionistas efetivas.

O Protestantismo correspondia com os interesses da classe dominante - os senhores de terras/senhores de escravos. Isso era claramente visível nos veículos impressos - de autoria dos missionários protestantes -, por exemplo, o povo negro não era contemplado como agente de mudança histórico-social - mas sim quem antes o detinha: os senhores.
Nesse momento - após a abolição - a visão que se tinha é de que o povo negro deveria ser "resgatado, regenerado e educado", segundo os princípios morais protestantes e então só assim este se tornaria humilde e distante da rebeldia (raiva), para que pudesse se tornar produtivo e ativamente saudável na práxis: o caminho que leva a sociedade a liberdade.

Desprendido de seus senhores e teoricamente livres, os negros se perceberam num não lugar, instalados numa sociedade com bases racistas, sem infraestrutura ou oportunidades de trabalhos para se edificarem - sozinhos - como humano.

A FÉ QUE LIBERTA: CONTRA TODA OPRESSÃO
Um pulo - com pernas grandes - aos dias atuais, para compreender de forma coesa a presença negra num espaço considerado racista - pós conhecimento da participação dessa fé, num sistema escravocrata.

A leitura do livro sagrado, a Bíblia, desde o princípio foi feita a partir do olhar eurocêntrico, sexista, classista...
Para o começo de uma fé libertadora, é preciso que a hermenêutica seja apropriada a partir da perspectiva e história de quem a lê - por exemplo, quando os negros, a classe dominada, as minorias tornam sujeitos que reinterpretam e conduzem o sentido da leitura é diferente de como o cristão-fascista a faz.
Não há leitura neutra e absoluta e com isso é possível [re]conhecer o Evangelho, que é de fato acolhedor, abundante em amor.

"É importante ressaltar que, em momento algum, a Bíblia foi neutra diante da escravidão, antes serviu como “ferro em brasa” e “algemas” que aprisionavam negras e negros no “doce inferno” do engenho de açúcar." (...) "foi usada não apenas para legitimar a escravidão, mas também para amaldiçoar o povo negro, através de sua interpretação repleta de etnocentrismo"(ref. 1)

A Teologia Negra (Teologia da Libertação) - surgiu entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, sob a liderança de Martin Luther King - nasce da discriminação vivida e designa a libertação do "pecado social que marginaliza e escraviza".

"...Ela se concentra na reflexão teológica sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther King Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade dominada pelos brancos. (...) Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo de oprimidos..." (ref. 9)

O povo negro cristão, reconhece o Evangelho como potencial libertador, trazido por Jesus Cristo, Aquele que foi penalizado com morte por sustentar seus princípios de justiça.
A divida histórico-social com os negros, não deve ser atribuída a Deus e seus ensinamentos. Iniciou-se com a leitura e [não]ações intencionalmente violentas pregada pelo Estado-Igreja, para legitimar seus interesses.

Pelas vezes que puseram sob analise a sanidade negra e a atribuíram incapacidade coerencial, quando este sujeito se afirma cristão: não há amnesia histórica. É preciso reinterpretar as escrituras - pela perspectiva do oprimido - e a representação de Jesus:
"Aquele que condenou o acúmulo de riquezas; andou com os pobres; anunciou a partilha dos bens; disse quera preciso escolher entre o amor a Deus ou ao dinheiro; impediu processos de execução; não estimulou a violência; acolheu as pessoas humilhadas pelos preconceitos culturais e religiosos; confrontou as estruturas de poder..." (...) "precisamos abraçar a causa da justiça econômica; do respeito à diversidade; da critica ao poder; do grito dos oprimidos."(ref. 2)
"Liberto e livre, ninguém aqui é incapaz,
Viver bem com a consciência Plantando a semente da paz
Ajudar ao próximo mais do que você pode
Sei que és forte, corajoso, não mede esforços,
A força divina não vai lhe abandonar,
O despertar do amanhecer é uma nova conquista,
De quem não se entregou e para aquele que acredita,
Injustiça não há nas mãos de Deus,
Se apegue a ele...
" (Se tu lutas, tu conquistas", Somos Nós a Justiça) 
Prevaleçam o Amor e a Caridade. Permaneçam a lucidez, a participação social, a promoção da dignidade da vida, o movimento progressista... que Teus passos sejam seguidos.
A Tua imagem e semelhança: um Jesus que abraça a diversidade e desmonta o etnocentrismo.
_
Indicação:
a. "Não existe leitura neutra da Bíblia", Ronilso Pacheco. <link>

Referencias bibliográficas:
1. "Hermenêutica Negra Feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6"., Cleusa Caldeira. <link>
2. "Jesus era de esquerda?", Henrique Vieira. <link>
3. "Como a Igreja Católica tratou negros e negras nestes 507 anos?", David Raimundo dos Santos. <link>
4. "'Negro não entra na igreja: espia da banda de fora' - protestantismo e escravidão no Brasil Império", Márcia Leitão Pinheiro (resenha do livro). <link>
5. "500 anos do Protestantismo e escravidão no Brasil", Hernani Francisco da Silva (para Afrokut). <link>
6. "As igrejas coptas da Etiópia: Em busca das raízes cristãs", Marcello Lorrai. <link
7. "Afro Cristianismo no Brasil", Marco Antonio Sá. <link>
8. "O Protestantismo no Brasil", Alderi Souza de Matos. <link>
9. "A Teologia Negra: Uma introdução", Filipe Dunaway. <link>


 esta soy yo!Eli Belizário
Cristã, afrofeminista

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

A Arquitetura e o período colonial

terça-feira, 22 de julho de 2014 2 comentários

       Cheguei pra minha mãe e disse:
       _ Mãe, o hospital é tão bonitinho! - Ela pensou que eu não tava bem, haha!
       Mas é obvio que eu queria dizer que, sua arquitetura é linda. A foto acima é o hospital aqui da minha cidade, o tal que estou falando.
       Eu nunca tinha parado e prestado tanta atenção em cada detalhe que ele possui. Até que comecei a trabalhar lá e vasculhei cada detalhe.
       O telhado é lindo, as telhas são antigas (eu amo), as esquadrias são as melhores, os pilares, até o poste de luz, o guarda corpo da sacada, e as cores...
       Tudo me impressiona! As vezes até penso que nasci numa "era" errada. 
       

       E essas esquadrias? Eu não aguento tanto amor :) É uma pena que hoje não é mais usual!


       A Arquitetura colonial esteve presente no Brasil entre 1500 - 1822, desde o descobrimento até a Independência do país.
       No Brasil ainda existem patrimônios históricos característicos do período colonial em:
 
Desenvolvido por Michelly Melo.