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Ausência do ser presente

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

(cena de Black Mirror )

Dizer que as pessoas estão desatentas, virou clichê. Percebo (e acredito ser real) que as pessoas não se interessam pelo que está acontecendo num curto diâmetro em suas voltas.

Há alguns dias, cruzaram o meu caminho, um casal acompanhado de outra pessoa. Os três estavam olhando para para a tela de seus telefones completamente "atentos" e não houve triálogo algum ao longo da quadra que pude acompanha-los com. Eles não são únicos, existe uma infinidade desses 3 em cada esquina da cidade, inclusive eu não estou fora disso.

Aquele "papo" de que é necessário se socializar é puramente vero e saudável. O telefone ou qualquer outro dispositivo móvel não é vilão, isso quando você possui auto-controle juntamente com respeito pela presença do outro.

Me sinto uma inútil¹ quando estou a conversar fisicamente com alguém e o mesmo me deixa em segundo plano para checar e investigar as notificações recebidas. E nesse caso, não estou usando do egoísmo, porque se o mesmo checasse o telefone vez ou outra, não me importaria (talvez estivesse a esperar uma mensagem realmente importante). 

¹ Segundo Clóvis de Barros Filho, em A felicidade é inutil:
"Quando uma coisa é útil, o seu valor está fora dela (o colírio é útil porque limpa os olhos, o veiculo é bom porque permite o deslocamento para um lugar aonde você não está) tudo que é útil tem o seu valor fora. portanto, se um dia você for chamado de inútil não fique tão triste assim, ao te chamar de inútil estão tentando te dizer que (no seu caso, raríssimo no mundo de hoje) o seu valor está em você mesmo." (Então, neste caso, sinto-me lisonjeada ao ser tratada como inútil!)
Esses dispositivos se tornaram membros do corpo humano de tão dependentes que tornamos. São infinitamente úteis e não estou sugerindo um possível desapego, isso está fora de pauta. Somente sugiro-lhes (isto cabe também a mim) que façam o uso do discernimento quanto ao momento em que o outro precisa de tua atenção. Quando estiver só, o tempo será todo teu e de teu dispositivo.

(cena de Black Mirror )

Ofereça aos teus, uma presença  real e intensa (fala de Pedro Paulo S. Pereira, vulgo Mano Brown). Mostre interesse enquanto o outro dialoga com você (caso contrário, será um monólogo), talvez por um descuido, uma palavra tua dita de boca para fora, pode ser ouvida do coração para dentro (podendo causar um efeito surpresa: tanto bom quanto ruim).