Como proceder em casos de ameaça ou violência contra a mulher?

(foto ilustrativa - via)

A mulher vítima de violência ou qualquer tipo de agressão deve denunciar o agressor. Para isso, ela pode se dirigir a uma das unidades da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (DEAM) ou ligar para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência - Ligue 180, um serviço de utilidade pública, confidencial e tem amparo na Lei Maria da Penha. As ligações podem ser feitas gratuitamente de qualquer parte do território nacional.

O serviço é oferecido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, desde 2005. O Ligue 180, que funciona como disque-denúncia, tem como finalidade receber denúncias de violência e orientar as mulheres sobre seus direitos e a legislação vigente, encaminhando-as para os serviços adequado, quando necessário.

O primeiro passo que a mulher vítima de violência deve adotar é denunciar o agressor. Em seguida, realizado o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial encaminhar o caso, para o juiz irá apurar a situação para iniciar o processo. As denúncias são encaminhadas para o Ministério Público de cada Estado com cópia para a Segurança Pública e tem apoio do Programa Mulher, Viver sem Violência’.

Qualquer pessoa, que não esteja diretamente ligada à agressão, também pode formalizar a denúncia, informando e revelando em detalhes o acontecido, que será encaminhado às autoridades competentes da região do demandante. Os tipos de provas contra o agressor podem ser úteis: fotos, ligações registradas, gravações, e-mails, mensagens do whatsApp com ameaças, além de testemunhas que presenciaram o fato ou situação.

Outra maneira de receber orientação e atendimento nos casos de violência é procurar outros órgãos responsáveis como Defensoria Pública, Ministério Público, Centro de Referência de Assistência Social ou a Vara de Violência Doméstica e Familiar. Em algumas regiões, existe Casa Abrigo, para acolhimento provisório de mulheres e seus filhos que estão em situação de risco.

Além disso, diante da gravidade do caso, a mulher pode ser favorecida com medidas  protetivas, que são utilizadas para separar a vítima do agressor. Na prevenção à  violência e proteção à mulher, a Lei Maria da Penha nº 11.340/2006 prevê as medidas protetivas de urgência, que devem ser solicitadas na delegacia de polícia ou ao próprio  juiz, que tem o prazo de 48 horas para analisar a concessão da proteção requerida. E estabelece que a vítima não pode entregar a intimação ou notificação ao agressor, sendo obrigatória a assistência jurídica à vítima e prever a possibilidade de prisão em flagrante e preventiva.

O Ligue 180 funciona todos os dias da semana, durante 24 horas, inclusive ao finais de semana e feriados, e pode ser acionada de qualquer parte do Brasil e outros 16 países (Argentina, Bélgica, Espanha, EUA (São Francisco), França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela). As atendentes da central são capacitadas em casos de gênero e políticas governamentais para as mulheres, atuando numa escuta solidária aos relatos, e são orientadas para prestar informações sobre os serviços disponíveis no País para o 
enfrentamento à violência contra a mulher.

A Central também atende as brasileiras que vivem no exterior, especificamente na Espanha, Portugal e Itália. As ligações ao disque-denúncia, sempre gratuitamente. O 180 Internacional permite à brasileira que esteja sofrendo violência no exterior possa ser atendida pela central no Brasil e obtenha orientações sobre seus direitos e auxílio oferecido pelos consulados brasileiros e serviços providos por esses países para um atendimento adequado. 

Mulheres em situação de violência na Espanha devem ligar para 900 990 055, fazer a opção 1 e, em seguida, informar à atendente (em português) o número 61-3799.0180. Em Portugal, devem ligar para 800 800 550, também fazer a opção 1 e informar o número 61-3799.0180. E, na Itália, as brasileiras podem ligar para o 800 172 211, fazer a opção 1 e, depois, informar o número 61-3799.0180. 

É importante que as vítimas ao enfrentar qualquer tipo de ameaça ou violência denunciem os seus agressores para obterem proteção jurídica e saber que estão amparadas pelas leis. Ao adquirir orientações sobre seus direitos, obter informações e locais onde podem ser atendidas, as mulheres terão uma oportunidade autêntica de romperem o ciclo de violência que são submetidas. Uma ligação pode ser o diferencial na vida de uma mulher. Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher “Sua vida recomeça quando a violência termina”.

Unidades de Atendimento à Mulher:
Central de Atendimento à Mulher : Disque 180
Central de Atendimento à Crianças e Adolescentes: Disque 100
Saúde da Mulher: Disque 0800 61 1997

Zaira Castro
Advogada

Nós, por nós? Sororidade?

(via: desconhecido)

A foto acima já foi capa do meu perfil social no Facebook. Eu não sei de tudo, ninguém sabe e por ingenuidade e ausência de conhecimento a mantive durante algum tempo e a removi recentemente por motivos que descobrirá ao discorrer deste texto.

Hoje, 08 de Março de 2017 é mais um dia internacional da mulher. Assim como eu, você mulher, provavelmente recebeu diversas mensagens, inclusive aquela clichês prontas de internet. Não respondi alguma sequer, devem ter pensado que não tenho educação, aliás, é o que a sociedade pensa sobre mim o tempo todo.

Diz a história que este dia fora escolhido para celebrar, lembrar e fortalecer a conquista dos direitos pela luta feminista que vem se movimentando desde o final do século XIX. 
Entre 1960-1970 quando aconteceu o feminismo pioneiro, a mulher branca ia às ruas lutar pelos direitos, cobrar igualdade de gênero, participação política social, emancipação da submissão ao patriarca...
A mulher branca sempre mostrou relutância em reconhecer a estrutura histórica da negra. Ia à luta, mas em sua casa mantinha serviçais domésticas (nem precisa dizer que eram negras), com longa jornada de trabalho, exploradas. A branquitude sempre esteve no topo.
(cena de Histórias Cruzadas, 2011 - aliás, está indicadíssimo)

Mulher branca vive dizendo por aí que somos nós, por nós mas sempre tivera um jeito de inferiorizar a outra. A mulher negra, todos os dias é vitima de ataque racista e misógino e ninguém se espanta  ou faz algo para o extermínio deste preconceito.
Ainda ontem, presenciei uma moça negra sendo exposta (por mulher branca) em grupo racista por ter platinado o cabelo, e tenho visto isto acontecer com intensidade (digo, exposição, opressão em seu todo) .
Quando mulher negra debate sobre algo, principalmente na internet, lhe é questionada a referência bibliográfica, embasamento ou lhe é roubado o protagonismo da fala. É 'diagnosticada' com insanidade por se defender, considerada louca... 

Quem teu "feliz dia das mulheres" contempla? A mulher trans e cis de todas as etnias? Ou só a heteronormatividade branca? Não adianta dizer nós, por nós e na primeira oportunidade ferir a outra ou permitir que a firam sem fazer nada a respeito. Não diga que é dia de todas, porque aí dentro você sabe que não é.
Acredito que em algumas situações, a mulher branca não inferioriza a negra, por maldade. É uma questão de perpetuar os hábitos sem sequer reparar no que está fazendo ou se está ferindo a outra. É talvez, preferir o cômodo, o senso comum à conhecer a luta histórica alheia.

Quanto ao homem branco vir desejar "feliz dia das mulheres, pois sem vocês não teria graça", até o momento não conheci algum que tivesse a honra de receber minha total confiança, quanto ao homem negro: leia aqui, uma partícula do que penso. É uma confusão só!

Vós homens: não parabenize mulher alguma por criar seus filhos sozinha, não anule a responsabilidade do pai (pai?) ausente. Não parabenize todas as mulheres se em todos os outros dias do ano vocês as apedrejam por não se depilarem, por gritarem feminismo, por desejarem o aborto, por terem escolhas subjetivas, por serem rebeldes, por se relacionarem com o mesmo gênero; dizem que são culpadas por sua violência nojenta; cospem na luta árdua diária ...

Feliz dia da mulher? Meça seus "elogios" (aliás, os quais me recuso a chamar de elogio)!

__________________________________
*Leia também: Teu feminismo me abraça?
*E se você realmente deseja saber sobre o feminismo negro, sugiro que conheça Angela Davis: grande mulher com grandes obras, ela te explicará certinho.
__________________________________

Lugar de mulher é na cozinha, mas não na cozinha gastronômica

(chef Helena Rizzo, da Padoca do Maní - grupo Maní)


Não é segredo que por um período incalculável, as mulheres só eram uteis para vencer o serviço domestico e criar os filhos enquanto que o homem trabalhava externamente para suprir as necessidades da casa. 

Lamentavelmente, ainda existem diversos casos de submissões ao gênero masculino. E não é porque mulher gosta de apanhar não, cada caso tem seu nível de delicadeza e não cabe aos externos, julgá-los. O que deve-se fazer, é conscientizar a mulher sobre seus direitos à proteção (não por ser frágil - porque mulher não é frágil como dizem - mas com uma proteção assegurada por Lei o homem temerá à algo). 

Me magoa profundamente pensar que mulher ainda precisa da Lei de Maria da Penha para se proteger fisicamente de um ser que é constituído da mesma matéria que ela. Me magoa também, ao pensar que muitos homens só não agride (fisicamente né, pois palavras são dardos inflamáveis) suas esposas, por temerem à Lei e suas consequências, não por pensar que suas esposas são pessoas que possuem igual valor à si.

Mas o assunto hoje é especifico, vamos ao ponto!

Masterchef Brasil é um dos programas que adicionei aos meus favoritos, gosto de torcer e vibrar juntamente aos participantes que sinto afeição. Não consigo assistir em "tempo real" mas acompanho aos episódios lançados na internet posteriormente.
No episodio de nº 07 que foi ao ar em 15/11, houve uma divisão aleatória dos participantes em 2 equipes composta por 3 indivíduos, mas o que ganhou minha atenção e me deixou incomodada, foi a atitude de Ivo para com Dayse (sendo que a equipe foi composta por: Dayse, Dário e Ivo).
A prova culinária contou com 05 tempos (rounds). Durante o 01º tempo, percebi a tentativa de introdução de Dayse à cozinha. Ficou apenas na tentativa. Durante o 02º tempo, Dayse percebeu uma certa exclusão de sua figura (pois até então, Ivo, o líder do trio só tinha-lhe direcionado tarefas pra lá de pequenas e ainda teria assumido a conclusão das mesmas) e questionou o líder sobre sua presença na cozinha:
D: Somos uma equipe, se todos não trabalharem não funciona! Me dê algo para fazer!  
I: Poxa não há nada mais para fazer (enquanto que ele e Dário, cozinhavam), o tempo é curto e temos poucas coisas. Se ta tão incomodada, pega a vassoura para varrer então! "Mulher é frágil, é delicada na cozinha! É complicado!"

Mas que estranho! Mulher na cozinha caseira, aquela que só é útil para vencer os serviços domésticos, cuidar do filhos, servir e satisfazer sexualmente e se submeter ao homem, essa SIM é boa na cozinha e não deve existir nada de frágil e complicado para ela.  Estranho mesmo! Quando a mulher tem a oportunidade de conquistar um ensino superior, então ela não serve mais para atuar na cozinha? Lugar de mulher não era na cozinha?(ironia) Contraditório, não?
Existe uma constante mudança no suposto **papel** da mulher na sociedade, ditada pelo gênero masculino e lamentavelmente o machismo em sua maioria está dentro de sua casa. É um tal de que mulher não pode, mulher não faz, que até assusta (mas esse susto só aumenta a sede da luta por igualdade).

Flor, à você que está lendo, peço-lhe que se atente aos detalhes. (Não vos chamo de flor por pensar que és frágil. Flores são fortes: secam, florescem, mas continuam enraizadas e em vida até o momento em que a vida lhe for permitida. Peço-lhe ainda que saiba "saltar espinhos" para se proteger quando tentarem puxar-lhe pela raiz.) 

Não inferiorize-se na presença masculina, não sinta-se menor ou com menos importância. Seja como e o que você quiser ser, permita-se. Juntas e entrelaçadas numa só corrente, conquistaremos (tive que me incluir) seus objetivos na sociedade. É complexo, esse tal machismo é tão forte que já está institucionalizado mas a revolução já começou e é feminista. Por amor, não desista! 💛

Ah, escolha carinhosamente um participante para que você sinta afeição. 😀

Teu feminismo me abraça?

(ph: Tainan Silva)

Meses atrás, passei por uma experiência desconfortável, onde uma garota linda e loira (kit garota sonho dos rapazes) fez um pequeno comentario ofensivo referente ao meu cabelo, que me fez duvidar do feminismo. 

Decidi fazer uma analise cá no meu pensamento... O feminismo não faz recruta e seleção por aí, pelo contrário, nós garotas, temos a liberdade para decidirmos se queremos fazer parte do movimento, ou não. Eu faço parte, do modo que me cabe.

Pós diversos surfes e pesquisas na internet, concluí que dentro do movimento existem diversas versões do feminismo, sendo que cada uma escolhe, a que lhe cai bem. E numa dessas diversas versões, existe o feminismo da branquitude racista. Sim, é assustador saber isso (pelo menos, para mim foi) e há garotas brancas que negam até o final.

Eu iria te explicar esse tal feminismo da branquitude, mas acompanho uma organização, a Geledés que é o Instituto da mulher negra fundado em abril de 88 e lá, a colunista Stephanie Ribeiro explicou o conceito disso e compartilharei com você:

O Brasil mesmo sendo o país de maioria negra, e mesmo tendo as mulheres negras como 26% ... tem ainda um feminismo/luta emancipatório pelo direitos das mulheres, extremamente RACISTA... Atualmente as mulheres brancas vem usando a falácia do “good vibes” as brancas se intitulam como calmas, focadas, que não entram em “tretas”, superiores, amorosas, pacíficas. O antigo: eu luto pela sororidade. A completa oposição ao comportamento de mulheres negras, facilmente taxadas como agressivas, violentas, até quando estão DIGITANDO. Não que negras são violentas, mas SEMPRE que uma mulher negra se manifesta, ou a mera entrada de uma mulher negra num espaço causa estranhamento. E é isso… A mulher negra é taxada como agressiva ao respirar, então quando manifesta sua opinião, ou seja, se acha no direito de falar sem ter sido chamada (afinal negras servem para serem marcadas/consultadas em posts quando alguém tem dúvidas sobre o racismo) não somos BEM VINDAS. Sendo assim o good vibes acaba, assim que uma mulher negra questiona uma mulher branca. (via Geledés)

Talvez você garota branca que está lendo isso agora, não faça parte do feminismo da branquitude (o que infelizmente, para mim é raridade). Mas é difícil para uma garota preta acreditar em ti, pós tantas experiencias horripilantes, entende?

A diferença entre o tratamento com garota preta vs. garota branca é saltante e nessa hora a tal sororidade perde o sentido (talvez, nunca teve sentido). Deveriamos estar na luta por uma coisa só, para que tantas complicações?

Ainda é muito mais complexo do o que já apresentei até agora, mas não quero que você me veja como a preta coitada que tem um blog para choramingar e implorar por atenção. Até pouco tempo, se você procurar eu só abordava assuntos de arquitetura e construção, mas na real, minha vida não se resume no curso que eu curso. Uma coisa que me dá prazer é escrever, qualquer coisa que me der vontade. Então, enquanto eu possuir bem-estar mental, estarei por aqui escrevendo sobre o que eu gosto e o que me incomoda.