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Eu te esperei...

sábado, 19 de agosto de 2017

(Stephanie Ribeiro - via)
- - - -
Nos primeiros dias depois que você se foi.
Sentei no balanço vermelho que você me deu.
E como eu não podia fazer mais nada.
Aprendi a te esperar até o dia que você quisesse
Voltar a me balançar.

E te esperei.

Na primeira festa da escola para você
Fiz corações de cartolina com seu nome dentro.
Ensaiei cantar aquela música do Fábio Jr.
E te esperei.
Pensei que no meio daquelas várias pessoas
Você ia surgir para me ver
Que nem acontecia nos filmes da Sessão da Tarde.
Então até o último minuto eu cantei olhando a porta
E te esperei.

No meus aniversários.
Eu te esperei.
Nas formaturas.
Eu te esperei.
No almoço de domingo.
Eu te esperei.

Quando me fizeram chorar a primeira vez no recreio.
Eu te esperei.
Quando não sabiam pentear meu cabelo que era como o seu.
Eu te esperei.
Quando o primeiro garoto me fez me sentir um nada.
Eu te esperei.

Incansavelmente te esperei. 

Guardei sua foto no fundo do meu armário.
Guardei o urso azul que você me deu.
Guardei a memória do balanço vermelho.
E te esperei.
Esperei o equilibrio.
Esperei o balançar no sentido certo.
Esperei o empurrão para chegar mais alto.

Eu esperei seu tempo.
Esperei sua mudança.
Esperei até o último momento.
Sentei no balanço e esperei o seu impulso.
Esperei.

Quando você voltou,
Disse que tinha mudado.
Que sabia o que tinha feito de errado
E prometeu nunca mais me abandonar.
Eu vi meus pés nas nuvens.
Eu senti o vento no meu corpo.
Eu esperei você.
Esperei você me dar todas as provas que por você
Eu nunca seria amada.
Esperei tanto.
Que agora sozinha eu sei me balançar.
 - - - -
Poema de Stephanie Ribeiro, "Lido na última edição do TEDX, no sábado (12/8), em São Paulo, emocionou o público ao relembrar a espera pelo pai, que abandonou a ela e a irmã Giulia quando eram crianças."
"No Brasil 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai no registro, e eu fui uma delas assim como minha irmã Giulia, que para mim importa muito e que pode contar comigo se precisar de um empurrão.  Durante 7 anos nosso registro só constava o nome da minha mãe, minha irmã nem sequer tinha tido contato com ele por esse tempo e após sua “retomada” as nossas vidas uma sucessão de finais de semana sentadas na sala esperando por ele que nunca chegava vivenciamos. É fortalecedor expor isso publicamente, num país que homens como meu pai são abraçados e amparados, enquanto mulheres como minha mãe são isoladas." (Stephanie Ribeiro)

Competitividade afetiva

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A competitividade afetiva, termo desagradável de dizer, tem marcado forte presença entre os gêneros e em sua maioria a competição é travada pela busca da proteção de um relacionamento afetivo.

Fui vitima (#alouca) de distanciamento por oferecer risco ou parecer ameaça à uma relação alheia precoce, durante o ensino médio. Fui vitima também por outras poucas vezes.

Referenciando a postagem penúltima, complemento aqui, dizendo que o motivo do tal distanciamento pode ter sido minha inconveniência indesejada, e se foi isto a vitima não era eu. Talvez, tenha estado muito presente e uma das partes sentiu-se invadida. Me afastei, pois este era o desejo alheio.

Embora suspeita para dizer, nunca fui ameaça alguma. Era a garota menos provida de beleza e tinha ciência disto. A única coisa que me permitia não ser tão invisível, era meu boletim de notas. Meu desempenho acadêmico era dos melhores e era considerada somente por este mérito (exceto pelas pessoas que foram capazes e humildes e se deram a oportunidade me conhecer integralmente).
Diante de minha classe, gênero e etnia, a sociedade sempre me viu/verá como ameaça e inconveniente, independente do que eu faça.

Você não sabe o que acontece dentro do outro, talvez haja interesse pelo que está em companhia alheia, talvez não. Não se deve ignorar/afastar/evitar esse outro porque "fulan@ acha que o mesmo tem interesse no seu parceiro".
Relacionamentos não deveriam ser eternas competições e barreiras. É heresia, uma vez que o intuito de amor não é isto, não? Qual o conceito de amor para você? E a prática, é outra?

Se as pessoas que te veem como importante são definitivamente ameaças à tua relação, desejo puramente e profundamente que esta nunca se rompa. Se assim não for, quem lhe restará depois?

Extermínio não é a solução! E a evasão, nem tampouco, traz proteção.