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Culpados demais para sermos bons...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018 Nenhum comentário
A culpa - tratando aqui, tocante a psique -  é a frustração que nasce da ânsia que temos em sermos perfeitos/em nos sentirmos completos, mas que por alguma(s) circunstancia(s), não conseguimos alcançar esse modelo imposto - imposição essa, que pode ser de nós para nós, ou de outrem para nós.

Essa construção do pensamento de que fizemos algo errado/que deixamos de fazer algo que poderíamos ter feito/que algo fizemos foi prejudicial à alguém, resulta nesse sentimento.
De imediato e por tempo indeterminado, nos punimos de formas cruéis, como: nos privamos/abstemos das ações que gostamos, exercemos auto pressão psicológica, confessamos e nos penalizamos como arrependimento em troca de absolvição divina...

Consequentemente, a culpa nos provoca percepção de insignificância, como se fossemos tão inúteis que nada sabemos fazer de modo eficaz. Ou ainda, importantes demais, ao nos indiciar como delituosos em vidas alheias. Importantes demais, porque de fato, não temos poder efetivo no outro, somente se o mesmo permitir, contudo, esse é um dos efeitos maléficos duma relação abusiva.

"Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida...", temos que lutar pela nossa recomposição. Se a verdade nos liberta, a batalha repressiva contra nós está edificada na mentira.

Compreendamos a raiz do sentimento, peçamos perdão; perdoemos-nos; aceitemos o problema, pois não podemos ter controle sobre tudo; tentemos não repetir outra vez... E claro, ao ponto, busquemos por um profissional.
Sejamos auto empáticos, como seríamos com nossos queridos!

Reabilitemos-nos, sem penalização.


 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Afro cristãos brasileiros sofrem amnésia histórica?

domingo, 12 de agosto de 2018 2 comentários
CATOLICISMO E EVANGELIZAÇÃO
No inicio, houveram projetos de evangelização, sob olhos europeus-colonizadores. O Império concedia poder para a Igreja, que por sua vez tinha poder influenciador na vida politica do país.
A posição da Igreja em relação aos escravizados era de consenso com a opressão, pois não os acolhiam, uma vez que vigorava uma união exploradora com colonizadores.
As propostas evangelizadoras não tinham como interesse a emancipação dos escravos. Os negros não eram aceitos e não lhes eram assegurados o direito de exercer a fé em sua própria religião: assistiam "do lado de fora" ou praticavam sincretismo.
(Mas antes mesmo de grande parte da Europa, o cristianismo se difundiu na Etiópia (no Império de Axum), conclui-se que, posteriormente, os negros não se apropiaram da fé do opressor)

A INSTALAÇÃO DO PROTESTANTISMO NO PAÍS E SUA [NÃO]PREOCUPAÇÃO COM A ESCRAVIDÃO
No século XIX, uma nova vertente do cristianismo, a Igreja Reformada se instala definitivamente no Brasil. 

No inicio não foi tarefa fácil, sofreu rejeição, expulsão, perseguição e conflitos de interesses constantes entre católicos e protestantes.

O Protestantismo chega com a proposta de renascimento, inclusão e [re-]humanização, também aos imigrantes: um Deus que não abraça tão somente a burguesia capitalista. Seria esse o inicio do progresso, do reconhecimento e da atribuição de dignidade humana aos oprimidos? O inicio da emancipacão?

Os missionários em sua maioria eram norte-americanos. Seus principais ideais eram a separação entre a Igreja e o Estado; promover a educação, a democracia e a liberdade de pensamento. Se identificavam como Liberalistas.
Porém, além de instruírem os novos convertidos a libertarem seu súditos, não concretizaram ações que de fato mudaram a ordem social estabelecida. Outros agentes missionários ainda, usaram de mão-de-obra escrava para se instalarem no sudeste brasileiro.

A grosso modo, só concordaram e assumiram posições mais brandas e contrárias ao sistema governamental escravocrata, quando o mesmo foi abolido - mas há muito a ser lido sobre as posições declaradas e individuais, das diversas igrejas protestantes.

À MARGEM SOCIAL, NUM NÃO LUGAR
Contudo, o movimento cristão - de modo geral -, foi seletivamente acolhedor e comungou com a escravidão - houve consenso ao não ser anti-escravista. Não promoveu o discurso e ações emancipacionistas efetivas.

O Protestantismo correspondia com os interesses da classe dominante - os senhores de terras/senhores de escravos. Isso era claramente visível nos veículos impressos - de autoria dos missionários protestantes -, por exemplo, o povo negro não era contemplado como agente de mudança histórico-social - mas sim quem antes o detinha: os senhores.
Nesse momento - após a abolição - a visão que se tinha é de que o povo negro deveria ser "resgatado, regenerado e educado", segundo os princípios morais protestantes e então só assim este se tornaria humilde e distante da rebeldia (raiva), para que pudesse se tornar produtivo e ativamente saudável na práxis: o caminho que leva a sociedade a liberdade.

Desprendido de seus senhores e teoricamente livres, os negros se perceberam num não lugar, instalados numa sociedade com bases racistas, sem infraestrutura ou oportunidades de trabalhos para se edificarem - sozinhos - como humano.

A FÉ QUE LIBERTA: CONTRA TODA OPRESSÃO
Um pulo - com pernas grandes - aos dias atuais, para compreender de forma coesa a presença negra num espaço considerado racista - pós conhecimento da participação dessa fé, num sistema escravocrata.

A leitura do livro sagrado, a Bíblia, desde o princípio foi feita a partir do olhar eurocêntrico, sexista, classista...
Para o começo de uma fé libertadora, é preciso que a hermenêutica seja apropriada a partir da perspectiva e história de quem a lê - por exemplo, quando os negros, a classe dominada, as minorias tornam sujeitos que reinterpretam e conduzem o sentido da leitura é diferente de como o privilegiado/opressor a faz.
Não há leitura neutra e absoluta e com isso é possível [re]conhecer o Evangelho, que é de fato acolhedor, abundante em amor.

"É importante ressaltar que, em momento algum, a Bíblia foi neutra diante da escravidão, antes serviu como “ferro em brasa” e “algemas” que aprisionavam negras e negros no “doce inferno” do engenho de açúcar." (...) "foi usada não apenas para legitimar a escravidão, mas também para amaldiçoar o povo negro, através de sua interpretação repleta de etnocentrismo"(ref. 1)

A Teologia Negra (Teologia da Libertação) - surgiu entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, sob a liderança de Martin Luther King - nasce da discriminação vivida e designa a libertação do "pecado social que marginaliza e escraviza".

"...Ela se concentra na reflexão teológica sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther King Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade dominada pelos brancos. (...) Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo de oprimidos..." (ref. 9)

O povo negro cristão, reconhece o Evangelho como potencial libertador, trazido por Jesus Cristo, Aquele que foi penalizado com morte por sustentar seus princípios de justiça.
A divida histórico-social com os negros, não deve ser atribuída a Deus e seus ensinamentos. Iniciou-se com a leitura e [não]ações intencionalmente violentas pregada pelo Estado-Igreja, para legitimar seus interesses.

Pelas vezes que puseram sob analise a sanidade negra e a atribuíram incapacidade coerencial, quando este sujeito se afirma cristão: não há amnesia histórica. É preciso reinterpretar as escrituras - pela perspectiva do oprimido - e a representação de Jesus:
"Aquele que condenou o acúmulo de riquezas; andou com os pobres; anunciou a partilha dos bens; disse quera preciso escolher entre o amor a Deus ou ao dinheiro; impediu processos de execução; não estimulou a violência; acolheu as pessoas humilhadas pelos preconceitos culturais e religiosos; confrontou as estruturas de poder..." (...) "precisamos abraçar a causa da justiça econômica; do respeito à diversidade; da critica ao poder; do grito dos oprimidos."(ref. 2)
"Liberto e livre, ninguém aqui é incapaz,
Viver bem com a consciência Plantando a semente da paz
Ajudar ao próximo mais do que você pode
Sei que és forte, corajoso, não mede esforços,
A força divina não vai lhe abandonar,
O despertar do amanhecer é uma nova conquista,
De quem não se entregou e para aquele que acredita,
Injustiça não há nas mãos de Deus,
Se apegue a ele...
" (Se tu lutas, tu conquistas", Somos Nós a Justiça) 
Prevaleçam o Amor e a Caridade. Permaneçam a lucidez, a participação social, a promoção da dignidade da vida, o movimento progressista... que Teus passos sejam seguidos.
A Tua imagem e semelhança: um Jesus que abraça a diversidade e desmonta o etnocentrismo.
_
Indicação:
a. "Não existe leitura neutra da Bíblia", Ronilso Pacheco. <link>

Referencias bibliográficas:
1. "Hermenêutica Negra Feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6"., Cleusa Caldeira. <link>
2. "Jesus era de esquerda?", Henrique Vieira. <link>
3. "Como a Igreja Católica tratou negros e negras nestes 507 anos?", David Raimundo dos Santos. <link>
4. "'Negro não entra na igreja: espia da banda de fora' - protestantismo e escravidão no Brasil Império", Márcia Leitão Pinheiro (resenha do livro). <link>
5. "500 anos do Protestantismo e escravidão no Brasil", Hernani Francisco da Silva (para Afrokut). <link>
6. "As igrejas coptas da Etiópia: Em busca das raízes cristãs", Marcello Lorrai. <link
7. "Afro Cristianismo no Brasil", Marco Antonio Sá. <link>
8. "O Protestantismo no Brasil", Alderi Souza de Matos. <link>
9. "A Teologia Negra: Uma introdução", Filipe Dunaway. <link>


 esta soy yo!Eli Belizário
Cristã, afrofeminista

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

Obviedades

domingo, 21 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
No que ele não diz cabe o óbvio. Isso que, ao olhar em seus olhos flamejantes, decerto, deverias saber.  
Se não podes ver o que não está escondido, diga-lhe também o óbvio: que as flamas não te incendeia mais.


Muito másculo!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Armas mais fortes. Tanque mais cheio. Alta voltagem. Na rua, harém de 'vagabunda mulata' - sujeitinho insignificante. Sem choro, sem massagem, sem chance, sem isso de querer sentir. Dente por dente. Sangra sem dor. Não se corrompe pelo amor. Sentimento suprimido. Perversidade,  força, inflexibilidade, intolerância, independência, racionalidade, auto-suficiência, soberania. "Coisa de homem!"

Atribuição de papéis. Evitação da feminilidade:  cultura do estupro, homofobia, misoginia, machismo, racismo, feminicídio. Abatedouro de mulheres: construção - tóxica - de masculinidade. Impunidade...

"EM NÚMEROS: A violência contra a mulher brasileira(acesso em 19/01/2018, 15:48)
"ONU: Taxa de feminicídios no Brasil é quinta maior do mundo" (acesso em 19/01/2018, 15:48)


Valei-nos

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Outro dia veio a notícia de que a 'prova do pecado' do outro, fora atirada sob a porta do templo para que no próximo culto fosse encontrada pelo primeiro despreparado. Não se sabe quem fora.

"Pior do que os que praticam o mal, são os que podem, mas não fazem o bem". Fazer o bem, às vezes é não fazer nada diante das circunstâncias alheias que não nos cabe intromissão. 

Haja compaixão pelos que tentam corrigir o próximo à sua maneira, decretando punições. 
Rogo misericórdia por todos - mas a misericórdia não ameniza o linchamento momentâneo que o transgressor, segundo os princípios de fé dos juízes, é submetido.
Eu que sequer tenho forças, faço como Ana: "...falava no seu coração; só se moviam os seus lábios, e não se ouvia a sua voz..."

Tem gente que martiriza o Cristo todos os dias, selecionando espíritos à pena de morte e excluindo-os do direito de salvação. Parece que também foi lhes dado o poder nos Céus e na Terra...

Gosto muito mais do "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei", do que "Afastai-vos de mim porque não vos conheço".

Salmos. O livro dos  justos, oprimidos, cansados, aflitos e transgressores arrependidos. "A ira de Deus dura um momento só, mas a sua benignidade é eterna."


msc - movimento dos sem coração

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017 Nenhum comentário
"chegou depressa com a mala cheia e tralha vazia. cabisbaixo, murmurando mais baixo ainda como se tivesse descontente por ter lançado a rede em águas inférteis.
lavou os pés, pisou em terra alheia e foi se ajeitando pra um descanso. nem pediu licença."

eu, fujona, fujo de quem chega entrando sem permissão. (qual será a intenção?)

"nesse dia fiquei. resistindo e cheia de medo. noutro, fiz saber de onde vinha.
disse que foi expulso dum outro coração por justa causa e não tinha onde ficar. fez foi perder a confiança dos que tinha."

no meu peito sempre cabe mais um - que mostra o real interesse desde o início.
houve um tempo que não. não cabia independente de onde, como e porque vinha até mim. depois de quando fui esse pescador frustrado - por inúmeras vezes, ainda sou - entendi o que é a empatia.

eu me apaixono por quem conquista e compartilha confiança comigo. muito mais, pelos que não pedem confidencialidade por acreditarem que eu não seria desagradável a tal ponto.
isso! a palavra que me define: inconveniente. tô superando o impulso que me impede de ser prudente pra saber quando não é momento pra mim.

não quero ser o tempo todo, esse pescador insensato, que invade onde não foi convidado. 
à quem violei a privacidade, ofereço sincero perdão. gratidão, por não me receber com pedras em mãos.

e adivinha? você é a pura empatia.
coração e sua funções socioemocionais.

Um compilado chamado: "Renuncia à empatia"

segunda-feira, 20 de novembro de 2017 Nenhum comentário

O racismo estrutural

"O cabelo de Lele", é um livro, escrito por Valéria Belém, que é: jornalista, escritora, branca e seu sonho é "tocar o coração daqueles que leem seus livros, assim como ela já foi tocada por vários autores". O problema de alguns brancos - sem generalização - escreverem sobre racismo é a forma como enxergam e sentem. Para estes, tudo se resolve com conversa e conhecimento - tudo que os racistas tem ao dispor: fala e conhecimento, fosse assim, não mais existiria racismo. 

Lele é uma menina que não gosta do cabelo ao se olhar no espelho. Seu cabelo, aparentemente - após ver a ilustração - é do tipo 4b e 4c, crespo/crespíssimo. Ao conhecer a história de seus ancestrais, reconhecer a origem de seu cabelo, Lele naturalmente começa a gostar do que vê no espelho.

Toda vez que alguém conclui um conto de racismo com final feliz, minha saliva parece ficar mais espessa e com dificuldade para passar onde sempre coube. 
Não tem como, quem não sofre racismo, escrever como é a vivencia de quem sofre. Nem quem sofre racismo consegue escrever em plenitude, como é sofrer.

Onde começa o racismo? 

"Karina, 15, se matou com medo do vazamento de fotos íntimas". Karina não sofria bullying, sofria racismo - como disse o pai da adolescente. O racismo foi praticado pelos que compartilharam o espaço social e escolar. Nesse caso, o cabelo - a raiz alta, quando o cabelo começa a crescer e a química a descer - era o alvo. A pele. Karina era o alvo. E isso - infelizmente, Valéria Belém - não acabou com final feliz.
A violência contra Karina não foi uma só. A presença do silêncio protagonizando a vida de Karina dizia muito.

Porque Lele, Karina e outras milhares de meninas pretas não gostam do cabelo? Porque não conheceram ainda sua ancestralidade? Depois que conhecerem, passarão a gostar?
Quem diz isso, nunca ouviu contar a História do Brasil.

Num outro livro infantil, "Tudo Colorido - Preconceito racial", categoria bullying - quando é que racismo virou bullying? -, escrito por Suelen Katerine A. Santos, não tive o desprazer de encontrar algo se quer, sobre a mesma. No livro, Suelen narra que a menina Tainá, de pele preta, se recusa a fazer tranças com uma cabeleireira  branca. A menina é mal educada. Depois, Tainá vê a vizinha com tranças muito bonitas e a tal disse que fez com a cabeleireira branca que Tainá havia recusado - POR SER BRANCA -. Sendo assim, Tainá voltou ao salão, pediu perdão e fez as tranças com a cabeleireira.
Suelen Katerine A. Santos, covardemente, criou um conto onde uma menina preta vulnerável é racista reversa. 
Existe inúmeras Suelen.

É assim que ensina crianças pretas, se amar, amar o próximo e como combater racismo?

Como tem gente que ainda tem coragem de 'sustentar' o pensamento meritocrático? 
"O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos."
Conversando com um professor de História - que já foi docente no Ensino Público -, abordamos a 'ausência de interesse' da classe baixa, quanto à Educação; como os docentes tratam esses 'alunos problemáticos'; como 'ninguém' se interessa em cutucar de onde vem o 'não interesse'. 
Os docentes - sem generalização -  sofrem tanto descaso pelas instituições que representam o Estado que não têm estimulo para se interessar pelo 'não interesse alheio'. Os discentes sofrem descaso múltiplas vezes. As instituições que representam o Estado omite direitos. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é impecável, mas a ineficácia e carência de Politicas Públicas é gigantesca. Como no slogan da Reforma da Previdência: "Contra os privilégios. A favor da igualdade", as instituições que representam o Estado 'sustentam' e promovem o pensamento meritocrático.

O Brasil é rico em ausência de real igualdade de oportunidades, raciais, sociais, culturais, sexuais e de genero. Mais perigoso que lutar por igualdade é mencionar a introdução de equidade. Perigosíssimo.

Desigualdade, sexualidade, identidade e desigualdade de genero

"Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi". Quando há mais de um fator que consequentemente 'define' a vida de alguém, a onda de violência é muito mais destruidora. O patriarcado e a 'soberania' são experientes em ser hereges. Promovem a Vida e o Amor em nome de tudo que é Santo e faz tudo como não deve ser. Autores da perseguição que mata muitos.

Está disponível na Netflix, o documentário "A morte e vida de Marsha P. Johnson". Retrata a vida e morte de Marsha, ativista dos direitos trans. Enfrenta a violência que a leva a morte. Filme indicadíssimo, para conhecimento - mais conhecimento - de como é sobreviver, sendo não heterossexual e branco. 

O processo de higienização está presente. Na ausência de oportunidade, na punição por ser rebelar, no embranquecimento forçado - como no caso da peça que retrata a vida de Carolina de Jesus - e em muitos outros fatos que compõe as estatísticas.

Coleguismo asqueroso

Com William Waack, perante prova o perito audiovisual, Maurício de Cunto, concluiu dizendo que aparentemente, William, diz preto, mas que não pode afirmar que é esta palavra
O coleguismo, este sim, é coisa de violentos em potenciais. Como no caso, "Marcelo Freixo é acusado de machismo pela ex-esposa".
Marcelo Freixo, que é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, filiado ao PSOL, que 'vestiu a camisa' do feminismo diversas vezes. Também recebeu solidariedade dos parceiros.

Oportunistas em potencial

A ex-presidente Dilma Vana Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores, eleita democraticamente por 54.501.118 milhões de votos em 2014; ao se posicionar contra William Waack - enquanto nas redes, se movimentava a hashtag #coisadepreto - em seu Twitter, disse: "(...) O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.".
É desleal se apropriar da 'causa alheia' para promover a si. Ser empático é esquecer os próprios interesses.

Os problemas são muitos e a manutenção no sistema 'está sendo feita' - está? existe interesse  'de cima para baixo'? - erroneamente. Não há ingenuidade em nenhum momento. A falha é estrutural - naturalizada, patrimônio imaterial -, está nos livros educativos circulando nas escolas - inclusive, aprovados pelo MEC -, na apropriação de fala exercida pelos que tem privilégio em ser ouvidos, na falácia meritocrática, na omissão dos direitos, na negação de oportunidades, na reprodução de desigualdades, na ausência de empatia, ao atribuir responsabilidade e culpa à vítima, ao reproduzir que o racismo só existirá enquanto falar dele...

A Justiça não é cega. É seletiva, asquerosa, renuncia a empatia e age cientemente. Não será tirando o chapéu e dizendo: "- Com licença, senhor!", que a liberdade será conquistada.

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Todos os links foram acessados em 19/11/2017 entre 08:09PM e 10:57PM.

0800

terça-feira, 7 de novembro de 2017 Nenhum comentário

sou a lanterna pro seu desespero quando se perder na bifurcação do caminho

o ombro de ossos removidos, que te acomoda quando buscar abrigo

a que não dorme enquanto não enxugar a sua última gota de choro - e que só depois apaga a luz

a dispensável ambulante

a que lembra de ser grata pela sua vida quando se esquece

a que não mede dignidade e não cobra fidelidade

a que não enumera e não lança em rosto suas maldades

a que brilha com a mesma intensidade sempre que você clamar pelo nome

a que não é santa, nem virgem Maria
a que é amiga do seu Amigo

0800.

Quando eu flor Bela...

domingo, 10 de setembro de 2017 Nenhum comentário


Quero ser tão bela
que não mais cederei as curvas dos meus ouvidos
para que os padrões as rendam.

Quero ser tão bela
que pensamento auto punitivo algum,
me perturbará.

Quero ser tão bela
que repousarei em meu colchão gasto,
- tão mole quanto uma gelatina que se derrete -
e ressuscitarei com os ossos espetando a carne e ainda assim, radiantemente.
porque serei bela.

Quero ser tão bela
que nem mesmo a ausência de representatividade quando no Google buscar por "linda",
alterará minha certeza.
porque serei bela.

Quero ser tão bela
que promoverei a beleza em todas as mulheres que não se sentem belas.
Ainda mais.

Quero ser bela,
não nessa matéria que apodrece.
no que me é mais intimo,
que só quem for belo, terá a honra de me tocar.
Bendito será!

Quero ser tão bela,
que nenhum espelho sustentará tamanha beleza.
Nenhum terrestre.

Quero ser tão bela,
que nem na câmera de melhor performance
existirá função para me capturar.

Que nenhum dicionário me definirá.

E só aí,
então,
serei imune.

(Mas)
Quando eu for Bela,
tão Bela,
talvez,
estarei longe da existência humana.

E se assim for,
aos que contribuem com o movimento de minha sobrevivência,
de alguma forma,
lhes mandarei cartas
para relatar,
o quanto serei Bela.

Ou,

Brotarei em flor
como as raízes das veias em seus corações.
manisfestarei em odor para lembrar-vos:
Como são Belos!

Eu, vitimismo: Capítulo 6 - Qual é a cor da solidão?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017 Nenhum comentário

Às vezes parece que sou exagerada, que faço tempestade com um copinho d'água. Quem dera ter esse privilégio.

Me protejo com todos os escudos que me são possíveis, principalmente dos males que tentam brotar aqui dentro. E conseguem.
Cada gesto seu, é analisado. Até as coisas quase inalcançáveis aos sentidos, faço questão de sentir. Nada que me faça é irrelevante.

As pessoas sentem necessidade de questionar, quando é que vou ter um parceiro, e elas não fazem por maldade, é cultural. Essa pergunta, um dia se responderá. Tudo no meu melhor tempo.

Me abster do que não me transborda é Lei, para viver bem. Quando sinto que sou útil só quando convém, fujo para a outra ponta. E isso acontece quase sempre. Minha sensibilidade é do tamanho do mundo.
Não sou covarde por fugir, sou guerreira por me proteger sozinha. Preciso ser. Haja pernas para correr quase todos os dias.

Queria poder temer o escuro, contar com outra coragem. Sou eu por mim. Ninguém mais me abriga melhor que eu.

Se não pretende acrescentar, não ouse cativar. Expectativas quando depositadas em lugar errado, são tóxicas (mas agora já sei que o problema não sou eu). Cansei de perdoar! O transtorno consequente, é só meu.

Esse breve texto é lírico. É o relato da vida de outras milhares de mulheres pretas. Peterimento violento. Não sinto vergonha em dizer, menos ainda, desejo que tu sinta compaixão. Escrevo isso, para dizer que não somos vitimistas: a solidão da mulher preta é real, é cultural. Infelizmente. Existe ainda, as que a sofrem mesmo estando num relacionamento. É surreal. Mulher preta não é para casar, segundo o ideal social (basta dar uma gogleada), não tem problema vacilar com ela, é só um rascunho. E sangrando sem corte, questiono: quanto valem os nossos corações? (Gostaria de ter produzido um texto a altura de quem acompanha o blog, mas no momento não é possível. Existem artigos incríveis e completos pela internet, não deixe de pesquisar)

Mulher-objeto e o mercado masculino

domingo, 30 de julho de 2017 Nenhum comentário
(paula gonçalves - via)

Entre as diversas violências contra a mulher, as que causam transtornos psicológicos também têm jogado com todas as cartas. O mercado dos padrões, age como uma espécie de processo civilizatório, de modo a deturpar a imagem feminina, fazendo com que  mulheres fiquem insatisfeitas com seu próprio corpo.

Civilização esta que oferece o benefício da evolução, e como sempre, o mercado e suas munições são os que lucram com essa infelicidade alheia.

O que me trouxe essa reflexão, foi um notícia sobre a grande demanda de moças que estão se submetendo a procedimentos cirúrgicos em suas vulvas, de modo a priorizar mais a estética que o bom 'funcionamento' do órgão. Brasil é lider nesse tipo de procedimento, e, mais problemático, parte das que se submetem são ainda virgens: a prevenção da possível rejeição do que nunca foi apresentado.
"- Nasci de novo" - relata uma das moças. 
O cenário é para além de preocupante, uma vez que ela o compara ao ato do nascimento, como se tivesse recebido uma nova oportunidade para viver.
Outro fato que me ocorreu: assistia ao programa "O mundo de Jacquin", quando numa reunião com os amigos, o protagonista comparou a mulher brasileira com um corte de carne animal e continuou a discursar como se não houvesse nada errado, além de outras definições e suposições misóginas.
As várias facetas do padrão são invasivas e prisioneiras, e todas as mulheres estão a mercê. 

Todo dia um novo conceito do que é ideal, para atacá-las. Quem não se submete, não merece nem se quer um olhar masculino. Como se fossem superiores.

Viver para quem? Para o mercado carniceiro de satisfação masculina? Ser mulher-objeto? Ou massinha de modelar?

Ressignificaram. Inventaram belezas surreais e aboliram a diversidade e assimetria da vida. Oferecem liberdade para consigo mesma, mas na real, são cativeiros que as acorrentam. Estão querendo produzir bonecas em massa, ridicularizando e marginalizando todas as exceções. 

Aparentemente, o esforço para que eles sejam capazes de sentir desejo e afeto por uma mulher, é quase inatingível.
A estratégia que usam, é plantar guerra 'de você contra você mesma', de modo que caia nas garras da não autoaceitação e extrema insegurança, consequentemente fazem apologia - digo, imposição - para se submeterem aos tais métodos - métodos que se estendem ao infinito, sendo cirúrgico ou não. A perturbação impositiva que tortura e emaranha o interior, que aumenta ou diminui a intensidade dependendo da classe e etnia.

“No livro Sejamos todos feministas, Chimamanda afirma que “o modo como criamos nossos filhos homens é nocivo: nossa definição de masculinidade é muito estreita”. Por isso mesmo, segundo ela, “abafamos a humanidade que existe nos meninos, enclausurando-os numa jaula pequena e resistente”.”
“É inaceitável que qualquer tipo de opressão contra o sexo feminino ainda seja um hábito de uma parcela da população masculina.” (Educando as crianças para o feminismo? - via)

Mulher, tu não existe para orbitar em torno de eixo machista/misógino. Você é linda em sua naturalidade singular. Se deseja mudar, que seja por tua própria saúde fisica e mental.

Feminismo e sua importância essencial. Violência não são só os casos que recebem registro policial.

Se ainda não conhece nosso espaço oferecido para apoio, acesse o link abaixo. Meus ouvidos são para ti.
Eu, vitimismo

Empatia seletiva e a indiferença ao sentimento alheio

sábado, 19 de novembro de 2016 2 comentários
(imagem "ilustrativa" ao post, via MST)

Empatia, é o estado em que o teu psicológico se projeta no outro individuo, de modo a compreender os sentimentos do mesmo, em determinada ou diversas situações. Tem sido uma palavra bastante falada, pregada e adorada no mundo digital.
É bonito de se ver tantas pessoas pregando o quão importante é ser empático. É humano.

Desplugados da internet, uma fatia grande de pessoas são completamente distintas do que se revelam virtualmente (isto não é novo). Elas não se importam com o próximo do modo que escrevem, não são empáticas com toda e qualquer vida humana, não lutam bravamente de modo à honrarem o que dizem ser e fazer. Elas só se harmonizam com os teus e com aqueles que compartilham de suas ideologias. Aos outros que estão do outro lado, desejam a morte.

Já ouvi dizer que a esquerda faz o uso da empatia seletiva. Mas, ser empático ou não, não cabe somente ao campo politico. Existem não-empáticos tanto esquerdistas, quanto direitistas. 
Eu admiro imensamente pessoas que possuem pensamentos politizados, aliás é de extrema importância conhecer as raízes da politica do país e de fora (eu ainda peco às vezes por ausência de informação e argumento, mas estou trabalhando nisso hahahaha 😊 - na verdade não tem risadinha não, isto é sério!).
Mas vale lembrar e não se esquecer que felizmente o mundo não orbita somente em torno do campo politico. Volto a dizer: ser empático independe de tua ideologia politica e esse é um ponto que as pessoas precisam saber divergir.  
Pessoas são pessoas e não devem ser expostas de modo à inflamar sua dignidade. Se uma regra vale para você, vale também ao outro, mas o que eu tenho visto, são pessoas ferindo pessoas por divergência de ideologias (em diversos campos: politico, religioso, sexualidade, social...): "Se você estiver do meu lado, te protejo; se não estiver, te lanço aos porcos para que se lambuzem contigo (digo, aos porcos "racionais")."
Não deve-se ter compaixão pensando que "amanhã pode ser você ou alguém de sua família", isto é errado. Deve-se ter empatia, por se tratar de pessoas que possuem moralidades e liberdades individuais, acima disso, possuem o direito da dignidade humana.

Não se importar com o sentimento alheio, é desumano. Você não se importa que atinjam bravamente a tua dignidade?

Pense carinhosamente antes de expor ou fazer parte da exposição do teu próximo, seja por qual meio for (virtualmente: mais comum, ou fisicamente). Pense carinhosamente no efeito da desestruturação psicológica pós traumática. Selecionar quem merece ter ou não ter a dignidade acondicionada, também é desumano.

(imagem via Slideshare)

 
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