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Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















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Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

2. Equivocanálise: "Orgia"

quinta-feira, 7 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quem se atreverá beber de mim?
Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
Ou outro a pôr em risco o juízo?
Um velho que me agitará entre os dentes?
Ou outro frenético aos goles imprudentes?
Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

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Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção)O começo da perenidade se parece finitude 

1. Equivocanálise: "Despudoradamente"

terça-feira, 29 de maio de 2018 Nenhum comentário
Despossuída de culpa,
te pico e não fico
Ou, me peça e eu não faço
Paro! Sobre o término do limite da minha liberdade.

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Transcendência (A hora da redenção)

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3.

Naquela hora tomei os temores de todos para dentro de mim
E temi as noites sem orações (e a descrença nas palavras de minha boca)
E temi a fraqueza da aliança com Deus
E subiu à mente as vezes que inclinei ao rompimento do entrelace de nossos dedos
E temi não alcançar outro milagre
E senti percorrer dentro de minhas veias, leite azedo em desaproveito
E quando tudo se deu conta do meu medo, desceu ao coração: a renúncia à morte
E meu sangue voltou ao viço
E como acalento, seu adeus: "Rogai por mim?!"
E parte de mim, se foi...

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Saudação

domingo, 27 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Se me escutas
Noutro sonho efêmero te vi
presente à cabeceira,
ansiando o desdobramento das minhas pálpebras.

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Transição < Saudação > Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Transição

terça-feira, 22 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Tu, despejo
Em vão convida-me à assistir a própria glória
Quando me viste cear com o inimigo?

(Desassossegada me prendera à frente
Rasguei o ventre,
desabrochei tórrido e rosado)

Tu, desgosto
Tornaste eu-broto álgido e pálido.

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Tabacaria

domingo, 20 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
Que ninguém sabe quem é,
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

..."

Álvaro de Campos
15 de Janeiro de 1928


Eutanásia

quinta-feira, 17 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Diga-me o que queres?
Uma canção das minhas melhores cordas?
O tempo tocou em minha destreza

Agora, não vago sobre os olhos da noite,
acelerada pelos corredores frios, ao encontro do seu riso festivo

Me alimento de conflitos ambulantes
Num canto avesso às minhas costelas,
contra paredes exaustas dos meus rangidos

Tu, não fiques!
Fico só!
Vai!
E não prolongues o meu sofrimento...

Contra a parede

quarta-feira, 16 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Estes olhos desatentos
Antes sentenciados ao encantamento,
Salivam famintos por um gosto de percepção

O que há para ser visto que valerá o empenho?
Que invalide meu medo?
Qual vulto provocará contentamento?

Enquanto vagarosamente hospeda-se a penumbra,
sem hesito,
cada pedaço seu confisca todo meu deleite.


"Soneto LXXXVIII"

terça-feira, 1 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.

Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.

Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,

Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."

William Shakespeare

Devora-verbos

sábado, 10 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu quero ouvir
o que me devora os olhos
Quero que me sacie
pelas vezes ensaiadas, engolidas
Quero que me declame
os versos, as vísceras, [a]os gritos
Quero o doce e o amargo,
seus equívocos
Quero tudo dentro ou nada.

Devaneios quixotescos

terça-feira, 6 de março de 2018 Nenhum comentário
2.

Pela manhã, no céu da boca há garoa sabor de sangue

Há vestígios de batalha:
músculos enrijecidos,
ossos entrelaçados

Todas minhas pontas, aparadas
Vaidades que valem a destruição,
"que a terra um dia haveria de comer."


O mundo termina todas as noites

segunda-feira, 5 de março de 2018 Nenhum comentário
1.

Em meu leito,
um corpo frio e imóvel,
que outrora estivera sob meu domínio

Dentes contra dentes,
Ranger de pulmões

Ao anoitecer, meu canto é involuntário,
protagonizam os ruídos que disputam soberania em minhas terras desocupadas.

monumental

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
das ondas dos pelos à borbulha do sangue

em nome do tempo,
ao seu corpo,
não há poder para eventos destrutivos

és arquitetura viva,

que em meio aos descasos,
foste escolhido a dedos cansados de bater em pontas de pedras mortas
que em meio as ruínas,
recebeste restauro.

Sucessão

domingo, 25 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Suas lembranças,
tão somente,
serão minha herança em terra.

Como deve ser

domingo, 11 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Não sou de lamber os lábios
e de mim não se extraí néctar
Minha dança é desencanto,
destoa e desecontra o compasso
Minhas pétalas se murcham ao menor toque de ponta de dedo

Tu, como deverias
desde outros carnavais
Tão livre quanto o choro derramado,
mais alto que o canto em conjunto
e desalinhado como a queda dos confetes.

ANIQUI-LAMENTO

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Exaltavas indigna minha frieza
desprezando todos os momentos que ofertei meu corpo quente

Coagida, degelei

Sua retenção bebeu cada gota de água doce da minha liberdade
e tudo o que com dificuldade solidifiquei

Tu me fez vale seco!
Tu me fez vale seco!

EM PEDAÇOS RECOMEÇO

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
2.

Se o luto revogar a luta

Recorrerei cada peça que deixei que levassem
e as amontoerei como cereais
ainda que esfarelados

Tua sede de justiça
vale meu sangue servido em taça
Teu amor por minhas causas perdidas
vale a minha reencarnação.
 
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