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"Minha beleza acaba quando começa a da outra!"

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Até recentemente, minha beleza não acabava quando a da outra começava, porque, se quer havia beleza em mim. 

Lastimavelmente, durante a infância e adolescência, compensei a ausência disso no desenvolvimento escolar. Era nota quase sempre A. As outras, no auge das meninices, aproveitando tal, faziam sucesso entre os meninos. Eu nunca senti vontade disso. A maioria das minhas amizades eram meninos, oportunidade essa, que só foi possível graças a minha aparência. Falávamos das meninas de seus interesses e outras coisas meio masculinas. Adorava ficar no anonimato, me escondendo das pops, não estava a altura para acompanhá-las (e já ouvi isso, de forma 'menos' violenta). 

Ninguém se relaciona amorosamente com alguém que não acha bonito. Se eu me achava feia, não havia algum sentimento afetivo por mim mesma. É normal estarmos condicioados a gostar do que o padrão impõe através dos diversos veículos (não, não é normal e o conformismo é doença).

Considero violento, o ato de se comparar com a outra; aliás, um dos mais devastadores. Não se ver em sua imagem, é perigoso. Exterminar o amor que deveria sentir por si, é perigoso.

Uma vez, ouvi uma moça dizer que não se sentia bonita todas as vezes que se via no espelho. As vezes acontece, mas não pode permitir, se isto está sendo influenciado por terceiros.

Hora ou outra, me sinto bela, depois não mais. Algumas vezes porque queria ser como alguma específica, outras, porque queria ter menos disso e mais daquilo. Ainda estou em processo de auto reconhecimento. Me esquivei do auto conhecimento antes, mas hoje não fujo, é mais que necessário. Tenho me moldado conforme sinto necessidade e graças a Deus, nada está sendo tão brusco. 

Ninguém pode te dizer que não é bela, mas dizem. O mercado lucra com a não aceitação alheia. Para o capital, sua beleza não é bem-vinda, quanto maior sua insatisfação, mais gigante ele se sente. Enquanto ele puder te destruir, assim fará.

A minha e a sua beleza, não acabam quando a da outra começa, podemos ser belas no mesmo momento. A Terra dá um jeitinho de comportar tamanha plenitude. 
Você pode ser bonita como você.
Demorei, mas descobri quase sozinha (a afirmação que quase sempre me define). É processo e se precisar de apoio externo para isso, busque um profissional específico, não é vergonhoso.

Dizem que o amor é cego, prefiro discordar. Ele enxerga e além. Quando você se ama primeiro, não há beleza alheia que te intimide, ainda que fique boquiaberta com a beleza da outra. Se amar é uma das expressões mais belas que há. É quando você assume a importância da vida. 

Desejo que ao acordar, você consiga dizer ao padrão e a cobrança excessiva: "Hoje não!"

quando eu flor Bela...

domingo, 10 de setembro de 2017



quero ser tão bela
que não mais cederei as curvas dos meus ouvidos
para que os padrões as rendam.

quero ser tão bela
que pensamento auto punitivo algum,
me perturbará.

quero ser tão bela
que repousarei em meu colchão gasto,
- tão mole quanto uma gelatina que se derrete -
e ressuscitarei com os ossos espetando a carne e ainda assim, radiantemente.
porque serei bela.

quero ser tão bela
que nem mesmo a ausência de representatividade quando no Google buscar por "linda",
alterará minha certeza.
porque serei bela.

quero ser tão bela
que promoverei a beleza em todas as mulheres que não se sentem belas.
ainda mais.

quero ser bela,
não nessa matéria que apodrece.
no que me é mais intimo,
que só quem for belo, terá a honra de me tocar.
bendito será!

quero ser tão bela,
que nenhum espelho sustentará tamanha beleza.
nenhum terrestre.

quero ser tão bela,
que nem na câmera de melhor performance
existirá função para me capturar.

que nenhum dicionário me definirá.

e só aí,
então,
serei imune.

(mas)
quando eu for Bela,
tão Bela,
talvez,
estarei longe da existência humana.

e se assim for,
aos que contribuem com o movimento de minha sobrevivência,
de alguma forma,
lhes mandarei cartas
para relatar,
o quanto serei Bela.

ou,

brotarei em flor
como as raízes das veias em seus corações.
manisfestarei em odor para lembrar-vos:
como são Belos!

Eu, vitimismo: Capítulo V - Não sou tuas negas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Quem é que nunca ouviu alguém reproduzir a expressão "não sou tuas negas", ao menos uma vez na vida? Essa, sem dúvida é uma das violências hediondas frequentes que atinge diretamente a mulher preta.

Partindo do conhecimento básico da História da colonização europeia - e sem necessariamente ter muito intelecto - é possível concluir um pensamento coeso sobre a vida das escravas. De 'trabalhadoras domésticas' e rural, à amas de leite, cada uma delas pertenciam a algum senhor.
Violentadas nas mais diversas possibilidades e desconheceram o respeito, o qual não tiveram direito; usadas de modo satisfatório - explorador -  por quem as compravam.

Quando alguém diz que não é nega do outro, este, está se referindo a aquelas mulheres pretas. Traduzindo, está dizendo que não é propriedade alheia para que façam o que quiserem com suas vidas; que não são bagunça para que lhe fucem; que são donas de si mesmas. Mas afirmar, desse modo, é confirmar o racismo instaurado em si, é faltar com respeito com a vivência da mulher preta, é ser indiferente com a história alheia, é dizer que pode ser independente e enjaular as de pele escura, é se mostrar superior... É querer provar que diferentemente das negas, não só serve para sexo e servir.

"(...) 92% dos brasileiros acreditam que há racismo no país, somente 1,3% se considera racista. O instituto calculou que 92 milhões (68,4%) dos brasileiros adultos já presenciaram um branco se referir a um negro como “macaco”. E, destes, apenas 12% tomaram alguma atitude.(...)" 

Não precisa nem ser universitário das ciências exatas, para perceber a discrepância na incoerência dos números. Como pode ser 92% racista e somente 1,3% assumir que é? Os demais, por certo estão divididos entre racistas não assumidos e racistas que ouvem os amigos contar piada sobre preto, não se sente desconfortável e ainda complementa com risos. Independente do assunto, qualquer um que seja, deveria ser humano o suficiente para repreender as piadas que de algum modo fere o próximo.

Mas, numa coisa estão certos! Embora muitos ainda desejam, felizmente, muitas de nós não somos mais tuas negas subalternas. Estamos conquistando independência, falando umas pelas outras, trocando afeto e oferecendo abrigo. Muitas de nós, não somos mais tuas negas e deve ser um processo indigesto aceitar que mulheres cotistas/bolsistas estão superando os traumas e provando - primeiramente a si mesmas - aos 'ex senhores', sua importância.

O capitalismo está superfaturando com o comércio racista. Até lojas desconstruidonas que pregam empoderamento feminino (empoderamento branco) comercializam estampas com esta afirmação, mesmo sendo notificadas. Hipocrisia em dose pura, e o mercado lucra sem medir limites. Racismo é a única tendência que nunca sai de moda.

Nos respeitem porque não lhes damos oportunidades para faltar com respeito, não lhes permitimos nos chamar de 'nega', não somos seus pertences.
A estereotipação e a marginalização são cruéis. Nos fazer convenientes só quando somos lucrativas, é imperdoável.

Virtualidade: máquina de alimentar egoísmo?

terça-feira, 27 de junho de 2017

(imagem ilustrativa ao texto)

Especificamente sobre as famigeradas redes sociáveis: Instagram e Facebook onde o poder de propagação virtual é gigantesco. Dependente do conteúdo que você partilha, essa tal propagação pode ser progressiva ou não.

Recentemente acompanhei uma troca de ideias online, onde influenciadores digitais falaram a respeito de suas produções de conteúdo: inspirações e circunstancias para tal. E de forma problemática, um dos fatos me tocou, onde uma moça relatou que uma vez fora a academia e capturou diversas fotografias com peças de vestuário diferentes e ao longo da semana, partilhou como se tivesse ido todos os dias. Outros relataram que se tivessem a oportunidade, locariam um dia no hotel X para usarem a piscina e outras áreas comuns como cenário de seu cotidiano. Falsa realidade.

Estes acontecimentos não são isolados e o desejo de conquistar "boa imagem" nas mídias, é constante. A ambição por autopromoção e reconhecimento é cada vez mais alimentada. São os padrões conduzindo suas marionetes.

Em contraposição, a maioria daqueles que virtualmente partilham suas realidades, são descartados pela massa, por não exibirem a beleza requisitada.
Nem todos têm a sensibilidade para encontrar o belo no que é considerado feio. O senso comum cega, sucumbe o olhar profundo.

Conteúdos legais e/ou contribuintes para a expansão do conhecimento estão sendo censurados e privados de se espalharem pela ausência de interesse (ou por alcançarem os indivíduos errados). 
Acompanho pessoas incríveis, produtoras de conteúdos prazerosos que gostaria que o mundo todo pudesse ter acesso. Mas nem tudo pode ser universal, tem coisa que é  para mim ou para o outro. Particularidades.

Ninguém "estabeleceu regra" de como usar as redes, cada indivíduo a usa segundo suas vontades. O essencial é primeiro pensar no próximo, depois em você: gostaria de ver/receber o que você mesm@ partilha?

Aos receptores, filtrai as intenções, se mal entendidas/recebidas são perturbadoras; te fazem querer ser ou ter aquilo que o outro mostra ser ou ter. Máscaras sufocam.

Nem toda virtualidade é real.