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Autossuficiência - Um eu pra chamar de meu

sábado, 4 de agosto de 2018
As distorções sociais e os padrões do que é belo tem base na construção de visão eurocêntrica. É quase inevitável que nós, cresçamos não gostando o bastante do que vemos, uma vez que o que vemos não é considerado belo.

Há mais de 4 anos, eu decidi que as amizades masculinas eram menos violentas comigo. Quando cheguei no ensino técnico, eu tinha uma amiga, que veio comigo dos dois últimos anos do ensino intermediário.
Eramos nós duas. Mais tarde, eramos nos duas e quatro meninos. E depois, eramos eu e mais quatro meninos e foi assim até o término.

A época, pra mim era vantajoso ter amizades masculinas ao invés de femininas. O meu pensamento era o seguinte: 
  1. Eu não estou a altura dessas meninas, logo, elas não vão querer andar comigo;
  2. Os meninos são menos exigentes;
  3. As namoradas desses meninos nunca terão problema comigo - porque eu não sou mais bonita do que elas.


Eu tinha 17 anos. Quem tem esse pensamento à beira de se tornar adulta? Pessoa que se sente submissa a alguma coisa - no meu caso, o não conhecimento de tudo que era.

Esse período, foi justamente quando fiz o tal grande corte (big chop).
Meus amigos homens nunca questionaram, talvez não teria sido assim com as meninas, ou talvez aqueles meninos não tiveram coragem suficientemente para me questionar, ou talvez ainda, aquilo fora irrelevante para eles. Mas eu desconfio que em algum momento, longe de mim, certeza que eles conversaram sobre isso.

Naquele tempo, eu nem imaginava o que podia ser a independência emocional. Eu alimentava o mal que me consumia. Eu acreditava que as pessoas viam em mim, o que eu também via em mim. Acreditava que eu era difícil de ser amada e que deveria buscar estar perto de quem me engolia sem cara feia - e por dentro, eu os agradecia por isso.

Mas agora, é importante que a gente trabalhe no desenvolvimento dessa autonomia. Não há nenhuma bondade com nós ao nos reduzirmos.
A nossa relação com nós, deve ser simultânea a qualquer outra relação. Porque, quando a gente precisa de forças pra continuar, é só nós mesmos que nós temos. A felicidade e o amor, estes, precisamos construir dentro de nós, pra não precisarmos depender disso vindo outro.

Quando a alma sangra a gente precisa pedir socorro. É difícil se reconstruir diante da rejeição vinda da rotulação de inadequação social. E essa rejeição não pode nos transferir a culpa, porque o não querer/a rejeição não depende de nós, isso também é proveniente de quem faz essa escolha - "se o racismo não me acha bonita e importante, o causador desse problema não sou eu".

E não importa em qual lentidão isso aconteça, progresso é progresso.
E depois que a gente conquista essa autossuficiência, o negocio é perseverar. Perseverar pra não cair na tentação do regresso.

(Esse texto é quase que uma réplica integra do meu último vídeo)

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