Aquilo que é nocivo, não é meu amigo!

quinta-feira, 30 de agosto de 2018
reprodução instagram

As minhas tias paternas não compram produtos em brechós e tentam me converter às ideias. O motivo é simples: "Vêm com más energias!".
Ofensivo.

Hoje, li algo que me incomodou: "Não compre filtros na rua de qualquer pessoa (sic), alguns foram feitos por presidiários e não contém boas energias!". Fala-se de filtro dos sonhos, mas vamos falar das coisas, com amplitude.

Alguém tão próximo de mim, com sangue pulsante da minha avó materna, esteve em reclusão por anos, cumprindo pena por posse de entorpecentes com intenção de tráfico e distribuição. Ele disse que era para o próprio consumo - e eu acredito, sabemos quem é que é o alvo da PM.
Não sei ao certo se, nas visitas, entre idas e vindas da tua mãe, ela trouxe um novelo de lã que sobrara de um dos teus trabalhos. Minhã mãe fez uma blusa macia, que isola o frio do lado de fora do meu peito - e mantém em temperatura natural meu coração aquariano.

Passaram os anos, sigo/seguimos sem consequências má enérgicas. E não que em momento algum, esperei essa tal energia inimiga chegar. Mas ela não veio.

Os artigos produzido das atividades oriundas da detenção, são frutos da promoção  - ou tentativa de - da reinserção social por meio socioeducativo. Como pode advir do mal, o fruto gerado em nome do bem?
É bom que tomemos conhecimento de uma absolvição com nome de "redenção", o que não se aplica para todos - pois depende tão somente de cada um - mas, porque não considerá-la no pré julgamento?
O julgo humano não é suave.

Quanto aos brechós: quem sofrerá, ou deixará de ser ajudado, com a minha rejeição em apoiar o terceiro setor?
O terceiro setor é a ação afirmativa aos necessitados, que compensa o descaso do Estado; a politica publica de iniciativa privada. O quão difícil às organizações assistenciais e entidades filantrópicas, é "empreender" em prol social? Não devemos compactuar com os incentivos?

Mas é obvio que a recusa justificada se trata de espiritualidade. Quanto ao que você considera frutos podres: qual é o milagre que teu Santo não possa fazer? Qual a vez que teu Santo renunciou a tua proteção? Que Santo é bom para você, mas se recusa amparar a criatura desamparada?
[Para além disso, a hipocrisia: porque você pode doar, mas não pode adquirir originários de doações?]
O meu Santo é onipotente, onisciente e onipresente. Eu não ousaria justificar minha deformidade ótica em Teu nome.

Comprar roupas e artigos novos baratíssimos, proveniente de mão de obra análoga a escravidão, promovendo o capitalismo selvagem, não tem problema?

Somos melhores que o outro? Não eu, por compaixão. Nossas escolhas deixam de ser justas quando causa dano ou lesão ao outro.

Quem ou o que, têm sido nocivo? Depende da perspectiva de quem vê.

2 comentários

  1. grata, Eu também atribu-o admiração pelas peças usadas, penso na preservação de do planeta de acordo com uma visão sustentável, fico pensando quão difícil só compra-las e descartar, quando ainda da pra usar penso também na cachoeira na mata ...Além, de várias plantas como faz me sentir espiritualmente maior, quando vem de instituições filantrópicas, me faz tão bem participar.

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