"Estou escrevendo essa carta, meio aos prantos..."

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Música "A carta", composição: Claudio Matta / Alvaro Socci

Acima, apresento a mais tolerável das gravações (se está lendo no celular, avance para o minuto 3:16, mas as duas primeiras músicas valem seu tempo), porém não menos virulenta. Digo que na voz de outros, por exemplo, Eduardo Costa, é mais irritante, mas acredito que essa é minha posição enquanto individuo. Tratando-se do sujeito, em todas as vozes é igualmente problemática.

O intento não é vigiar e punir o sertanejo - aqui não se marginaliza mais, gênero algum.

Recentemente concluí as duas temporadas de "Doctor Foster", pertencente à BBC, disponível na Netflix.
Em busca de resenhas, ao que parece, todos que a assistiram, aplaudem Bartlett pelo drama. Mike Bartlett, o criador, se diverte fazendo de Gemma (Suranne Jones), uma mulher com um estado psicológico perturbado e programado à destruição das faces do marido Simon, após desconfiar de uma possível traição.

Gemma e Simon, ao fundo / via: Cine Pop 

Nos fatos seguintes, Gemma se dedica inteiramente ao processo investigativo, ficando ineficiente no trabalho e reduzindo a quase nada de sua atenção dedicada ao filho Tom, 12 anos.

Contudo, Gemma se propõe perdoar Simon se ele for leal e revelar a infidelidade.

É notável a justificativa universal: "Devemos ficar juntos, pelos nossos filhos". Mas, a atribuição da responsabilidade majoritária numa família com filhotes, é para o sujeito materno. O número de mães sem cônjuges têm crescido e esse é o fato qual comprova que a natalidade não fortalece as relações - entre os pais. Quem assim faz, neste intento, é procriador egoísta.

Gemma ainda ouve de Tom que, se o papai buscou uma relação extraconjugal, é por não ter recebido a atenção necessária da mamãe.

Infelizmente, existem inúmeras Gemma's.
Não é natural perdoar sem implodir as consequências. Se fossemos analisar este tal perdão, talvez descobríssemos que de fato, não é perdão. O perdão está banalizado.

Sucessivamente, Simon atribui a culpa à Gemma pela não regeneração da família: "Podemos esquecer tudo e vivermos como nada houvesse nos fragmentado!"

Bartlett, cria uma personagem à beira da loucura: porque essa é a visão masculina calculada sobre a traída, como quem diz que as mulheres não são estáveis o suficiente para sobreviver ao indesejável.

Quando numa relação afetiva, dois indivíduos consentem em absolutamente tudo, um dos dois está com dificuldade de 'ser individuo'. É necessário buscar ajuda.

"E por isso decidi
Que eu vou ficar com ela
(...)
Ao enxugar minhas lágrimas com beijos
Revelou que já sabia
Mas iria perdoar"

Temo a bondade de muitas mulheres. Estão se alimentando de sobras. Sobras estrategistas e hegemônicas, em nome do amor.

Violência moral e psicológica é agressão.

"Se você manter silêncio sobre as suas dores, eles vão te matar e dizer que você gostou."
(Zora Neale Hurston)
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Leia:
🚩 "Perdão é reconquista"
🚩"A lealdade é um dos sentimentos mais puros"

2 comentários

  1. Guria, tava atrás de uma série para assistir eis que agora já sei haha, valeu pela dica, adorei o post ❤️

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    1. olá Letícia!
      sinceramente, eu só passei nervoso, com as personagens, com o produtor hahaha, com as coisas óbvias demais, mas! ah, espero que cê goste :)
      grata pela visita!
      beijoca!

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