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monumental

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
das ondas dos pelos à borbulha do sangue

em nome do tempo,
ao seu corpo,
não há poder para eventos destrutivos

és arquitetura viva,

que em meio aos descasos,
foste escolhido a dedos cansados de bater em pontas de pedras mortas
que em meio as ruínas,
recebeste restauro.

Sucessão

domingo, 25 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Suas lembranças,
tão somente,
serão minha herança em terra.

Peito de concreto

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário

2. E o amor, não basta?

Viver de amor e esperar que o resto aconteça é filosofia de quem pode comprar os desejos e as necessidades - quando tivemos fome, o amor de nossos pais não nos saciou. Ser mais emocional do que racional, é privilégio.

Meu peito é de concreto, rígido e sensível a movimentações repetitivas. Pesa uma tonelada! Mas existem infiltrações amorosas que umedece do topo ao fundo. Apesar, ainda é fértil.

Colecionador de golpes

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1. Os golpes não nos fazem menos forte

Se a vida me direcionasse ouvidos, eu não lhe contaria minhas frustrações, não lhe pediria a submissão ou imploraria por meus anseios. Me apresentaria, pediria que esquecesse o que disseram sobre mim; poria sob o pendente da mesa, todas as minhas virtudes e minha isenção de culpa não reconhecida.

A vida é áspera e não é digna de minha admiração, mas, em mim também não há jurisdição para definir onde não há justiça. É confusa. Sei onde há injustiça: quando a cobrança pelo resultado é igual para nós, mas entre as oportunidades há uma diferença de quase 518 anos de atraso - é muita covardia; ou,  quando o reconhecimento só é o mesmo entre nós, quando há conveniência sobre o que sou - embora eu não seja nada, quando não lhes convêm, ou seja, todo o restante de meu tempo.

Há mais silêncio aqui do que havia ontem, não porque abri mão de minha defesa, mas as perversidades não merecem nem os esforços de meus suspiros sussurrantes - que eu quase não os sustento.

De golpe em golpe, acumulo a esperança persistente em ver os sonhos me abraçando com o mesmo entusiasmo que lhes seguro as mãos.
Não por convicção teórica, pela experiencia e História: eu sou demais, para mendigar migalhas! Sou demais para vida! Demais!
Aos semelhantes - há tanta diversidade -, em tempo, vos digo que são incríveis demais para vida - para essa vida! Não há dicionário que comporte vossa definição!

Longevo agora

domingo, 18 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
É chegada a hora da colheita dos frutos maduros e frescos e de se fartar de toda a tua magnificência - sem ambicionar o acúmulo ou posse, pois haverá o que ser colhido até o fim do ciclo. Não há obra do destino, tampouco mérito do acaso. (vocês) São a mais bela consequência do tempo, da reciprocidade e das virtudes divinas da natureza.

Como deve ser

domingo, 11 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Não sou de lamber os lábios
e de mim não se extraí néctar
Minha dança é desencanto,
destoa e desecontra o compasso
Minhas pétalas se murcham ao menor toque de ponta de dedo

Tu, como deverias
desde outros carnavais
Tão livre quanto o choro derramado,
mais alto que o canto em conjunto
e desalinhado como a queda dos confetes.

ANIQUI-LAMENTO

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Exaltavas indigna minha frieza
desprezando todos os momentos que ofertei meu corpo quente

Coagida, degelei

Sua retenção bebeu cada gota de água doce da minha liberdade
e tudo o que com dificuldade solidifiquei

Tu me fez vale seco!
Tu me fez vale seco!

EM PEDAÇOS RECOMEÇO

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
2.

Se o luto revogar a luta

Recorrerei cada peça que deixei que levassem
e as amontoerei como cereais
ainda que esfarelados

Tua sede de justiça
vale meu sangue servido em taça
Teu amor por minhas causas perdidas
vale a minha reencarnação.

AOS PEDAÇOS ME DESPEÇO

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018 2 comentários
1.

Me roubaram
o sonho,
o entusiasmo
e o nome intransferível

Me cortaram as asas no percurso do voo
e o céu despencou em chuva de choro

Minha língua expele amargura
Não há beijo com paladar que me beije,
não há carinho mais marcante que as pedras sobre minha cabeça,
não há corpo macio que meus ossos repousem

Minha salvação não vale meus amores
e as injustiças não merecem minha salvação

Me tiraram o direito da morte,
pois em meu nome não há terra para que me cubram

O que podia ser salvo
fracionei entre os pedintes
E o restante de meu tempo
meu sangue
e minha carne,
apodrecem de dentro pra fora
e até o odor se abstém de mim

Ceifaram tudo,
meu descanso em paz

Há tempo que o luto tem a chave de casa
e ensaia a cerimônia triunfal.
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Duma agressão sem cabimento, isso de querer fazer caber dentro da gente, o que não acaba. Os sentimentos não sentidos são tão valiosos quanto se não existissem.

"Quando o amor vacila"

domingo, 4 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
"Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defendo,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila."

Desequilíbrio

sábado, 3 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Garante-me a sobriedade,
quando grafo com letras maiúsculas
bebo um copo de água quente
ou uma xícara de café frio.
Esta, confisca-me o privilégio de não temer
e não sentir dores
Comprova-me
tão somente,
a toxicidade de uma lucidez desvairada e possessiva.

De um sucesso só

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Se arquiteta de um sucesso só
Se silenciarem minhas outras obras,
Ao menos esta será coletivamente próspera.
Aberturas amplas,
Peitoris baixos,
para não haver engano
se necessário
confessar que não sente o que não sente,
se necessário
contrariar João-de-Barro.
Desentendido, nos peitoris baixos,
sentará João
e deixará que o vento enxugue-lhe as lágrimas.
Se arquiteta de um sucesso só
Se silenciarem minhas outras obras,
Que esta resista ao tremor da saudade.
Lembrarei dos quartos de refúgio,
do piso quente
e do terraço-jardim
Das rotas alternativas para a solidão,

Ao menos, os pés de João
não se fundirão com as raízes estruturais.
Sentenciados à liberdade,
sobrevoarão o urbanismo
opostos,
expostos
aos poluentes combustíveis,
suscetíveis a outros amores.
Sentenciados a liberdade,
revolucionários da história biólogica,
fragmentarão os votos de fidelidade.


 
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