estica que dá!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

trenas! as manuais, existem de três, cinco, oito e outros metros. é abominável esticá-la ao limite, pois há uma probabilidade gigatesca de separá-la da base, tornando difícil o manuseio e armazenamento. um dos fatos que pode definir o fim da utilidade.

minha primeira - cor de camarão, fita em aço, cinco metros - levava meu nome. pediram pra cuidá-la como uma pomba faz com a cria. pelos tombos, periodicamente era calibrada pra validar a qualidade.
entre quedas e desencantos, a força pra carregar entusiasmo.

às vezes a gente atinge a exaustão. é a margem de segurança, depois dos cinco metros, o desconfortável lado miserável. ninguém quer estar lá: entre o não saber e o querer.
é nesse momento quando se faz valer o seu credo - no fim da linha subsiste uma força.

uma vez, essa mesma trena cortou meus dedos em sua lâmina - de dois gumes - afiada, pra intimidar ou chamar a atenção. somente aceitei, permitindo que deslizasse moderadamente - são coisas que não são obvias, compreende só que está atento aos sinais. são os chacoalhões quando algo deseja te despertar.

onde acende a luz pra que repare o caminho e não chegue ao fim da lâmina antes do tempo? 

não se sabe quantos metros de caminho tem a vida. cuide pra não atingir a exaustão inúmeras vezes.
entre quedas e desencantos, deve haver força pra perdurar o tesão de continuar se flexionando, indo e vindo, envergando ao oposto sem fragmentar.

"estica que dá!", não! o universo está conectado ao seu compasso.

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