Transição

terça-feira, 22 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Tu, despejo
Em vão convida-me à assistir a própria glória
Quando me viste cear com o inimigo?

(Desassossegada me prendeu à frente
Rasgando o ventre,
desabrochou tórrido e rosado)

Tu, desgosto
Tornaste meu broto álgido e pálido.

Tabacaria

domingo, 20 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
Que ninguém sabe quem é,
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

..."

Álvaro de Campos
15 de Janeiro de 1928


Eutanásia

quinta-feira, 17 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Diga-me o que queres?
Uma canção das minhas melhores cordas?
O tempo tocou em minha destreza

Agora, não vago sobre os olhos da noite,
acelerada pelos corredores frios, ao encontro do seu riso festivo

Me alimento de conflitos ambulantes
Num canto avesso às minhas costelas,
contra paredes exaustas dos meus rangidos

Tu, não fiques!
Fico só!
Vai!
E não prolongues o meu sofrimento...

Contra a parede

quarta-feira, 16 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Estes olhos desatentos
Antes sentenciados ao encantamento,
Salivam famintos por um gosto de percepção

O que há para ser visto que valerá o empenho?
Que invalide meu medo?
Qual vulto provocará contentamento?

Enquanto vagarosamente hospeda-se a penumbra,
sem hesito,
cada pedaço seu confisca todo meu deleite.


Como montar/reformar um banheiro muito pequeno?

domingo, 6 de maio de 2018 2 comentários

Num tempo distante, aqui ousei inventar uma 'série' de assessoria arquitetônica, tais podem ser encontradas nos links seguintes: ideias para sala de estar de Ju e Léo e home office compacto e algumas idéias para montar o seu.
Funcionou por tempo determinado, embora não fosse o intento.
Decerto, morrerei dizendo que arquitetura não é exclusividade. Até 2015, a porcentagem populacional que nunca contratou qualquer atividade de arquitetura, era de 93%.
Mas, gloriosamente, confio na indispensável função: a social, que está sendo banalizada e usurpada pelo capitalismo selvagem.

Volto com o intento de produzir conteúdos a nível de assessoria (propostas aleatórias) e não de execução. Se houver alguma dúvida, sinta-se em liberdade para me escrever - urbanocubo@gmail.com.

No primeiro momento, apresento um banheiro aleatório com dimensões quase minimas, gostosinho e com propostas práticas.

Conhecendo a planta



O modelo que escolhi possui quase as dimensões minimas necessárias, totalizando 3,75 m² de área. O box conta com 1,50 m x 0,90 m (1,35 m²), sendo o restante para o lavabo e sanitário.


O único elemento não universal dentro do box, é o nicho de apoio na parede. É simples e pode ser feito em qualquer parede, exceto se houver instalações elétrica ou hidráulica e se for estrutural.
Às casas já prontas, pode ser feito um recorte na parede com uma serra de mármore/cerâmica ou ainda, com a serra copo, porém a segunda opção não deixará o recorte com acabamento liso, sendo necessário a aplicação de moldura de mármore, pvc, etc.
Se o banheiro já estiver pronto, é importante lembrar que a profundidade do nicho não deve ultrapassar 0,10 m - com o acabamento, ficará com aproximadamente 0,08 m, dependendo do material -, caso contrário a parede poderá perder resistência.
Se preferir, pode ser feito com a mesma largura da janela.


clique e vá para a loja :)
Clique nessa imagem para acessar a loja

A prateleira sobre a bacia sanitária é a que está acima descrita. No projeto, uma das prateleiras internas não foi montada para caber objetos mais altos, como hidratantes, shampoos, etc.


 clique e aprenda fazer :)
Clique nessa imagem para acessar o "como fazer"


O espelho proporciona amplitude, sensação de maior horizontalidade em ambiente pequeno.


Considerando a circulação justa e a necessidade da abertura da porta (conferir na planta), sugiro que o nicho/armário não possua portas e/ou gavetas.



Como fazer parede de cimento queimado:


A proposta apresentada não é para que você faça réplica, tampouco só existe essa solução para banheiros pequenos. A intenção é que saiba que é possível que esse comodo indispensável pode oferecer aconchego/vontade de permanecer e funcionalidade.

Me conte sua perspectiva!?
Veremos mais um episódio desse, na próxima quinzena 😊

_
Notinhas:
1. Declaro que não farei nenhum serviço que isente a busca pelo profissional de arquitetura. Para reforma e/ou construção, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo exige Registro de Responsabilidade Técnica junto ao conselho, tornando a atividade legal;
2. Esse ante-projeto (estudo) foi todo elaborado por mim, com suporte dos softwares SketchUp e V-ray;
3. As imagens não estão com a melhor qualidade e realistas. Ainda estou me familiarizando com o querido renderizador;
4. Loja e blog/site indicados não possuem nenhuma parceria com o Cubo.

"Soneto LXXXVIII"

terça-feira, 1 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.

Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.

Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,

Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."

William Shakespeare

"Estou escrevendo essa carta, meio aos prantos..."

quarta-feira, 25 de abril de 2018 2 comentários

Música "A carta", composição: Claudio Matta / Alvaro Socci

Acima, apresento a mais tolerável das gravações (se está lendo no celular, avance para o minuto 3:16, mas as duas primeiras músicas valem seu tempo), porém não menos virulenta. Digo que na voz de outros, por exemplo, Eduardo Costa, é mais irritante, mas acredito que essa é minha posição enquanto individuo. Tratando-se do sujeito, em todas as vozes é igualmente problemática.

O intento não é vigiar e punir o sertanejo - aqui não se marginaliza mais, gênero algum.

Recentemente concluí as duas temporadas de "Doctor Foster", pertencente à BBC, disponível na Netflix.
Em busca de resenhas, ao que parece, todos que a assistiram, aplaudem Bartlett pelo drama. Mike Bartlett, o criador, se diverte fazendo de Gemma (Suranne Jones), uma mulher com um estado psicológico perturbado e programado à destruição das faces do marido Simon, após desconfiar de uma possível traição.

Gemma e Simon, ao fundo / via: Cine Pop 

Nos fatos seguintes, Gemma se dedica inteiramente ao processo investigativo, ficando ineficiente no trabalho e reduzindo a quase nada de sua atenção dedicada ao filho Tom, 12 anos.

Contudo, Gemma se propõe perdoar Simon se ele for leal e revelar a infidelidade.

É notável a justificativa universal: "Devemos ficar juntos, pelos nossos filhos". Mas, a atribuição da responsabilidade majoritária numa família com filhotes, é para o sujeito materno. O número de mães sem cônjuges têm crescido e esse é o fato qual comprova que a natalidade não fortalece as relações - entre os pais. Quem assim faz, neste intento, é procriador egoísta.

Gemma ainda ouve de Tom que, se o papai buscou uma relação extraconjugal, é por não ter recebido a atenção necessária da mamãe.

Infelizmente, existem inúmeras Gemma's.
Não é natural perdoar sem implodir as consequências. Se fossemos analisar este tal perdão, talvez descobríssemos que de fato, não é perdão. O perdão está banalizado.

Sucessivamente, Simon atribui a culpa à Gemma pela não regeneração da família: "Podemos esquecer tudo e vivermos como nada houvesse nos fragmentado!"

Bartlett, cria uma personagem à beira da loucura: porque essa é a visão masculina calculada sobre a traída, como quem diz que as mulheres não são estáveis o suficiente para sobreviver ao indesejável.

Quando numa relação afetiva, dois indivíduos consentem em absolutamente tudo, um dos dois está com dificuldade de 'ser individuo'. É necessário buscar ajuda.

"E por isso decidi
Que eu vou ficar com ela
(...)
Ao enxugar minhas lágrimas com beijos
Revelou que já sabia
Mas iria perdoar"

Temo a bondade de muitas mulheres. Estão se alimentando de sobras. Sobras estrategistas e hegemônicas, em nome do amor.

Violência moral e psicológica é agressão.

"Se você manter silêncio sobre as suas dores, eles vão te matar e dizer que você gostou."
(Zora Neale Hurston)
_
Leia:
🚩 "Perdão é reconquista"
🚩"A lealdade é um dos sentimentos mais puros"

Tour auto-guiado

domingo, 22 de abril de 2018 Nenhum comentário
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (José Saramago)

Alguns olhos vêem os rostos alheios por capricho ou descapricho - os que gostam de elencar o que não lhes atraí  -, outros como apreciam e investigam a história. Atentos aos detalhes.

Meus olhos. Muito amigos dos espelhos que escorrem pelas paredes de casa ou dos que se atiram em minhas mãos e se entrelaçam em meus dedos tortos e compridos.

Meus dedos. Pela manhã trabalham como quem desejam impressionar - para não perder o emprego. Ajeitam meu cabelo como gosto, lavam e hidratam o meu rosto... Por fim, desenham sobre minha pele um par de sobrancelhas.

Um par de sobrancelhas. Meus dedos são criminalmente responsáveis por reproduzirem inúmeros falsos históricos. Desenham o que nunca houve aqui. Não há fidelidade ao real em tuas representações artísticas. Pinceladas com tinta marrom mais escura que minha pele, aplicadas sem precisão ou simetria.

Minha pele, um campo minado. Pequenas depressões a se perderem de conta: espinhas e seus vestígios e verruguinhas insensatas.

Tudo que fiz para ser, de fato não me fizeram, se ao fim do dia, nua, resta[va] só eu em mim. O que não deixei de fazer para ser? Decerto era o meu mais preocupante dos problemas. 

É, ando à mercê dos descaprichos. Mas, mais do que coragem, é preciso sentir amor. Não há coragem  [de lutar] que se sustente, se não houver amor pela causa.

Tão errantes quão distantes

sábado, 14 de abril de 2018 Nenhum comentário
Não me chame por anjo, sou mulher. Revogo o codinome! Por onde andas a me buscar, não encontrarás.

vítima

quinta-feira, 12 de abril de 2018 Nenhum comentário
ora,  não sinta! não sinta responsabilidade pela frustração alheia, oriunda de uma expectativa nunca jurada pela sua boca. 
não sinta nada além do que realmente precisa sentir: seus sentimentos, intrínsecos e que não devem explicações à outro indivíduo.

não há julgo meu sobre sua cabeça. não há preço à ser pago para habituar meu eu. não sou recruta-refém.
pelos seus antecedentes, me basta sua tranquilidade; pelo presente, me basta sua paz.
não, não sinta por mim nada do que - ainda - não sente por ti.

Se tens bons ouvidos...

quarta-feira, 11 de abril de 2018 Nenhum comentário
Do amor que eu não disse
Se ainda não disse,
não é porque não há
tampouco, 
posso enclausurá-lo na literatura
Que tão vasta se faz pequena

Do amor que eu não disse,
Dos tempos que parecem perdidos,
engolidos pela ausência de minha fala
São tais tempos, quais ando encontrando com o adocicado da vida

Quando aproximares ao meu peito,
escute meu coração,
É minha voz
[que pensas que não digo].

Entre remissões e retomadas

domingo, 1 de abril de 2018 Nenhum comentário
Foram/são imensuráveis as bençãos e nos primeiros episódios fora de plano, renuncia-se toda a benevolência do Cristo?

Jó. Ao pó. Fé incorruptível.

Filhos-amigos do amor, amados na mesma proporção - que Jó. 

Ainda que, de noite, o mundo se acabe. Pela manhã, haverá renovo. Em vida. E a carga, continua, exatamente no peso e tamanho que se pode carregar.

(permaneçam: a fé, a lealdade, a humildade e a coragem)

Lembrem-se, não só de mim

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2.

Mas não, só de mim.
Lembrem-se
Do silêncio dos inocentes,
Dos afogados sem ter quem os lamente.
Lembrem-se, também
Dos nadantes que alcançaram terra firme.
Que hajam dádivas para que não se lembrem de mim com desgraça.
Lembrem-se, sim, de todas minhas blasfêmias e descrenças,
mas, também, das minhas remissões
e retomada de posse da consciência.
Lembrem-se da minha vitória,
tardia, mas não menos valiosa.


Lembrem-se de mim

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1.

Quando eu deixar de caber no seu colo
e sentires em sua mão estagnar meu coração
Com o orgulho não deitarei,
esse, será herança à minha mãe e meus amores.
Lembrem-se de mim.


À deriva

terça-feira, 27 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu não acredito mais, que pessoas boas recebem coisas boas - sobre colher o que plantou. Eu vivo isso e é injusto esperar que a providência divina interceda por mim - embora, cristã. Eu e os outros, nós, precisamos de justiça enquanto integrantes ativos/vivos na sociedade, nesse momento nos cabe equidade/justiça legal, pelo plano em que sobrevivemos. É fácil esperar pela vida eterna, para quem está com a vida de agora, farta. Eu não aceito, heresia, não - "Bíblia sim, constituição não!".

O privilégio, em sua totalidade, é a resultante da monopolização/concentração dos direitos civis à uma determinada comunidade social, em detrimento à outras. Direitos constitucionais esses, que teoricamente, segundo a Constituição, acolhem todo indivíduo humano.

Eu e os outros, nós, não conseguimos nos abster integralmente do capitalismo, infelizmente, somos dependentes e por ele, nossas vidas é ceifada - física, psicológica, intelectualmente.

Eu, se ousasse encorajar o choro em todas as minhas vontades, este seria o fim do meu planeta água. Secaria até a umidade do ar envolto. 
Então, guerrilhemos - e choremos, também.
Mas, não há vitória sem guerra e como há de haver guerra se não há corpo íntegro? Corpo mutilado não se sustenta em pé. 
Nossos inimigos - os líderes vilões e os que agem de má fé em seu poder/direito democrático -, são maus. Eles não estão perdidos. O vento que nos balança em alto mar, par que tornemos os próximos náufragos.

A paciência alimenta a esperança. A esperança engole toda a paciência.

in[só]nia

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não exija minhas intimidades, que, quando espremida expilo de minha essência muito de uma só vez. há tempo que me reconstituo de todo o passado sombrio e das sombras de dúvidas.
por aqui, tudo acontece muito tardio:
tarde no tempo,
tarde da noite.
e ao final estou só.
só, para reconquistar meus compostos.
e a cidade adormece...


Bandeira vermelha

sábado, 24 de março de 2018 Nenhum comentário
O dia não terminou.
Diga aos inimigos que minha vida sobre os teus ombros será prejuízo
Minhas armas não cessarão de alçar o timbre do trabalho
Minha voz ecoará pelos ares dos teus ouvidos.
O fardo é maior do que juntos podem carregar.

Desencontro de gargantas

segunda-feira, 19 de março de 2018 Nenhum comentário
Meus desejos são mesquinhos:
não há empenho mínimo necessário para me amar
Me reduzo à palavras de fundo de gaveta
- para caber no pedaço dum verso seu -
Faço saudosas as memórias,
Sirvo à mesa, minha carne macia e fresca.
Mas antes,
antes, meu bem
permita,
permita que eu me meta em suas entranhas
Ou diga,
diga bem dentro do meu ouvido:
que à sua liberdade,
ao seu amor,
nada do que é meu te há de ser cacife.

"tingi tudo de preto"

sexta-feira, 16 de março de 2018 Nenhum comentário
“[…]
tacaram fogo nim mim
tacaram fogo no meu cabelo
tacaram fogo na minha pele
tacaram fogo nos meus olhos
tacaram fogo na minha respiração
tacaram fogo na minha voz

logo
não puderam me conter
poluí seus ares com meu grito

queimei suas casas caras brancas
com meu choro

queimei suas esperanças brancas
tingi tudo de preto

sou brasa forte
tição pós-apocalíptico
pior que deuses ditadores

não mexe
não mexe
não mexe
não mexe comigo não…

que à dor
à dor
à dor
à dor
eu sei reagir.”


_

poema de Kika Sena - via palavra, preta!

Grandes negócios, pequeno empresário

quinta-feira, 15 de março de 2018 Nenhum comentário
Ao nascer, dizem que na sombra só há lugar  se for para sustentar a haste - do guarda-sol - e que o contrato é vitalicio.
Há quem arrisca lutar pelo próprio guarda-sol¹, encoraja os iguais a fazerem o mesmo - por amor aos sangues perdidos - e denuncia a atrocidade sob a sombra vizinha.
Mas, qual é a vantagem ao senhor do engenho - chama-se de Estado -, se cada escravo tiver o próprio negócio¹? Não deixaria de ser, tão somente, escravos?
Morre quem fica - cala -, morre quem foge - fala. Lágrimas, lágrimas sobre as medalhas dxs vencedorxs.

"dedo no gatilho, velocidade...
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada"
(...)
"eles querem te vender, eles querem te comprar...
não querem te deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?"

"a gente reza, foge, continua sempre os mesmos problemas...
espera tempo bom e o que vem é só tempo ruim"


_
¹ chama-se de: vozes, gritos, pensamentos críticos, coragem, arsenal tático para a sobrevivência...

Devora-verbos

sábado, 10 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu quero ouvir
o que me devora os olhos
Quero que me sacie
pelas vezes ensaiadas, engolidas
Quero que me declame
os versos, as vísceras, [a]os gritos
Quero o doce e o amargo,
seus equívocos
Quero tudo dentro ou nada.

ponto [cego] de vista

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as balizas ditam o que não podemos, focamos tão somente nisso e nos esquecemos do que podemos, juntos e sós. é questão de estar no lugar que estamos: quem está em sobre-vista, tem privilégio sobre quem está em sub-vista. são falsos visionários, falsos filhos da falsa meritocracia. 
não é que não podemos, é que quem vê primeiro - ocupando o camarote por tempo indeterminado - pega o que é bom e só deixa as sobras - ou nem isso. é o privilégio  geográfico, físico e não físico.
a nossa utopia acontece agora, mas não aqui. num outro espaço. e nesse momento é banalizada por outrem que nos deixou as sobras...
nosso tempo é agora! invadamos os impérios sem bater o barro da galocha.

Devaneios quixotescos

terça-feira, 6 de março de 2018 Nenhum comentário
2.

Pela manhã, no céu da boca há garoa sabor de sangue

Há vestígios de batalha:
músculos enrijecidos,
ossos entrelaçados

Todas minhas pontas, aparadas
Vaidades que valem a destruição,
"que a terra um dia haveria de comer."


O mundo termina todas as noites

segunda-feira, 5 de março de 2018 Nenhum comentário
1.

Em meu leito,
um corpo frio e imóvel,
que outrora estivera sob meu domínio

Dentes contra dentes,
Ranger de pulmões

Ao anoitecer, meu canto é involuntário,
protagonizam os ruídos que disputam soberania em minhas terras desocupadas.

monumental

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
das ondas dos pelos à borbulha do sangue

em nome do tempo,
ao seu corpo,
não há poder para eventos destrutivos

és arquitetura viva,

que em meio aos descasos,
foste escolhido a dedos cansados de bater em pontas de pedras mortas
que em meio as ruínas,
recebeste restauro.

Sucessão

domingo, 25 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Suas lembranças,
tão somente,
serão minha herança em terra.

Peito de concreto

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário

2. E o amor, não basta?

Viver de amor e esperar que o resto aconteça é filosofia de quem pode comprar os desejos e as necessidades - quando tivemos fome, o amor de nossos pais não nos saciou. Ser mais emocional do que racional, é privilégio.

Meu peito é de concreto, rígido e sensível a movimentações repetitivas. Pesa uma tonelada! Mas existem infiltrações amorosas que umedece do topo ao fundo. Apesar, ainda é fértil.

Colecionador de golpes

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1. Os golpes não nos fazem menos forte

Se a vida me direcionasse ouvidos, eu não lhe contaria minhas frustrações, não lhe pediria a submissão ou imploraria por meus anseios. Me apresentaria, pediria que esquecesse o que disseram sobre mim; poria sob o pendente da mesa, todas as minhas virtudes e minha isenção de culpa não reconhecida.

A vida é áspera e não é digna de minha admiração, mas, em mim também não há jurisdição para definir onde não há justiça. É confusa. Sei onde há injustiça: quando a cobrança pelo resultado é igual para nós, mas entre as oportunidades há uma diferença de quase 518 anos de atraso - é muita covardia; ou,  quando o reconhecimento só é o mesmo entre nós, quando há conveniência sobre o que sou - embora eu não seja nada, quando não lhes convêm, ou seja, todo o restante de meu tempo.

Há mais silêncio aqui do que havia ontem, não porque abri mão de minha defesa, mas as perversidades não merecem nem os esforços de meus suspiros sussurrantes - que eu quase não os sustento.

De golpe em golpe, acumulo a esperança persistente em ver os sonhos me abraçando com o mesmo entusiasmo que lhes seguro as mãos.
Não por convicção teórica, pela experiencia e História: eu sou demais, para mendigar migalhas! Sou demais para vida! Demais!
Aos semelhantes - há tanta diversidade -, em tempo, vos digo que são incríveis demais para vida - para essa vida! Não há dicionário que comporte vossa definição!

Longevo agora

domingo, 18 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
É chegada a hora da colheita dos frutos maduros e frescos e de se fartar de toda a tua magnificência - sem ambicionar o acúmulo ou posse, pois haverá o que ser colhido até o fim do ciclo. Não há obra do destino, tampouco mérito do acaso. (vocês) São a mais bela consequência do tempo, da reciprocidade e das virtudes divinas da natureza.

Como deve ser

domingo, 11 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Não sou de lamber os lábios
e de mim não se extraí néctar
Minha dança é desencanto,
destoa e desecontra o compasso
Minhas pétalas se murcham ao menor toque de ponta de dedo

Tu, como deverias
desde outros carnavais
Tão livre quanto o choro derramado,
mais alto que o canto em conjunto
e desalinhado como a queda dos confetes.

ANIQUI-LAMENTO

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Exaltavas indigna minha frieza
desprezando todos os momentos que ofertei meu corpo quente

Coagida, degelei

Sua retenção bebeu cada gota de água doce da minha liberdade
e tudo o que com dificuldade solidifiquei

Tu me fez vale seco!
Tu me fez vale seco!

EM PEDAÇOS RECOMEÇO

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
2.

Se o luto revogar a luta

Recorrerei cada peça que deixei que levassem
e as amontoerei como cereais
ainda que esfarelados

Tua sede de justiça
vale meu sangue servido em taça
Teu amor por minhas causas perdidas
vale a minha reencarnação.

AOS PEDAÇOS ME DESPEÇO

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018 2 comentários
1.

Me roubaram
o sonho,
o entusiasmo
e o nome intransferível

Me cortaram as asas no percurso do voo
e o céu despencou em chuva de choro

Minha língua expele amargura
Não há beijo com paladar que me beije,
não há carinho mais marcante que as pedras sobre minha cabeça,
não há corpo macio que meus ossos repousem

Minha salvação não vale meus amores
e as injustiças não merecem minha salvação

Me tiraram o direito da morte,
pois em meu nome não há terra para que me cubram

O que podia ser salvo
fracionei entre os pedintes
E o restante de meu tempo
meu sangue
e minha carne,
apodrecem de dentro pra fora
e até o odor se abstém de mim

Ceifaram tudo,
meu descanso em paz

Há tempo que o luto tem a chave de casa
e ensaia a cerimônia triunfal.
Nenhum comentário
Duma agressão sem cabimento, isso de querer fazer caber dentro da gente, o que não acaba. Os sentimentos não sentidos são tão valiosos quanto se não existissem.

"Quando o amor vacila"

domingo, 4 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
"Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defendo,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila."

Desequilíbrio

sábado, 3 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Garante-me a sobriedade,
quando grafo com letras maiúsculas
bebo um copo de água quente
ou uma xícara de café frio.
Esta, confisca-me o privilégio de não temer
e não sentir dores
Comprova-me
tão somente,
a toxicidade de uma lucidez desvairada e possessiva.

De um sucesso só

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 Nenhum comentário
Se arquiteta de um sucesso só
Se silenciarem minhas outras obras,
Ao menos esta será coletivamente próspera.
Aberturas amplas,
Peitoris baixos,
para não haver engano
se necessário
confessar que não sente o que não sente,
se necessário
contrariar João-de-Barro.
Desentendido, nos peitoris baixos,
sentará João
e deixará que o vento enxugue-lhe as lágrimas.
Se arquiteta de um sucesso só
Se silenciarem minhas outras obras,
Que esta resista ao tremor da saudade.
Lembrarei dos quartos de refúgio,
do piso quente
e do terraço-jardim
Das rotas alternativas para a solidão,

Ao menos, os pés de João
não se fundirão com as raízes estruturais.
Sentenciados à liberdade,
sobrevoarão o urbanismo
opostos,
expostos
aos poluentes combustíveis,
suscetíveis a outros amores.
Sentenciados a liberdade,
revolucionários da história biólogica,
fragmentarão os votos de fidelidade.


contradição

terça-feira, 30 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
gosto de gente sabida, mas que sabe mesmo e me faz saber do que sabe porque sabe que gosto. é bom saber sobre as coisas em todos os seus lados, e sabendo, algumas se personificam e deixam de ser coisas. mas, outro dia tentaram: "quer saber a versão de Judas, da crucificação de Jesus?". talvez não gostava de mim - mesmo sabendo de minha crença, vir com tentativa de sabotagem -, ou, por outro lado - porque também me ajudaram aprender que o isso sempre vem com o aquilo -, gostava a ponto de pedir que consentisse antes de me fazer saber do que não gostaria. às vezes não é bom saber das coisas...

Não é segredo

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De pensar que sou verme, meu rastejo já está sendo preparado. Os principios do pensar quase se equipara ao do verbalizar. Não que em tudo que se faça, haja profecia. 
Assim como as coisas quando andam bem e no mover das pálpebras se desfazem, sem que tivessem mostrado indícios; há nas coisas ruins, a possibilidade de se dissiparem. Os religiosos chamam de fé, mas o menos importante é o nome que se dá. É o acreditar no que não se vê - e não digo só das coisas relacionadas as divindades -, desejar pra si os próprios desejos e contribuir para que se materializem - porque sem ação, a fé é morta, como disse Ananza.

Precedências

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Há exatamente um ano atrás nos servíamos bolo de chocolate com chocolate, no trabalho. Teve foto, nunca partilhada aos olhos não participantes. Há momentos que não carecem registros ou exposição - e não vazam, pelo menos pelos meus dedos. Vinte dois anos em um ano depois. Há velas, porém fúnebres. As pessoas queridas de nossas pessoas queridas se vão. Ninguém ousa perguntar se está tudo bem. Não há bolo ou felicitações. Precedências. E lancemos fora o egoísmo. E como as pessoas, aos poucos, este também se vai. A diferença, é que não nos deve fazer falta.

tiroteio

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
pra todo que é lado seu,
atiro o que mais belo sei dizer,
fazer.
se um dia suspeitar bombardeio,
em tempo,
salve-te de mim.

O que te faz feliz também provoca dor

domingo, 28 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Durou mais de um mês o planejamento do passeio. Minha mãe me convidou e disse que pensaria. Minha tia confirmou presença e quando se referia, me incluia, como se já soubesse que eu iria.

Chegou o dia, era feriado aqui mas para onde iríamos, tudo funcionava normalmente. Eu que omiti todas as questões anteriores, nesse dia, ainda deitada, minha mãe abriu a porta e questionou outra vez: "Não vai mesmo?", e a resposta foi negativa. Minha tia, que estava tão empolgada, fez o mesmo.

O dia estava chuvoso e mal puderam aproveitá-lo. Os lanches que levaram, quase não deram pra tocar o estômago - precisaram dividir com os outros companheiros.

Chegaram cansados, famintos e com um semblante que reconheço. Chateados, contaram-me como foi. Disse que sentia muito, mas sentia - e sinto - muito pelo modo sobrevivência, o qual a fauna carcerária é submetida.

Ir ao zoológico - e levar lanche de presunto - é diferente de quando acordo com o shorts molhado de sangue e consequentemente, uma faca de dois fios samba em meu ventre. Existem situações que posso escolher não compactuar com a dor. Mas, escolhas são renúncias...

exterminador

sábado, 27 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
chega de remendos! 
que as próximas mãos sejam corajosas para subistituir as agulhas por uma tesoura e que o dilacere inconsequentemente.

elasticidade

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se agigantam e se encolhem a pouco de nós. outrora nos fazem caber dentro de si, ora dizem que não há mais lugar.
com o peito cansado, o coração latejando e as mãos frias, partimos com o fardo cheio de frutos podres - da expectativa.

desgraça reprimida é a pior desgraça

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
nos picos da desgraça as nossas pessoas demonstram condolências, dizem ficar à nossa disposição e quando as solicitamos - comumente - dizem: "essa fase vai passar!", "vamos para o lugar x e você esquecerá"...
mas até a desgraça é para ser vivenciada. chorar o necessário, expelir a mágoa, contar às paredes, rebelar-se sob o chuveiro... 
o que reprimimos, aumenta feito a bola de lã que dona Jane enrola enquanto desmancha aquela blusa que não a serve mais. a intenção é sempre a mesma: fazer uma nova peça, mas os afazeres clamam e nunca sobra tempo. ficará guardado por tempo indeterminado, como os sentimentos que fugimos nas horas más.
sentar na sala sem dizer nada é mais cuidadoso do que mensagens clichês. só precisamos saber que podemos estar em companhia de quem não nos cobra melhora imediata e está pronto para nos ver num estado detestável. esses são os ombros que nos desejo.
sabemos que vamos superar. no fim da linha subsiste uma força. e depois, esse fim deixa de ser fim.

Fraqueza confessa

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Não tire-lhe a casquinha se não puderes curar. Será mais louvável o gemido do sofrimento, do que a revolução inacabada.

A vida que fui casa

terça-feira, 23 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Suja e abandonada. Abaixara o aluguel: "Nem de graça!" - soltaram -, não houve jeitinho que convencera. Não houve orçamento para reforma que fizera valer a pena. Tempos acumulados, sem saber-se lá o que era cumprir função social. Todo que passara, depredara. De pouco em pouco...
"Parece que o último ficara com chave". Na verdade, fora doada - "Só de graça!" - ao poder público, que ao menos, destruíra duma vez. E no território, outro desses empreendimentos de uso misto fora assinado pelo engenheiro civil antigo senhor prefeito. 

Subjetividade?

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O inferno é a submissão sem data de encerramento. O ronco da fome aquietado com água. O frio calculista coberto com meia caixa de papelão. O recebimento das sobrancelhas erguidas da soberbia. Ser mais amado - no mundo - por alguém que não seja si próprio.
Depois tem mais? Com efeito, não haverá mais nada a ser consumido...

Cronologia psicológica

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Assistir o corta-gotas da cafeteira, que ao final, xícaras completas; descronometrar a data do reencontro, tantos dias pra um; aguardar pela senha, horas na fila, pelo resultado positivo do exame.
No esperar, descobri a paciência que nunca quis ter. De fato, gastei toda a ansiedade com o que tivera que acontecer, independente dela.

Obviedades

domingo, 21 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
No que ele não diz cabe o óbvio. Isso que, ao olhar em seus olhos flamejantes, decerto, deverias saber.  
Se não podes ver o que não está escondido, diga-lhe também o óbvio: que as flamas não te incendeia mais.


Desilusão

sábado, 20 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
"Deitado no escuro, fiquei espantado ao perceber que algo em mim, algo havia muito tempo doente, morrera em silêncio; e me senti como um marido que, no quarto ano de casamento, de repente descobre não ter mais desejo, carinho ou consideração pela mulher outrora amada; nenhum prazer em sua companhia, nenhuma vontade de agradar, nenhuma curiosidade sobre qualquer coisa que ela possa fazer, dizer ou pensar; nenhuma esperança de acertar as coisas, nenhum sentimento de culpa pelo infortúnio."
(Prólogo de Retorno a Brideshead - Memórias sagradas e profanas do capitão Charles Ryder, por Evelyn Waugh)

Algo morreu em silêncio. "Nenhuma esperança...". Talvez te ocorra que seja egoísmo, ora, nem nisso mais há respiro. Vai-te para onde sabes que serás aquecido. Dissipou-se o ímpeto em alimentar a fogueira. Resta-me os maus tratos do inverno - dentes contra dentes, rasgos nos lábios, pêndulos neurológicos... - e o anseio pelo seio da terra.

eis algumas questões

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
- escuta só - e lidos foram alguns versículos bíblicos...
- ‎ah, esquece! são os mistérios do Cristo
- mas ele não quer que o sigamos vendados. somos amigos, não súditos...
- ‎pois peça que ele te explique!
- ‎ele não me deve explicações...
- ‎...
- escuta esse. e mais esse. agora é o último, juro! - e feitas foram algumas considerações.
- você está entendendo errado! ultimamente anda vistoriando a bíblia...
- ...


Muito másculo!

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Armas mais fortes. Tanque mais cheio. Alta voltagem. Na rua, harém de 'vagabunda mulata' - sujeitinho insignificante. Sem choro, sem massagem, sem chance, sem isso de querer sentir. Dente por dente. Sangra sem dor. Não se corrompe pelo amor. Sentimento suprimido. Perversidade,  força, inflexibilidade, intolerância, independência, racionalidade, auto-suficiência, soberania. "Coisa de homem!"

Atribuição de papéis. Evitação da feminilidade:  cultura do estupro, homofobia, misoginia, machismo, racismo, feminicídio. Abatedouro de mulheres: construção - tóxica - de masculinidade. Impunidade...

"EM NÚMEROS: A violência contra a mulher brasileira(acesso em 19/01/2018, 15:48)
"ONU: Taxa de feminicídios no Brasil é quinta maior do mundo" (acesso em 19/01/2018, 15:48)


organicamente

terça-feira, 16 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
deleite inconsciente é o estado de quem está feliz.
a felicidade não ouve a consciência, pois, se quando estás feliz, lembras dos tropeços da vida, noutro instante o sentimento se recolhe. tampouco escolhe através de que(m) se manifestará. basta que estejas inteiramente no momento, sem buscar na consciência sentimentos indiferentes. a pureza do manifesto.


Valei-nos

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
Outro dia veio a notícia de que a 'prova do pecado' do outro, fora atirada sob a porta do templo para que no próximo culto fosse encontrada pelo primeiro despreparado. Não se sabe quem fora.

"Pior do que os que praticam o mal, são os que podem, mas não fazem o bem". Fazer o bem, às vezes é não fazer nada diante das circunstâncias alheias que não nos cabe intromissão. 

Haja compaixão pelos que tentam corrigir o próximo à sua maneira, decretando punições. 
Rogo misericórdia por todos - mas a misericórdia não ameniza o linchamento momentâneo que o transgressor, segundo os princípios de fé dos juízes, é submetido.
Eu que sequer tenho forças, faço como Ana: "...falava no seu coração; só se moviam os seus lábios, e não se ouvia a sua voz..."

Tem gente que martiriza o Cristo todos os dias, selecionando espíritos à pena de morte e excluindo-os do direito de salvação. Parece que também foi lhes dado o poder nos Céus e na Terra...

Gosto muito mais do "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei", do que "Afastai-vos de mim porque não vos conheço".

Salmos. O livro dos  justos, oprimidos, cansados, aflitos e transgressores arrependidos. "A ira de Deus dura um momento só, mas a sua benignidade é eterna."


por trás das cenas

domingo, 14 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
onde há companheirismo,
pode haver solidão.
onde não há um grão de sentimentalismo,
pode haver amor profundo.

Querido, é a vida

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"E dentro de cada poça, por menor que fosse, haveria o céu... o céu que às vezes um passarinho desmanchava... um passarinho que tinha sede e sem saber desmanchava o céu da água com o bico... ou alguns passarinhos escandalosos que desciam das folhas como raios, se enfiavam na poça, tomavam banho com as penas arrepiadas e desmanchavam o céu com o barro e bico e asas... Contentes..."
(Capítulo XLIX, de "A praça do Diamante")

"... ainda que no mundo haja tanta tristeza, ele sempre ainda pode ser salvo por alguém com um pouco de alegria. Alguns passarinhos, por exemplo." 
(Posfácio de "A praça do Diamante", por Mercè Rodoreda)

calcifiquei-me

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
não estou mais à flor da pele, ferida ardendo a sangue frio, para que toque e saia limpando as pontas dos dedos, como quem tenta destruir a evidência de que estiveste aqui. não estou mais em cartaz para que pague por uma noite de exibição. minha carne deixou de ser de segunda, não caibo mais no teu orçamento, aprendi a escorregar pelo furo no bolso. eis-me aqui, cuspindo muito mais ferro que sangue quente.

pretérito imperfeito

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018 2 comentários
a quarenta anos mais
se lamentares arrependimentos
direi que até quando pecasse
fosse por amor.

diminuto

terça-feira, 9 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
se espremida, meia gota
palavra incompleta
edição pocket 
na entrelinha
dentro do ponto final 
entre um respiro e outro... 
quilos, metros, espraiados pela metrópole
cortando o céu cinzento num viés invisível
dissipando no sopro do carbônico
onde as nuvens são de lágrimas
o fim, desejado
a lástima, poupada
e a despedida, imprecisa.
outra partícula que parte
ao dormir com a Lua,
o Sol acordará desacompanhado.


Perdão é reconquista

2 comentários
Há pessoas que nos magoam e não pedem perdão. Por uma infelicidade, talvez não sejam sensíveis quanto nós e pensam que tudo segue intacto. Mas, fazemos valer mais as que voltam com pedido de remissão em língua - ah, tem as que pedem não verbalizando e os gestos não são menos válidos.

Perdoar soa bem. E por sermos conscientes de que o perdão é necessário, nos submetemos à desordem do perdoar, porque, pior é a desordem da mágoa.
"A mágoa altera as estações e as horas de repouso, fazendo da noite dia e do dia noite."
(William Shakespeare)
O conflito que mais se faz difícil é o interno.

Quando perdoamos no imediato, nos segundos pós magoa, é a forma mais fácil de recolher a culpa que estava no outro pra dentro de si. Agora então, guardamos mágoa e a culpa que retiramos do ombro alheio. É como recolher o lixo pra dentro casa. E sozinhos, teremos que defrontar com tudo.

O processo do perdoar é reconquista de nós para nós mesmos. Há necessidade da desconstrução. O trabalho de nos convencermos que tudo vai voltar ao antes do marco, é varrer as marcas para um lugar de caminho sem volta e deixar tudo limpo.

Agora, é o momento de estar pronto para receber o visitante outra vez. É também estar disposto para a tentativa de reconquista do outro para nós. Talvez não haja harmonia em todas as recepções. Patologias.
"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te".
(Friedrich Nietzsche)
A manutenção periódica nas raízes dos nossos sentimentos deve ser inevitável. Substituir as peças irreparáveis é necessário para o nosso bem funcionamento. Em palavras diretas, não precisamos deixar as chances inesgotáveis aos que não puderam reconquistar a dádiva de nossa confiança. "Ninguém habita em nós, habitua", então, podemos seguir sem os quais não nascemos dependentes. 
"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
(Friedrich Nietzsche)

nenhum canto será tão sofrido

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
ao ler meus versos imaculados
teus olhos não esperarão pelo sono
e o choro será por alegria
tudo que não foi dito
caberá
chorará só, o sabiá
pois os versos imaculados,
lhe roubará a companhia no mundo que nos coube viver
renunciarei a hora que me atiraria teu sorriso mais bonito
que guarde, à quem terá a coragem de dizer tudo que caberá nos versos imaculados,
olhando ao fundo, nos olhos
dilatando o peito.

Amanhã talvez não seja, o que hoje parece ser

domingo, 7 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
A convicção é uma coisa que até os sábios omitem ter - subentende-se. Desconfio dos que juram que suas crenças são absolutas. As coisas nem sempre são o que parecem e noutra hora a gente desperta e descobre o tolo que foi - ou não. Há um tempo acreditei com excelência, que precisava justificar porque era quem eu era ou deixava de ser. Depois, descobri que fazendo assim, destravava o gatilho para que soubessem onde em mim havia mais vulnerabilidade. Também admirei o inverno, até descobrir que não era recíproco - pelo contrário, maus tratos ao extremo. Mas o tempo é rei, e aos que ouvem, diz, se a tal verdade/convicção prevalece. 
Você não pode coagir os outros para que acreditem suas verdades - infelizmente, nem nas coisas boas; menos ainda, nas demagogias. A menos que não esteja tentando ser uma boa pessoa. E se está tentando ser uma boa pessoa, deixe livre os que te escutam. E se os seus não quiserem acreditar suas verdades, isso não define o que sentem por você, os bons se atraem, independentemente, se análogos ou opostos. Mas você não precisa acreditar no que eu digo.

pérolas aos porcos

sábado, 6 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
a compaixão de meu âmago, 
é sentida pelos que destinam energia ao ódio.

a demanda da aversão, 
desgosto e rancor, 
inimizade e repulsa...
insaciável!

o que resta à afeição? 
lamentável destilação.

alma velha tem seus êxitos:
a premissa de que pérolas não se lança aos porcos.

toma lá! dá cá!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
a comunhão de todas as sensações e sentimentos - grotescamente - que compõe o nós, é a alma. assim como a união de todas as virtudes, é a caridade. 

que vezes mais se lava, senão quando há acumulo de impurezas? um respingo ou outro se remove com cuidado localizado - se tratando de alma.
um renascimento em cada vez que lavá-la, tempos de ascendência lançados fora.
"- toma lá! 
- dá cá, tudo que te há!"
aos de alma exuberante, feliz quem recebe os descartes - às águas viçosas do mar, baita oferenda!

busquemos luz, para que com sabedoria, possamos reparar os respingos e vigiar as impurezas para que  não se massifiquem.

confronto efêmero

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
o café do meu amigo parece sempre estar mais cremoso. capturo uma foto no ápice de minha beleza e arquivo depois de descansar sobre o retrato da moça mais bela no mundo.

são as impressões referenciais do que é belo tentando iludir. a desgraça é lucrativa pra ascensão capitalista: "em busca da debilidade espiritual e da abstratificação do real" - meu eslogã pro capitalismo.

a esperança pelo dia que desnudarei a alma, não se abstêm. com tempo, decerto dedicarei graciosamente à mim, minha melhor admiração, como o velho Gaudí¹ a observar a Sagrada Família.
"…uma obra que está nas mãos de Deus e na vontade do povo" - disse.
Gaudí se foi em 1926 e a obra ficou à concluir - a previsão é pra 2026. uma arte coletiva, cada contribuição é indispensavel, sagrada. 

não há quem esteja pronto ou apto à se definir, somos seres mutáveis com sentimentos ambulantes.

deixemos de ser hostis conosco. fragmentemos as balizas do sistema. não evitemos de parar para a contemplação da vitória por temermos ser atropelados - o medo arquiva os sonhos mas os sonhadores arquivam o medo. sejamos corajosos pra reconhecer que somos vencedores. como nós.

¹Antonio Gaudí, arquiteto catalão, aos 75 anos faleceu após atropelamento - por um bonde a 10km/h - enquanto observava a Sagrada Família.

estica que dá!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018 Nenhum comentário

trenas! as manuais, existem de três, cinco, oito e outros metros. é abominável esticá-la ao limite, pois há uma probabilidade gigatesca de separá-la da base, tornando difícil o manuseio e armazenamento. um dos fatos que pode definir o fim da utilidade.

minha primeira - cor de camarão, fita em aço, cinco metros - levava meu nome. pediram pra cuidá-la como uma pomba faz com a cria. pelos tombos, periodicamente era calibrada pra validar a qualidade.
entre quedas e desencantos, a força pra carregar entusiasmo.

às vezes a gente atinge a exaustão. é a margem de segurança, depois dos cinco metros, o desconfortável lado miserável. ninguém quer estar lá: entre o não saber e o querer.
é nesse momento quando se faz valer o seu credo - no fim da linha subsiste uma força.

uma vez, essa mesma trena cortou meus dedos em sua lâmina - de dois gumes - afiada, pra intimidar ou chamar a atenção. somente aceitei, permitindo que deslizasse moderadamente - são coisas que não são obvias, compreende só que está atento aos sinais. são os chacoalhões quando algo deseja te despertar.

onde acende a luz pra que repare o caminho e não chegue ao fim da lâmina antes do tempo? 

não se sabe quantos metros de caminho tem a vida. cuide pra não atingir a exaustão inúmeras vezes.
entre quedas e desencantos, deve haver força pra perdurar o tesão de continuar se flexionando, indo e vindo, envergando ao oposto sem fragmentar.

"estica que dá!", não! o universo está conectado ao seu compasso.

Qual a cor do pecado?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018 Nenhum comentário
an artist's palette - via wikipedia

Da língua de fogo que tosta a carne suína?
Do medo que arquiva os sonhos?
Do final dos vinte segundos do terceiro tempo?
Da mágoa que convence a não receber perdão?
Do sangue derramado pelos seus caprichos?
Dá concentração de privilégios?
Da omissão dos direitos?

Dê-me licença para lhe dizer
qual a cor que o pecado não veste!

Das mãos que te servem a mesa
e varrem seus rastros derrapados
Dos pés festivos que dançam o fevereiro
Dos lábios que oferecem gomas açúcaradas e malabarismo no semáforo
- em troca? Dinheiro -
Da densidade que escorre entre as pernas
Do corpo que não lhe deve o penhor do agrado...

Qual a cor do pecado?

Deixe-me dizer que a sua paleta
não é absoluta
Diga-me quantas cores combinam?
Há consentimento para que introduzas o polegar em seu orifício?

Qual a cor?
Do solvente que dissolve a massa?
 
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Ilustração por Gabriela Sakata
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