Goela rasa

sábado, 21 de julho de 2018 Nenhum comentário
Engoliu outro copo amargo e raspou a língua contra os dentes com muito esforço - parecia espessa o suficiente para não caber dentro da boca. 
Se lavou, o mais rápido que pudera e se pôs a dormir. 
E de dentro dele, se ouvia um barulho que batia contra as janelas do quarto e voltava como eco. Era ronco, um conjunto deles. 
Mas o sono parecia se atrasar naquela noite e o barulho nascia no estômago.
E no meio do atraso, levantou repentinamente, caminhou descalço e  tão depressa, que no andar de baixo se podia ouvir o batuque nos pisos.
Pôs pra fora o jantar e a embriaguez da crença nas convicções alheias. E foi a última vez.
Olhou dentro dos olhos do reflexo na água, que lhe murmuraram sobre deixar de engolir tudo que lhe era servido.
Fármaco pra suportar as surras, adoece a mente. Na bula, tudo é escrito com técnica pra não entender que o efeito consequente é a submissão.
Manipulação.
Daquela noite em diante: "Goela rasa!". O que não promove melhora, volta pra fora noutro instante.

O feminismo negro é necessário?

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INDICAÇÃO DE LEITURA: "QUEM TEM MEDO DO FEMINISMO NEGRO?"



Autora: DJAMILA RIBEIRO
Título original: QUEM TEM MEDO DO FEMINISMO NEGRO?
Páginas: 152

Lançamento: 08/06/2018

Selo: Companhia das Letras

A obra se inicia com uma autobiografia, onde a filosofa resgata sua relação dolorosa com o racismo na infância e na adolescência.
Ainda na adolescência, ela começa a trabalhar Casa de Cultura da Mulher Negra, lugar onde ela tem contato com mulheres negras escritoras, que a encorajam a ter orgulho de si mesmo e sua ancestralidade. Nesse momento ela também sente-se empoderada para sair da invisibilidade.

No conteúdo seguinte da obra, encontra-se uma coletânea de textos da autora publicadas no blog da Carta Capital ao longo dos anos. Esses texto são insurgências às ações raciais, de gênero e de classe, recorrentes nos dias das pessoas negras, tais como: violência, saúde, racismo, objetificação do corpo, descaso das vidas sob a omissão do Estado, processo de humanização, decorrente do mito da democracia racial, mito da mulher moderna, empoderamento feminino e outros.

(E quem é que tem medo? Quem reconhece que usufrui mais direitos, em detrimento de outros grupos - superexploração -, e teme perde-los)

a me perder de vista

segunda-feira, 16 de julho de 2018 Nenhum comentário
teus olhos,
teus olhos não podem reduzir minha cor a da poça de lama
enquanto desejas me sentir à pele
teus olhos,
teus olhos não podem cobrir minha imensidão
ficaram pequenos,
pequenos demais
o que vês,
são só partes de mim
o que não conheces,
não podes amar.

Por quê mulheres negras são raivosas?

sábado, 14 de julho de 2018 Nenhum comentário
Epa! Ao que parece, agora vai!
Esse nosso canal queridão nasceu em 2012. Em 2014 inaugurou teu primeiro vídeo - que hoje, nem rastro existe mais.
Entre oscilações da minha determinação, agora ao que indica, se estabilizou e com promessa de conteúdo, todo sábado - vamo ver!.

Ao assunto, vamos ter uma conversinha sobre a agressividade na fala das mulheres negras. É só apertar esse botãozinho bonito logo abaixo!


  • Ao dizer que "o individuo que tem a voz ouvida, "passa a ter um compromisso politico" em empoderar outros que estão sujeitos às mesmas violações que este", existe uma importância para alem disso, é preciso também que antes o individuo tenha um compromisso ético.
  • Empoderamento, além de levar o conhecimento para o máximo de indivíduos possíveis através de ações coletivas, é também oferecer condições mais equânimes possíveis, a partir do que lhe é possível. O importante é a construção coletiva.
  • "Assisti o vídeo, gostei bastante da abordagem, ela é necessária. Vou colocar um ponto que eu, bem particularmente, acho que colabora para essa visão de mulher-negra-raivosa, a questão é que sempre estamos sozinhas. Quando, na internet, por exemplo, alguém comete um ato, uma fala racista, a IMENSA GRANDE maioria das pessoas negras que debatem, discutem e fazem "textão" explicativo dando a cara a tapa, somos nós, mulheres. Os homens, mesmo os parceiros, quando conscientes, se omitem muito ainda. Muito mesmo! Portanto é fácil chamar de raivoso quem se expõe." (excelentíssima colocação, de Taynara, no Facebook)
  • Indicação e referência: Os usos da raiva - Mulheres respondendo ao racismo, de Audre Lorde

A neutralidade não promove mudança!
Espero que goste!

Vamos por a boca no trombone!

domingo, 8 de julho de 2018 Nenhum comentário

A expressão "por a boca no trombone", tem o significado de "denúncia, grito; não vou me calar". Sou cheia dessas breguices do interior e achei adequado ao tema.

O que eu pretendo provocar com esse video é a reflexão sobre "Quem não ouve, silencia!". 
Quando afirmo esse pensamento, não digo que se você não assistir o que eu disse, você  estará me silenciando - considerando uma análise superficial. O silenciamento é um processo construído, que tem inicio no nascimento - é o que tentei explicar.

Apesar da ingenuidade comunicativa; do desconhecimento dos recursos tecnológicos, sinto felicidade em compartilhar com você esse material.
A partir do lirismo, me espus em prol do coletivo.

Por fim, espero paciência e compreensão. Não juro, mas tentarei melhorar em tudo nos próximos, se houverem. 

Te espero!
Até aqui, obrigada! 😊

A sublimidade contra a espetacularização

terça-feira, 3 de julho de 2018 Nenhum comentário
"Aonde quer que você vá, /O que quer que você faça, /Estarei bem aqui esperando por você"

O uso da letra citada é um exemplo de como age o racismo sobre o corpo negro (composição de Richard Marx, que relata uma declaração de amor romântico, que não vem ao caso).

Com as bolhas que não param de explodir, é impossível silenciar o debate quanto a objetificação da mulher. Portanto, ainda é necessário fazer um outro recorte e esclarecer sobre quais mulheres estamos falando.

Como bem dito por Djamila Ribeiro, as mulheres - brancas e negras -, só compartilham da mesma luta, contra o sexismo (machismo e misoginia). Mulheres não brancas, ainda precisam lutar contra o racismo, porque ainda que oprimidas, as mulheres brancas fazem parte da parte que sempre esteve em ascensão social.

Recentemente, o cantor Mc Lan, disse num vídeo no youtube que "tem fetiche por negras", referindo-se a cantora Ludmilla. Fetiche - resumidamente - é um objeto ou parte do corpo que promove excitação sexual - conotação qual aparentemente foi intencionada do cantor. Não é surpreendente, dito por um homem que conscientemente disse que "se ficasse com homens", seu crush seria o Johnny Depp "por se parecerem nas loucuras", este que foi denunciado por violência pela ex cônjuge (Johnny, foi dos meus favoritos no passado - ironicamente, fora do campo artístico).

Quanto respeito merece um corpo feminino?
Mas este é só mais um fato.

O corpo negro, sempre foi transformado em espetáculo. Homem também sofre objetificação, com apelidos e adjetivos que conhecemos.

Aos homens e às mulheres, sempre precede alguma definição. Enquanto o corpo branco [rosado], sempre foi sublime dos pés à cabeça.

Não somos descartáveis.

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

Colateralismo

quarta-feira, 27 de junho de 2018 Nenhum comentário
A gordura sobre os meus músculos são supra, se não posso repousar a minha própria cabeça. 

Nunca pude.

Quem dirá que pode enxergar no escuro? Minha pele é tanto preta que oculta todas as emoções. 

Ninguém vê.

Se minha casa falasse Ed.3 - Cozinha alternativa (pequena)

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✅Se você ainda não leu a edição anterior, clique no título seguinte: "Organização/mudança simples para dormitório médio".

Conhecendo a planta:
  • As paredes possuem 3,20 m e 3,10 m lineares, totalizando 9,92 m quadrados;
  • Porta convencional, com 0,82 m livre para circulação e vidro fixo para iluminação;
  • As circulações são: bancada-mesa, aproximadamente 1,01 m /bancada-barril, aproximadamente 0,71 m /refrigerador-mesa, aproximadamente 1,04 m.

  = sala de estar

A proposta apresentada, possui alternativas, sendo na primeira a demolição da parede divisa da cozinha, somente se o comodo ao lado for de uso social (sala de estar); na segunda, pode ser removida a parede parcialmente, deixando uma parte na altura de mureta e na terceira, a parede pode continuar intacta, se por exemplo, ao lado da cozinha possuir um como de uso intimo (dormitório, ou mesmo de uso social, como o banheiro e outros).


Cozinha vista da sala
= parede à demolir

🚨 QUANDO HOUVER PAREDE À DEMOLIR: Certificar-se de que a mesma não possui função estrutural; não alcançar a verga da abertura (porta) e cinta de amarração da alvenaria.

Os eletrodomésticos são contemporâneos; a composição das cores, os quadros, luminárias, azulejo e cadeiras são retrô e a bancada com o suporte (como armário aéreo) pertencem ao modernismo.
A concepção dessa mistura, surge da intenção de usar/aplicar o que está ao alcance, o que permite que não necessariamente você siga essa linha a risca (mistura dos momentos).



O vidro fixado acima da porta, possui distancia de 0,20 m acima da porta e abaixo da laje - no minimo, pois existe verga e cinta de amarração. O mesmo possui princípios industriais, com esquadria marcante, em alumínio ou aço, na cor preta. Nessa posição contribui para aproveitamento de área de parede da bancada, o que é favorável, considerando o tamanho da cozinha. Este também pode possuir aberturas maxim-ar, proporcionando melhor conforto térmico com a evasão do ar mais quente.
🚨 QUANTO A ABERTURA EM EDIFICAÇÕES EXISTENTES: Certificar-se de que no local não possui instalações elétricas e/ou hidráulicas. Se houver, a abertura pode ser menor ou então abolida - mantendo a existente. 

O barril foi indicado como 'mesa' de apoio - com aplicação de tecido ou adesivo autocolante no tampo -, consequentemente, não obrigatório, dependendo de sua necessidade. 



O painel decorativo possui a mesma largura da mesa, 0,80 m. Ao fundo, pintura na cor concreto, podendo ser somente cinza com sobreposição de quadros criativos que podem ser impressos e aplicados em molduras que facilmente se encontra em lojas de utilidades domésticas (objetos de R$2,00 ou pouco mais), porém, se decidir comprar, apoie/priorize o trabalho independente/pequenas empresas dos amigos.
A proposta da lousa, possui inúmeras [f]utilidades: lembretes, mensagens carinhosas, baboseiras..



O suporte (como armário aéreo), foi confeccionado em aço com prateleiras de MDF e 'nicho' de caixote de frutas. O mesmo comporta também o microondas.




A mesa foi confeccionada em MDF em sua cor natural, com estrutura de aço.


Para os intimistas vegetais - ou paisagista fundo de quintal, como eu -, caminhe por um jardim digital para escolher um amigo que viva sem danos no ambiente desejado.






Onde encontrar e como produzir materiais/produtos aplicados:


Me conte o que achou?!!! Quais suas contra-propostas?

_
Notinhas:
1. Declaro que não farei nenhum serviço que isente a busca pelo profissional de arquitetura;
2. Esse ante-projeto (estudo) foi todo elaborado por mim, com suporte dos softwares SketchUp e V-ray;
3. Loja e blog/site indicados não possuem nenhuma parceria com o Cubo.

Meio a meio

quarta-feira, 20 de junho de 2018 Nenhum comentário

Quando choras, 
de mim também borbotam lágrimas. 

(Pra amiudar, dividamos, que não dou licença pro sufoco. Dividamos, que eu aprendi digerir depressa.)

!

sábado, 16 de junho de 2018 Nenhum comentário
Não há tombo que te trinque,
que não provoque também minha dor!

Autocuidado ♡

sábado, 9 de junho de 2018 Nenhum comentário
As palavras que cruzam contra a minha boca não são sábias, mas tu sabes bem para onde direcioná-las. Enquanto em minha língua permanecer o calor, queimarei as suas feridas. 

2. Equivocanálise: "Orgia"

quinta-feira, 7 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quem se atreverá beber de mim?
Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
Ou outro a pôr em risco o juízo?
Um velho que me agitará entre os dentes?
Ou outro frenético aos goles imprudentes?
Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

-
Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Sangue do sangue do sangue

terça-feira, 5 de junho de 2018 Nenhum comentário
Meu avô casou com a prima, que é minha vó, esposa e prima. O irmão do meu avô casou com a prima, que é prima e cunhada do meu avô. O primo do meu avô casou com a irmã do meu avô, que é primo e cunhado do meu avô. Meu pai e meus tios são sangue do sangue. Eu, meus irmãos e meus primos somos sangue do sangue do sangue.

Minha avó conta que "muitos homens brancos a queria" - cof! -, mas se casou com meu avô: trabalhador rural, pobre e preto.

Seria a época de mulheres pretas agorafóbicas, que os homens da família, por caridade, tiveram que casar-se com elas?

Meu avô era um homem de sangue bom que não valia menos que qual fosse o homem branco.

Brasil republicano-ex-monárquico, a terra que enriqueceu barões cafeicultores - fruto originário da Etiópia - com mão de obra escrava africana.

Mas, moça com pele cor-de-café torrado não é bonita. Moço com pele cor-de-café torrado não é bom.

Gente preta é preterida desde o pretérito.

Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

-
Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção)O começo da perenidade se parece finitude 

1. Equivocanálise: "Despudoradamente"

terça-feira, 29 de maio de 2018 Nenhum comentário
Despossuída de culpa,
te pico e não fico
Ou, me peça e eu não faço
Paro! Sobre o término do limite da minha liberdade.

-
Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Transcendência (A hora da redenção)

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3.

Naquela hora tomei os temores de todos para dentro de mim
E temi as noites sem orações (e a descrença nas palavras de minha boca)
E temi a fraqueza da aliança com Deus
E subiu à mente as vezes que inclinei ao rompimento do entrelace de nossos dedos
E temi não alcançar outro milagre
E senti percorrer dentro de minhas veias, leite azedo em desaproveito
E quando tudo se deu conta do meu medo, desceu ao coração: a renúncia à morte
E meu sangue voltou ao viço
E como acalento, seu adeus: "Rogai por mim?!"
E parte de mim, se foi...

-
Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Saudação

domingo, 27 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Se me escutas
Noutro sonho efêmero te vi
presente à cabeceira,
ansiando o desdobramento das minhas pálpebras.

-
Transição < Saudação > Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Se minha casa falasse Ed.2 - Organização/mudança simples para dormitório (médio)

sexta-feira, 25 de maio de 2018 Nenhum comentário
✅Se você ainda não leu a edição anterior, clique no titulo seguinte: "Como montar/reformar um banheiro muito pequeno".


O papel de parede utilizado, fácil encontra-se, em tons pasteis e geometrizados. A melhor alternativa para quem deseja aplicá-lo sozinho, é a utilização do material que possui cola adesiva no verso. Caso prefira, pode ser substituído por espelho.
Na altura de aproximadamente até o termino da cabeceira, foi aplicado tijolinho de isopor.

Conhecendo a planta
  • As paredes possuem 3,60 m e 2,70 m lineares, totalizando em 9,72 m quadrados;
  • As aberturas (porta e janela) estão dispostas em paredes opostas e que possuem o menor comprimento;
  • A circulação entre as extremidades laterais da cama, são de aproximadamente 0,86 m e a circulação livre aos pés da cama, é de aproximadamente 0,60 m.




O ambiente possui forte presença do modernismo: simplicidade, geometrização e poucos ornamentos.


  
Os bancos de concreto foram usados como mesa de apoio, substituindo o criado mudo. Para a quantidade de bancos, deve ser levada em consideração a sua necessidade.

Transição

terça-feira, 22 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Tu, despejo
Em vão convida-me à assistir a própria glória
Quando me viste cear com o inimigo?

(Desassossegada me prendera à frente
Rasguei o ventre,
desabrochei tórrido e rosado)

Tu, desgosto
Tornaste eu-broto álgido e pálido.

-
Transição > Saudação > Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Tabacaria

domingo, 20 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
Que ninguém sabe quem é,
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

..."

Álvaro de Campos
15 de Janeiro de 1928


Eutanásia

quinta-feira, 17 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Diga-me o que queres?
Uma canção das minhas melhores cordas?
O tempo tocou em minha destreza

Agora, não vago sobre os olhos da noite,
acelerada pelos corredores frios, ao encontro do seu riso festivo

Me alimento de conflitos ambulantes
Num canto avesso às minhas costelas,
contra paredes exaustas dos meus rangidos

Tu, não fiques!
Fico só!
Vai!
E não prolongues o meu sofrimento...

Contra a parede

quarta-feira, 16 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Estes olhos desatentos
Antes sentenciados ao encantamento,
Salivam famintos por um gosto de percepção

O que há para ser visto que valerá o empenho?
Que invalide meu medo?
Qual vulto provocará contentamento?

Enquanto vagarosamente hospeda-se a penumbra,
sem hesito,
cada pedaço seu confisca todo meu deleite.


Se minha casa falasse Ed.1 - Como montar/reformar um banheiro (muito pequeno)

domingo, 6 de maio de 2018 2 comentários

Num tempo distante, aqui ousei inventar uma 'série' de assessoria arquitetônica, tais podem ser encontradas nos links seguintes: ideias para sala de estar de Ju e Léo e home office compacto e algumas idéias para montar o seu.
Funcionou por tempo determinado, embora não fosse o intento.
Decerto, morrerei dizendo que arquitetura não é exclusividade. Até 2015, a porcentagem populacional que nunca contratou qualquer atividade de arquitetura, era de 93%.
Mas, gloriosamente, confio na indispensável função: a social, que está sendo banalizada e usurpada pelo capitalismo selvagem.

Volto com o intento de produzir conteúdos a nível de assessoria (propostas aleatórias) e não de execução. Se houver alguma dúvida, sinta-se em liberdade para me escrever - urbanocubo@gmail.com.

No primeiro momento, apresento um banheiro aleatório com dimensões quase minimas, gostosinho e com propostas práticas.

Conhecendo a planta



O modelo que escolhi possui quase as dimensões minimas necessárias, totalizando 3,75 m² de área. O box conta com 1,50 m x 0,90 m (1,35 m²), sendo o restante para o lavabo e sanitário.


O único elemento não universal dentro do box, é o nicho de apoio na parede. É simples e pode ser feito em qualquer parede, exceto se houver instalações elétrica ou hidráulica e se for estrutural.
Às casas já prontas, pode ser feito um recorte na parede com uma serra de mármore/cerâmica ou ainda, com a serra copo, porém a segunda opção não deixará o recorte com acabamento liso, sendo necessário a aplicação de moldura de mármore, pvc, etc.
Se o banheiro já estiver pronto, é importante lembrar que a profundidade do nicho não deve ultrapassar 0,10 m - com o acabamento, ficará com aproximadamente 0,08 m, dependendo do material -, caso contrário a parede poderá perder resistência.
Se preferir, pode ser feito com a mesma largura da janela.


clique e vá para a loja :)
Clique nessa imagem para acessar a loja

A prateleira sobre a bacia sanitária é a que está acima descrita. No projeto, uma das prateleiras internas não foi montada para caber objetos mais altos, como hidratantes, shampoos, etc.


 clique e aprenda fazer :)
Clique nessa imagem para acessar o "como fazer"


O espelho proporciona amplitude, sensação de maior horizontalidade em ambiente pequeno.


Considerando a circulação justa e a necessidade da abertura da porta (conferir na planta), sugiro que o nicho/armário não possua portas e/ou gavetas.



Como fazer parede de cimento queimado:


A proposta apresentada não é para que você faça réplica, tampouco só existe essa solução para banheiros pequenos. A intenção é que saiba que é possível que esse comodo indispensável pode oferecer aconchego/vontade de permanecer e funcionalidade.

Me conte sua perspectiva!?
Veremos mais um episódio desse, na próxima quinzena 😊

_
Notinhas:
1. Declaro que não farei nenhum serviço que isente a busca pelo profissional de arquitetura. Para reforma e/ou construção, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo exige Registro de Responsabilidade Técnica junto ao conselho, tornando a atividade legal;
2. Esse ante-projeto (estudo) foi todo elaborado por mim, com suporte dos softwares SketchUp e V-ray;
3. As imagens não estão com a melhor qualidade e realistas. Ainda estou me familiarizando com o querido renderizador;
4. Loja e blog/site indicados não possuem nenhuma parceria com o Cubo.

"Soneto LXXXVIII"

terça-feira, 1 de maio de 2018 Nenhum comentário
"Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.

Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.

Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,

Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."

William Shakespeare

"Estou escrevendo essa carta, meio aos prantos..."

quarta-feira, 25 de abril de 2018 2 comentários

Música "A carta", composição: Claudio Matta / Alvaro Socci

Acima, apresento a mais tolerável das gravações (se está lendo no celular, avance para o minuto 3:16, mas as duas primeiras músicas valem seu tempo), porém não menos virulenta. Digo que na voz de outros, por exemplo, Eduardo Costa, é mais irritante, mas acredito que essa é minha posição enquanto individuo. Tratando-se do sujeito, em todas as vozes é igualmente problemática.

O intento não é vigiar e punir o sertanejo - aqui não se marginaliza mais, gênero algum.

Recentemente concluí as duas temporadas de "Doctor Foster", pertencente à BBC, disponível na Netflix.
Em busca de resenhas, ao que parece, todos que a assistiram, aplaudem Bartlett pelo drama. Mike Bartlett, o criador, se diverte fazendo de Gemma (Suranne Jones), uma mulher com um estado psicológico perturbado e programado à destruição das faces do marido Simon, após desconfiar de uma possível traição.

Gemma e Simon, ao fundo / via: Cine Pop 

Nos fatos seguintes, Gemma se dedica inteiramente ao processo investigativo, ficando ineficiente no trabalho e reduzindo a quase nada de sua atenção dedicada ao filho Tom, 12 anos.

Contudo, Gemma se propõe perdoar Simon se ele for leal e revelar a infidelidade.

É notável a justificativa universal: "Devemos ficar juntos, pelos nossos filhos". Mas, a atribuição da responsabilidade majoritária numa família com filhotes, é para o sujeito materno. O número de mães sem cônjuges têm crescido e esse é o fato qual comprova que a natalidade não fortalece as relações - entre os pais. Quem assim faz, neste intento, é procriador egoísta.

Gemma ainda ouve de Tom que, se o papai buscou uma relação extraconjugal, é por não ter recebido a atenção necessária da mamãe.

Infelizmente, existem inúmeras Gemma's.
Não é natural perdoar sem implodir as consequências. Se fossemos analisar este tal perdão, talvez descobríssemos que de fato, não é perdão. O perdão está banalizado.

Sucessivamente, Simon atribui a culpa à Gemma pela não regeneração da família: "Podemos esquecer tudo e vivermos como nada houvesse nos fragmentado!"

Bartlett, cria uma personagem à beira da loucura: porque essa é a visão masculina calculada sobre a traída, como quem diz que as mulheres não são estáveis o suficiente para sobreviver ao indesejável.

Quando numa relação afetiva, dois indivíduos consentem em absolutamente tudo, um dos dois está com dificuldade de 'ser individuo'. É necessário buscar ajuda.

"E por isso decidi
Que eu vou ficar com ela
(...)
Ao enxugar minhas lágrimas com beijos
Revelou que já sabia
Mas iria perdoar"

Temo a bondade de muitas mulheres. Estão se alimentando de sobras. Sobras estrategistas e hegemônicas, em nome do amor.

Violência moral e psicológica é agressão.

"Se você manter silêncio sobre as suas dores, eles vão te matar e dizer que você gostou."
(Zora Neale Hurston)
_
Leia:
🚩 "Perdão é reconquista"
🚩"A lealdade é um dos sentimentos mais puros"

Tour auto-guiado

domingo, 22 de abril de 2018 Nenhum comentário
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (José Saramago)

Alguns olhos vêem os rostos alheios por capricho ou descapricho - os que gostam de elencar o que não lhes atraí  -, outros como apreciam e investigam a história. Atentos aos detalhes.

Meus olhos. Muito amigos dos espelhos que escorrem pelas paredes de casa ou dos que se atiram em minhas mãos e se entrelaçam em meus dedos tortos e compridos.

Meus dedos. Pela manhã trabalham como quem desejam impressionar - para não perder o emprego. Ajeitam meu cabelo como gosto, lavam e hidratam o meu rosto... Por fim, desenham sobre minha pele um par de sobrancelhas.

Um par de sobrancelhas. Meus dedos são criminalmente responsáveis por reproduzirem inúmeros falsos históricos. Desenham o que nunca houve aqui. Não há fidelidade ao real em tuas representações artísticas. Pinceladas com tinta marrom mais escura que minha pele, aplicadas sem precisão ou simetria.

Minha pele, um campo minado. Pequenas depressões a se perderem de conta: espinhas e seus vestígios e verruguinhas insensatas.

Tudo que fiz para ser, de fato não me fizeram, se ao fim do dia, nua, resta[va] só eu em mim. O que não deixei de fazer para ser? Decerto era o meu mais preocupante dos problemas. 

É, ando à mercê dos descaprichos. Mas, mais do que coragem, é preciso sentir amor. Não há coragem  [de lutar] que se sustente, se não houver amor pela causa.

Tão errantes quão distantes

sábado, 14 de abril de 2018 Nenhum comentário
Não me chame por anjo, sou mulher. Revogo o codinome! Por onde andas a me buscar, não encontrarás.

vítima

quinta-feira, 12 de abril de 2018 Nenhum comentário
ora,  não sinta! não sinta responsabilidade pela frustração alheia, oriunda de uma expectativa nunca jurada pela sua boca. 
não sinta nada além do que realmente precisa sentir: seus sentimentos, intrínsecos e que não devem explicações à outro indivíduo.

não há julgo meu sobre sua cabeça. não há preço à ser pago para habituar meu eu. não sou recruta-refém.
pelos seus antecedentes, me basta sua tranquilidade; pelo presente, me basta sua paz.
não, não sinta por mim nada do que - ainda - não sente por ti.

Se tens bons ouvidos...

quarta-feira, 11 de abril de 2018 Nenhum comentário
Do amor que eu não disse
Se ainda não disse,
não é porque não há
tampouco, 
posso enclausurá-lo na literatura
Que tão vasta se faz pequena

Do amor que eu não disse,
Dos tempos que parecem perdidos,
engolidos pela ausência de minha fala
São tais tempos, quais ando encontrando com o adocicado da vida

Quando aproximares ao meu peito,
escute meu coração,
É minha voz
[que pensas que não digo].

Entre remissões e retomadas

domingo, 1 de abril de 2018 Nenhum comentário
Foram/são imensuráveis as bençãos e nos primeiros episódios fora de plano, renuncia-se toda a benevolência do Cristo?

Jó. Ao pó. Fé incorruptível.

Filhos-amigos do amor, amados na mesma proporção - que Jó. 

Ainda que, de noite, o mundo se acabe. Pela manhã, haverá renovo. Em vida. E a carga, continua, exatamente no peso e tamanho que se pode carregar.

(permaneçam: a fé, a lealdade, a humildade e a coragem)

Lembrem-se, não só de mim

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2.

Mas não, só de mim.
Lembrem-se
Do silêncio dos inocentes,
Dos afogados sem ter quem os lamente.
Lembrem-se, também
Dos nadantes que alcançaram terra firme.
Que hajam dádivas para que não se lembrem de mim com desgraça.
Lembrem-se, sim, de todas minhas blasfêmias e descrenças,
mas, também, das minhas remissões
e retomada de posse da consciência.
Lembrem-se da minha vitória,
tardia, mas não menos valiosa.


Lembrem-se de mim

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1.

Quando eu deixar de caber no seu colo
e sentires em sua mão estagnar meu coração
Com o orgulho não deitarei,
esse, será herança à minha mãe e meus amores.
Lembrem-se de mim.


À deriva

terça-feira, 27 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu não acredito mais, que pessoas boas recebem coisas boas - sobre colher o que plantou. Eu vivo isso e é injusto esperar que a providência divina interceda por mim - embora, cristã. Eu e os outros, nós, precisamos de justiça enquanto integrantes ativos/vivos na sociedade, nesse momento nos cabe equidade/justiça legal, pelo plano em que sobrevivemos. É fácil esperar pela vida eterna, para quem está com a vida de agora, farta. Eu não aceito, heresia, não - "Bíblia sim, constituição não!".

O privilégio, em sua totalidade, é a resultante da monopolização/concentração dos direitos civis à uma determinada comunidade social, em detrimento à outras. Direitos constitucionais esses, que teoricamente, segundo a Constituição, acolhem todo indivíduo humano.

Eu e os outros, nós, não conseguimos nos abster integralmente do capitalismo, infelizmente, somos dependentes e por ele, nossas vidas é ceifada - física, psicológica, intelectualmente.

Eu, se ousasse encorajar o choro em todas as minhas vontades, este seria o fim do meu planeta água. Secaria até a umidade do ar envolto. 
Então, guerrilhemos - e choremos, também.
Mas, não há vitória sem guerra e como há de haver guerra se não há corpo íntegro? Corpo mutilado não se sustenta em pé. 
Nossos inimigos - os líderes vilões e os que agem de má fé em seu poder/direito democrático -, são maus. Eles não estão perdidos. O vento que nos balança em alto mar, par que tornemos os próximos náufragos.

A paciência alimenta a esperança. A esperança engole toda a paciência.

in[só]nia

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não exija minhas intimidades, que, quando espremida expilo de minha essência muito de uma só vez. há tempo que me reconstituo de todo o passado sombrio e das sombras de dúvidas.
por aqui, tudo acontece muito tardio:
tarde no tempo,
tarde da noite.
e ao final estou só.
só, para reconquistar meus compostos.
e a cidade adormece...


Bandeira vermelha

sábado, 24 de março de 2018 Nenhum comentário
O dia não terminou.
Diga aos inimigos que minha vida sobre os teus ombros será prejuízo
Minhas armas não cessarão de alçar o timbre do trabalho
Minha voz ecoará pelos ares dos teus ouvidos.
O fardo é maior do que juntos podem carregar.

Desencontro de gargantas

segunda-feira, 19 de março de 2018 Nenhum comentário
Meus desejos são mesquinhos:
não há empenho mínimo necessário para me amar
Me reduzo à palavras de fundo de gaveta
- para caber no pedaço dum verso seu -
Faço saudosas as memórias,
Sirvo à mesa, minha carne macia e fresca.
Mas antes,
antes, meu bem
permita,
permita que eu me meta em suas entranhas
Ou diga,
diga bem dentro do meu ouvido:
que à sua liberdade,
ao seu amor,
nada do que é meu te há de ser cacife.

"tingi tudo de preto"

sexta-feira, 16 de março de 2018 Nenhum comentário
“[…]
tacaram fogo nim mim
tacaram fogo no meu cabelo
tacaram fogo na minha pele
tacaram fogo nos meus olhos
tacaram fogo na minha respiração
tacaram fogo na minha voz

logo
não puderam me conter
poluí seus ares com meu grito

queimei suas casas caras brancas
com meu choro

queimei suas esperanças brancas
tingi tudo de preto

sou brasa forte
tição pós-apocalíptico
pior que deuses ditadores

não mexe
não mexe
não mexe
não mexe comigo não…

que à dor
à dor
à dor
à dor
eu sei reagir.”


_

poema de Kika Sena - via palavra, preta!

Grandes negócios, pequeno empresário

quinta-feira, 15 de março de 2018 Nenhum comentário
Ao nascer, dizem que na sombra só há lugar  se for para sustentar a haste - do guarda-sol - e que o contrato é vitalicio.
Há quem arrisca lutar pelo próprio guarda-sol¹, encoraja os iguais a fazerem o mesmo - por amor aos sangues perdidos - e denuncia a atrocidade sob a sombra vizinha.
Mas, qual é a vantagem ao senhor do engenho - chama-se de Estado -, se cada escravo tiver o próprio negócio¹? Não deixaria de ser, tão somente, escravos?
Morre quem fica - cala -, morre quem foge - fala. Lágrimas, lágrimas sobre as medalhas dxs vencedorxs.

"dedo no gatilho, velocidade...
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada"
(...)
"eles querem te vender, eles querem te comprar...
não querem te deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?"

"a gente reza, foge, continua sempre os mesmos problemas...
espera tempo bom e o que vem é só tempo ruim"


_
¹ chama-se de: vozes, gritos, pensamentos críticos, coragem, arsenal tático para a sobrevivência...

Devora-verbos

sábado, 10 de março de 2018 Nenhum comentário
Eu quero ouvir
o que me devora os olhos
Quero que me sacie
pelas vezes ensaiadas, engolidas
Quero que me declame
os versos, as vísceras, [a]os gritos
Quero o doce e o amargo,
seus equívocos
Quero tudo dentro ou nada.

ponto [cego] de vista

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as balizas ditam o que não podemos, focamos tão somente nisso e nos esquecemos do que podemos, juntos e sós. é questão de estar no lugar que estamos: quem está em sobre-vista, tem privilégio sobre quem está em sub-vista. são falsos visionários, falsos filhos da falsa meritocracia. 
não é que não podemos, é que quem vê primeiro - ocupando o camarote por tempo indeterminado - pega o que é bom e só deixa as sobras - ou nem isso. é o privilégio  geográfico, físico e não físico.
a nossa utopia acontece agora, mas não aqui. num outro espaço. e nesse momento é banalizada por outrem que nos deixou as sobras...
nosso tempo é agora! invadamos os impérios sem bater o barro da galocha.

Devaneios quixotescos

terça-feira, 6 de março de 2018 Nenhum comentário
2.

Pela manhã, no céu da boca há garoa sabor de sangue

Há vestígios de batalha:
músculos enrijecidos,
ossos entrelaçados

Todas minhas pontas, aparadas
Vaidades que valem a destruição,
"que a terra um dia haveria de comer."


 
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