Negros que lutaram com o exército do RS receberam a morte como recompensa

quinta-feira, 20 de setembro de 2018 Nenhum comentário
"Uma das guerras mais importantes do país, a Revolução Farroupilha também foi palco de uma das histórias mais controversas, desleais e intragáveis da sociedade brasileira. Negros que lutaram com o exército do RS receberam a morte como recompensa no Massacre de Porongos"


via @Savagefiction

"Tudo começa na famosa Guerra de Farrapos, que colocou do lado o império contra os proprietários de terras escravagistas. Na época o Brasil era dividido em províncias e o RS era a província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Os farrapos queriam independência.

Os insurgentes gaúchos, proprietários rurais reivindicavam um tratamento mais privilegiado como a diminuição dos impostos, porém a província tem um amplo histórico de divisões ideológicas com o Governo Regente - por várias vezes tentaram instaurar um governo próprio.

Quando a revolução tomou caráter separatista, foi proclamada a República Rio-Grandense em 1835. Eram muitas frentes de batalhas, enquanto algumas tentavam destituir o presidente provincial em Porto Alegre, outras confrontavam o exército do império.

Com uma nova república as regras poderiam ser diferentes, inclusive as leis de escravidão. Mas se engana quem acredita que os Rio-grandenses eram abolicionistas visionários da liberdade para todos. A guerra que durava anos necessitava de recursos bélicos, principalmente soldados.

A princípio os negros mantiveram seus trabalhos escravos, mas logo foram convidados para a luta pela nova república sob a promessa de receberem a liberdade . Morrer no campo de batalha era melhor do que no tronco com grilhões, muitos agarraram a chance com fervor.

Dois corpos militares foram criados, com mais de 400 homens que vinham inicialmente de onde hoje residem os municípios de Canguçu, Piratini, Pedro Osório, Arroio Grande e outros. A grande maioria dos negros não eram libertos pelos farrapos, estes no máximo vendiam para a guerra.

Então quando atacavam uma fazenda inimiga, eles ofereciam a carta de alforria para que fizessem parte do exército. Os negros nunca tiveram os mesmos ideais da República Rio-Grandense, estavam ali pela sua sobrevivência e a esperança de liberdade.

Apesar disso, lutavam com ferocidade. Criaram  bastante temor nos militares do Império. “Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo…” - Giusebbe Garibaldi em biografia escrita por Alexandre Dumas.

Participaram de batalhas importantes como a do Batalha do Seival, quando os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais para derrubar o presidente da província - o equivalente ao governador nos dias de hoje. Cada vitória era um combate pela liberdade dos seus irmãos negros

O conflito entre as duas repúblicas era danoso para ambos, na verdade o Império nem reconhecia aquela província como república. Então tentou finalizar o conflito (de 10 anos) de forma diplomática, até prometendo ressarcir os gastos com o conflito de alguns proprietário.

O tratado de paz começou a se consolidar entre o império e a república Rio-Grandense, mas um grande impasse surgiu: o que fazer com os lanceiros negros que lutaram por uma década ao lado dos farrapos? O Brasil não iria alforriar negros com treinamento militar.

Alguns farroupilhas entregaram os negros de volta a escravidão outros resistiram temendo uma rebelião pela traição que estavam cometendo. O responsável pela aproximação e tratado com os Farrapos era Luiz Alves de Lima e Silva, mais conhecido Duque de Caxias.

Em  1844, Duque de Caxias, com general farroupilha David Canabarro chegaram a uma solução para o conflito. Canabarro ordenou que os Lanceiros negros montassem acampamento, desarmados, no local conhecido como Arroio Porongos, atualmente chamado de Pinheiro Machado.

Na época os acampamentos eram segregados, os farroupilhas estavam em outro local e nem parecia haver problemas já que um tratado de paz estava para se concretizar. Mas na madrugada do dia 14 de Novembro daquele ano os lanceiros negros foram atacados pelo exército imperial.

Os Lanceiros assassinados foram de 600 a 700, como vocês sabem Duque de Caxias se tornou o patrono do exército Brasileiro. Relembrar essa história é honrar os verdadeiros heróis da liberdade."



Texto de Ale Santos, disponível em @Savagefiction
_

Notas: a) Todo 20 de Setembro, ainda é celebrado o dia do gaúcho. Existe no ato, intenção dolosa, pois eles nunca venceram a batalha contra o império.
Outro fato, é que aqueles que derramaram seus sangues a espera da liberdade, permanecem na insignificância, ano após ano, caminhando para a perpetuidade.
b) Grata sou, ao querido Dani de Lucca, por todo conhecimento e colaboração com indicações.

re·sis·tên·cia

quarta-feira, 5 de setembro de 2018 Nenhum comentário
resistência foi ela querer continuar, quando recusei as setas e segui fora da curva.



contrapoder

terça-feira, 4 de setembro de 2018 Nenhum comentário
se desmedido meu proveito
apague as luzes e não me olhe na penumbra da saudade,
perdida,
sem rumo

anuncie, pois, 
da pedra mais alta da cidade
pra que outras moças não comprem o meu paradoxo.
_
se as propostas de parceria te desafiarem a ser inconsistente em tuas verdades, querida, não se corrompa. desaposse-me do meu bem!

po·e·si·a

domingo, 2 de setembro de 2018 Nenhum comentário
poesia é o que ela diz entre as nossas primeira e última hora.



re·vo·lu·ção

sábado, 1 de setembro de 2018 Nenhum comentário
revolução é o que ela faz entre a chegada e a despedida.

Aquilo que é nocivo, não é meu amigo!

quinta-feira, 30 de agosto de 2018 Nenhum comentário
reprodução instagram

As minhas tias paternas não compram produtos em brechós e tentam me converter às ideias. O motivo é simples: "Vêm com más energias!".
Ofensivo.

Hoje, li algo que me incomodou: "Não compre filtros na rua de qualquer pessoa (sic), alguns foram feitos por presidiários e não contém boas energias!". Fala-se de filtro dos sonhos, mas vamos falar das coisas, com amplitude.

Alguém tão próximo de mim, com sangue pulsante da minha avó materna, esteve em reclusão por anos, cumprindo pena por posse de entorpecentes com intenção de tráfico e distribuição. Ele disse que era para o próprio consumo - e eu acredito, sabemos quem é que é o alvo da PM.
Não sei ao certo se, nas visitas, entre idas e vindas da tua mãe, ela trouxe um novelo de lã que sobrara de um dos teus trabalhos. Minhã mãe fez uma blusa macia, que isola o frio do lado de fora do meu peito - e mantém em temperatura natural meu coração aquariano.

Passaram os anos, sigo/seguimos sem consequências má enérgicas. E não que em momento algum, esperei essa tal energia inimiga chegar. Mas ela não veio.

Os artigos produzido das atividades oriundas da detenção, são frutos da promoção  - ou tentativa de - da reinserção social por meio socioeducativo. Como pode advir do mal, o fruto gerado em nome do bem?
É bom que tomemos conhecimento de uma absolvição com nome de "redenção", o que não se aplica para todos - pois depende tão somente de cada um - mas, porque não considerá-la no pré julgamento?
O julgo humano não é suave.

Quanto aos brechós: quem sofrerá, ou deixará de ser ajudado, com a minha rejeição em apoiar o terceiro setor?
O terceiro setor é a ação afirmativa aos necessitados, que compensa o descaso do Estado; a politica publica de iniciativa privada. O quão difícil às organizações assistenciais e entidades filantrópicas, é "empreender" em prol social? Não devemos compactuar com os incentivos?

Mas é obvio que a recusa justificada se trata de espiritualidade. Quanto ao que você considera frutos podres: qual é o milagre que teu Santo não possa fazer? Qual a vez que teu Santo renunciou a tua proteção? Que Santo é bom para você, mas se recusa amparar a criatura desamparada?
[Para além disso, a hipocrisia: porque você pode doar, mas não pode adquirir originários de doações?]
O meu Santo é onipotente, onisciente e onipresente. Eu não ousaria justificar minha deformidade ótica em Teu nome.

Comprar roupas e artigos novos baratíssimos, proveniente de mão de obra análoga a escravidão, promovendo o capitalismo selvagem, não tem problema?

Somos melhores que o outro? Não eu, por compaixão. Nossas escolhas deixam de ser justas quando causa dano ou lesão ao outro.

Quem ou o que, têm sido nocivo? Depende da perspectiva de quem vê.

"Das utopias"

Nenhum comentário
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!"

💬 Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro (30 Julho 1906 - 05 Maio 1994).

via: "Escritas.org"

"Still I Rise"

quarta-feira, 29 de agosto de 2018 Nenhum comentário
"Você pode me inscrever na história
Com as mentiras amargas que contar
Você pode me arrastar no pó,
Ainda assim, como pó, vou me levantar

Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque eu caminho como se eu tivesse
Petróleo jorrando na sala de estar

Assim como a lua ou o sol
Com a certeza das ondas no mar
Como se ergue a esperança
Ainda assim, vou me levantar

Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído,
Ombros curvados como lágrimas,
Com a alma a gritar enfraquecida?

Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal
Só porque eu rio como se tivesse
Minas de ouro no quintal

Você pode me fuzilar com palavras
E me retalhar com seu olhar
Pode me matar com seu ódio
Ainda assim, como ar, vou me levantar

Minha sensualidade o agita
E você, surpreso, se admira
Ao me ver dançar como se tivesse
Diamantes na altura da virilha?

Das choças dessa história escandalosa
Eu me levanto
De um passado que se ancora doloroso
Eu me levanto
Sou um oceano negro, vasto e irrequieto
Indo e vindo contra as marés eu me elevo
Esquecendo noites de terror e medo
Eu me levanto
Numa luz incomumente clara de manhã cedo
Eu me levanto
Trazendo os dons dos meus antepassados
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto."

💬 Poema de Maya Angelou. Escritora, ativista, foi dançarina, cantora, motorista de ônibus, editora de uma revista no Cairo (Egito) e assistente administrativa em Gana, atriz, professora e pesquisadora, entre outras atividades. Foi amiga de alguns dos maiores líderes negros do século 20, como James Baldwin, Martin Luther King Jr. e Malcolm X.

tradução: "Francesca Angiolillo"
via: "Folha

"Blackbird"

Nenhum comentário
"Por que você quer voar pássaro negro?
Você jamais vai voar

Não há lugar grande o suficiente para suportar todas as lágrimas que vai chorar

Porque o nome da sua mãe era solidão e o
nome de seu pai era a dor

E eles te chamam de pequena tristeza porque
você nunca vai amar novamente
Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar

Você não tem ninguém para te abraçar você
não tem ninguém para cuidar

Se você apenas entender querida ninguém
quer você em qualquer lugar

Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar."

💬 Música de Nina Simone. Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo nome artístico (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 – Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis norte-americanos.

letra: "Vagalume"

"Ain't I a woman?"

Nenhum comentário
"Bem crianças, onde há muita algazarra, deve haver alguma coisa fora da ordem. Eu acho que com essa mistura de negros do sul e mulheres do norte, todos falando sobre direitos… os homens brancos vão estar em uma enrascada rapidinho. Mas sobre o que estamos falando aqui?

Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, serem levantadas sobre valas e ter o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, ou me deu qualquer “melhor lugar”! E não sou uma mulher? Olhem para mim!

Olhem para meus braços! Arei a terra, plantei, juntei a colheita nos celeiros, e nenhum homem podia se igualar a mim! E não sou eu uma mulher? Eu podia trabalhar tanto e comer tanto quanto um homem – quando eu conseguia comida – e suportar o chicote também! E não sou uma mulher? Eu pari treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu chorei meu luto de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?

Daí eles falam dessa coisa na cabeça… como eles chamam isso? Intelecto. É isso mesmo, querido. Bem, o que isso tem a ver com os direitos das mulheres? Ou com o direito dos negros? Se o meu copo não tem mais que um quarto, e o seu está cheio, não seria maldade não deixar que eu tenha minha meia medida cheia?

E aí vem aquele homenzinho de preto ali e diz: “Mulheres não podem ter os mesmos direitos que homens porque Cristo não era mulher!” Ora, de onde veio o seu Cristo? De onde veio o seu Cristo? De Deus e de uma mulher! Homens não tiveram nada a ver com isso. Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça para baixo sozinha, todas estas mulheres juntas aqui devem ser capazes de colocar ele de cabeça pra cima de novo! E agora que elas estão pedindo para fazer isso, é melhor os homens deixarem!"

💬 Não sou eu uma mulher?, proferido por Sojourner Truth em 1851 durante uma convenção em Akron, Ohio, Estados Unidos. 
Sojourner - nascida Isabella Baumfree em 1797, ela mudou seu nome em 1843 para Sojourner, que significa "peregrina" -, escrava liberta que se tornou abolicionista e ativista pelos direitos das mulheres.

disponível em: "Clarices e Marias"

Como extinguir estupradores?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Tortura, é a imposição de força de um indivíduo sobre o outro; a dominação para fins de "crueldade, intimidação ou punição", tendo como consequência o dano físico ou psicológico, a destruição da individualidade. Isso é o estupro.

Supremacia de gênero, é a ideologia conservadora de que existe diferença de importância entre os gêneros ou que um é mais legítimo que os outros. Em questão, o masculino é universalmente superiorizado e os que sustentam isso, sentem repulsão por todos os outros gêneros. O estupro tenta afirmar isso.

Objetificação, é o ato de tratar outro individuo como descartável, considerando que o mesmo não tem caráter de unicidade e que não é senciente. O descartável é o que "se deita fora após uma ou mais utilizações, objeto facilmente substituível". É essa a perspectiva do estuprador para com a vitima.

Estas são apenas três das violações.

Para qualquer sujeito capaz de pensamentos coesos, sem mais é possível perceber que estas e outras não são reproduzidas pelo órgão sexual masculino. São exercidas e reproduzidas por seres humanos concebidos com o órgão sexual masculino.

A inibição do impulso sexual em forma química ou cirúrgica é "corrida perdida antes mesmo da largada". A diminuição do desejo sexual ou da possibilidade de ereção não faz com que o individuo perca o interesse em violentar, visto que existem outros instrumentos passiveis de violar a vitima tanto quanto o falo. O fato é que o ato não será impedido de ser cometido. Os meios não altera o fim.

O próprio autor da PL 5398-2013 é um estuprador em potencial/recluso (que pensa que relação sexual forçada, o estupro, é método corretivo para algo que acredita ser verdade única) e vive a insultar e violar - com palavras, até então - a população feminina. Haja visto seus pensamentos expostos, tal como "Só não te estupro porque você não merece".

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

Considerando a laicidade, não seria bom que incluíssemos na analise a fé que Jair Messias diz professar. Mas, no minimo, com tamanha hipocrisia perfaçamos que este é um discípulo adepto a traição.
O que diz "Michelle, enquanto não faltar água no mar, não deixarei de te amar" para a esposa, também diz "...Foram quatros homens. Aí, no quinto eu dei uma fraquejada e veio mulher". [O Pai fraquejou? A Tua imagem e semelhança, podemos descartar?]

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

A castração não é o gume que corta os pés do mal para que deixe de caminhar. O projeto é tanto incoerente que propõem voluntariedade do transgressor: considerando a fragilidade da nossa construção social de masculinidade, só consigo pensar em "o voluntário involuntário".
As medidas correcionais devem funcionar segundo a sociedade qual será aplicada, e não apropriar-se de leis estrangeiras considerando que estas são onipresentemente eficaz.

Deve-se pensar em anticonceptivos e não em "pilulas do dia seguinte". Mas para tal, é necessário que isto seja feito a partir da perspectiva do sujeito vitima, ou seja, mulheres precisam ser eleitas, para pensarem políticas feministas - que também tenha como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente.

Não se pensa solução sem antes pensar prevenção. Deve-se viabilizar mecanismos que invistam em educação progressivamente efetiva, pois enquanto for precária ou nula, terão que continuar alimentando os sistemas de repressão e punição, os quais dissecam e consomem "corpos vazios e sem ética".
Educação de qualidade, não significa que pessoas violentas deixarão de agir, mas reduzirá a propensão para corrupção ao ensinarmos às nossas crianças como serem íntegras e mais próximas da irrepreensibilidade social.

E nós, individualmente perceptores de sentidos e socialmente lúcidos, cuidemos de nossa estabilidade psicológica - o que tem sido luta íngreme - para que juntos e com firmeza, não deixemos sucumbir a consciência social em nome da justiça [revolucionária].

 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Indivisíveis!

sábado, 25 de agosto de 2018 Nenhum comentário
O mal não pode te alcançar ou decerto chegará tarde, depois que tiveres imune. Fé para isso, eu tenho. Para isso, eu tenho. Indivisíveis: tu e minha oração.

Culpados demais para sermos bons...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018 Nenhum comentário
A culpa - tratando aqui, tocante a psique -  é a frustração que nasce da ânsia que temos em sermos perfeitos/em nos sentirmos completos, mas que por alguma(s) circunstancia(s), não conseguimos alcançar esse modelo imposto - imposição essa, que pode ser de nós para nós, ou de outrem para nós.

Essa construção do pensamento de que fizemos algo errado/que deixamos de fazer algo que poderíamos ter feito/que algo fizemos foi prejudicial à alguém, resulta nesse sentimento.
De imediato e por tempo indeterminado, nos punimos de formas cruéis, como: nos privamos/abstemos das ações que gostamos, exercemos auto pressão psicológica, confessamos e nos penalizamos como arrependimento em troca de absolvição divina...

Consequentemente, a culpa nos provoca percepção de insignificância, como se fossemos tão inúteis que nada sabemos fazer de modo eficaz. Ou ainda, importantes demais, ao nos indiciar como delituosos em vidas alheias. Importantes demais, porque de fato, não temos poder efetivo no outro, somente se o mesmo permitir, contudo, esse é um dos efeitos maléficos duma relação abusiva.

"Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida...", temos que lutar pela nossa recomposição. Se a verdade nos liberta, a batalha repressiva contra nós está edificada na mentira.

Compreendamos a raiz do sentimento, peçamos perdão; perdoemos-nos; aceitemos o problema, pois não podemos ter controle sobre tudo; tentemos não repetir outra vez... E claro, ao ponto, busquemos por um profissional.
Sejamos auto empáticos, como seríamos com nossos queridos!

Reabilitemos-nos, sem penalização.


 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Afro cristãos brasileiros sofrem amnésia histórica?

domingo, 12 de agosto de 2018 2 comentários
CATOLICISMO E EVANGELIZAÇÃO
No inicio dos últimos cinco seculos, houveram projetos de evangelização, sob olhos colonizadores. O Império concedia poder para a Igreja, que por sua vez tinha poder influenciador na vida politica do país.
A posição da Igreja em relação aos escravizados era de consenso com a opressão, pois não os acolhiam, uma vez que vigorava uma união exploradora com colonizadores.
As propostas evangelizadoras não tinham como interesse a emancipação dos escravos. Os negros não eram aceitos e não lhes eram assegurados o direito de exercer a fé em sua própria religião: assistiam "do lado de fora" ou praticavam sincretismo.
(Mas antes mesmo de grande parte da Europa, o cristianismo se difundiu na Etiópia (no Império de Axum), conclui-se que, posteriormente, os negros não se apropriaram da fé do opressor).

A INSTALAÇÃO DO PROTESTANTISMO NO PAÍS E SUA [NÃO]PREOCUPAÇÃO COM A ESCRAVIDÃO
No século XIX, uma nova vertente do cristianismo, a Igreja Reformada se instala definitivamente no Brasil. 

No inicio não foi tarefa fácil, sofreu rejeição, expulsão, perseguição e conflitos de interesses constantes entre católicos e protestantes.

O Protestantismo chega com a proposta de renascimento, inclusão e [re-]humanização, também aos imigrantes: um Deus que não abraça tão somente a burguesia capitalista. Seria esse o inicio do progresso, do reconhecimento e da atribuição de dignidade humana aos oprimidos? O inicio da emancipacão?

Os missionários em sua maioria eram norte-americanos. Seus principais ideais eram a separação entre a Igreja e o Estado; promover a educação, a democracia e a liberdade de pensamento. Se identificavam como Liberalistas.
Porém, além de instruírem os novos convertidos a libertarem seu súditos, não concretizaram ações que de fato mudaram a ordem social estabelecida. Outros agentes missionários ainda, usaram de mão-de-obra escrava para se instalarem no sudeste brasileiro.

A grosso modo, só concordaram e assumiram posições mais brandas e contrárias ao sistema governamental escravocrata, quando o mesmo foi abolido - mas há muito a ser lido sobre as posições declaradas e individuais, das diversas igrejas protestantes.

À MARGEM SOCIAL, NUM NÃO LUGAR
Contudo, o movimento cristão - de modo geral -, foi seletivamente acolhedor e comungou com a escravidão - houve consenso ao não ser anti-escravista. Não promoveu o discurso e ações emancipacionistas efetivas.

O Protestantismo correspondia com os interesses da classe dominante - os senhores de terras/senhores de escravos. Isso era claramente visível nos veículos impressos - de autoria dos missionários protestantes -, por exemplo, o povo negro não era contemplado como agente de mudança histórico-social - mas sim quem antes o detinha: os senhores.
Nesse momento - após a abolição - a visão que se tinha é de que o povo negro deveria ser "resgatado, regenerado e educado", segundo os princípios morais protestantes e então só assim este se tornaria humilde e distante da rebeldia (raiva), para que pudesse se tornar produtivo e ativamente saudável na práxis: o caminho que leva a sociedade a liberdade.

Desprendido de seus senhores e teoricamente livres, os negros se perceberam num não lugar, instalados numa sociedade com bases racistas, sem infraestrutura ou oportunidades de trabalhos para se edificarem - sozinhos - como humano.

A FÉ QUE LIBERTA: CONTRA TODA OPRESSÃO
Um pulo - com pernas grandes - aos dias atuais, para compreender de forma coesa a presença negra num espaço considerado racista - pós conhecimento da participação dessa fé, num sistema escravocrata.

A leitura do livro sagrado, a Bíblia, desde o princípio foi feita a partir do olhar eurocêntrico, sexista, classista...
Para o começo de uma fé libertadora, é preciso que a hermenêutica seja apropriada a partir da perspectiva e história de quem a lê - por exemplo, quando os negros, a classe dominada, as minorias tornam sujeitos que reinterpretam e conduzem o sentido da leitura é diferente de como o cristão-fascista a faz.
Não há leitura neutra e absoluta e com isso é possível [re]conhecer o Evangelho, que é de fato acolhedor, abundante em amor.

"É importante ressaltar que, em momento algum, a Bíblia foi neutra diante da escravidão, antes serviu como “ferro em brasa” e “algemas” que aprisionavam negras e negros no “doce inferno” do engenho de açúcar." (...) "foi usada não apenas para legitimar a escravidão, mas também para amaldiçoar o povo negro, através de sua interpretação repleta de etnocentrismo"(ref. 1)

A Teologia Negra (Teologia da Libertação) - surgiu entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, sob a liderança de Martin Luther King - nasce da discriminação vivida e designa a libertação do "pecado social que marginaliza e escraviza".

"...Ela se concentra na reflexão teológica sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther King Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade dominada pelos brancos. (...) Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo de oprimidos..." (ref. 9)

O povo negro cristão, reconhece o Evangelho como potencial libertador, trazido por Jesus Cristo, Aquele que foi penalizado com morte por sustentar seus princípios de justiça.
A divida histórico-social com os negros, não deve ser atribuída a Deus e seus ensinamentos. Iniciou-se com a leitura e [não]ações intencionalmente violentas pregada pelo Estado-Igreja, para legitimar seus interesses.

Pelas vezes que puseram sob analise a sanidade negra e a atribuíram incapacidade coerencial, quando este sujeito se afirma cristão: não há amnesia histórica. É preciso reinterpretar as escrituras - pela perspectiva do oprimido - e a representação de Jesus:
"Aquele que condenou o acúmulo de riquezas; andou com os pobres; anunciou a partilha dos bens; disse quera preciso escolher entre o amor a Deus ou ao dinheiro; impediu processos de execução; não estimulou a violência; acolheu as pessoas humilhadas pelos preconceitos culturais e religiosos; confrontou as estruturas de poder..." (...) "precisamos abraçar a causa da justiça econômica; do respeito à diversidade; da critica ao poder; do grito dos oprimidos."(ref. 2)
"Liberto e livre, ninguém aqui é incapaz,
Viver bem com a consciência Plantando a semente da paz
Ajudar ao próximo mais do que você pode
Sei que és forte, corajoso, não mede esforços,
A força divina não vai lhe abandonar,
O despertar do amanhecer é uma nova conquista,
De quem não se entregou e para aquele que acredita,
Injustiça não há nas mãos de Deus,
Se apegue a ele...
" (Se tu lutas, tu conquistas", Somos Nós a Justiça) 
Prevaleçam o Amor e a Caridade. Permaneçam a lucidez, a participação social, a promoção da dignidade da vida, o movimento progressista... que Teus passos sejam seguidos.
A Tua imagem e semelhança: um Jesus que abraça a diversidade e desmonta o etnocentrismo.
_
Indicação:
a. "Não existe leitura neutra da Bíblia", Ronilso Pacheco. <link>

Referencias bibliográficas:
1. "Hermenêutica Negra Feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6"., Cleusa Caldeira. <link>
2. "Jesus era de esquerda?", Henrique Vieira. <link>
3. "Como a Igreja Católica tratou negros e negras nestes 507 anos?", David Raimundo dos Santos. <link>
4. "'Negro não entra na igreja: espia da banda de fora' - protestantismo e escravidão no Brasil Império", Márcia Leitão Pinheiro (resenha do livro). <link>
5. "500 anos do Protestantismo e escravidão no Brasil", Hernani Francisco da Silva (para Afrokut). <link>
6. "As igrejas coptas da Etiópia: Em busca das raízes cristãs", Marcello Lorrai. <link
7. "Afro Cristianismo no Brasil", Marco Antonio Sá. <link>
8. "O Protestantismo no Brasil", Alderi Souza de Matos. <link>
9. "A Teologia Negra: Uma introdução", Filipe Dunaway. <link>


 esta soy yo!Eli Belizário
Cristã, afrofeminista
sábado, 4 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Tua meia palavra dita,
farta-me a dúvida.
Tal como a Lua quando não se mostra inteira,
no entanto, todos sabem que é noite.

Autossuficiência - Um eu pra chamar de meu

Nenhum comentário
As distorções sociais e os padrões do que é belo tem base na construção de visão eurocêntrica. É quase inevitável que nós, cresçamos não gostando o bastante do que vemos, uma vez que o que vemos não é considerado belo.

Há mais de 4 anos, eu decidi que as amizades masculinas eram menos violentas comigo. Quando cheguei no ensino técnico, eu tinha uma amiga, que veio comigo dos dois últimos anos do ensino intermediário.
Eramos nós duas. Mais tarde, eramos nos duas e quatro meninos. E depois, eramos eu e mais quatro meninos e foi assim até o término.

A época, pra mim era vantajoso ter amizades masculinas ao invés de femininas. O meu pensamento era o seguinte: 
  1. Eu não estou a altura dessas meninas, logo, elas não vão querer andar comigo;
  2. Os meninos são menos exigentes;
  3. As namoradas desses meninos nunca terão problema comigo - porque eu não sou mais bonita do que elas.


Eu tinha 17 anos. Quem tem esse pensamento à beira de se tornar adulta? Pessoa que se sente submissa a alguma coisa - no meu caso, o não conhecimento de tudo que era.

Esse período, foi justamente quando fiz o tal grande corte (big chop).
Meus amigos homens nunca questionaram, talvez não teria sido assim com as meninas, ou talvez aqueles meninos não tiveram coragem suficientemente para me questionar, ou talvez ainda, aquilo fora irrelevante para eles. Mas eu desconfio que em algum momento, longe de mim, certeza que eles conversaram sobre isso.

Naquele tempo, eu nem imaginava o que podia ser a independência emocional. Eu alimentava o mal que me consumia. Eu acreditava que as pessoas viam em mim, o que eu também via em mim. Acreditava que eu era difícil de ser amada e que deveria buscar estar perto de quem me engolia sem cara feia - e por dentro, eu os agradecia por isso.

Mas agora, é importante que a gente trabalhe no desenvolvimento dessa autonomia. Não há nenhuma bondade com nós ao nos reduzirmos.
A nossa relação com nós, deve ser simultânea a qualquer outra relação. Porque, quando a gente precisa de forças pra continuar, é só nós mesmos que nós temos. A felicidade e o amor, estes, precisamos construir dentro de nós, pra não precisarmos depender disso vindo outro.

Quando a alma sangra a gente precisa pedir socorro. É difícil se reconstruir diante da rejeição vinda da rotulação de inadequação social. E essa rejeição não pode nos transferir a culpa, porque o não querer/a rejeição não depende de nós, isso também é proveniente de quem faz essa escolha - "se o racismo não me acha bonita e importante, o causador desse problema não sou eu".

E não importa em qual lentidão isso aconteça, progresso é progresso.
E depois que a gente conquista essa autossuficiência, o negocio é perseverar. Perseverar pra não cair na tentação do regresso.

(Esse texto é quase que uma réplica integra do meu último vídeo)

Carta introdutória Àquele que não gerei

segunda-feira, 30 de julho de 2018 Nenhum comentário
Eu sonhei com você. Sonhei com o dia que eu descobriria sobre seu interesse em confiar em mim. Sonhei com minha barriga tão redonda e calorosa quanto o Sol. Sonhei preparar a sua chegada, com meus seios fartos.

Eu acreditei em mim. Acreditei que nasci para ser tua mãe. Acreditei que meus braços ficariam macios e minhas mãos se tornariam mais firmes do que agora. Eu acreditei que você teria um pai, muito melhor que a mim.  Acreditei.

Eu pensei que seria uma mãe com sorte. 

Então lembrei de todas as vezes que de algum modo me fizeram sentir indigna da vida e acreditei. 

E então eu decidi. Eu não decidi só, as estatísticas, as ações negativas, as instituições... Eu decidi não gerar você porque dói demais não ser reconhecido como humano. Decidi que o mundo é indigno de você, na mesma quantidade que é indigno de mim - porque não pode ser o contrário.

As minhas preces - isso, quando eu consigo - agora são por você.
Desaprendi te desejar. Desaprendi porque teu rio de lágrimas não poderia desaguar em mim. Há tempo transbordo - e você, afogaria?.
_
Escrevo ao filho que não terei. Ao fim do todo, espero que perceba que não sou suficientemente egoísta.

O medo não é segredo

Nenhum comentário
Ouço gritos. Parecem clamar o apocalipse. O meu apocalipse.

O medo não é de partir (a partida, sem esforço e com belas histórias, aos poucos me conquista). 
O medo, é partir sem sentir o calor da justiça. Não haveria injustiça mais doída que essa.

Acreditar e confiar...

terça-feira, 24 de julho de 2018 Nenhum comentário
De esperança enrijeceu o que era maleável. O que antes era carne, se fez rocha.
Talvez um cão lamba na esquina, um menino infeliz chute depois de perder a partida, o varredor colha para dentro da sacola - mas, quem bate contra, corre o risco da dor, vassoura velha tem cerdas distantes...
Talvez nada disso aconteça, até que algo aconteça.
Quem vê o lado de fora, sentencia a morte, mas o lado de dentro ainda respira.
_
Quem é que escolhe esperar, se o desejo-necessidade é para imediato?
A fé enfraquece, mas não morre. O coração desacelera mas ainda dilacera. A mente cansa, mas está ardente. 
Peso morto, aparentemente; a vida do corpo, latente. Mas a alma, fértil.
_
O culpado é quem deve reparar a desgraça. Não o Cristo. Descobri só.
Mas consentimos em sermos amigos. Amigos-amantes.
Amigo não exige nosso silêncio. Ouve e advoga, pelo poder e compaixão que tem e nós não temos.
Só precisamos acreditar no que pedimos.
_
Se somos dignos? Suficientemente merecedores. Suficientemente merecedores.

Goela rasa

sábado, 21 de julho de 2018 Nenhum comentário
Engoliu outro copo amargo e raspou a língua contra os dentes com muito esforço - parecia espessa o suficiente para não caber dentro da boca. 
Se lavou, o mais rápido que pudera e se pôs a dormir. 
E de dentro dele, se ouvia um barulho que batia contra as janelas do quarto e voltava como eco. Era ronco, um conjunto deles. 
Mas o sono parecia se atrasar naquela noite e o barulho nascia no estômago.
E no meio do atraso, levantou repentinamente, caminhou descalço e  tão depressa, que no andar abaixo se podia ouvir o batuque nos pisos.
Pôs pra fora o jantar e a embriaguez da crença nas convicções alheias. E foi a última vez.
Olhou dentro dos olhos do reflexo na água, que lhe murmuraram sobre deixar de engolir tudo que lhe era servido.
- "Fármaco pra suportar as surras, adoece a mente!"
Na bula, tudo é escrito com técnica pra não entender que o efeito consequente é a submissão.
Manipulação.
Daquela noite em diante: "Goela rasa!". O que não consente melhora, volta pra fora noutro instante.

O feminismo negro é necessário?

Nenhum comentário



INDICAÇÃO DE LEITURA: "QUEM TEM MEDO DO FEMINISMO NEGRO?"


Autora: DJAMILA RIBEIRO
Título original: QUEM TEM MEDO DO FEMINISMO NEGRO?
Páginas: 152

Lançamento: 08/06/2018

Selo: Companhia das Letras

A obra se inicia com uma autobiografia, onde a filosofa resgata sua relação dolorosa com o racismo na infância e na adolescência.
Ainda na adolescência, ela começa a trabalhar Casa de Cultura da Mulher Negra, lugar onde ela tem contato com mulheres negras escritoras, que a encorajam a ter orgulho de si mesmo e sua ancestralidade. Nesse momento ela também sente-se empoderada para sair da invisibilidade.

No conteúdo seguinte da obra, encontra-se uma coletânea de textos da autora publicadas no blog da Carta Capital ao longo dos anos. Esses texto são insurgências às ações raciais, de gênero e de classe, recorrentes nos dias das pessoas negras, tais como: violência, saúde, racismo, objetificação do corpo, descaso das vidas sob a omissão do Estado, processo de humanização, decorrente do mito da democracia racial, mito da mulher moderna, empoderamento feminino e outros.

(E quem é que tem medo? Quem reconhece que usufrui mais direitos, em detrimento de outros grupos - superexploração -, e teme perde-los)

a me perder de vista

segunda-feira, 16 de julho de 2018 Nenhum comentário
teus olhos,
teus olhos não podem reduzir minha cor a da poça de lama
enquanto desejas me sentir à pele
teus olhos,
teus olhos não podem cobrir minha imensidão
ficaram pequenos,
pequenos demais
o que vês,
são só partes de mim
o que não conheces,
não podes amar.

Por quê mulheres negras são raivosas?

sábado, 14 de julho de 2018 Nenhum comentário
Epa! Ao que parece, agora vai!
Esse nosso canal queridão nasceu em 2012. Em 2014 inaugurou teu primeiro vídeo - que hoje, nem rastro existe mais.
Entre oscilações da minha determinação, agora ao que indica, se estabilizou e com promessa de conteúdo, todo sábado - vamo ver!.

Ao assunto, vamos ter uma conversinha sobre a agressividade na fala das mulheres negras. É só apertar esse botãozinho bonito logo abaixo!


  • Ao dizer que "o individuo que tem a voz ouvida, "passa a ter um compromisso politico" em empoderar outros que estão sujeitos às mesmas violações que este", existe uma importância para alem disso, é preciso também que antes o individuo tenha um compromisso ético.
  • Empoderamento, além de levar o conhecimento para o máximo de indivíduos possíveis através de ações coletivas, é também oferecer condições mais equânimes possíveis, a partir do que lhe é possível. O importante é a construção coletiva.
  • "Assisti o vídeo, gostei bastante da abordagem, ela é necessária. Vou colocar um ponto que eu, bem particularmente, acho que colabora para essa visão de mulher-negra-raivosa, a questão é que sempre estamos sozinhas. Quando, na internet, por exemplo, alguém comete um ato, uma fala racista, a IMENSA GRANDE maioria das pessoas negras que debatem, discutem e fazem "textão" explicativo dando a cara a tapa, somos nós, mulheres. Os homens, mesmo os parceiros, quando conscientes, se omitem muito ainda. Muito mesmo! Portanto é fácil chamar de raivoso quem se expõe." (excelentíssima colocação, de Taynara, no Facebook)
  • Indicação e referência: Os usos da raiva - Mulheres respondendo ao racismo, de Audre Lorde

A neutralidade não promove mudança!
Espero que goste!

Vamos por a boca no trombone!

domingo, 8 de julho de 2018 Nenhum comentário

A expressão "por a boca no trombone", tem o significado de "denúncia, grito; não vou me calar". Sou cheia dessas breguices do interior e achei adequado ao tema.

O que eu pretendo provocar com esse video é a reflexão sobre "Quem não ouve, silencia!". 
Quando afirmo esse pensamento, não digo que se você não assistir o que eu disse, você  estará me silenciando - considerando uma análise superficial. O silenciamento é um processo construído, que tem inicio no nascimento - é o que tentei explicar.

Apesar da ingenuidade comunicativa; do desconhecimento dos recursos tecnológicos, sinto felicidade em compartilhar com você esse material.
A partir do lirismo, me espus em prol do coletivo.

Por fim, espero paciência e compreensão. Não juro, mas tentarei melhorar em tudo nos próximos, se houverem. 

Te espero!
Até aqui, obrigada! 😊

A sublimidade contra a espetacularização

terça-feira, 3 de julho de 2018 Nenhum comentário
"Aonde quer que você vá, /O que quer que você faça, /Estarei bem aqui esperando por você"

O uso da letra citada é um exemplo de como age o racismo sobre o corpo negro (composição de Richard Marx, que relata uma declaração de amor romântico, que não vem ao caso).

Com as bolhas que não param de explodir, é impossível silenciar o debate quanto a objetificação da mulher. Portanto, ainda é necessário fazer um outro recorte e esclarecer sobre quais mulheres estamos falando.

Como bem dito por Djamila Ribeiro, as mulheres - brancas e negras -, só compartilham da mesma luta, contra o sexismo (machismo e misoginia). Mulheres não brancas, ainda precisam lutar contra o racismo, porque ainda que oprimidas, as mulheres brancas fazem parte da parte que sempre esteve em ascensão social.

Recentemente, o cantor Mc Lan, disse num vídeo no youtube que "tem fetiche por negras", referindo-se a cantora Ludmilla. Fetiche - resumidamente - é um objeto ou parte do corpo que promove excitação sexual - conotação qual aparentemente foi intencionada do cantor. Não é surpreendente, dito por um homem que conscientemente disse que "se ficasse com homens", seu crush seria o Johnny Depp "por se parecerem nas loucuras", este que foi denunciado por violência pela ex cônjuge (Johnny, foi dos meus favoritos no passado - ironicamente, fora do campo artístico).

Quanto respeito merece um corpo feminino?
Mas este é só mais um fato.

O corpo negro, sempre foi transformado em espetáculo. Homem também sofre objetificação, com apelidos e adjetivos que conhecemos.

Aos homens e às mulheres, sempre precede alguma definição. Enquanto o corpo branco [rosado], sempre foi sublime dos pés à cabeça.

Não somos descartáveis.

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

Colateralismo

quarta-feira, 27 de junho de 2018 Nenhum comentário
A gordura sobre os meus músculos são supra, se não posso repousar a minha própria cabeça. 

Nunca pude.

Quem dirá que pode enxergar no escuro? Minha pele é tanto preta que oculta todas as emoções. 

Ninguém vê.

Se minha casa falasse Ed.3 - Cozinha alternativa (pequena)

Nenhum comentário
✅Se você ainda não leu a edição anterior, clique no título seguinte: "Organização/mudança simples para dormitório médio".

Conhecendo a planta:
  • As paredes possuem 3,20 m e 3,10 m lineares, totalizando 9,92 m quadrados;
  • Porta convencional, com 0,82 m livre para circulação e vidro fixo para iluminação;
  • As circulações são: bancada-mesa, aproximadamente 1,01 m /bancada-barril, aproximadamente 0,71 m /refrigerador-mesa, aproximadamente 1,04 m.

  = sala de estar

A proposta apresentada, possui alternativas, sendo na primeira a demolição da parede divisa da cozinha, somente se o comodo ao lado for de uso social (sala de estar); na segunda, pode ser removida a parede parcialmente, deixando uma parte na altura de mureta e na terceira, a parede pode continuar intacta, se por exemplo, ao lado da cozinha possuir um como de uso intimo (dormitório, ou mesmo de uso social, como o banheiro e outros).


Cozinha vista da sala
= parede à demolir

🚨 QUANDO HOUVER PAREDE À DEMOLIR: Certificar-se de que a mesma não possui função estrutural; não alcançar a verga da abertura (porta) e cinta de amarração da alvenaria.

Os eletrodomésticos são contemporâneos; a composição das cores, os quadros, luminárias, azulejo e cadeiras são retrô e a bancada com o suporte (como armário aéreo) pertencem ao modernismo.
A concepção dessa mistura, surge da intenção de usar/aplicar o que está ao alcance, o que permite que não necessariamente você siga essa linha a risca (mistura dos momentos).



O vidro fixado acima da porta, possui distancia de 0,20 m acima da porta e abaixo da laje - no minimo, pois existe verga e cinta de amarração. O mesmo possui princípios industriais, com esquadria marcante, em alumínio ou aço, na cor preta. Nessa posição contribui para aproveitamento de área de parede da bancada, o que é favorável, considerando o tamanho da cozinha. Este também pode possuir aberturas maxim-ar, proporcionando melhor conforto térmico com a evasão do ar mais quente.
🚨 QUANTO A ABERTURA EM EDIFICAÇÕES EXISTENTES: Certificar-se de que no local não possui instalações elétricas e/ou hidráulicas. Se houver, a abertura pode ser menor ou então abolida - mantendo a existente. 

O barril foi indicado como 'mesa' de apoio - com aplicação de tecido ou adesivo autocolante no tampo -, consequentemente, não obrigatório, dependendo de sua necessidade. 



O painel decorativo possui a mesma largura da mesa, 0,80 m. Ao fundo, pintura na cor concreto, podendo ser somente cinza com sobreposição de quadros criativos que podem ser impressos e aplicados em molduras que facilmente se encontra em lojas de utilidades domésticas (objetos de R$2,00 ou pouco mais), porém, se decidir comprar, apoie/priorize o trabalho independente/pequenas empresas dos amigos.
A proposta da lousa, possui inúmeras [f]utilidades: lembretes, mensagens carinhosas, baboseiras..



O suporte (como armário aéreo), foi confeccionado em aço com prateleiras de MDF e 'nicho' de caixote de frutas. O mesmo comporta também o microondas.




A mesa foi confeccionada em MDF em sua cor natural, com estrutura de aço.


Para os intimistas vegetais - ou paisagista fundo de quintal, como eu -, caminhe por um jardim digital para escolher um amigo que viva sem danos no ambiente desejado.






Onde encontrar e como produzir materiais/produtos aplicados:


Me conte o que achou?!!! Quais suas contra-propostas?

_
Notinhas:
1. Declaro que não farei nenhum serviço que isente a busca pelo profissional de arquitetura;
2. Esse ante-projeto (estudo) foi todo elaborado por mim, com suporte dos softwares SketchUp e V-ray;
3. Loja e blog/site indicados não possuem nenhuma parceria com o Cubo.

Meio a meio

quarta-feira, 20 de junho de 2018 Nenhum comentário

Quando choras, 
de mim também borbotam lágrimas. 

(Pra amiudar, dividamos, que não dou licença pro sufoco. Dividamos, que eu aprendi digerir depressa.)

!

sábado, 16 de junho de 2018 Nenhum comentário
Não há tombo que te trinque,
que não provoque também minha dor!

Autocuidado ♡

sábado, 9 de junho de 2018 Nenhum comentário
As palavras que cruzam contra a minha boca não são sábias, mas tu sabes bem para onde direcioná-las. Enquanto em minha língua permanecer o calor, queimarei as suas feridas. 

2. Equivocanálise: "Orgia"

quinta-feira, 7 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quem se atreverá beber de mim?
Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
Ou outro a pôr em risco o juízo?
Um velho que me agitará entre os dentes?
Ou outro frenético aos goles imprudentes?
Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

-
Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Sangue do sangue do sangue

terça-feira, 5 de junho de 2018 Nenhum comentário
Meu avô casou com a prima, que é minha vó, esposa e prima. O irmão do meu avô casou com a prima, que é prima e cunhada do meu avô. O primo do meu avô casou com a irmã do meu avô, que é primo e cunhado do meu avô. Meu pai e meus tios são sangue do sangue. Eu, meus irmãos e meus primos somos sangue do sangue do sangue.

Minha avó conta que "muitos homens brancos a queria" - cof! -, mas se casou com meu avô: trabalhador rural, pobre e preto.

Seria a época de mulheres pretas agorafóbicas, que os homens da família, por caridade, tiveram que casar-se com elas?

Meu avô era um homem de sangue bom que não valia menos que qual fosse o homem branco.

Brasil republicano-ex-monárquico, a terra que enriqueceu barões cafeicultores - fruto originário da Etiópia - com mão de obra escrava africana.

Mas, moça com pele cor-de-café torrado não é bonita. Moço com pele cor-de-café torrado não é bom.

Gente preta é preterida desde o pretérito.

Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

-
Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção)O começo da perenidade se parece finitude 
 
Desenvolvido por Michelly Melo.