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atividade extemporânea

31 outubro, 2017


(disse que lançou indiretas ao vento:

"- Liberdade não é uma das filosofias do sentir?"

quem dera tivessem me alcançado a tempo
e tocado mais pro-fundo.

chegaram!
perdidamente frias e desfiguradas.)

emancipação em massa

29 outubro, 2017

doo sem doer e esperar

sanidade intensa e no lugar

ausência de ordem absoluta, cada um onde queira estar

sinto tanto, que dilata,
as trancas se fragmentam

enquanto respirar, arderei sem queimar

emanciparei sentimentos,
em massa.

"Minha beleza acaba quando começa a da outra!"

17 outubro, 2017

Até recentemente, minha beleza não acabava quando a da outra começava, porque, se quer havia beleza em mim. 

Lastimavelmente, durante a infância e adolescência, compensei a ausência disso no desenvolvimento escolar. Era nota quase sempre A. As outras, no auge das meninices, aproveitando tal, faziam sucesso entre os meninos. Eu nunca senti vontade disso. A maioria das minhas amizades eram meninos, oportunidade essa, que só foi possível graças a minha aparência. Falávamos das meninas de seus interesses e outras coisas meio masculinas. Adorava ficar no anonimato, me escondendo das pops, não estava a altura para acompanhá-las (e já ouvi isso, de forma 'menos' violenta). 

Ninguém se relaciona amorosamente com alguém que não acha bonito. Se eu me achava feia, não havia algum sentimento afetivo por mim mesma. É normal estarmos condicioados a gostar do que o padrão impõe através dos diversos veículos (não, não é normal e o conformismo é doença).

Considero violento, o ato de se comparar com a outra; aliás, um dos mais devastadores. Não se ver em sua imagem, é perigoso. Exterminar o amor que deveria sentir por si, é perigoso.

Uma vez, ouvi uma moça dizer que não se sentia bonita todas as vezes que se via no espelho. As vezes acontece, mas não pode permitir, se isto está sendo influenciado por terceiros.

Hora ou outra, me sinto bela, depois não mais. Algumas vezes porque queria ser como alguma específica, outras, porque queria ter menos disso e mais daquilo. Ainda estou em processo de auto reconhecimento. Me esquivei do auto conhecimento antes, mas hoje não fujo, é mais que necessário. Tenho me moldado conforme sinto necessidade e graças a Deus, nada está sendo tão brusco. 

Ninguém pode te dizer que não é bela, mas dizem. O mercado lucra com a não aceitação alheia. Para o capital, sua beleza não é bem-vinda, quanto maior sua insatisfação, mais gigante ele se sente. Enquanto ele puder te destruir, assim fará.

A minha e a sua beleza, não acabam quando a da outra começa, podemos ser belas no mesmo momento. A Terra dá um jeitinho de comportar tamanha plenitude. 
Você pode ser bonita como você.
Demorei, mas descobri quase sozinha (a afirmação que quase sempre me define). É processo e se precisar de apoio externo para isso, busque um profissional específico, não é vergonhoso.

Dizem que o amor é cego, prefiro discordar. Ele enxerga e além. Quando você se ama primeiro, não há beleza alheia que te intimide, ainda que fique boquiaberta com a beleza da outra. Se amar é uma das expressões mais belas que há. É quando você assume a importância da vida. 

Desejo que ao acordar, você consiga dizer ao padrão e a cobrança excessiva: "Hoje não!"

resposta negativa

16 outubro, 2017

eu que dispus aos teus desejos, renunciei ao primeiro:

"- leve-me ao fim do mundo!"

seria um desbarato, pular ao fim vida e ter que te amar depressa.

tu, caça

03 outubro, 2017

desejaria não escrever mais sobre o amor,
só de amor não se vive a vida.

também existe vida fora do amor.

sem amor, não!

enquanto o brado, bravamente
há outras lutas, a todo vapor.

teoricamente,
amar é minha luta. 

incerta.

praticante, só um louco cativo
que bate em mim e diz que é por amor.

na guerrilha pela posse desse coração
não existe o dia do caçador...