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[continuação...] Eu, vitimismo: Capítulo III - Enésimas ressuscitações

quarta-feira, 6 de setembro de 2017


✅ Leia a primeira parte aqui.
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Que a vida é um desafio, não existe dúvida. 

A liberdade é astuta. Não pode ser mulher e preta e andar tranquilamente pelas vias públicas,  a menos que você queira ser fotografada - sem consentimento - no terminal rodoviário para ser objeto de humor. Acontece. Hoje foi um desses dias. Negar o feito, é praxe deles. O período noturno é inimigo de milhares de mulheres. Em tudo, há maldade. Para mim - e outras milhares -, nenhum período é amigo. O diurno, promove uma exposição indesejada; o noturno, é intimidador, tão astuto quanto a falsa liberdade. Apresentar o rosto na rua é sempre uma resistência.

QUINHENTOS E DEZESSETE ANOS DE BRASIL. Quase nada mudou. Preto oprimido é cultural. "Barato é loco" - como diz Os Racionais.

Não é possível reproduzir maldade por ingenuidade. 

Numa avaliação semestral elaborada pelo grupo de docentes da faculdade que estudo, tem uma questão que me incomodou. Diz-se que "as pessoas não percebem quando estão sendo racistas". Triste, uma instituição com esse pensamento. Isentar-se da culpa é das maiores covardias. Se o individuo está sendo racista, ninguém melhor que ele, está ciente disto. 

Como é que se pode atingir com tamanha vontade - sem sentir culpa -, alguém que está quase sucumbido por todo o tipo de violência diária?

Quase todos os dias, para não parecer fracassada fisicamente, pouso os fones nas curvas dos ouvidos e solicito que inicie, 'A vida é desafio'.

Não posso esquecer que preciso ser duas vezes melhor
O sofrimento só serve para alimentar a minha coragem
Tenho que acreditar
"A causa é legitima:
Justiça e Liberdade"

Essa é a minha rotina de sobrevivência. Devo dormir e acordar pronta pra guerra - e não importa se tenho preparo ou não.

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