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Se não eu, quem te fará feliz?

domingo, 26 de março de 2017

(egoísta! / via)

Tenho conhecido algumas músicas  que consistem em letras com conteúdo abusivos, fantasiadas de amor, paixão e ciúme carinhoso.
A grande maioria trata-se da história de um antigo relacionamento, onde uma das partes (90% dos casos, a mulher) se ausentou/rompeu o mesmo. Ou então, conta a história de alguma mulher que o homem está afim de 'possuí-la' e fará o não possível para 'adquirir' a mesma.

Os gêneros são variáveis (sertanejo universitário, rock/pop nacional...) e possuem afirmações tais como: "nem ele nem eu", "ele quer ser eu mas não é", "proibida pra mim no way", "se não eu, quem vai fazer você feliz?", "já tô namorando antes de você aceitar, já te assumi""vim acabar com essa sua vidinha de balada /vai namorar comigo, sim! /se reclamar, cê vai casar também/ seu coração é meu", "tem uma câmera no canto do seu quarto /um gravador de som dentro do carro /e não me leve a mal se eu destravar seu celular com sua digital"...

O 'síndrome de possessão' vai além de (apenas) egoísmo. Quando se faz presente, uma das partes fica a mercê do transtorno emocional, e consequentemente o relacionamento se fragiliza. Entra em jogo a ausência de respeito e empatia pelo sentimento e vida alheia, dois dos princípios indispensáveis para uma relação saudável. Isso, quando se trata de uma relação palpável, pois por mais problemático (e nojento) que seja, existem pessoas que agem da mesma forma antes mesmo de estar numa relação existente. Isto é preocupante.

Um dos pensamentos mais errôneos quando se rompe uma relação é de que nenhuma outra pessoa no mundo será capaz de 'fazer feliz' @ antig@ parceir@. Para estar numa relação, antes as partes devem estar felizes e plenas consigo (embora pareça clichê).
Recomeços e segundas chances são consequências vitais inevitáveis e necessárias, ainda que dolorosas. E no principio sempre parecerão não possíveis e inadaptáveis, mas a resistência e paciência contínuas, são essenciais para o sucesso progressivo.

Ninguém se apaixona forçosamente! Ninguém é propriedade privada e o sentimento deve ser reciproco. Emancipar quem não se sente bem contigo, não é prejuízo. Pratique compreensão, amor e empatia com quem você diz amar.

Amar dói

segunda-feira, 13 de março de 2017

Estamos acostumados a ouvir os outros dizerem que o amor dói, que de alguma forma o mesmo deixa resquícios e traumas ou que toda relação leva consigo dor e prazer, tratam isso como normal/consequência inevitável. Os poetas pioneiros dizem isto, palavras estas que não somos capazes de apagá-las, a matéria corporal se foi mas a grafia impressa na celulose não se apaga de nossas mentes. Os cantores do inicio dos tempos declamam isto, melodias que impregnam em nossas mentes mortais.

Hoje, o status quo de minha alma é de intenso aprendizado e conhecimento, o que me permite refletir sobre parte da influencia do amor em nossas vidas. Tenho visto pessoas dizendo que "o amor não dói e que se está doendo não é amor". Isto tem uma amplitude gigantesca e tratando-se de agressões físicas e psicológicas contra uma das partes num relacionamento, estou em pleno acordo à afirmação anterior.

O que venho dizer talvez você já saiba: O ATO DE AMAR DÓI.

Amar dói e não deveria ser assim. Jesus nos ensinou o amor da forma mais sincera e pura, e é assim que deveria ser: puro, leve, sincero e santo (não estou falando da santidade do âmbito religioso). 

A vida entre nossos iguais tem sido um funil com gargalo que se afunila cada vez mais. A vida tem sido intolerante com o coração. Inventaram pré-requisitos até para o amor: classe, etnia e gênero. Quem permitiu isto se não fora Jesus (o criador da existência do amor)?

O amor que dói, é este que não funciona perfeitamente, que não se doa por inteiro, que anda deficiente por medo de ataque exterminador estrangeiro e não foi este que Ele nos ensinou. Não deveria ser assim, mas amar dói. Quando Jesus voltar, encontrará incontáveis feridas para curar mas não haverá tempo para cicatrização, o que resultará em almas doentes demais. E os responsáveis (nós), já mediram o quão triste o deixaremos?

Nós, por nós? Sororidade?

quarta-feira, 8 de março de 2017

(via: desconhecido)

A foto acima já foi capa do meu perfil social no Facebook. Eu não sei de tudo, ninguém sabe e por ingenuidade e ausência de conhecimento a mantive durante algum tempo e a removi recentemente por motivos que descobrirá ao discorrer deste texto.

Hoje, 08 de Março de 2017 é mais um dia internacional da mulher. Assim como eu, você mulher, provavelmente recebeu diversas mensagens, inclusive aquela clichês prontas de internet. Não respondi alguma sequer, devem ter pensado que não tenho educação, aliás, é o que a sociedade pensa sobre mim o tempo todo.

Diz a história que este dia fora escolhido para celebrar, lembrar e fortalecer a conquista dos direitos pela luta feminista que vem se movimentando desde o final do século XIX. 
Entre 1960-1970 quando aconteceu o feminismo pioneiro, a mulher branca ia às ruas lutar pelos direitos, cobrar igualdade de gênero, participação política social, emancipação da submissão ao patriarca...
A mulher branca sempre mostrou relutância em reconhecer a estrutura histórica da negra. Ia à luta, mas em sua casa mantinha serviçais domésticas (nem precisa dizer que eram negras), com longa jornada de trabalho, exploradas. A branquitude sempre esteve no topo.
(cena de Histórias Cruzadas, 2011 - aliás, está indicadíssimo)

Mulher branca vive dizendo por aí que somos nós, por nós mas sempre tivera um jeito de inferiorizar a outra. A mulher negra, todos os dias é vitima de ataque racista e misógino e ninguém se espanta  ou faz algo para o extermínio deste preconceito.
Ainda ontem, presenciei uma moça negra sendo exposta (por mulher branca) em grupo racista por ter platinado o cabelo, e tenho visto isto acontecer com intensidade (digo, exposição, opressão em seu todo) .
Quando mulher negra debate sobre algo, principalmente na internet, lhe é questionada a referência bibliográfica, embasamento ou lhe é roubado o protagonismo da fala. É 'diagnosticada' com insanidade por se defender, considerada louca... 

Quem teu "feliz dia das mulheres" contempla? A mulher trans e cis de todas as etnias? Ou só a heteronormatividade branca? Não adianta dizer nós, por nós e na primeira oportunidade ferir a outra ou permitir que a firam sem fazer nada a respeito. Não diga que é dia de todas, porque aí dentro você sabe que não é.
Acredito que em algumas situações, a mulher branca não inferioriza a negra, por maldade. É uma questão de perpetuar os hábitos sem sequer reparar no que está fazendo ou se está ferindo a outra. É talvez, preferir o cômodo, o senso comum à conhecer a luta histórica alheia.

Quanto ao homem branco vir desejar "feliz dia das mulheres, pois sem vocês não teria graça", até o momento não conheci algum que tivesse a honra de receber minha total confiança, quanto ao homem negro: leia aqui, uma partícula do que penso. É uma confusão só!

Vós homens: não parabenize mulher alguma por criar seus filhos sozinha, não anule a responsabilidade do pai (pai?) ausente. Não parabenize todas as mulheres se em todos os outros dias do ano vocês as apedrejam por não se depilarem, por gritarem feminismo, por desejarem o aborto, por terem escolhas subjetivas, por serem rebeldes, por se relacionarem com o mesmo gênero; dizem que são culpadas por sua violência nojenta; cospem na luta árdua diária ...

Feliz dia da mulher? Meça seus "elogios" (aliás, os quais me recuso a chamar de elogio)!

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*Leia também: Teu feminismo me abraça?
*E se você realmente deseja saber sobre o feminismo negro, sugiro que conheça Angela Davis: grande mulher com grandes obras, ela te explicará certinho.
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Respeito, proteção e garantia à vida das crianças e dos adolescentes

sexta-feira, 3 de março de 2017

(autoria: Sérgio Silva / via)
"O adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, morreu na madrugada da última segunda-feira (27/02), ao sofrer uma parada cardiorrespiratória depois de ser perseguido por seguranças da rede de fast-food Habib’s na Vila Nova Cachoeirinha, bairro da Zona Norte da capital paulista. De acordo com as investigações, o jovem pedia dinheiro e alimentos para os clientes do estabelecimento."
Este foi o assunto de alguns jornais nacionais desde a semana anterior (27/02). Trata-se da morte de um adolescente onde uma testemunha ocular disse ter visto o segurança agredindo o mesmo (edição em 04/03/2017: João realmente fora agredido e arrastado do local, por 'seguranças'), sendo este o ato covarde que tomou posse da vida de João. João pedia R$1,00 para o alimento.

O Brasil possui um sistema politico e econômico relacionado fortemente ao capitalismo. Num país em subdesenvolvimento, a vulnerabilidade social possui presença notória, pois como é de conhecimento, a  economia não é distribuída igualmente entre a massa (a burguesia corrupta neo-liberalista não permite).

Os meninos de rua podem ser vistos em qualquer espaço geográfico, principalmente no perímetro urbano e os motivos, são os de sempre: a podridão do recorte social e/ou racial que os devoram, a falácia da meritocracia, a desigualdade socioeconômica, o descaso desumano (e existe descaso humano?)...

Diante destas situações corriqueiras, é fácil lembrar-se da Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e outras providências. Dos direitos fundamentais, são eles: Direito à Vida e à Saúde; Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade; Direito à Convivência Familiar e Comunitária; Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer; Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho; Prevenção (prevenir a violação dos direitos)...

​Mas a sociedade é estruturalmente podre: a mulher sem condição física-financeira engravida e não lhe é permitido a escolha entre aborto saudável ou continuar com o ciclo da gestação. Obrigatoriamente o filho nasce, mais um para ficar à mercê do descaso social. ​A​ ​​criança cresce e percebe que o sistema lhe obriga a buscar por algo (suprimentos vitais, infração à Lei, refúgio no mercado e consumo de entorpecentes...) e quando ela faz isto, a sociedade diz que bandido bom é bandido morto, que a maioridade penal deve ser reduzida... Quando na idade, não tem a oportunidade de acesso à educação, menos ainda ao ingresso no ensino superior, ou seja, permanecerá sendo o descarte social.
E esta sociedade quem dita isso, é a pró-nascimento que amaldiçoa o aborto legal porque a vida é dom divino mas invisibiliza o menino/adolescente na rua. (Assunto abordado numa postagem antecedente)

"Meu filho era humilde igual eu, catador de lixo. Foi espancado por pedir um real para comer um lanche", diz pai do adolescente.

E o Estado está a cruzar os braços, desonrando os princípios fundamentais da Constituição Federativa do Brasil. Reproduzindo a não dignidade da pessoa humana; negando o direito à cidadania e aos valores sociais; submetendo pessoas à tortura (física e psicológica) e tratamento desumano;  não promovendo a solidariedade; não repudiando o racismo; não solucionando pacificamente os conflitos... (se e ainda não conhece alguns dos princípios fundamentais, leia aqui).

Se o ECA está em vigor, por que não contempla toda e qualquer criança e adolescente? 
Por que só lhe compete respeitar, proteger e garantir a vida dos filhos burgueses e dos filhos dos governantes corruptos e ilegítimos (usurpadores que exalam mau cheiro)?
Quando se encarrará o extermínio do povo? Quando terão paz e liberdade?

Finalizo com uma poema de Sérgio Vaz, (o qual admiro em excesso o trabalho do mesmo) para a reflexão:

Quantos Jorginhos temos/teremos mais?