Sintomas de felicidade


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A felicidade é inútil, Clóvis de Barros me ensinou/inspirou a pensar assim. Existe um vídeo (que adoro), onde ele explica sobre o que é ser útil e inútil, especificamente tratando-se sobre felicidade. 

Ser feliz, me parece impossível. Estar feliz, me é possível. Se considerar que os humores vitais de um individuo, pulam de picos em picos num só dia ou semana, então é impossível que o mesmo seja plenamente feliz. Sendo assim, o individuo não vive o tempo todo feliz, tornando possível que ele esteja feliz na maior parte dos segundos de sua vida, mas não em absolutamente todos os segundos de sua vida.
Este pensamento é intrinsecamente meu, o que permite que o teu pensamento divirja do meu.

Hoje, percebi que desde o inicio deste ano, tenho estado feliz na maior parte dos segundos de minha vida. Ao certo, não sei quando começou, e o que me surpreendeu, foi que não aconteceu nenhum evento em especifico para que isto me tornaste possível (aliás, pelo contrário).

Tenho andado ao redor de pessoas incríveis, tenho desejado coisas gloriosas àqueles que sinto afeição e que em algum momento me fizeram sentir bem, tenho a quem amar, tenho aprendido a determinar meus desejos ao universo... e tenho ainda um Jesus incrivelmente maravilhoso que creio que seja quem me proporciona tudo isto.


A felicidade é também intrínseca. O que para mim parece, para você pode não parecer. Gosto de uma poesia de Sérgio Vaz, que deixa isso em evidencia:

Felicidade?
Disse o mais tolo:
- Felicidade não existe.
O Intelectual:
- Não no sentido lato.
O Empresário:
- Desde que haja lucro.
O Operário:
- Sem emprego, nem pensar!
O Cientista:
- Ainda será descoberta.
O Místico:
- Esta escrito nas estrelas.
O Político:
- Poder.
A Igreja:
- Sem tristeza? Impossível... (amém).
O Poeta riu de todos,
e foi feliz por alguns segundos.
(Sergio Vaz, do Livro "Colecionador de pedras" Global Editora)

E você, tem estado em companhia da felicidade?

Nem tudo é sobre você...

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"Nem todas as poesias que escrevo é sobre ti. Quase não noto quando se faz presente próximo à mim. Deixei de te seguir, foi melhor. Nada mais sobre ti é capaz de me alterar." Gostaria de dizer isto bravamente, mas as coisas não tem favorecido o meu gosto. 

Felizmente eu te lembro todos os segundos, você me inspira a respirar. É feliz porque sei que tua alma arde em vida e o teu coração inflama em amor, mesmo que por outrem.
Desacreditei quando me disseram pela primeira vez que "quem ama deixa voar", mas hoje, docemente provo isto. É doce porque sei que tua alma arde em vida e o teu coração inflama em amor, mesmo que por outrem.

Você me foi o melhor que aconteceu (sem acontecer). Mesmo sem permissão, te apresento em minhas preces, apresento ainda todos os teus. Sinto que tenho sido uma boa espectadora, e estou a torcer contigo (mesmo que ocultamente) por tudo o que te contenta.

Contraditoriamente, não estou a buscar antídoto. Numa hora ou noutra tudo passará, talvez até você passe aqui e se isto acontecer, assegurarei de que minh'alma ainda arde em vida e que o meu coração ainda inflama em amor. E se você não vier, o tempo e o vento se farão presentes e levarão teus vestígios de minh'alma e coração.

52,00 reais por quilograma, senhores!


(foto ilustrativa /via)

Numa das principais avenidas de minha cidade, inesperadamente encontrei um restaurante medianamente elegante, daqueles que convidam à adentrar e deliciar-se, e na parede da fachada, havia uma faixa: R$52,00 kg - self service.

A especulação imobiliária cresce na velocidade do vento (em popa), e como já foi abordado num outro texto, a cidade é um dos principais focos do 'investidor' capitalista. O rico não para de construir e comercializar novos edifícios, e estes raramente ficarão desocupados, sempre terão os que podem investir em algo.

Ao ocupante do imóvel, é necessário que exista auto custo e  lucro e sendo assim, o mesmo, destituído de racionalidade (vulgo, ambição) se sente no direito de servir um produto com o preço acima do que normalmente é cobrado.

Segregação social, presente! Criando e fortalecendo muros, separando os que podem e merecem e os que não podem e não merecem estar em determinado lugar.
Consciente de que o alimento é essencialmente vital, o custo não deveria ser igualmente acessível para todos? A comida burguesa é produzida com mais esmero que a do proletário? Possui mais sabor e higiene? 
O fato é que o preço é excludente para justamente, não atrair o público indesejado ao local.

Neste setor, o desperdício ainda que evitado, é certeiro. Prefere-se levar ao descarte que consumir conscientemente, oferecendo por um preço acessível? Problemático, não?  Mas para solucionar obstáculos iguais e semelhantes a este, deveria haver uma comoção em toda a estrutura capitalista, logo, sabe-se que permanecerá caminhado ao retrocesso. 

O que é bom é para si e o que sobra é do outro


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Dias atrás meu irmão se "desfez" de algumas peças de roupas, entre elas: bermudas, casaco e camisetas. Decidi então, que melhor que doar ao lixo, seria doar a alguém que necessita. Tirei algumas fotos afim de anunciar em alguns grupos de minha cidade.

Faço isso sempre, com algumas coisas que já não uso mais. Posterguei a postagem e ontem à noite, vi a sacolinha ao chão no canto do meu quarto e fiz uma análise expressa: eu iria gostar de receber essas roupas? E mentalmente recusei as roupas que hipoteticamente estava doando à mim mesma.

Diante a isto: uma mãe iria querer usar aquelas roupas no filho? Provavelmente não. E mesmo que a resposta fosse sim, seria pelo motivo de que ela preferia as peças gastas à deixar o filho a mercê das intempéries, o que não é bom.

Das vezes anteriores que doei minhas roupas e sapatos, realmente estavam bons. Na maioria das vezes, faço isso porque tenho o costume esquisito (mania) de comprar algo, suar para pagar e pós um prazo não tão longo, perder a atração pelo produto (isto me acontece desde quando eu não trabalhava, e lembro que minha mãe dizia que eu só daria valor quando eu sentisse na pele como é difícil conseguir algo, para que depois seja descartado tão facilmente - infelizmente não mudou e precisa ser tratado).

Igualmente, lembrei que no Natal de 2016 recebemos uma cesta (destas natalinas), de uma conhecida de tempos. A caixa por sinal estava já aberta e com alguns produtos removidos: o panettone de frutinhas (com toda aquela maciez e suavidade, do deuses, só pode! 💛), que é o que mais adoro (depois da goiabada, claro) já não estava mais lá. Meu cunhado fez um comentário de que, provavelmente a mulher havia recolhido os produtos que lhe agradavam e seriam úteis, e doado os que não lhe serviria.

O comentário dele me fez pensar sobre o que eu tinha doado para os outros e até o momento, felizmente eu tinha doado bons produtos, mas cogitei doar aquelas peças do inicio do texto que já não estão tão boas.

"O que é bom é pra si e o que sobra é do outro", representa claramente este assunto e é uma frase que apropriei da letra A vida é desafio - Racionais (som boníssimo e presente).

Sobre as roupas, não as doarei, ainda são úteis para algumas coisas: coisas handmades, reciclagem... E se isto te acontecer também, não esqueça de descartar o material no local correto.

Se não serve mais a ti, não serve também à outrem. E isto se aplica a diversos outros assuntos. Não espere o produto entrar em decomposição, doe aquela peça que ainda está em estado digno. Não escolha o melhor para si, doe o que você também sentiria prazer em comer! E não faça como eu: esperar acontecer com a gente para então pensar sobre...

Eu vou deixar de seguir você

"É mais uma notificação no celular e aquela luzinha da tela parece iluminar meu coração, que parece querer sair pela boca. No entanto, ler na minha timeline que você está em um relacionamento sério com uma tal de Natália faz minha alegria desaparecer imediatamente.

Desde que eu ativei todas as notificações sobre você, eu não tenho ficado bem. Ver seu sorriso entre outros sorrisos me desmonta quando percebo que não sou o motivo da sua felicidade. Assim como eu sei que nem sou mais sua amiga para querer estar ao seu lado, nas vitórias e nas derrotas.

Fui eu quem pediu pra terminar, mas todas as dúvidas dentro de mim foram respondidas quando a saudade que sinto por você foi ficada maior a cada dia que passo longe dos nossos momentos. É complicado, eu sei. Mas, sempre me disseram que eu não era tão simples assim.

Depois de quatro meses longe da sua presença, hoje vejo que realmente já está na hora de seguir em frente. Eu só posso desejar que você realmente seja feliz com essa Natália ou qualquer uma que te faça feliz, mesmo que me doa um pouco. Eu tive minha chance e não soube aproveitar. Não vou e nem posso lutar por um amor que já está no passado. Você merece viver o seu presente de uma forma que eu preciso entender que não teremos mais um futuro juntos.

Talvez essa seja a última noite que eu choro por lembrar de nós dois, um passado que merece ser deixado quieto em um cantinho guardado no coração. Não se espante caso não saiba mais notícias minhas, mas pretendo te excluir de todas minhas redes sociais.

Assim, não terei mais as notificações e nem notícias suas com frequência e pedirei para que nossos amigos em comum não comentem mais nada sobre você. Deixar de lado até que eu esqueça completamente o quanto gosto de você, mas como esse sentimento já não me faz bem e não é recíproco da sua parte, é melhor seguir em frente.

Por isso, eu prefiro te excluir, de uma vez, de todas as minhas redes sociais. Sem suas publicações para me mostrar que você superou a nossa história. Só fomos um capítulo de um livro que continua a ser escrito, mas separado a partir de agora. Quem sabe assim, essa seja a melhor forma de apagar esse sentimento que ainda há dentro do meu coração."

Texto por Mikaela Tavares, para o blog Nova Perspeciva - acesse aqui.

Viajar é necessário e todos deveriam se aventurar!!!

(MG, estado que viverei para conhecer! /autoria: Sérgio Mourão, Acervo Setur - MG / via)


Viajar para um espaço delimitado pelo mapa que não seja de teu convívio cotidiano, aprender sobre a cultura alheia, conhecer a história do local e as marcas antecedentes, é incrivelmente prazeroso e enriquecedor.

Esta é a tendência da transição de 2016 para 2017. Todos saltam os olhos e vibram os ouvidos ao tocar o assunto. É a pauta discutida com uma aspiração que não se pode medir, como se o mundo já estivesse tão saudável, a ponto de nos restar somente o usufruto benéfico material como consequência.

A maioria dos que sentem essa aspiração ininterruptível, são os integrantes do movimento good vibes classe alta, a burguesia pé no chão que valoriza a vida simples e tranquila, 'pratica o desapego material', expira calmaria, prioriza o dormitório com paisagens incríveis nascendo ao peitoril da varanda, 'acampa' no terraço jardim particular para assistir a dona Lua bailando toda elegante de vestido branco rendado...

Viajar não é errado, é incrível. O que percebo, é uma infração cometida contra a singularidade condicional ao individuo desprovido, uma imposição dessa tal necessidade contra a parcela em estado de deficiência socioeconômica, que mal se sustenta com o crédito mensal total da casa. E quem não atende a demanda, fica do lado externo da circunferência pomposa.

Significado de Necessidade s.f.
Característica ou particularidade do que é necessário (essencial).
Aquilo que não se consegue evitar; inevitável: comer é uma necessidade.
O que não se deve prescindir; que não se pode pôr de parte; imprescindível: ele precisava suprir suas necessidades.
Pode-se concluir que viajar não é necessidade vital. As despesas são tamanhas que não cabem no bolso de todo e qualquer individuo, basta googlar brevemente para ter conhecimento das mesmas. Todos possuem reais necessidades vitais que são inevitáveis, prioridades.

Uma conscientização sobre o assunto é necessária, pensamentos devem ser re-analisados e não mais serem reproduzidos (impostos) aos que carecem de condições sociais. A viagem é convidativa, mas não contempla todo e qualquer mochileiro. O Sol nasce para todos: para alguns, ao peitoril da varanda do dormitório; para outros, da janela de aço oxidada devido a patologia atrevida do material.

Relacionamento afrocentrado, solidão negra e palmitagem...

Tais Araujo e Lazáro Ramos, lindos!
"Relações afrocentradas são aquelas que envolvem escolha de e entre parceiros negros, podendo ser de diferentes gêneros e orientações sexuais." (Stephanie Ribeiro)
Confesso que não tenho intimidade alguma com o assunto, pois nunca me envolvi numa relação amorosa. Pesquisei e li alguns artigos antes de vir escrever, como sempre faço. Confesso ainda, que tenho receio de falar disso.

A ideia desse texto ressurgiu pós a leitura de um texto de uma amiga de rede social, onde a mesma dizia que não se submeteria mais, a um relacionamento afrocentrado e que ainda, admitiu estar bastante feliz com o relacionamento interracial (entre indivíduos com etnias distintas).

Para alguns negros (e ironicamente, para alguns brancos que gostam de ditar o que racismo ou não, também), o amor afrocentrado é referencial e o ideal a ser alcançado, é a meta vital de relacionamento. Pensam ainda, que todos os negros deveriam pensar assim. Pensar que esse amor é o ideal, não está errado, mas a análise da experiência é de grande valia.

A mulher cis e a trans negra na sociedade são vitimas do racismo, machismo e não são contempladas em grande parte dos movimentos feministas (feminismo da branquitude pseudo good vibes) por aí. Por este e outros motivos, o pensamento de que o melhor a fazer para não sofrer tanto, é relacionar-se com outro negro.

Não digo em todos os casos, pois existem casais aparentemente felizes e que nunca relataram abuso de nenhuma das partes, o que é bom. Mas existem casos, onde o relacionamento afrocentrado não é como o conto de fadas do mundo negro, um exemplo marcante foram as agressões que a cantora Rihanna sofrera pelo cantor Chris Brown. Aos olhos externos, tudo era lindo e prospero e ainda houve os que torceram para que os mesmos reatassem a união. Não se pode torcer por algo que é não-saudável ao próximo, machismo é grave e deve-se parar de romantizá-lo.

Rihanna não é a única, e não é só a agressão física que conta. Tive a oportunidade de ouvir (ainda que virtualmente) diversas mulheres negras que tiveram um relacionamento abusivo, disfarçado de mar de rosas. 

Falo de homem negro que sente-se inferior ao namorar uma negra enquanto que que o melhor amigo namora uma mulher kit: sonho de consumo (vulgo, branca). 
Falo de homem negro que pensa que a mulher não necessita de tanta atenção quanto a branca, uma vez que a negra é tratada como sinônimo de força e resistência (quem foi que disse que mulher negra é tão forte? que não tem momento de fraqueza? que é durona e por isso não necessita de apoio?), mas para quem não sabe, isso vem da herança escravista  (uau! não sabia?). E que por assim pensar, termina por deixar a parceira sofrer a solidão afetiva, onde se vê sozinha, lutando para a prosperidade da relação.
Falo de homem negro que exalta a beleza branca feminina e diminui ou nega a feminilidade negra.
Falo de homem negro que exalta a beleza negra, mas não compromete-se ao relacionamento sério com uma negra e valoriza e pretere envolvimento com a branca: essa é a famosa palmitagem. Palmiteiros, tem aos montes por aí (inclusive, ícones midiáticos)!!!
Falo de homem negro que só reconhece a mulher preta como amiga, antes mesmo de ter a oportunidade de conhecê-la. Homem negro, que sente-se à altura da sociedade somente ao lado da branca. 

A relação afrocentrada, não é sinonimo de romantismo desde o período colonizador escravista. Uma vez que a mulher negra foi (e é) inferiorizada de todas as formas possíveis, sendo que alguns dos rotulos mais marcantes foram (e são): objeto de satisfação sexual e instrumento para realizar atividades serviçais (e que homem quer estar ao lado de uma mulher dessa?). Então, estar ao lado de uma parceira branca, para o homem negro é um ato de se sentir "tão bom quanto ao homem branco" (eu odeio ter que dizer isso, você não sabe o quanto!).

Diante as todos esses e outros fatos, em algum momento da vida, a mulher negra chega a pensar que está fazendo algo de errado e de que ela é o problema. Eu já pensei e ainda penso isto em alguns momentos, embora esteja em processo de desconstrução e auto-reconhecimento. E por mais indiferente que pareça, quando ouço algum elogio sincero, infelizmente custo a acreditar. Foram tantos anos de desqualificação agressiva da imagem negra feminina que dificulta ter acesso à confiança.

Não pense que estou declarando a mulher branca como inimiga (fosse assim eu seria uma pseudofeminista, e não sou, embora não confie na tal sororidade entre negras e brancas), até porque, homem não é brinde para que trave-se uma competição ao seu favor. Aliás, mulheres não deveriam competir entre si, por motivo algum.

A mulher negra deveria poder gozar de uma vida plena e poder fazer escolhas que lhe são saudáveis, vitalmente. A solidão afetiva da mulher negra é real e presente.
E se alguém se relacionar com uma mulher negra, mas ocultar e evitar o debate sobre racismo e machismo, para mim, não conta. Não é uma relação saudável. Ocultar o fato não o faz desaparecer, o espinho ainda continuará lá, furando em tudo que é parte do coração, incomodando.

Não é todo relacionamento negro que terá o final feliz. O assunto é amplo a complexo e penso que ainda deve continuar sendo estudado e debatido (por vozes que tenham dignidade e domínio de fala ao assunto).

Enfim, relacionar-se com uma negra (ou negro) é ato de resistência, pois passa a conviver com o racismo sistematicamente estrutural e o processo de apagamento da identidade negra. É necessário que saiba-se resistir e denunciar. É necessário ainda que haja respeito entre as partes quanto as diferenças culturais (mas isto, independente da relação)! 
Foi tirado o direito de amar entre nós negros. Foi tirado o direito de nos amar entre negros. Isso acontece a partir do momento que era mais importante sobreviver na sociedade escravista do que ser.  (Stephanie Ribeiro)

Relacionamento é saudável quando é construtivo. E por isto, muitos preferem a solidão. 
Diante a tudo que foi dito, é bom saber que ainda existem relações afrocentrandas que são grandiosas...


Nota: Eu não deveria ter que esclarecer mas... o objetivo, em momento algum, foi de inferiorizar o amor afrocentrado (eu sinceramente acho uma maravilha) e enaltecer o amor interracial (menos ainda, o predominantemente europeu). O relacionamento ideal  não deveria definir etnias, mas tristemente, para a sociedade o amor tem cor e gênero. Que a sede por revolução e a resistência, nunca ausente de nossos dias! Desejo que sobre todas as coisas, o amor prevaleça!

Faça você: Poltrona LC2 em miniatura


Voltando ao principal antigo tema do blog, trago-vos um faça você mesmo de uma miniatura da poltrona do modelo LC2, do  arquiteto, urbanista, escultor e pintor de origem suíça conhecido como Le Corbusier.

Os materiais necessários serão: papelão paraná, palitos de churrasco, colas branca e instantânea, tecido (indico 100% algodão, usei o brim mas o acabamento ficou grosseiro pela ausência de maleabilidade no tecido), tesoura/estilete.

Primeiramente desenvolvi o desenho técnico e separei por módulos para facilitar a visualização da montagem, como nas pranchas abaixo.



Fotografias via Google






Tive erro de dimensão na hora de marcar, por isso o assento ultrapassou os braços como indicado abaixo.O acabamento não está legal, acredito que o tecido tenha influenciado isso.

Disponibilizei o desenho na extensão .pdf, mas acredito que se você imprimir do modo que salvei, ficará em escala menor que 1/10. Por isto, disponibilizei também na extensão .dwg (executável pelo autocad), sendo assim, você pode enviar para uma gráfica rápida e pedir para plotar em sulfite A3. Para acessar os arquivos, clique aqui. O arquivo .pdf está salvo para ser impresso em papel sulfite A3.

A ausência de ciência influencia na não-reflexão?

Recentemente contribuí com uma resposta à uma postagem em um grupo de Filosofia que faço parte. Mais tarde, descobrimos (eu e mais pessoas) que o autor da pergunta, possivelmente portava um perfil social fake e sendo assim, não sei as respostas tiveram muita valia (espero que sim).

A pergunta foi a seguinte: "Não sei se é ignorância falta de de estudo ou é simplesmente covardia, pequenez do pensamento. Existe uma coisa na minha família que me deixa muito chateado. Sou gay, mas eles não sabem, apenas meus amigos sabem. Eu nunca contei porque sempre escutei eles falando mal de gays, dizendo que não é normal, vendo como uma coisa negativa, como homens que querem se tornar uma mulher ... enfim, aqueles velhos esteriótipos que todo mundo sabe. Minha família é tão analfabeta sobre sexualidade humana que eles não sabem o que significa heterossexual, nem bissexual kkkkk. Mas a questão principal é: uma pessoa com pouco ou nenhum estudo deveria executar um exercício de reflexão? "

A minha família também não possui conhecimento algum sobre sexualidade. Eles são contra muita coisa e eu sou a ovelha vermelha da família por discutir sobre lgbts, menores infratores, pena mortal, procedimento de aborto, o pouco que entendo sobre sistema politico no Brasil e outros pares de assuntos que para eles ainda são tabus. Sou heterossexual (ou mulher cis, como preferir) e infelizmente não gosto nem de imaginar se eu não fosse, por temer a hora de contá-los a verdade. 
Não os julgo, são religiosos há muito tempo e foram-lhes ensinado que é proibido "desviar" para conhecer (não digo provar, mas sim entender) o que é diferente e novo. É o que acreditam.
Sigo na igreja desde o meu nascimento. Fazemos parte do movimento cristão evangélico. Genericamente dizendo, as igrejas evangélicas possuem diversas doutrinas embasadas no livro bíblico, segundo Cristo.

Estou e continuo em processo de desconstrução sobre o conceito das coisas que acontecem na caminhada da vida há algum tempo e frenquentemente me questionam sobre eu continuar a frequentar essa mesma igreja (é uma dos maiores símbolos de dureza doutrinal, haha). O motivo é que me sinto honrada e amada onde estou e como estou, da mesma forma que você se sente bem estando longe da igreja, pois sabe-se que para cada alma existe uma reação. Consequentemente, sigo a "rígida" doutrina, que inclui um combo de "nãos". De uns tempos para cá, tenho refletido sobre diversas e diversas coisas que vejo acontecendo na igreja e que penso que vale a pena ser analisado, e não seguido sem antes analisar. Os meus pais e muitos outros, somente seguem, sem questionar, sem entender. Fazem porque o irmão fulano disse que em tal capitulo do livro bíblico está dizendo que é para fazer e ponto. Não sou mais assim, já fui por muito tempo guiada por olhos que não eram meus e não quero mais que seja assim.

Como já disse, sou a ignorada, a desvianda (com n mesmo) do caminho de Cristo sempre que toco num tabu em casa, meu irmão se refere a mim como feminazi e tenta convencer a todos de que sou (já conseguiu me fazer chorar por esse e outros motivos, muitas vezes). Mas continuo resistente, mesmo que completamente desfeita interiormente.  

Acredito que para ser empático não necessita portar muito conhecimento, mas penso que quando é possível aprofundar-se no assunto ajuda e muito. Quando você está aberto a entender o outro que é diferente de você (por amor não problematizem essa frase, pois deu para entender o que tentei passar) tudo fica mais bonito para todos, compreensível e respeitoso.

Então, sobre a questão do inicio da postagem, penso que para uma reflexão profunda seja necessário possuir ao menos um pouco de conhecimento sobre as coisas, uma vez que a mesma auxilia no entendimento de muitos fatores. Quanto ao acesso à ciência, penso que hoje esteja quase que acessível à maioria humana, o que é incrível. Em contrapartida, para uma reflexão básica sobre a vida humana: própria e alheia, sobre deixar que o outro assuma o que ele realmente é, sobre respeito ao próximo, sobre ser empático e pensar com consciência e coração antes da ação, e acima de tudo fazer honra ao amor que você tanto prega... para isso, não necessita de nada além do que você já conhece. A era da superficialidade já deveria ter ido, mas sabe-se que ela ainda está presente. A reflexão diária é necessária para que você não acomode-se e aproprie-se do que o outro te disse ser verdade.

Acho que é a primeira postagem sem fotografia e sei que isso não incita à leitura. Ficarei grata á quem ler, você é incrível. Deixe seu comentário (estou quase implorando por isso e se necessário, assim o farei), fico muito feliz quando tenho com que conversar sore o assunto. Se quiser, também podes me acompanhar no instagram @eliz0ca, todo dia tem fotografia nova (em 90% das vezes, é da minha cara de biscoito, hahaha) e consequentemente irei conhecer o teu rostinho também. Sou grata ainda pela tua vida e companhia!!! 😊

Desconstruindo olhares em 2017 (o ano dos desejos)

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Espero que a tua transição anual tenha sido incrível. Desejei abundância de tudo que é bom para alma de todos. A minha foi tranquila, simples e com muito amor: eu e dona Mari (vulgo, minha mãe) fizemos uma torta de legumes (aboliu o frango por mim) e sentamos à mesa. Depois nos desejamos boa noite, ela foi dormir e eu assisti algo até dormir. Fui extremamente grata pois outra vez meu Deus me proporcionou mais um momento incrível com uma das donas do meu coração.

Não compartilhei mensagem alguma, mas pude acompanhar as que foram publicadas através de minhas redes sociais. As mesmas mensagens clichês copiadas e coladas, como eu já disse em outra postagem, as pessoas "estão sem tempo" de escrever coisas novas.

Mas o que me faz estar aqui agora, é o desejo unânime de que será um novo ano, que trará coisas e pessoas novas, que permitirá concluir todos os sonhos, que proporcionará momentos para solucionar as desavenças, que o universo orbitará na vida de todos... 

Mas nada disso chega voando e paira sobre você. O desejo é só o inicio. Trouxe então, um texto que produzi no semestre passado (informal e para uma disciplina em especifico), para que eu e você possamos refletir sobre o nosso olhar e o que realmente queremos para o mundo.


"Antes mesmo que você conheça a luz do sol, as pessoas que te amam, começam a te imaginar de modo que eles querem que você seja. Quando finalmente você consegue abrir os olhos pela primeira vez, após nove meses em meio à escuridão - ou até antes - já começam a te rotular. Ao se referirem a você, elas usam aqueles pensamentos que a maioria dos indivíduos julgam ser o bonito, o correto na sociedade e na vida. Pensamentos esses, que são passados de geração para geração, um conhecimento empírico: o senso comum.

Em contraponto, existe a desconstrução desses pensamentos introduzidos a você ao nascer, o olhar não superficial, os porquês: a sociologia (a empatia, a compaixão, o amor...).

De um lado, os que se alimentam de senso comum, do mesmo modo de pensar, vivem como se estivessem dentro de um pote fechado com outros indivíduos que se alimentam da mesma fonte. Que não buscam outras águas, outros sabores e se dizem estar saciados com as que estão acostumados. Para alguns não lhes foram dada a oportunidade de acesso ao conhecimento, para outros defendem a ideia de que é o melhor meio de protegerem seus valores hereditários. E pra estes, todos os que estão do lado de fora (do pote), de alguma forma são imorais.
Do outro lado (fora do pote), existem aqueles indivíduos que enxergam esse pote tão pequeno e superlotado. Não os cabem ali. Sentem a necessidade da desconstrução, da ressignificação das coisas. Não aceitam tal pensamento, só porque foram lhes dito sem porquês ou justificativas. Sentem a necessidade de conhecer, redescobrir, de estudar o intimo do ser. Eles adentram aquela ferida que os outros - que vivem do lado de dentro - sentem receio em tocar. Descobrem a causa, o melhor remédio para o ferimento, ou ainda, buscam transformá-la em uma virtude para que todos os outros não a classifiquem mais como o mal. Estes praticam a sociologia e todo aquele combo necessário para a vida humana.
É necessário que o pote se quebre, sem grosseria pra não cortar mais ninguém, já existem muitas almas feridas (que possivelmente não conseguiremos consertar até o fim do mundo). Levará um tempo, mas não deixe de acreditar que um dia viverá num universo onde todos romperão os preconceitos e julgamentos, desconstruirão os olhares e formarão novos conceitos sobre os valores de uma sociedade."

Fala sobre o senso comum e o olhar sociológico, quanto a vida em sociedade. Desconstruir-se é necessário. Denunciar o não-certo é necessário para uma vida e relacionamentos saudáveis. 
Como disse, o desejo é o inicio. Deseje e seja a revolução! E em tudo o que tocar, adicione amor.