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anarkhos

sábado, 16 de dezembro de 2017

trague o maço
vire a taça
trace a pele

o que te tem antes de mim
não me pertence o fim

abaixo a (o)pressão!

A arte de perder

A arte de perder não é difícil de dominar
tanta coisa parece preenchida pela intenção de ser perdida
que sua perda não é nenhum desastre.

Perca alguma coisa todo dia.
Aceite a novela das chaves perdidas,
a hora desperdiçada, aprender a arte de perder não é nada.

Exercite-se perdendo mais, mais rápido:
lugares, e nomes e... para onde mesmo você ia viajar?
Nenhum desastre...

Perdi o relógio de minha mãe.
E olha, minha última e minha penúltima casas ficaram para trás.
Não é difícil dominar a arte de perder.

Perdi duas cidades, adoráveis.
E, mais ainda, alguns domínios,
propriedades, dois rios, um continente.
Sinto sua falta, mas não foi um desastre.

- Até mesmo perder você (a voz gozada, o gesto que eu amava) eu não posso mentir.
É claro que não é tão difícil dominar
a arte de perder apesar de parecer (pode escrever!) desastre.

Elizabeth Bishop

nota de rodaPÉ

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"calculistas e frios
buscam repouso entre os meus pilares roliços
sem solicitar prévia autorização."

(cabeceira traseira exausta de acolher pés carentes, inconsequentes. diria se pudesse. nem sempre consente, quem cala.)

evite se puder

veja, não é tão miserável estar do lado de fora. fica mais fácil remover as folhas que pairam na janela. quando não convier ver o lado de dentro, é só deixar acumular.

"O tremor"

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

cercou por algum tempo e foi estreitando, como se eu fosse presa fácil ou carne barata, como quem desliza os dedos na borda do copo antes de enfiá-los dentro pra pescar a semente que ficou.

decidiu me conquistar e fez. era ousada, me via como nunca repararam - me despia sem tocar - e me falava do Cristo com tamanha convicção.

um vez enquanto elevávamos nossas preces - sendo gratas pelo trabalho, pessoas queridas e a vida -, transpirando, segurou minha mão e fez parecer que sentia medo de escorregar, como no conto de Chimamanda Ngozi, "O tremor" - do livro "No seu pescoço" - senti um tremor - talvez menos intenso que aquele que Ukamaka sentira.

o tremor, majestosamente veio desacompanhado de temor. era o próprio Cristo fertilizando um sentimento tão imaculado que nunca pensei ser digna de hospedar (?), o qual protubera até hoje numa pluralidade que não se contém. desconfio que (co)existo pra, admiradamente, dizer o quão incríveis são as mulheres; o quão incrível é ser mulher - mesmo subsistindo.


universo em expansão

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

novos horizontes. a linha - a vida - continua a mesma, mas, apontando em novas direções.

o universo se expande pra comportar o tempo de cada indivíduo dentro do seu tempo. um novo tempo.

as circunstâncias calculam situações pra te surpreender. essas, que acredita-se que são permitidas por sua divindade - se tu não tem, tudo bem em atribuir ao que desejar.

as cobranças se intensificam. covardes, se monstrificam quando tudo decide fazer silêncio. analisam, sem seu consentimento, tudo que poderia ter sido e não foi ou como poderia ter sido o que foi. tentam te convencer que não fizeste nada certo ou que poderia ter feito melhor.
desejo que essas não tenham fôlego suficiente pra te intimidar com palavras sujas e mesquinhas.

a selvageria existencial diz que o sentimento que é neutro: deve transbordar ou dissipar. 
pra isso, te desejo a calma - progressiva. não precisa ir do fundo ao topo duma só vez, chega de sentimentos fast foods, a contemporaneidade afetiva clama saudabilidade.

as bolhinhas de sabão, são as amizades que não te desejo. cativantes, mas frágeis e passageiras - se vão sem nenhuma explicação. desejo que essas estejam até o fim - esse fim que não se sabe quando é.

antes a vida fosse organizada em parágrafos categorizados. não pode ser. o que move é a incerteza vestida de toda fé que é possível. 
"coisas arrumadas - o tempo todo - são coisas sem vida!" parte dessa desorganização, é a bagunça que os seus fazem em ti. tumultuam tudo de forma que nada dói, "nada pesa, tudo pulsa". 
desejo, não que estejam sempre presentes, mas que quando presentes, estejam intensos.

pra ti, longevidade. mas que seja sensível pra compreender que o amanhã é ermo.

contraindicação

sábado, 9 de dezembro de 2017

talvez eu não saiba amar, mas, compreender que eu não te mereço, talvez seja amor.

depois que muni de tanta proteção, sou contraindicação.

não guarde mágoas por te querer bem, longe. em algum tempo num outro espaço estamos juntos, ainda que seja num não-lugar, na utopia.

captando informação:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

estar em sossego, é ler suas nobres palavras condensadas que alimenta saudade.

sinal de fumaça: quem  está alerta recebe a mensagem esperada que chega inesperadamente  e diz tão bem, que aí ainda há vida.

palavras bem-vindas, bem ditas.

msc - movimento dos sem coração

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"chegou depressa com a mala cheia e tralha vazia. cabisbaixo, murmurando mais baixo ainda como se tivesse descontente por ter lançado a rede em águas inférteis.
lavou os pés, pisou em terra alheia e foi se ajeitando pra um descanso. nem pediu licença."

eu, fujona, fujo de quem chega entrando sem permissão. (qual será a intenção?)

"nesse dia fiquei. resistindo e cheia de medo. noutro, fiz saber de onde vinha.
disse que foi expulso dum outro coração por justa causa e não tinha onde ficar. fez foi perder a confiança dos que tinha."

no meu peito sempre cabe mais um - que mostra o real interesse desde o início.
houve um tempo que não. não cabia independente de onde, como e porque vinha até mim. depois de quando fui esse pescador frustrado - por inúmeras vezes, ainda sou - entendi o que é a empatia.

eu me apaixono por quem conquista e compartilha confiança comigo. muito mais, pelos que não pedem confidencialidade por acreditarem que eu não seria desagradável a tal ponto.
isso! a palavra que me define: inconveniente. tô superando o impulso que me impede de ser prudente pra saber quando não é momento pra mim.

não quero ser o tempo todo, esse pescador insensato, que invade onde não foi convidado. 
à quem violei a privacidade, ofereço sincero perdão. gratidão, por não me receber com pedras em mãos.

e adivinha? você é a pura empatia.
coração e sua funções socioemocionais.

não tenho pressa

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

como é que se assegura o que não está ao alcance?

a gente tem costume de prometer coisas o tempo todo e não para nem um milissegundo pra refletir tais promessas. perfeitos acumuladores de coisas impalpáveis. 

quem é que não gosta de escutar o que é belo? 
"até depois do fim", "daqui pra eternidade"...

mas quando é que é a eternidade? e o fim? e depois?

não quero ser como a Constituição de 1988 que assegura ''o mundo', do topo ao fundo' e perece com a insuficiência de politicas públicas.

não quero garantir mais nada. benditos, se alcançarmos a infinitude! por enquanto, somos passageiros desse tempo, nesse espaço.

o tempo não vem dizendo: "com licença, senhora!" - e se existe um senhor, é o próprio. só vem e não volta.

e se um tempo desses, revoltado, vier me levar? minhas promessas não passarão de blasfêmias.
se ao menos elas fossem leais... mas não sabem ser. eu seria entregue a ser consumida, sem ar nos pulmões e com os músculos da laringe invalidados - por onde sairam as promessas -, elas continuariam em vida, me desonrando como as desonrei. seria assim, até que o tempo delas se dissipasse.

fique, mas só juro a intensidade da minha presença. sempre agora. é pouco, mas é tudo que posso.

e o ápice?

um registro, um punhado de sentimentos materializados ou uma tentativa de solidificação de lágrimas felizes.

dessa vez, tô tentando falar do sentimento que se nutre sem presença dos corpos.

(quando a gente tá apaixonado, pensa que é só. se encerra pro externo e se faz pequeno. e não é que ser pequeno te faz menos nobre. se fazer pequeno é tão digno quanto se curvar em reverência ao que é santo. mas não é dessa paixão que tô tentando falar.)

santo! santo pra mim é o que não se corrompe.  que tem ingenuidade no interesse, que quase esvazia os pulmões, que obstrui a drenagem salival, que faz nascer o mar dentro de duas esferas... e dessa vez, não é o coração visceral - suscetível a enganos - se manifestando. é uma coisa mais certa que a certeza desse projeto de existência. uma coisa que é o ápice até que prove outro ápice.

que dignidade tenho pra escolher os amores? quem é que tem? a gente cativa, conquista, tece laços, democráticos, justos e carinhosos. ao nosso alcance, porque quando apertar mais pra um, que pro outro, é quando deve  decidir, se cabe ajustar ou desmanchar...

eu tô tentando falar duma coisa transcendental. não do sentimento desse coração visceral - suscetível a enganos.
uma coisa que só sei que é quando se manifesta, que sem busca a encontro.

olhos rasos d'água

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

pobre rapaz
que mora logo ao fundo
os olhos rasos d'água afogam o olhar profundo
treme de medo
desepero
teme
treme
tanto
que temo o tremor
das paredes que disputam com o coração
quem descostura a trama primeiro
rico em saudade
sobra vontade
rico rapaz
que de si não tem mais nada
que falta faz
o afago da amada

mesquinhice


sempre quando some
declamo
por dentro
para tudo que há de santo
que nunca mais me deixe só
ou, ao menos,
que mande notícias
que cabem no bolso do meu paletó

foge
e eu corro atrás fujindo da solidão
foge?
quem mais aqui é cativo se não eu sendo arrastada no seu calcanhar?
vá devagar
ou me deixe só
e mande notícias
que cabem no bolso do meu paletó
nem que for pra dizer que não vai voltar

fugiu!
na mesma velocidade do tempo que chegou

nos bolsos do meu paletó:
mal cabem as fotografias recortadas
e os lenços que me deu,
encharcados de enxugar lágrimas

os bons se atraem

domingo, 26 de novembro de 2017

coisas boas voltam-se a ficar amontoadas.

acredito tanto, que inventei um campo magnético da bondade - amizade - e dos amantes.

ousei apropriar do 'princípio da inseparabilidade', para um outro - e bom - fim.

agulha no palheiro

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

à margem do que se chama de vida,  subalterna da decepção e decidida a aceitar a não vitória.

como é que o invisível salta sobre mim e consegue me intimidar?

eu quase me rendo. eu, agulha no palheiro. 
palheiro que sacode o tempo todo durante o tempo que durar.

e eu? eu ainda o amo, amo...

(sobre o curso n. 1° em exigir 'tempo e dedicação' e uma romantização problemática que chega a ser perturbadora e excludente.)

pássaro de fogo

terça-feira, 21 de novembro de 2017

"abominável criatura que só sabe falhar miseravelmente."

os demônios usurpadores se alimentam sem piedade, com tamanha voracidade, decididos a sucumbi-la em meio minuto.

clama clemência ao seu Amigo mais santo. roga que não permita que peque ainda mais, maldizendo o seu Nome, negando tudo que já foi alcançado. 

eleva uma prece nunca feita antes. renasce das cinzas como a Fênix. 

é pássaro de fogo. forte - e amada - suficientemente pra continuar a vida. 

a fragmentadora de papéis

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

a fragmentadora de papéis é um bom exemplo de lealdade. não possui vinculo emocional algum com quem a manuseia - em alguns casos, existe a relação afetiva com objetos. nela, é depositado documentos frios ou quentes, com ondas de relevância que oscilam de 0 a 10. 

mastiga tudo e revela nada. mas se por acaso, alguém lhe arrancar informações, não hesitará em contar ao individuo-dono, ao exibir seu reservatório, agora, menos cheio. 

com humanos, só é saudável mastigar e engolir quando há consentimento.

assim deve ser seus amigos. leais. tenho certeza que se você me contar sobre eles, será muito mais prazeroso de ouvir, do que a analogia com a fragmentadora de papéis.

fidelidade é um dos princípios que compõem a lealdade. fidelidade é assumir a postura de nunca fazer 'algo de errado' contra o outro - segundo seus princípios. lealdade é revelar os segredos dos seus feitos, praticados enquanto o outro não podia ver; compartilhar o que podia permanecer oculto. 

a lealdade, também é um dos sentimentos mais puros.

Um compilado chamado: "Renuncia à empatia"


O racismo estrutural

"O cabelo de Lele", é um livro, escrito por Valéria Belém, que é: jornalista, escritora, branca e seu sonho é "tocar o coração daqueles que leem seus livros, assim como ela já foi tocada por vários autores". O problema de alguns brancos - sem generalização - escreverem sobre racismo é a forma como enxergam e sentem. Para estes, tudo se resolve com conversa e conhecimento - tudo que os racistas tem ao dispor: fala e conhecimento, fosse assim, não mais existiria racismo. 

Lele é uma menina que não gosta do cabelo ao se olhar no espelho. Seu cabelo, aparentemente - após ver a ilustração - é do tipo 4b e 4c, crespo/crespíssimo. Ao conhecer a história de seus ancestrais, reconhecer a origem de seu cabelo, Lele naturalmente começa a gostar do que vê no espelho.

Toda vez que alguém conclui um conto de racismo com final feliz, minha saliva parece ficar mais espessa e com dificuldade para passar onde sempre coube. 
Não tem como, quem não sofre racismo, escrever como é a vivencia de quem sofre. Nem quem sofre racismo consegue escrever em plenitude, como é sofrer.

Onde começa o racismo? 

"Karina, 15, se matou com medo do vazamento de fotos íntimas". Karina não sofria bullying, sofria racismo - como disse o pai da adolescente. O racismo foi praticado pelos que compartilharam o espaço social e escolar. Nesse caso, o cabelo - a raiz alta, quando o cabelo começa a crescer e a química a descer - era o alvo. A pele. Karina era o alvo. E isso - infelizmente, Valéria Belém - não acabou com final feliz.
A violência contra Karina não foi uma só. A presença do silêncio protagonizando a vida de Karina dizia muito.

Porque Lele, Karina e outras milhares de meninas pretas não gostam do cabelo? Porque não conheceram ainda sua ancestralidade? Depois que conhecerem, passarão a gostar?
Quem diz isso, nunca ouviu contar a História do Brasil.

Num outro livro infantil, "Tudo Colorido - Preconceito racial", categoria bullying - quando é que racismo virou bullying? -, escrito por Suelen Katerine A. Santos, não tive o desprazer de encontrar algo se quer, sobre a mesma. No livro, Suelen narra que a menina Tainá, de pele preta, se recusa a fazer tranças com uma cabeleireira  branca. A menina é mal educada. Depois, Tainá vê a vizinha com tranças muito bonitas e a tal disse que fez com a cabeleireira branca que Tainá havia recusado - POR SER BRANCA -. Sendo assim, Tainá voltou ao salão, pediu perdão e fez as tranças com a cabeleireira.
Suelen Katerine A. Santos, covardemente, criou um conto onde uma menina preta vulnerável é racista reversa. 
Existe inúmeras Suelen.

É assim que ensina crianças pretas, se amar, amar o próximo e como combater racismo?

Como tem gente que ainda tem coragem de 'sustentar' o pensamento meritocrático? 
"O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos."
Conversando com um professor de História - que já foi docente no Ensino Público -, abordamos a 'ausência de interesse' da classe baixa, quanto à Educação; como os docentes tratam esses 'alunos problemáticos'; como 'ninguém' se interessa em cutucar de onde vem o 'não interesse'. 
Os docentes - sem generalização -  sofrem tanto descaso pelas instituições que representam o Estado que não têm estimulo para se interessar pelo 'não interesse alheio'. Os discentes sofrem descaso múltiplas vezes. As instituições que representam o Estado omite direitos. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é impecável, mas a ineficácia e carência de Politicas Públicas é gigantesca. Como no slogan da Reforma da Previdência: "Contra os privilégios. A favor da igualdade", as instituições que representam o Estado 'sustentam' e promovem o pensamento meritocrático.

O Brasil é rico em ausência de real igualdade de oportunidades, raciais, sociais, culturais, sexuais e de genero. Mais perigoso que lutar por igualdade é mencionar a introdução de equidade. Perigosíssimo.

Desigualdade, sexualidade, identidade e desigualdade de genero

"Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi". Quando há mais de um fator que consequentemente 'define' a vida de alguém, a onda de violência é muito mais destruidora. O patriarcado e a 'soberania' são experientes em ser hereges. Promovem a Vida e o Amor em nome de tudo que é Santo e faz tudo como não deve ser. Autores da perseguição que mata muitos.

Está disponível na Netflix, o documentário "A morte e vida de Marsha P. Johnson". Retrata a vida e morte de Marsha, ativista dos direitos trans. Enfrenta a violência que a leva a morte. Filme indicadíssimo, para conhecimento - mais conhecimento - de como é sobreviver, sendo não heterossexual e branco. 

O processo de higienização está presente. Na ausência de oportunidade, na punição por ser rebelar, no embranquecimento forçado - como no caso da peça que retrata a vida de Carolina de Jesus - e em muitos outros fatos que compõe as estatísticas.

Coleguismo asqueroso

Com William Waack, perante prova o perito audiovisual, Maurício de Cunto, concluiu dizendo que aparentemente, William, diz preto, mas que não pode afirmar que é esta palavra
O coleguismo, este sim, é coisa de violentos em potenciais. Como no caso, "Marcelo Freixo é acusado de machismo pela ex-esposa".
Marcelo Freixo, que é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, filiado ao PSOL, que 'vestiu a camisa' do feminismo diversas vezes. Também recebeu solidariedade dos parceiros.

Oportunistas em potencial

A ex-presidente Dilma Vana Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores, eleita democraticamente por 54.501.118 milhões de votos em 2014; ao se posicionar contra William Waack - enquanto nas redes, se movimentava a hashtag #coisadepreto - em seu Twitter, disse: "(...) O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.".
É desleal se apropriar da 'causa alheia' para promover a si. Ser empático é esquecer os próprios interesses.

Os problemas são muitos e a manutenção no sistema 'está sendo feita' - está? existe interesse  'de cima para baixo'? - erroneamente. Não há ingenuidade em nenhum momento. A falha é estrutural - naturalizada, patrimônio imaterial -, está nos livros educativos circulando nas escolas - inclusive, aprovados pelo MEC -, na apropriação de fala exercida pelos que tem privilégio em ser ouvidos, na falácia meritocrática, na omissão dos direitos, na negação de oportunidades, na reprodução de desigualdades, na ausência de empatia, ao atribuir responsabilidade e culpa à vítima, ao reproduzir que o racismo só existirá enquanto falar dele...

A Justiça não é cega. É seletiva, asquerosa, renuncia a empatia e age cientemente. Não será tirando o chapéu e dizendo: "- Com licença, senhor!", que a liberdade será conquistada.

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Todos os links foram acessados em 19/11/2017 entre 08:09PM e 10:57PM.

reverberação

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

engarrafo sua fala atropelada 
pra ouvir compassada 
quando o eco soar.


(parte I - desaprendendo a definir se as coisas são boas ou más e encontrando consequências benevolentes.)

tempo, tempo!

domingo, 12 de novembro de 2017


desde o principio
não se sabe quando termina

intangível
célere
onipresente
suficiente
tempo, tempo!

cada escolha uma renúncia

sexta-feira, 10 de novembro de 2017



esperar. verbo com etimologia bonita. se relaciona muito bem com a expectativa. essa que vem com fala mansa e te dá o direito de esperar pelo bom, mas quando decide gritar sai frustrando a ex-futura felicidade.

mas quem é que espera desprevenido?

prevenção. é esperar com subversivos, se acontecer aquilo que não deseja.

escolhas são renúncias. noite passada, com um assopro no cangote - como alguém que, com muita dificuldade sussurra "socorro!" -, acordei decidida em ser subversão pras frustrações. pras suas frustrações - eu gostaria de ser pra todos, mas no meu abraço só cabe tu e os teus problemas.

permaneço dobrada numa posição nunca explorada antes. e que a poeira me consuma! - do pó vim e voltarei.

porque, se algum dia tu naufragar, quero ser a primeira a inflar e proteger a qualquer custo esse teu peito frágil e jurar que ainda não chegou sua hora de recomeçar pra eternidade.

em solo sereno, a minha dor será indiferente - sentida com gosto. tão pequenina, se aproximada a dor de nada poder ter feito.

"muito prazer, ao seu dispor, por amor às causas perdidas..."

0800

terça-feira, 7 de novembro de 2017


sou a lanterna pro seu desespero quando se perder na bifurcação do caminho

o ombro de ossos removidos, que te acomoda quando buscar abrigo

a que não dorme enquanto não enxugar a sua última gota de choro - e que só depois apaga a luz

a dispensável ambulante

a que lembra de ser grata pela sua vida quando se esquece

a que não mede dignidade e não cobra fidelidade

a que não enumera e não lança em rosto suas maldades

a que brilha com a mesma intensidade sempre que você clamar pelo nome

a que não é santa, nem virgem Maria
a que é amiga do seu Amigo

0800.

sistema operacional

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

de todas as vezes que sobre minhas costelas, da lama poupei seus pés, nem ao menos - ainda que com desprezo - expressou gratidão.

sob o sol, couro esticado, desfibrando cada centímetro quadrado.

vida de gado!

da lama lavo os pés e tiro fora meu corpo minado.

imprestável, murmurarei pelo resto dos dias. pseudo liberdade tardia.

mau tempo

domingo, 5 de novembro de 2017

desacertando a mão
apostando em descombinação
em campo pra perder

passo a vez
tarde, cedo a vaga
nocauteada pela lucidez

eu e a jogada
fracassadas.

Rondó da Liberdade

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Carlos Marighella (★ 5/12/1911 - ♰ 04/11/1969)
São Paulo, Presídio Especial, 1939
- via -

saudoso sabiá laranjeira

sábado, 4 de novembro de 2017

precoce à primavera floresci
por onde voas que ainda não te ouvi?

se pousou pra outra abençoar
de tristeza, meu sabiá
sou eu que vou cantar.

quase!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

🍀

me bagunça numa escala que estremece e transcende tudo de sagrado que me há. me sonda, libertando - porque permito - todas as vísceras que enjaulei por anos e sem querer, escrevo quase tudo o que tinha calculado guardar. não tem meu não. é involuntário como me esforço para aprender os seus caprichos. nada pesa, tudo pulsa.

quase ao seu dispor: tudo de bom que sinto e tudo que ouso chamar de meu. quase juro majestosamente. muso, muso, muso!
ao seu dispor: quase tudo que, escrevendo, me escapa dos dedos. minúsculas demais - eu, as frases, as palavras e as letras - para grafar a plenitude.

quase!

atrevidamente me avessa, põe quase tudo para fora, mas não se retira.

deve ser...

quinta-feira, 2 de novembro de 2017


deve ser de amar, sentir o calor dos vasos que vibram e agitam o líquido fervente e espesso que impulsiona a vida permitida. deve ser de amar, cada estrutura microscópica justaposta, que respira e inspira a querer ficar ali, para sempre - e fazer dos corpos uma unidade só. deve ser de amar, os movimentos do conjunto de vértebras no ápice da saudabilidade, que flexionam em compasso repetitivo e acolhedor dizendo que ali o abrigo é seguro. 

deve ser. 

a gente aprende a aprender de corpo longe, sem prender. 

o tempo que voa não volta para devolver o tempo perdido. haja vida para recuperar se eu for esperar.

escorrendo pelos vãos dos dedos dos que estão em prontidão para me segurar e esquivando dos olhares observadores que prometeram me decifrar até quando eu não souber como e quem sou, sigo avançando. negando para os que não sabem enxergar. em silêncio - é quando mais falo.

atividade extemporânea

terça-feira, 31 de outubro de 2017


(disse que lançou indiretas ao vento:

"- Liberdade não é uma das filosofias do sentir?"

quem dera tivessem me alcançado a tempo
e tocado mais pro-fundo.

chegaram!
perdidamente frias e desfiguradas.)

emancipação em massa

domingo, 29 de outubro de 2017

doo sem doer e esperar

sanidade intensa e no lugar

ausência de ordem absoluta, cada um onde queira estar

sinto tanto, que dilata,
as trancas se fragmentam

enquanto respirar, arderei sem queimar

emanciparei sentimentos,
em massa.

"Minha beleza acaba quando começa a da outra!"

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Até recentemente, minha beleza não acabava quando a da outra começava, porque, se quer havia beleza em mim. 

Lastimavelmente, durante a infância e adolescência, compensei a ausência disso no desenvolvimento escolar. Era nota quase sempre A. As outras, no auge das meninices, aproveitando tal, faziam sucesso entre os meninos. Eu nunca senti vontade disso. A maioria das minhas amizades eram meninos, oportunidade essa, que só foi possível graças a minha aparência. Falávamos das meninas de seus interesses e outras coisas meio masculinas. Adorava ficar no anonimato, me escondendo das pops, não estava a altura para acompanhá-las (e já ouvi isso, de forma 'menos' violenta). 

Ninguém se relaciona amorosamente com alguém que não acha bonito. Se eu me achava feia, não havia algum sentimento afetivo por mim mesma. É normal estarmos condicioados a gostar do que o padrão impõe através dos diversos veículos (não, não é normal e o conformismo é doença).

Considero violento, o ato de se comparar com a outra; aliás, um dos mais devastadores. Não se ver em sua imagem, é perigoso. Exterminar o amor que deveria sentir por si, é perigoso.

Uma vez, ouvi uma moça dizer que não se sentia bonita todas as vezes que se via no espelho. As vezes acontece, mas não pode permitir, se isto está sendo influenciado por terceiros.

Hora ou outra, me sinto bela, depois não mais. Algumas vezes porque queria ser como alguma específica, outras, porque queria ter menos disso e mais daquilo. Ainda estou em processo de auto reconhecimento. Me esquivei do auto conhecimento antes, mas hoje não fujo, é mais que necessário. Tenho me moldado conforme sinto necessidade e graças a Deus, nada está sendo tão brusco. 

Ninguém pode te dizer que não é bela, mas dizem. O mercado lucra com a não aceitação alheia. Para o capital, sua beleza não é bem-vinda, quanto maior sua insatisfação, mais gigante ele se sente. Enquanto ele puder te destruir, assim fará.

A minha e a sua beleza, não acabam quando a da outra começa, podemos ser belas no mesmo momento. A Terra dá um jeitinho de comportar tamanha plenitude. 
Você pode ser bonita como você.
Demorei, mas descobri quase sozinha (a afirmação que quase sempre me define). É processo e se precisar de apoio externo para isso, busque um profissional específico, não é vergonhoso.

Dizem que o amor é cego, prefiro discordar. Ele enxerga e além. Quando você se ama primeiro, não há beleza alheia que te intimide, ainda que fique boquiaberta com a beleza da outra. Se amar é uma das expressões mais belas que há. É quando você assume a importância da vida. 

Desejo que ao acordar, você consiga dizer ao padrão e a cobrança excessiva: "Hoje não!"

resposta negativa

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

eu que dispus aos teus desejos, renunciei ao primeiro:

"- leve-me ao fim do mundo!"

seria um desbarato, pular ao fim vida e ter que te amar depressa.

tu, caça

terça-feira, 3 de outubro de 2017

desejaria não escrever mais sobre o amor,
só de amor não se vive a vida.

também existe vida fora do amor.

sem amor, não!

enquanto o brado, bravamente
há outras lutas, a todo vapor.

teoricamente,
amar é minha luta. 

incerta.

praticante, só um louco cativo
que bate em mim e diz que é por amor.

na guerrilha pela posse desse coração
não existe o dia do caçador...

planos para outro Plano

quinta-feira, 21 de setembro de 2017


- - - -

se existiu vida anterior,
nossas almas se desejaram
ardentemente.

em oposição ao padrão de afeto da contemporaneidade,
os iguais se atraíam.

Viemos do mesmo lugar,
vamos para o mesmo lugar.

aqui, ocasionalmente
a materialidade do espaço promove distancia entre nós
mas, permanecemos um só.

e sobrevindo a velhice,
com o mesmo encanto,
olharei à minha direita e glorioso estará você.
estaremos nós.

nós juntos,
sobrexcedemos o comum.

quando eu flor Bela...

domingo, 10 de setembro de 2017



quero ser tão bela
que não mais cederei as curvas dos meus ouvidos
para que os padrões as rendam.

quero ser tão bela
que pensamento auto punitivo algum,
me perturbará.

quero ser tão bela
que repousarei em meu colchão gasto,
- tão mole quanto uma gelatina que se derrete -
e ressuscitarei com os ossos espetando a carne e ainda assim, radiantemente.
porque serei bela.

quero ser tão bela
que nem mesmo a ausência de representatividade quando no Google buscar por "linda",
alterará minha certeza.
porque serei bela.

quero ser tão bela
que promoverei a beleza em todas as mulheres que não se sentem belas.
ainda mais.

quero ser bela,
não nessa matéria que apodrece.
no que me é mais intimo,
que só quem for belo, terá a honra de me tocar.
bendito será!

quero ser tão bela,
que nenhum espelho sustentará tamanha beleza.
nenhum terrestre.

quero ser tão bela,
que nem na câmera de melhor performance
existirá função para me capturar.

que nenhum dicionário me definirá.

e só aí,
então,
serei imune.

(mas)
quando eu for Bela,
tão Bela,
talvez,
estarei longe da existência humana.

e se assim for,
aos que contribuem com o movimento de minha sobrevivência,
de alguma forma,
lhes mandarei cartas
para relatar,
o quanto serei Bela.

ou,

brotarei em flor
como as raízes das veias em seus corações.
manisfestarei em odor para lembrar-vos:
como são Belos!

[continuação...] Eu, vitimismo: Capítulo III - Enésimas ressuscitações

quarta-feira, 6 de setembro de 2017


✅ Leia a primeira parte aqui.
_____

Que a vida é um desafio, não existe dúvida. 

A liberdade é astuta. Não pode ser mulher e preta e andar tranquilamente pelas vias públicas,  a menos que você queira ser fotografada - sem consentimento - no terminal rodoviário para ser objeto de humor. Acontece. Hoje foi um desses dias. Negar o feito, é praxe deles. O período noturno é inimigo de milhares de mulheres. Em tudo, há maldade. Para mim - e outras milhares -, nenhum período é amigo. O diurno, promove uma exposição indesejada; o noturno, é intimidador, tão astuto quanto a falsa liberdade. Apresentar o rosto na rua é sempre uma resistência.

QUINHENTOS E DEZESSETE ANOS DE BRASIL. Quase nada mudou. Preto oprimido é cultural. "Barato é loco" - como diz Os Racionais.

Não é possível reproduzir maldade por ingenuidade. 

Numa avaliação semestral elaborada pelo grupo de docentes da faculdade que estudo, tem uma questão que me incomodou. Diz-se que "as pessoas não percebem quando estão sendo racistas". Triste, uma instituição com esse pensamento. Isentar-se da culpa é das maiores covardias. Se o individuo está sendo racista, ninguém melhor que ele, está ciente disto. 

Como é que se pode atingir com tamanha vontade - sem sentir culpa -, alguém que está quase sucumbido por todo o tipo de violência diária?

Quase todos os dias, para não parecer fracassada fisicamente, pouso os fones nas curvas dos ouvidos e solicito que inicie, 'A vida é desafio'.

Não posso esquecer que preciso ser duas vezes melhor
O sofrimento só serve para alimentar a minha coragem
Tenho que acreditar
"A causa é legitima:
Justiça e Liberdade"

Essa é a minha rotina de sobrevivência. Devo dormir e acordar pronta pra guerra - e não importa se tenho preparo ou não.

Eu, vitimismo: Capítulo VI - Qual é a cor da solidão?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017


Às vezes parece que sou exagerada, que faço tempestade com um copinho d'água. Quem dera ter esse privilégio.

Me protejo com todos os escudos que me são possíveis, principalmente dos males que tentam brotar aqui dentro. E conseguem.
Cada gesto seu, é analisado. Até as coisas quase inalcançáveis aos sentidos, faço questão de sentir. Nada que me faça é irrelevante.

As pessoas sentem necessidade de questionar, quando é que vou ter um parceiro, e elas não fazem por maldade, é cultural. Essa pergunta, um dia se responderá. Tudo no meu melhor tempo.

Me abster do que não me transborda é Lei, para viver bem. Quando sinto que sou útil só quando convém, fujo para a outra ponta. E isso acontece quase sempre. Minha sensibilidade é do tamanho do mundo.
Não sou covarde por fugir, sou guerreira por me proteger sozinha. Preciso ser. Haja pernas para correr quase todos os dias.

Queria poder temer o escuro, contar com outra coragem. Sou eu por mim. Ninguém mais me abriga melhor que eu.

Se não pretende acrescentar, não ouse cativar. Expectativas quando depositadas em lugar errado, são tóxicas (mas agora já sei que o problema não sou eu). Cansei de perdoar! O transtorno consequente, é só meu.

Esse breve texto é lírico. É o relato da vida de outras milhares de mulheres pretas. Peterimento violento. Não sinto vergonha em dizer, menos ainda, desejo que tu sinta compaixão. Escrevo isso, para dizer que não somos vitimistas: a solidão da mulher preta é real, é cultural. Infelizmente. Existe ainda, as que a sofrem mesmo estando num relacionamento. É surreal. Mulher preta não é para casar, segundo o ideal social (basta dar uma gogleada), não tem problema vacilar com ela, é só um rascunho. E sangrando sem corte, questiono: quanto valem os nossos corações? (Gostaria de ter produzido um texto a altura de quem acompanha o blog, mas no momento não é possível. Existem artigos incríveis e completos pela internet, não deixe de pesquisar)

Eu, vitimismo: Capítulo V - Não sou tuas negas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Quem é que nunca ouviu alguém reproduzir a expressão "não sou tuas negas", ao menos uma vez na vida? Essa, sem dúvida é uma das violências hediondas frequentes que atinge diretamente a mulher preta.

Partindo do conhecimento básico da História da colonização europeia - e sem necessariamente ter muito intelecto - é possível concluir um pensamento coeso sobre a vida das escravas. De 'trabalhadoras domésticas' e rural, à amas de leite, cada uma delas pertenciam a algum senhor.
Violentadas nas mais diversas possibilidades e desconheceram o respeito, o qual não tiveram direito; usadas de modo satisfatório - explorador -  por quem as compravam.

Quando alguém diz que não é nega do outro, este, está se referindo a aquelas mulheres pretas. Traduzindo, está dizendo que não é propriedade alheia para que façam o que quiserem com suas vidas; que não são bagunça para que lhe fucem; que são donas de si mesmas. Mas afirmar, desse modo, é confirmar o racismo instaurado em si, é faltar com respeito com a vivência da mulher preta, é ser indiferente com a história alheia, é dizer que pode ser independente e enjaular as de pele escura, é se mostrar superior... É querer provar que diferentemente das negas, não só serve para sexo e servir.

"(...) 92% dos brasileiros acreditam que há racismo no país, somente 1,3% se considera racista. O instituto calculou que 92 milhões (68,4%) dos brasileiros adultos já presenciaram um branco se referir a um negro como “macaco”. E, destes, apenas 12% tomaram alguma atitude.(...)" 

Não precisa nem ser universitário das ciências exatas, para perceber a discrepância na incoerência dos números. Como pode ser 92% racista e somente 1,3% assumir que é? Os demais, por certo estão divididos entre racistas não assumidos e racistas que ouvem os amigos contar piada sobre preto, não se sente desconfortável e ainda complementa com risos. Independente do assunto, qualquer um que seja, deveria ser humano o suficiente para repreender as piadas que de algum modo fere o próximo.

Mas, numa coisa estão certos! Embora muitos ainda desejam, felizmente, muitas de nós não somos mais tuas negas subalternas. Estamos conquistando independência, falando umas pelas outras, trocando afeto e oferecendo abrigo. Muitas de nós, não somos mais tuas negas e deve ser um processo indigesto aceitar que mulheres cotistas/bolsistas estão superando os traumas e provando - primeiramente a si mesmas - aos 'ex senhores', sua importância.

O capitalismo está superfaturando com o comércio racista. Até lojas desconstruidonas que pregam empoderamento feminino (empoderamento branco) comercializam estampas com esta afirmação, mesmo sendo notificadas. Hipocrisia em dose pura, e o mercado lucra sem medir limites. Racismo é a única tendência que nunca sai de moda.

Nos respeitem porque não lhes damos oportunidades para faltar com respeito, não lhes permitimos nos chamar de 'nega', não somos seus pertences.
A estereotipação e a marginalização são cruéis. Nos fazer convenientes só quando somos lucrativas, é imperdoável.

Não sei ser feliz sozinha...

terça-feira, 22 de agosto de 2017

(ilustrativa ao texto - via)
Considerar, o tempo todo, que não merece se relacionar amorosamente (amizade e/ou namoro) com uma pessoa incrível, não é bom. Obviamente, considero melhores que eu as pessoas que estão comigo, é natural, mas não anulo a ciência que tenho de que sou boa o suficiente para merecê-las.

Se permites que o outro decida sempre, que faça as escolhas das coisas que só dependem de tua decisão; se pensa que as oportunidades são além do que merece (e que não sustentará só); se solicita aprovação para tudo por medo de não aceitação posterior... Esta pode ser considerada dependência emocional - ainda que subconsciente -, onde existe o dependente e o provedor - da informação/aprovação e emoção necessária.

Não conseguir ser feliz 'sem incentivo alheio', também não é bom, pois quando houver (se houver) uma interrupção dessa relação, começarão os questionamentos perturbadores e passarás a acreditar que não sabe como continuar a viver, só.

Fazer tudo por alguém, deixa de ser saudável quando o outro passa a se sentir um fracassado quando está sozinho. Por outro lado, ter ciência e ainda assim permitir/incentivar que o outro transfira a direção da vida ou seja 'manipulado' - por você -, é abusivo.

Caso se sinta dependente emocional, não é vergonhoso reconhecer e buscar apoio para identificar como essa dependência se alimenta e consequentemente trabalhar em promover tua autovalorização e recuperar teu espaço - ainda que para isto seja necessária a interrupção da relação.

É importantíssimo, não confundir e pensar que deve ser independente, imune - emocionalmente - o tempo todo. 
O essencial, é que saiba que se tu está com alguém incrível, é puramente porque este te acha incrível demais. O amor é muito puro para ser intolerante, e o que você sente, diz ou pensa é igualmente importante.


refúgio

domingo, 20 de agosto de 2017

(ilustrativa ao texto - via)
- - - -
do outro lado
alimenta minh'alma das coisas que só acredito
enquanto você respirar.
desse lado
só respiro 
enquanto você respirar.
sou vida
prosa e poesia
palavra inteira ou meia
enquanto você respirar.
sou o tanto na medida certa
sou o que foi e o que virá
enquanto você respirar.
o meu refúgio é teu respiro
o tempo sopra
e por enquanto, 
me oriento
coexisto.
só enquanto você respirar.
genuinamente
daqui
é bom vê-lo feliz
do outro lado.

Eu te esperei...

sábado, 19 de agosto de 2017

(Stephanie Ribeiro - via)
- - - -
Nos primeiros dias depois que você se foi.
Sentei no balanço vermelho que você me deu.
E como eu não podia fazer mais nada.
Aprendi a te esperar até o dia que você quisesse
Voltar a me balançar.

E te esperei.

Na primeira festa da escola para você
Fiz corações de cartolina com seu nome dentro.
Ensaiei cantar aquela música do Fábio Jr.
E te esperei.
Pensei que no meio daquelas várias pessoas
Você ia surgir para me ver
Que nem acontecia nos filmes da Sessão da Tarde.
Então até o último minuto eu cantei olhando a porta
E te esperei.

No meus aniversários.
Eu te esperei.
Nas formaturas.
Eu te esperei.
No almoço de domingo.
Eu te esperei.

Quando me fizeram chorar a primeira vez no recreio.
Eu te esperei.
Quando não sabiam pentear meu cabelo que era como o seu.
Eu te esperei.
Quando o primeiro garoto me fez me sentir um nada.
Eu te esperei.

Incansavelmente te esperei. 

Guardei sua foto no fundo do meu armário.
Guardei o urso azul que você me deu.
Guardei a memória do balanço vermelho.
E te esperei.
Esperei o equilibrio.
Esperei o balançar no sentido certo.
Esperei o empurrão para chegar mais alto.

Eu esperei seu tempo.
Esperei sua mudança.
Esperei até o último momento.
Sentei no balanço e esperei o seu impulso.
Esperei.

Quando você voltou,
Disse que tinha mudado.
Que sabia o que tinha feito de errado
E prometeu nunca mais me abandonar.
Eu vi meus pés nas nuvens.
Eu senti o vento no meu corpo.
Eu esperei você.
Esperei você me dar todas as provas que por você
Eu nunca seria amada.
Esperei tanto.
Que agora sozinha eu sei me balançar.
 - - - -
Poema de Stephanie Ribeiro, "Lido na última edição do TEDX, no sábado (12/8), em São Paulo, emocionou o público ao relembrar a espera pelo pai, que abandonou a ela e a irmã Giulia quando eram crianças."
"No Brasil 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai no registro, e eu fui uma delas assim como minha irmã Giulia, que para mim importa muito e que pode contar comigo se precisar de um empurrão.  Durante 7 anos nosso registro só constava o nome da minha mãe, minha irmã nem sequer tinha tido contato com ele por esse tempo e após sua “retomada” as nossas vidas uma sucessão de finais de semana sentadas na sala esperando por ele que nunca chegava vivenciamos. É fortalecedor expor isso publicamente, num país que homens como meu pai são abraçados e amparados, enquanto mulheres como minha mãe são isoladas." (Stephanie Ribeiro)

"E se todos fossemos negros?"

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

(via)
"Negros podem alisar os cabelos, pintar de loiro, usar lentes de contato... porque é “interessante” parecer branco. E o processo inverso? Como funcionaria? Não há nada de degradante nisso.  Uma ferida aberta na história da humanidade que parece não cicatrizar. Um assunto tão ultrapassado e que ainda persiste, comprovando o quanto ainda somos primitivos. Sei que no paraíso não há racismo nem racistas. Isso é uma coisa mundana e suja.  Em recente viagem a um éden natural banhado pelo mar do Caribe, fiquei hospedado em um resort que recebe visitantes de todos os cantos do planeta em busca de diversão, descanso e principalmente comodidade e mordomia. Neste universo turístico, ainda há o chamado Royal Service, onde uma casta abonada de brancos é servida incansavelmente por uma equipe qualificada de negros. Negros e negras lindos, com olhos brilhantes e saudáveis, muitos deles oriundos do Haiti ou de países africanos.  A situação se torna desconfortável quando percebemos que alguns destes “brancos endinheirados” tratam os funcionários do local como se fossem robôs, ou “máquinas de servir”, chegando ao ponto de não cumprimentar os mesmos na chegada em um determinado espaço onde serão atendidos.  Em que ponto exatamente em nossa história antiga se estabeleceu que havia uma raça superior à outra? Que espinho é esse cravado em nossa sociedade que até hoje não foi arrancado? Que sentimento preconceituoso é esse, daqueles que se intitulam superiores? Quem são os portadores de tal arrogância, entre nós da raça humana?  Impressiona o fato de ainda nos confrontarmos com este câncer que mistura discriminação, indiferença e sofrimento. Acredito que a principal razão para tanta intolerância seja o medo. As pessoas em geral têm medo de seus próprios sentimentos e de tudo aquilo que é desconhecido. No momento em que colocamos alguém em uma posição “inferior” a nossa, nos sentimos valorizados e privilegiados, e isso é mais do que lamentável, é vergonhoso.  E se todos nós fossemos negros? Pensando nisso, criamos uma série de retratos de personalidades imaginando as mesmas pertencendo à raça negra. Chefes de estado, celebridades e ícones da nossa cultura fazem parte do experimento What If? – The portrait collectionA ideia partiu de Henrique Steyer ao retornar de recente visita à República Dominicana. Os retratos foram criadas em parceria com o designer Felipe Rijo, especialista em manipulação de imagem." (Henrique Steyer, disponivel aqui, acesso em 17/08/17)

Fazia uma pesquisa sobre arquitetura e design, quando encontrei no boomspdesign, o perfil de Henrique Steyer: homem branco, formado em arquitetura e urbanismo, pós-graduado em imagem publicitária e pós-graduado em design estratégico.
Algo que me instigou a querer conhecê-lo, sem dúvida, foi o trecho seguinte, presente em sua apresentação:
"Com um espírito criativo absolutamente globalizado e raízes muito bem fincadas no Brasil, Steyer aposta também em outra faceta: o desenho industrial. Suas coleções autorais saíram das pranchetas com forte acento arrojado, passeando por temas que mesclam patriotismo, erotismo, crítica social, crítica racial, política, poder, sincretismo religioso e muito mais."
Numa breve googelada logo o encontrei, consequentemente, seu projeto 'What if?' (E se?). A partir disso, infelizmente, tive mais certeza de que brancos, realmente não se importam em saber o que é racismo.

Olhos claros e cabelos lisos com fios loiros não é cultural, muito menos genética intrínseca de uma única etnia. Nunca foi "interessante" parecer branco. Todo o mundo sabe que os privilégios estão concentrados não nas mãos dos negros . Para parecer conveniente e razoavelmente aceito em diversos meios, alguns negros se submetem a diversos procedimentos.

Racismo não é assunto ultrapassado, está acontecendo agora, na frente de todos e não precisa expandir muito o horizonte para vê-lo. Essa tal ferida está longe de cicatrizar, uma vez que os microrganismos que a inflamam, continuam se multiplicando.

Como esse tal espinho poderá ser arrancado? Tenha certeza que não será com essa ideia 'E se?', de conscientização.

Quando dizem que os negros são lindos e saudáveis - somente -, só reforça a ideia de que só se interessam pela beleza seletiva e funcional que produz dinheiro para os senhores.

Brincar de  colorir não conscientiza ninguém. A negritude está se movimentando e morrendo em massa, não basta para conscientizar? Quantas outras vidas precisam ser tratadas indignamente? A luta é vã? Porque, enquanto hipotetizam os fatos, o genocídio só aumenta.

Não é sobre enegrecer os brancos - negro não é fantasia -, é sobre cobrar que os respeite com dignidade e humanismo.
Ativismo mais legitimo que este?"Denuncio o racismo mas continuo explorando os negros lindos e saudáveis!"

Essa surrealidade é real. What if, a branquitude começasse se importar com a negritude? What if, eles parassem de fingir não compreender que as raízes do racismo é institucional, é político-social? Nada é tão superficial quanto fingem pensar. Reproduzir falácia pobre de História e continuar no trono, reforça o conceito de que realmente não se importam.

Racismo é lucro, não é? O sistema ganha, 'os artistas' ganham vendendo o que chamam de arte/conscientização; e quem perde são só os negros... Covardia institucionalizada!
Observação: 1- Acesse o arquivo de Steyer para ver mais desgraças. 2- Se você, sr. Henrique Steyer, por acaso ler isso, por gentileza se posicione ainda que isto seja indefendível.

período fértil

terça-feira, 15 de agosto de 2017

areia do deserto são teus lábios
quentes
macios
movediços
e como quem não deseja salvação,
onde mais desejaria me afundar?

o quase silêncio 
é vencido por cada badalada do pêndulo que exerce liberdade em teu peito, 
um louco equilibrado 
que transborda sabedoria, até quando nada diz.
onde mais desejaria me repousar?

nossas almas se externizam,
o silêncio fala por nós:
onde mais se pode ouvir com clareza a frequência que revela o timbre do amor?

a rotina não mais incomoda,
o que antes parecia provocar efeito anestésico,
estremece em turbulência.

do marco zero a aurora
somos mais alma que gente
é quando tudo acontece:
o período fértil do amor.

A definição de masculinidade foi atualizada com sucesso!

domingo, 13 de agosto de 2017

(via)
THE MASK YOU LIVE IN (a mascara em que vive)
Disponibilidade: Netflix

2015 • 14 anos • 1h 32min 

Este documentário sobre a "crise dos meninos" nos EUA, explica como criar uma geração de homens mais saudáveis e apresenta entrevistas com especialistas e acadêmicos.

Direção: Jennifer Sieber Newson
Classificação:


- - - - - 
O documentário que venho vos indicar, é de extrema importância social, pauta que deveria ser considerada política ao nível do conhecimento de todas as mães, pais, educadores e todos os outros. Reflexão para além de necessária.

Trata-se da cultura da masculinidade e o molde não saudável de criação de homens nos EUA - mas, válido para todo o território terrestre.

O modo como se cria homens é problemático. Quando ainda meninos e adolescentes, são ensinados que não se pode chorar, que por serem fortes não podem deixar o sentimento aflorar (sentimento é coisa de fraco)... genericamente, estas afirmações são reproduzidas pela figura paterna, os quais eles acabam acreditando - por serem seus heróis - e se espelham.

A ausência da figura paterna, ao contrario do que se pensa, não é problema somente da família mas também é problema social (quando se trata de abandono paterno, não digo sobre a diversidade de famílias que não contemplam homens em sua formação).

No desenrolar do documentário, é possível enxergar 'de forma ilustrada' como isso ocorre.
Quando o menino cresce sem o pai, de certa forma, ele não encontra em quem se inspirar dentro de casa. Consequentemente, ele busca a tal representatividade, nos homens da TV: heróis imbatíveis, dominantes de todas as situações, com sucesso financeiro, durões/vilões, seletivos entre si ("quem é menos homem não anda comigo!"); nos homens dos videogames: perversos e violentos, intolerantes a provocações, não resolvem os problemas por meio de comunicação verbal; nos  homens da Lei: admirados por exercerem soberania aos 'moleques', donos da lei... e outros.

Parte desses meninos buscam  masculinidade nos jogos, principalmente no futebol. Não querem ser diferentes: "todos jogam, preciso ser como eles!". E é então, quando a figura do técnico passa a ter suma importância em suas vidas.
Alguns que não tem pai presente, como já foi dito, busca a figura do mesmo,  em outros. Parte deles, encontram essa tal figura em seus técnicos. A partir disso, esse cara é o maior responsável - ainda que subconscientemente - por parte da formação de caráter desse jogador.
Seu sucesso passa a depender das diretrizes do técnico, e se este, prioriza vitoria sobre ética (ensina-os a vencerem a qualquer custo, seja eticamente correto ou não), pode-se imaginar o futuro desses jogadores. Ainda que sem pretensão, o futebol também cria homens (e não depende só do técnico, mas também, da associação esportiva na qual fazem parte).
O futebol possui um papel decisivo para muitos, podendo ser educativo/construtivo ou destrutivo. É necessário se manter atento, e isto também compete a sociedade.

Outros - adolescentes - ainda, buscam referencia nos materiais pornográficos. Por lá, aprendem como as mulheres gostam de serem tratadas, constroem sua noção de sexualidade. Segundo pesquisas (neste documentário), a busca por videos de estupro também é grande.
E a cultura do estupro continua se reproduzindo, o feminicídio continua ceifando vidas. Os homens se sentem superiores e quando algo lhes são negados, foram ensinados que não devem abrir mão do controle, que devem estar exercendo soberania sempre.

foto da cena do filme

Meninos magoados se tornam homens magoados. É necessário desconstruir para reconstruir, reumanizar o desumanizado. Ensiná-los que o coração é mais importante que a cabeça.

Não é sobre transformá-los em meninas, mas, sobre ajudá-los a serem meninos empáticos; enxergar humanidade nas meninas.
Se chamares um menino de menina, certamente ele não gostará. Então, o que está sendo ensinado a eles sobre as meninas? A cultura de criação de homens, esta ensinando a rejeitar tudo que é feminino, exceto quando se trata de sexo.

É preciso ensinar que não se deve apoiar o amigo quando ele faz algo errado, só porque é homem. A camaradagem neste nível não é saudável.
É preciso - o quanto antes - permitir que os meninos sintam, partilhem afetos e sensações.
É preciso ouvi-los, entende-los, ajudá-los. A cada 9 segundos (segundo pesquisas neste documentário), morre 1 menino por suicídio. Suicídio, é a 3ª maior causa de mortes em meninos. Meninos também sofrem violências sexuais e psicológicas. Crianças negligenciadas (pelos pais ou um dos pais), estão 9x mais propensas a se envolver em crimes, a recorrerem a comportamentos desesperados, usarem drogas para fugir dos próprios pensamentos.

É um problema de todos. A masculinidade deve ser reumanizada.

Aos meninos abandonados pelos pais, desejo que sejam sensíveis a ponto de serem gratos por  serem quem são. Peço que não sintam vergonha em solicitar apoio, a culpa não é sua por tudo que sofreu. Não seja forte o tempo todo, perdoe quem foi que disse que para ser homem, tem que ser assim.

Observação: 1 - Ao dizer que o menino sem figura paterna presente, busca representatividade fora, a intenção não é generalizar. Incontáveis mães criam meninos sozinhas, proporcionam proximidade saudável, permitem que sejam sensíveis... e fazem isso com excelência. 2 - Nem sempre, pai presente, participa da vida do filho. 

Se assistir ao filme, conte-me como foi a experiencia! 

Como organizar sua leitura?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

No seu pescoço, Guerra dos lugares e Cidade para pessoas
Neste momento, estou com 5 livros, e o meu desejo é de ler todos de uma vez. Mas, tenho algumas restrições, preciso conciliar o curso com o trabalho e outras atividades.
Para me auxiliar, decidi me programar, pesquisei alguns aplicativos e encontrei um que parece ser eficaz. O nome é 'Minha Leitura' (disponível no Play Store):

insira os dados requisitados, adicione a capa a partir de fotos de tua galeria;

quando salvá-lo, ficará como no print do lado esquerdo. Ainda podes ativar alarme para lembrá-lo da leitura diária :)


Os livros, comprei na Saraiva com desconto usando cupons promocionais gratuitos do site Cupom válido, que oferece desconto em diversos produtos de inúmeros segmentos para economizares em tuas compras online. Ótima dica, não?

Quando terminar, voltarei para resenhá-los! 😊 
E tu, como se organiza?