Teu feminismo me abraça?

novembro 12, 2016

(ph: Tainan Silva)

Meses atrás, passei por uma experiência desconfortável, onde uma garota linda e loira (kit garota sonho dos rapazes) fez um pequeno comentario ofensivo referente ao meu cabelo, que me fez duvidar do feminismo. 

Decidi fazer uma analise cá no meu pensamento... O feminismo não faz recruta e seleção por aí, pelo contrário, nós garotas, temos a liberdade para decidirmos se queremos fazer parte do movimento, ou não. Eu faço parte, do modo que me cabe.

Pós diversos surfes e pesquisas na internet, concluí que dentro do movimento existem diversas versões do feminismo, sendo que cada uma escolhe, a que lhe cai bem. E numa dessas diversas versões, existe o feminismo da branquitude racista. Sim, é assustador saber isso (pelo menos, para mim foi) e há garotas brancas que negam até o final.

Eu iria te explicar esse tal feminismo da branquitude, mas acompanho uma organização, a Geledés que é o Instituto da mulher negra fundado em abril de 88 e lá, a colunista Stephanie Ribeiro explicou o conceito disso e compartilharei com você:

O Brasil mesmo sendo o país de maioria negra, e mesmo tendo as mulheres negras como 26% ... tem ainda um feminismo/luta emancipatório pelo direitos das mulheres, extremamente RACISTA... Atualmente as mulheres brancas vem usando a falácia do “good vibes” as brancas se intitulam como calmas, focadas, que não entram em “tretas”, superiores, amorosas, pacíficas. O antigo: eu luto pela sororidade. A completa oposição ao comportamento de mulheres negras, facilmente taxadas como agressivas, violentas, até quando estão DIGITANDO. Não que negras são violentas, mas SEMPRE que uma mulher negra se manifesta, ou a mera entrada de uma mulher negra num espaço causa estranhamento. E é isso… A mulher negra é taxada como agressiva ao respirar, então quando manifesta sua opinião, ou seja, se acha no direito de falar sem ter sido chamada (afinal negras servem para serem marcadas/consultadas em posts quando alguém tem dúvidas sobre o racismo) não somos BEM VINDAS. Sendo assim o good vibes acaba, assim que uma mulher negra questiona uma mulher branca. (via Geledés)

Talvez você garota branca que está lendo isso agora, não faça parte do feminismo da branquitude (o que infelizmente, para mim é raridade). Mas é difícil para uma garota preta acreditar em ti, pós tantas experiencias horripilantes, entende?

A diferença entre o tratamento com garota preta vs. garota branca é saltante e nessa hora a tal sororidade perde o sentido (talvez, nunca teve sentido). Deveriamos estar na luta por uma coisa só, para que tantas complicações?

Ainda é muito mais complexo do o que já apresentei até agora, mas não quero que você me veja como a preta coitada que tem um blog para choramingar e implorar por atenção. Até pouco tempo, se você procurar eu só abordava assuntos de arquitetura e construção, mas na real, minha vida não se resume no curso que eu curso. Uma coisa que me dá prazer é escrever, qualquer coisa que me der vontade. Então, enquanto eu possuir bem-estar mental, estarei por aqui escrevendo sobre o que eu gosto e o que me incomoda.

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