Nossa existência é neblina que se dissipa no não esperar

(imagem ilutrativa ao post, via Pixabay)

Estava conversando com um amigo sobre coisas quem vem acontecendo dentro de um curto período de tempo, especificamente sobre o caso da aeronave da associação Chapecoense de Futebol que sofreu uma queda na Colômbia, próximo a Medelin, na madrugada de terça-feira, 29 de novembro desse ano, deixando +70 de 81 seres mortos. Infortúnio que abalou a muitos. 

Infortúnios em grande e pequena escala acontecem todos os dias pelo mundo e comumente a porção que fortemente se atinge, são as famílias

Recentemente meu avô paterno nos deixou, para ser mais precisa, na manhã de sexta-feira, 18 de novembro desse ano. Dor irreparável.
Não penso que o perdemos. Creio na existência do espirito individual e na evolução do mesmo e isso me conforta.

Em contrapartida é extremamente árduo crer que seres em massa se vão, porque já tocaram o ápice do espirito. Estariam todos os espíritos no mesmo nível?
(Ainda assim, gosto de pensar que a morte é evolução.)

Isso me evidencia a teoria de que nada possuímos enquanto matéria e que nos foi dada a oportunidade de andar pela Terra (cada individuo segundo sua fé), onde o único sentimento que perpetuará conosco será o amor (há quem diga que isso é clichê). 
Então, por onde andais, emane amor. Nossa existência é neblina que se dissipa no não esperar.

Quanto ao caso da associação Chapecoense e aos outros casos que desconhecemos, o que nos cabe é dedicarmos os nossos sinceros sentimentos às famílias, amigos e demais. 

Aos que tem fé, rogai por todos.

(Sem-ti)mento clandestino

(Tassia Reis, foto ilustrativa ao post)

É domingo, 11:00pm, 27 de novembro de uma noite de verão. Amanhã começa a semana de provas e eu ainda não estudei. Tenho alguns trabalhos de final de bimestre à fazer, mas eu não os fiz. Ontem comecei a assistir a nova série brasileira lançada pela Netflix, a 3%, mas não a terminei.

Escrevi uma poesia pequenina e decidi que publicarei amanhã, é sobre a admiração e afeição que sinto por um moço, ele é incrível.

Estava pensando no que fazer quando  cheguei da igreja às 8:00pm e até agora nada fiz. Conferi o perfil dele minutos atrás. Está tudo certo, não há nada novo.

Tenho problemas com o tal apego (afeição constante e excessiva) que nem sei se posso chamá-lo, pois não se deve existir apego quando dois indivíduos  não se conhecem. Mas eu o conheço, ele não me conhece o quanto eu o conheço, eu acho.

Sabe aquele poema que disse? É sobre isso, sobre eu conhecê-lo mas do que o necessário (?). Sei tanto, mas não conheço os desejos de seu coração e invento um turbilhão de possibilidades, inclusive desconfio que ele esteja gostando de alguém. Me confortará se eu souber que o tal alguém gosta dele reciprocamente. 

Ainda não identifiquei o que sinto. Dei um jeito de fazer meu coração acreditar que ele é  intocável, inatingível (será auto-mutilação?) e que nunca seremos nós. Será ele e alguém. Serão eles.

Eu tratarei de desconhecê-lo. Talvez seja só um sentimento  "clandestino" que não deveria estar onde está (mas se está onde está é porque deva estar). E se não for? Ainda não pensei na minha reação diante a surpresa esperada.

Lugar de mulher é na cozinha, mas não na cozinha gastronômica

(chef Helena Rizzo, da Padoca do Maní - grupo Maní)


Não é segredo que por um período incalculável, as mulheres só eram uteis para vencer o serviço domestico e criar os filhos enquanto que o homem trabalhava externamente para suprir as necessidades da casa. 

Lamentavelmente, ainda existem diversos casos de submissões ao gênero masculino. E não é porque mulher gosta de apanhar não, cada caso tem seu nível de delicadeza e não cabe aos externos, julgá-los. O que deve-se fazer, é conscientizar a mulher sobre seus direitos à proteção (não por ser frágil - porque mulher não é frágil como dizem - mas com uma proteção assegurada por Lei o homem temerá à algo). 

Me magoa profundamente pensar que mulher ainda precisa da Lei de Maria da Penha para se proteger fisicamente de um ser que é constituído da mesma matéria que ela. Me magoa também, ao pensar que muitos homens só não agride (fisicamente né, pois palavras são dardos inflamáveis) suas esposas, por temerem à Lei e suas consequências, não por pensar que suas esposas são pessoas que possuem igual valor à si.

Mas o assunto hoje é especifico, vamos ao ponto!

Masterchef Brasil é um dos programas que adicionei aos meus favoritos, gosto de torcer e vibrar juntamente aos participantes que sinto afeição. Não consigo assistir em "tempo real" mas acompanho aos episódios lançados na internet posteriormente.
No episodio de nº 07 que foi ao ar em 15/11, houve uma divisão aleatória dos participantes em 2 equipes composta por 3 indivíduos, mas o que ganhou minha atenção e me deixou incomodada, foi a atitude de Ivo para com Dayse (sendo que a equipe foi composta por: Dayse, Dário e Ivo).
A prova culinária contou com 05 tempos (rounds). Durante o 01º tempo, percebi a tentativa de introdução de Dayse à cozinha. Ficou apenas na tentativa. Durante o 02º tempo, Dayse percebeu uma certa exclusão de sua figura (pois até então, Ivo, o líder do trio só tinha-lhe direcionado tarefas pra lá de pequenas e ainda teria assumido a conclusão das mesmas) e questionou o líder sobre sua presença na cozinha:
D: Somos uma equipe, se todos não trabalharem não funciona! Me dê algo para fazer!  
I: Poxa não há nada mais para fazer (enquanto que ele e Dário, cozinhavam), o tempo é curto e temos poucas coisas. Se ta tão incomodada, pega a vassoura para varrer então! "Mulher é frágil, é delicada na cozinha! É complicado!"

Mas que estranho! Mulher na cozinha caseira, aquela que só é útil para vencer os serviços domésticos, cuidar do filhos, servir e satisfazer sexualmente e se submeter ao homem, essa SIM é boa na cozinha e não deve existir nada de frágil e complicado para ela.  Estranho mesmo! Quando a mulher tem a oportunidade de conquistar um ensino superior, então ela não serve mais para atuar na cozinha? Lugar de mulher não era na cozinha?(ironia) Contraditório, não?
Existe uma constante mudança no suposto **papel** da mulher na sociedade, ditada pelo gênero masculino e lamentavelmente o machismo em sua maioria está dentro de sua casa. É um tal de que mulher não pode, mulher não faz, que até assusta (mas esse susto só aumenta a sede da luta por igualdade).

Flor, à você que está lendo, peço-lhe que se atente aos detalhes. (Não vos chamo de flor por pensar que és frágil. Flores são fortes: secam, florescem, mas continuam enraizadas e em vida até o momento em que a vida lhe for permitida. Peço-lhe ainda que saiba "saltar espinhos" para se proteger quando tentarem puxar-lhe pela raiz.) 

Não inferiorize-se na presença masculina, não sinta-se menor ou com menos importância. Seja como e o que você quiser ser, permita-se. Juntas e entrelaçadas numa só corrente, conquistaremos (tive que me incluir) seus objetivos na sociedade. É complexo, esse tal machismo é tão forte que já está institucionalizado mas a revolução já começou e é feminista. Por amor, não desista! 💛

Ah, escolha carinhosamente um participante para que você sinta afeição. 😀

Empatia seletiva e a indiferença ao sentimento alheio

(imagem "ilustrativa" ao post, via MST)

Empatia, é o estado em que o teu psicológico se projeta no outro individuo, de modo a compreender os sentimentos do mesmo, em determinada ou diversas situações. Tem sido uma palavra bastante falada, pregada e adorada no mundo digital.
É bonito de se ver tantas pessoas pregando o quão importante é ser empático. É humano.

Desplugados da internet, uma fatia grande de pessoas são completamente distintas do que se revelam virtualmente (isto não é novo). Elas não se importam com o próximo do modo que escrevem, não são empáticas com toda e qualquer vida humana, não lutam bravamente de modo à honrarem o que dizem ser e fazer. Elas só se harmonizam com os teus e com aqueles que compartilham de suas ideologias. Aos outros que estão do outro lado, desejam a morte.

Já ouvi dizer que a esquerda faz o uso da empatia seletiva. Mas, ser empático ou não, não cabe somente ao campo politico. Existem não-empáticos tanto esquerdistas, quanto direitistas. 
Eu admiro imensamente pessoas que possuem pensamentos politizados, aliás é de extrema importância conhecer as raízes da politica do país e de fora (eu ainda peco às vezes por ausência de informação e argumento, mas estou trabalhando nisso hahahaha 😊 - na verdade não tem risadinha não, isto é sério!).
Mas vale lembrar e não se esquecer que felizmente o mundo não orbita somente em torno do campo politico. Volto a dizer: ser empático independe de tua ideologia politica e esse é um ponto que as pessoas precisam saber divergir.  
Pessoas são pessoas e não devem ser expostas de modo à inflamar sua dignidade. Se uma regra vale para você, vale também ao outro, mas o que eu tenho visto, são pessoas ferindo pessoas por divergência de ideologias (em diversos campos: politico, religioso, sexualidade, social...): "Se você estiver do meu lado, te protejo; se não estiver, te lanço aos porcos para que se lambuzem contigo (digo, aos porcos "racionais")."
Não deve-se ter compaixão pensando que "amanhã pode ser você ou alguém de sua família", isto é errado. Deve-se ter empatia, por se tratar de pessoas que possuem moralidades e liberdades individuais, acima disso, possuem o direito da dignidade humana.

Não se importar com o sentimento alheio, é desumano. Você não se importa que atinjam bravamente a tua dignidade?

Pense carinhosamente antes de expor ou fazer parte da exposição do teu próximo, seja por qual meio for (virtualmente: mais comum, ou fisicamente). Pense carinhosamente no efeito da desestruturação psicológica pós traumática. Selecionar quem merece ter ou não ter a dignidade acondicionada, também é desumano.

(imagem via Slideshare)

A cidade como produto na vitrine do capitalismo

(via O Globo)

Recentemente descobri minha paixão na sociologia urbana e arquitetura sociológica. No inicio quando fui apresentada à disciplina houve uma rejeição da minha arte. Parecia ser complexo demais para mim (e é), mas quando vale a pena a gente abraça a causa.

Sexta-feira (11-novembro-16), em sala, na aula de Sociologia e antropologia estávamos abordando o tema: ocupação de imoveis que não cumprem sua função social (Art. de nº 182 da Constituição Federal). Assistimos o documentário Leva e após o termino, minha orientadora abriu um espaço para comentários sobre o mesmo. 

Algumas pessoas tiraram algumas duvidas e conversaram mais um pouco. De repente, atras de mim vem a seguinte afirmação: 
"Essa gente que ocupa esses edifícios é vagabunda (não disse com essa palavra, vagabunda, mas disse). Não deveria existir esse negocio de "ceder" a edificação para eles. Quanto mais o governo lhes cederem e inventar projetos habitacionais, mais gente vai aparecer querendo casa de "graça"."
No documentário Leva, um dos lideres desse grupo do movimento dos sem teto, conta sua história pessoal, onde ele começou a namorar sua esposa quando a mesma tinha pouca idade e logo que o pai da garota descobriu, ela apanhou. Após isso os dois foram para a casa dele e em seguida a tia do rapaz decidiu levar ele para a cidade de São Paulo. Chegando lá, passaram por diversas dificuldades, vieram os filhos e finalmente eles conheceram e se juntaram ao movimento.
"Não viu esse rapaz? Ele tinha onde morar anteriormente, a garota também. Mas por motivo de relacionamento preferiram ir pra rua. Porque? Porque sabe que vai invadir (ele tava querendo dizer, ocupar) e vai conseguir pra si uma casa enquanto que a gente tem que trabalhar para conseguir. E tornou a dizer que enquanto o governo continuar cedendo habitações para essa gente, mas dessa gente vai aparecer... Disse ainda que demoliria todas essas edificações abandonadas para que esse negocio de ocupação se estancasse de uma vez. Antes o imóvel chão baixo que sido tomado por essa gente..."
Esse (o da fala) é o pobre de direita apoiador dos porcos capitalistas, que diz que todos possuem boas oportunidades na vida, só não sabem desfrutar. Segundo ele, o sistema não possui reféns.
É mesmo tão simples assim? Só está na rua quem quer?

No livro O direito à cidade, Henri Lefebvre (filósofo marxista e sociólogo francês), diz:
"Só a classe operária pode se tornar o agente, o portador ou o suporte social dessa realização..."
Ou seja, só a classe operaria/proletária pode conquistar seus ideais, por meio de projetos e movimentos sociais e estando à frente pela luta do “direito de ter seus direitos” e continuar elegendo partidos intelectuais de esquerda (que é o único partido que realmente se importa com a fatia pobre da sociedade).

O déficit habitacional no país só aumenta e onde está o direito de moradia à todos? Só funciona com a classe média e alta?

Ainda no documentário Leva, a líder principal do movimento faz questão de mencionar a exata quantidade de imoveis (salvo erro, mais de 400k) distribuídos pela São Paulo, que não estão cumprindo suas respectivas funções sociais (quantidade suficiente para abrigar todos que estão na rua). E a maioria (se não todos) desses imoveis já não contribuem com impostos há anos e por esse motivo o poder publico passa a ter o poder da desapropriação. E se isso é possível, porque o poder publico não desapropria os imoveis que não cumprem a função social e não contribuem com impostos e os transformam em conjuntos de habitações de interesses sociais para as famílias em situações de ocupações?
A resposta é simples, não é? Se não houver retorno lucrativo para o poder publico, nada acontece e não é novidade.

A cidade hoje, não é mais só um conjunto aglomerado de pessoas. A cidade é um produto no mercado capitalista, onde quem tem capital excedente compra e vende enquanto o proletário se divide em 10 (10? vezes quanto?) para concretizar o sonho da casa própria.

Essas pessoas que se abrigam em imóveis de ocupações, não querem morar de graça, não querem ser chamadas de vagabundas. Elas também querem pagar por uma habitação para chamar de sua, elas também querem contribuir com impostos, como você. Mas pagar com o que? Sob quais condições?
Eles querem que o Estado honre o  Art. de nº 06 da Constituição Federal que diz à respeito dos direitos sociais:
"São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição." (via Planalto)
Com tanta casa vazia ainda temos pessoas sem casa. Isso está acontecendo agora, debaixo dos nossos cílios.

(via)

Recentemente elaborei um trabalho sobre o assunto e disponibilizei para leitura. É um resumão e possui inúmeros erros (de tudo: gramatica, organização, linguagem (informal) e outros trocentos), mas foi uma experiencia e tanto abordar esse tema. Espero realmente que você leia e me dê teu parecer 😊. Ainda sou inexperiente no assunto e aprendo todos os dias com cada detalhe, talvez você veterano irá dizer que meu trabalho está incompleto, mas estou ciente disso.
 Boa leitura, amiguinha/o!
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Teu feminismo me abraça?

(ph: Tainan Silva)

Meses atrás, passei por uma experiência desconfortável, onde uma garota linda e loira (kit garota sonho dos rapazes) fez um pequeno comentario ofensivo referente ao meu cabelo, que me fez duvidar do feminismo. 

Decidi fazer uma analise cá no meu pensamento... O feminismo não faz recruta e seleção por aí, pelo contrário, nós garotas, temos a liberdade para decidirmos se queremos fazer parte do movimento, ou não. Eu faço parte, do modo que me cabe.

Pós diversos surfes e pesquisas na internet, concluí que dentro do movimento existem diversas versões do feminismo, sendo que cada uma escolhe, a que lhe cai bem. E numa dessas diversas versões, existe o feminismo da branquitude racista. Sim, é assustador saber isso (pelo menos, para mim foi) e há garotas brancas que negam até o final.

Eu iria te explicar esse tal feminismo da branquitude, mas acompanho uma organização, a Geledés que é o Instituto da mulher negra fundado em abril de 88 e lá, a colunista Stephanie Ribeiro explicou o conceito disso e compartilharei com você:

O Brasil mesmo sendo o país de maioria negra, e mesmo tendo as mulheres negras como 26% ... tem ainda um feminismo/luta emancipatório pelo direitos das mulheres, extremamente RACISTA... Atualmente as mulheres brancas vem usando a falácia do “good vibes” as brancas se intitulam como calmas, focadas, que não entram em “tretas”, superiores, amorosas, pacíficas. O antigo: eu luto pela sororidade. A completa oposição ao comportamento de mulheres negras, facilmente taxadas como agressivas, violentas, até quando estão DIGITANDO. Não que negras são violentas, mas SEMPRE que uma mulher negra se manifesta, ou a mera entrada de uma mulher negra num espaço causa estranhamento. E é isso… A mulher negra é taxada como agressiva ao respirar, então quando manifesta sua opinião, ou seja, se acha no direito de falar sem ter sido chamada (afinal negras servem para serem marcadas/consultadas em posts quando alguém tem dúvidas sobre o racismo) não somos BEM VINDAS. Sendo assim o good vibes acaba, assim que uma mulher negra questiona uma mulher branca. (via Geledés)

Talvez você garota branca que está lendo isso agora, não faça parte do feminismo da branquitude (o que infelizmente, para mim é raridade). Mas é difícil para uma garota preta acreditar em ti, pós tantas experiencias horripilantes, entende?

A diferença entre o tratamento com garota preta vs. garota branca é saltante e nessa hora a tal sororidade perde o sentido (talvez, nunca teve sentido). Deveriamos estar na luta por uma coisa só, para que tantas complicações?

Ainda é muito mais complexo do o que já apresentei até agora, mas não quero que você me veja como a preta coitada que tem um blog para choramingar e implorar por atenção. Até pouco tempo, se você procurar eu só abordava assuntos de arquitetura e construção, mas na real, minha vida não se resume no curso que eu curso. Uma coisa que me dá prazer é escrever, qualquer coisa que me der vontade. Então, enquanto eu possuir bem-estar mental, estarei por aqui escrevendo sobre o que eu gosto e o que me incomoda.

Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade

A provedora global de filmes e séries de televisão Netflix, tem conquistado aproximadamente 70 milhões de corações pelo mundo (haha, corações?).
Não é por acaso que vem ganhando bastante visibilidade, pois oferece conteúdos para todos os gostos: documentários, filmes, animações e series de todos os gêneros.

O que mais prende a minha atenção, são os documentários (algumas séries e jogos de futebol americano também). Aproximadamente 70% dos minutos que vejo, são documentários. Gosto, porque penso que enriquece o conhecimento e a visão social sobre que acontece pelo mundo e pela mente alheia.

Decidi que indicarei um filme/doc. por semana pra você. E hoje, venho vos indicar um, dos que já assisti e claramente, gostei.

Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade

 clique na foto e vá ao site oficial!

Este filme é resultado do trabalho significativo do cineasta Kip Andersen após perceber que as ONGs ambientalistas não se importam realmente com a dolorosa destruição do planeta.

Embora não pareça (pois isso não chega, ou chega com uma informação deficiente até o consumidor final), a pecuária causa impactos violentos sobre a natureza. A agropecuária, na verdade, é o maior problema ambiental e é o que está acabando com o nosso planeta.

Parte desse documentário se passa no Brasil. e cita também alguns percursores do assunto que foram mortos por empresários da agropecuária, por saírem por ai, dizendo que esse ramo de negocio era o que estava deteriorando o meio ambiente.

Kip, também reforça a importância da dieta vegana hoje, em relação ao assunto (mas lembre, você é livre pra fazer o que tua alma sente paz) e como isso contribuiria para a restauração da Terra.

Não deixe de assistir se você é protetor da vida ambiental. Ah, não te esqueça de voltar e me dizer o que pensa sobre o filme!

Eu, vitimismo

(ph: Tainan Silva)
Ser mulher, infelizmente ainda é sinônimo de inferioridade (o que me anima é que aos poucos estamos conquistando esse mundinho). Ser preta, infelizmente ainda é sinônimo de fracasso (tá difícil reverter isso, mas unidas, conseguiremos). Ser você for mulher e preta, o sistema te diz que nunca realizará o que sempre idealizou para a sua vida.

Minha relação com o preconceito racial começou bem cedo (literalmente, às 07h da manhã). Na segunda serie do ensino fundamental, por uma infelicidade "conheci" (na verdade, eu nunca me dei a oportunidade de conhecê-lá) uma garotinha que se chama Bruna.

Bruna, acordava todas as manhãs disposta a enriquecer seus conhecimentos. Eu também. Bruna era uma das primeiras a chegar, consequentemente, uma das primeiras da fila. Eu também. Mas Bruna raramente fica ao meu lado, sempre ficava alguém entre nós, pois a fila, era na ordem de chegada.

Uma bela manhã (foi bela pra muitas outras crianças, por exemplo... que não tinham alimento em casa, pois a escola fornecia café da manhã; foi bela pra muitas outras crianças, por encontrarem seus amiguinhos que mais tarde brincariam juntos; foi bela pra muitas outras pessoas, mas não pra mim) Bruna decidiu que precisava oprimir alguém, pra se sentir superior ou por qualquer outro motivo que desconheço. Sem muito esforço, Bruna escolheu a dedo quem seria seu oprimido.

A pessoa escolhida fui eu. Não poderia ser outra. Eu tava ali: preta, com o cabelo na textura mais crespa existente nesse mundo (meu tipo é 4c, existem classificações para cada tipo de cabelo, sabia?), que só usava saia (calça longa? nem pensar, era saia até 1/2 canela só e sem reclamar!).

A partir desse tal dia, o meu ano letivo foi o mais longo da minha vida. Sabe aquela historia de que os dias viraram semanas, semanas meses e assim sucessivamente? Provei o sabor disso aí.

Eu aguentei firme no inicio, sem declinar. Passado alguns dias, comecei a repugnar o ambiente escolar. Era choro pra não ir à aula todos os dias (minha mãe nunca soube o motivo dos meus choros, pra ela, eu era preguiçosa e birrenta), implorava pra minha mãe me deixar faltar, mas ela nunca deixou e fez bem, pois eu teria fracassado mais uma vez diante do problema. 

Ouvi coisas horríveis. Bruna dizia que ela e o primo me mataria e ainda descrevia como seria, segundo ela, com marteladas de pregos em minha cabeça. Descrevia outros diversos meios  de como minha morte aconteceria, mas essa foi marcante (sou grata ao tempo por ter apagado de minha memória, as outras falas dessa garota).  

Ela conseguia deixar meu coração em carne viva ardente e eu me sentia menor que um farelo de trigo (pelo menos a junção de vários farelos de trigo servia pra fazer algo, um bolo gostoso de laranja e muito mais). Mas eu era um único farelo com uma inutilidade imensurável.

Certa manhã, aconteceu a mesma coisa que nas anteriores, mas eu já estava esgotada de tudo e comecei a chorar alto, em sala (foi vergonhoso, mas eu não me contive) e a professora tomou uma posição. Perguntou o que estava acontecendo, se eu estava me sentindo mal, se havia acontecido algo com minha mãe (Deus me livre de acontecer algo com minha mãe), e eu neguei todas a possibilidades apresentadas por ela e contei o verdadeiro motivo.

Eu nunca vi alguém me abrigar (fora de casa) da forma que Raquel fez (minha professora). No mesmo momento, Raquel retirou eu e Bruna, da sala. Fomos até a sala do primo de Bruna (o tal individuo que supostamente ajudaria Bruna me fazer mal) e Raquel exigiu uma explicação pra tanta maldade psicológica à minha pessoa (se é que eu me considerava uma pessoa naquele momento).

Os dois se calaram. Raquel e eu, não tivemos respostas coerentes, menos ainda, justas. Aquele foi o marco do fim do meu sofrimento, vindo de Bruna. E assim foi o desfecho.

Eu não preciso que você, branco, sinta pena do que me aconteceu. Afinal, é só mais uma historia pra coleção do racismo, narrada por uma preta que vive se fazendo de vitima (não é?).

Ah, quase me esqueço de te dizer: Bruna também é preta! 
E número de morte preta não para de crescer. Racismo mata e deixam feridas. 

"23 mil jovens negros de 15 a 29 anos, são assassinados por ano... São 63 por dia. Um a cada 23 minutos..." (via BBC Brasil)

Não há nada de errado nisso pra você?

Sempre encontro Bruna pelas ruas do meu bairro, acredito que more no bairro de cima. Ela me olha e não diz nada, nem boa tarde. Eu também não. Ela continua linda. Talvez fosse uma garotinha problemática, não sei. Mas não esqueci e nem vou, infelizmente. 
Você faz ideia da perturbação mental que isso resulta? Quantas "Elizenas" existem pelo mundo? E Brunas?

Antes de pensar que racismo é crime (e que só por isso não fere algum preto), lembre-se: preto também tem coração, e igual ao teu (é, imagino que você reluta contra isso). Palavras são fortíssimas e quando mal usadas, são destruidoras.