Meio a meio

quarta-feira, 20 de junho de 2018 Nenhum comentário

Quando choras, 
de mim também borbotam lágrimas. 

(Pra amiudar, dividamos, que não dou licença pro sufoco. Dividamos, que eu aprendi digerir depressa.)

!

sábado, 16 de junho de 2018 Nenhum comentário
Não há tombo que te trinque,
que não provoque também minha dor!

Mi casa es su tambien!

quarta-feira, 13 de junho de 2018 Nenhum comentário
Antes do afeto de fato, ao outro somos estrangeiros. Psicologicamente estranhos. Coabitamos o mesmo espaço, porém desiguais e/ou conflitantes. Passageiros, instantes carregando histórias e despertando sensações.

Despertamos sensações e o afeto germina. Depois - subsequente ao afeto positivo -, a aproximação contínua. 

Quando nas trocas sentimos plenitude e o outro oferece reciprocidade, a sequência é que a felicidade seja comungada: nomeamos, amor.

O antigo estranho, agora tem nome e o convidamos à morar em casa: dois, num.

Sobretudo, a extrema aproximação não nos torna pertences mútuos.
Como hospedeiros, não podemos perder o âmago - nossas entranhas, a parte mais profunda, a alma, o intímo -, para quem o conheceu depois de nós. Sendo hóspedes, não podemos ser parasitas.

Autocuidado ♡

sábado, 9 de junho de 2018 Nenhum comentário
As palavras que cruzam contra a minha boca não são sábias, mas tu sabes bem para onde direcioná-las. Enquanto em minha língua permanecer o calor, queimarei as suas feridas. 

2. Equivocanálise: "Orgia"

quinta-feira, 7 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quem se atreverá beber de mim?
Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
Ou outro a pôr em risco o juízo?
Um velho que me agitará entre os dentes?
Ou outro frenético aos goles imprudentes?
Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Sangue do sangue do sangue

terça-feira, 5 de junho de 2018 Nenhum comentário
Meu avô casou com a prima, que é minha vó, esposa e prima. O irmão do meu avô casou com a prima, que é prima e cunhada do meu avô. O primo do meu avô casou com a irmã do meu avô, que é primo e cunhado do meu avô. Meu pai e meus tios são sangue do sangue. Eu, meus irmãos e meus primos somos sangue do sangue do sangue.

Minha avó conta que "muitos homens brancos a queria" - cof! -, mas se casou com meu avô: trabalhador rural, pobre e preto.

Seria a época de mulheres pretas agorafóbicas, que os homens da família, por caridade, tiveram que casar-se com elas?

Meu avô era um homem de sangue bom que não valia menos que qual fosse o homem branco.

Brasil republicano-ex-monárquico, a terra que enriqueceu barões cafeicultores - fruto originário da Etiópia - com mão de obra escrava africana.

Mas, moça com pele cor-de-café torrado não é bonita. Moço com pele cor-de-café torrado não é bom.

Gente preta é preterida desde o pretérito.

Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

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1. Equivocanálise: "Despudoradamente"

terça-feira, 29 de maio de 2018 Nenhum comentário
Despossuída de culpa,
te pico e não fico
Ou, me peça e eu não faço
Paro! Sobre o término do limite da minha liberdade.

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Transcendência (A hora da redenção)

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3.

Naquela hora tomei os temores de todos para dentro de mim
E temi as noites sem orações (e a descrença nas palavras de minha boca)
E temi a fraqueza da aliança com Deus
E subiu à mente as vezes que inclinei ao rompimento do entrelace de nossos dedos
E temi não alcançar outro milagre
E senti percorrer dentro de minhas veias, leite azedo em desaproveito
E quando tudo se deu conta do meu medo, desceu ao coração: a renúncia à morte
E meu sangue voltou ao viço
E como acalento, seu adeus: "Rogai por mim?!"
E parte de mim, se foi...

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