nome blog

Planos para outro Plano

quinta-feira, 21 de setembro de 2017


- - - -

Se existiu vida anterior,
nossas almas se desejaram
ardentemente.

Em oposição ao padrão de afeto da contemporaneidade,
os iguais se atraíam.

Viemos do mesmo lugar,
vamos para o mesmo lugar.

Aqui, ocasionalmente
a materialidade do espaço promove distancia entre nós
mas, permanecemos um só.

E sobrevindo a velhice,
com o mesmo encanto,
olharei à minha direita e glorioso estará você.
Estaremos nós.

Nós juntos,
sobrexcedemos o comum.

Olhe para mim (Olhe para nós)

domingo, 17 de setembro de 2017


No solo frio e rígido - como muitos corações -, me derramo em Tua presença, aos Teus santos pés, sem merecimento algum... E rogo clemência.

Pai, em Teu nome, muitos Judas agem sem nenhum respeito. Ilegitimamente. Interpretações intencionalmente asquerosas. 

Poderia dizer que o tempo está preto, mas o preto, o qual foi escolhido a dedo em Tua paleta, jamais deveria ser sinônimo de assustador. Aqui, tem muito disso, preconceito e ódio - inclusive, alguns justificam em Teu nome. Sinto muito.

Também há pecado em mim. Ah! E como. Me perdoe por cada pensamento ou expressão que não Te faz sentir orgulho em ser meu Pai. E ultimamente, tenho estado um pouco distante. Que ingratidão!  
Me ajude a abster de tudo que nos distancia. Sou uma criança plenamente dependente - tão dependente -, que não ficaria em pé se soltasse minhas mãos.

Me ajude (nos ajude), a honrar Tua imagem e semelhança. Me ajude (nos ajude) a concluir. Nada sou (Nada somos). Me perdoe (Nos perdoe). Olhe para mim (Olhe para nós).
Pelos que Te decifra erroneamente, sinto muito.

Meu coração é integralmente ocupado por gratidão, pela compaixão incessante que me doa. São tuas, toda a fidelidade e recirpocidade que em mim existe.

Santíssimo! Três vezes Santo! Gratidão, gratidão, gratidão, por me acolher...

(Me atrevo a pedir permissão para proferir esta oração em Teus ouvidos.)

Quando eu flor Bela...

domingo, 10 de setembro de 2017



Quero ser tão bela
que não mais cederei as curvas dos meus ouvidos
para que os padrões as rendam.

Quero ser tão bela
que pensamento auto punitivo algum,
me perturbará.

Quero ser tão bela
que repousarei em meu colchão gasto,
- tão mole quanto uma gelatina que se derrete -
e ressuscitarei com os ossos espetando a carne e ainda assim, radiantemente.
Porque serei bela.

Quero ser tão bela
que nem mesmo a ausência de representatividade quando no Google buscar por "linda",
alterará minha certeza.
Porque serei bela.

Quero ser tão bela
que promoverei a beleza em todas as mulheres que não se sentem belas.
Ainda mais.

Quero ser bela,
não nessa matéria que apodrece.
No que me é mais intimo,
que só quem for belo, terá a honra de me tocar.
Bendito és!

Quero ser tão bela,
que nenhum espelho sustentará tamanha beleza.
Nenhum terrestre.

Quero ser tão bela,
que nem na câmera de melhor performance
existirá função para me capturar.

Que nenhum dicionário me definirá.

E só aí,
então,
serei imune.

(Mas)
Quando eu for Bela,
tão Bela,
talvez,
estarei longe da existência humana.

E se assim for,
aos que contribuem com o movimento de minha sobrevivência,
de alguma forma,
lhes mandarei cartas
para relatar,
o quanto serei Bela.

Ou,

Brotarei em flor
como as raízes das veias em seus corações.
Manisfestarei em odor para lembrar-vos:
Como são belos!

[continuação...] Eu, vitimismo: Capítulo III - Enésimas ressuscitações

quarta-feira, 6 de setembro de 2017


✅ Leia a primeira parte aqui.
_____

Que a vida é um desafio, não existe dúvida. 

A liberdade é astuta. Não pode ser mulher e preta e andar tranquilamente pelas vias públicas,  a menos que você queira ser fotografada - sem consentimento - no terminal rodoviário para ser objeto de humor. Acontece. Hoje foi um desses dias. Negar o feito, é praxe deles. O período noturno é inimigo de milhares de mulheres. Em tudo, há maldade. Para mim - e outras milhares -, nenhum período é amigo. O diurno, promove uma exposição indesejada; o noturno, é intimidador, tão astuto quanto a falsa liberdade. Apresentar o rosto na rua é sempre uma resistência.

QUINHENTOS E DEZESSETE ANOS DE BRASIL. Quase nada mudou. Preto oprimido é cultural. "Barato é loco" - como diz Os Racionais.

Não é possível reproduzir maldade por ingenuidade. 

Numa avaliação semestral elaborada pelo grupo de docentes da faculdade que estudo, tem uma questão que me incomodou. Diz-se que "as pessoas não percebem quando estão sendo racistas". Triste, uma instituição com esse pensamento. Isentar-se da culpa é das maiores covardias. Se o individuo está sendo racista, ninguém melhor que ele, está ciente disto. 

Como é que se pode atingir com tamanha vontade - sem sentir culpa -, alguém que está quase sucumbido por todo o tipo de violência diária?

Quase todos os dias, para não parecer fracassada fisicamente, pouso os fones nas curvas dos ouvidos e solicito que inicie, 'A vida é desafio'.

Não posso esquecer que preciso ser duas vezes melhor
O sofrimento só serve para alimentar a minha coragem
Tenho que acreditar
"A causa é legitima:
Justiça e Liberdade"

Essa é a minha rotina de sobrevivência. Devo dormir e acordar pronta pra guerra - e não importa se tenho preparo ou não.

Eu, vitimismo: Capítulo VI - Qual é a cor da solidão?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017


Às vezes parece que sou exagerada, que faço tempestade com um copinho d'água. Quem dera ter esse privilégio.

Me protejo com todos os escudos que me são possíveis, principalmente dos males que tentam brotar aqui dentro. E conseguem.
Cada gesto seu, é analisado. Até as coisas quase inalcançáveis aos sentidos, faço questão de sentir. Nada que me faça é irrelevante.

As pessoas sentem necessidade de questionar, quando é que vou ter um parceiro, e elas não fazem por maldade, é cultural. Essa pergunta, um dia se responderá. Tudo no meu melhor tempo.

Me abster do que não me transborda é Lei, para viver bem. Quando sinto que sou útil só quando convém, fujo para a outra ponta. E isso acontece quase sempre. Minha sensibilidade é do tamanho do mundo.
Não sou covarde por fugir, sou guerreira por me proteger sozinha. Preciso ser. Haja pernas para correr quase todos os dias.

Queria poder temer o escuro, contar com outra coragem. Sou eu por mim. Ninguém mais me abriga melhor que eu.

Se não pretende acrescentar, não ouse cativar. Expectativas quando depositadas em lugar errado, são tóxicas (mas agora já sei que o problema não sou eu). Cansei de perdoar! O transtorno consequente, é só meu.

Esse breve texto é lírico. É o relato da vida de outras milhares de mulheres pretas. Peterimento violento. Não sinto vergonha em dizer, menos ainda, desejo que tu sinta compaixão. Escrevo isso, para dizer que não somos vitimistas: a solidão da mulher preta é real, é cultural. Infelizmente. Existe ainda, as que a sofrem mesmo estando num relacionamento. É surreal. Mulher preta não é para casar, segundo o ideal social (basta dar uma gogleada), não tem problema vacilar com ela, é só um rascunho. E sangrando sem corte, questiono: quanto valem os nossos corações? (Gostaria de ter produzido um texto a altura de quem acompanha o blog, mas no momento não é possível. Existem artigos incríveis e completos pela internet, não deixe de pesquisar)