Enquanto encontro, encanto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Quem dirá, pois, que não valera
o breve arrepio do beijo devasso?
A surpresa do abraço repentino?
O sonhar com a vitória da batalha inerte?
A recepção de um olhar piedoso?

Ora, não são também inigualáveis, as felicidades miudinhas?

O que há a ser perdido, ao executar as não promessas?
Não há encantamento no que quase nada - ou nada - surpreende.

Samaúma: De rainha das árvores à lâmina de compensado

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 Nenhum comentário

📷: "Brincadeiras nas raízes de uma Sumaúma – Araquém Alcântara" <link>

A Samaúma, Sumaúma ou Mafumeira (Ceiba pentandra Gaertn), pertencente a família Bombacaceae, pode ser encontrada na Amazônia brasileira. Seu crescimento é relativamente rápido e pode alcançar dentre 45m até 70m - porém existem registros de que já foram encontrados exemplares que alcançaram 90m -, possui um tronco com bastante volume e raízes sobre o solo como contrafortes - que atinge até 3m totais de diâmetro - e uma copa amplamente horizontal que pode ser vista de longe - que é usada de abrigo por pequenos animais.
Suas origens são da América Tropical, África Ocidental e Sudeste da Ásia, e se difunde em florestas tropicais próximas às margens de rios. Consegue retirar água das profundidades do solo, e assim abastecer a si mesma e com o mineral 'excedente', irriga outras espécies nas suas proximidades.

Na cultura da civilização Maia, era conhecida como "Arvore da Vida", pois acreditava-se que dentre as raízes e o topo, estavam conectados o "centro da terra com o submundo e o paraíso".
Pelos indígenas, é chamada de “mãe de todas as árvores” e “escada para o céu”, pela sua escala monumental. Também era/é utilizada como instrumento de comunicação, a partir de batuques em suas raízes.

Seu segundo uso principal, é o aproveitamento das sementes, "kapok", que se parecem com o algodão e são utilizadas para fins de enchimento de artigos para a hora do sono (hoje travesseiros, mas antes, também em colchões) e decoração (almofadas) e possui alta inflamabilidade. São também usadas para fins medicinais, sendo as partes, a seiva e o chá de sua casca, respectivamente, para a cura de conjuntivite e tratamento de malária. Já o óleo produzido por suas sementes, destina-se para produção de sabão.

📷: "Kapok" <wikipedia>

A prática ilegal e aética de seu corte, por um lado assegura a sobrevivência das famílias (trabalhadores que se movimentam em qualquer período do dia, além de ‘disputarem’ entre si, quem chega primeiro para tal ação). Em alguns casos, o material é contrabandeado à República do Peru, através da fronteira desprotegida sobre o rio Javari - afluente do Rio Solimões, que nasce na República do Peru, na serra da Contamana -, onde as serrarias operam “sem controle” ou sem “maiores problemas”, como afirma o próprio proprietário de uma das serrarias.

A vida da Samaúma no coração amazônico é fundamental para a manutenção da biodiversidade, mas mesmo com tamanha grandeza (geográfica, cultural, medicinal e espiritual) vem sofrendo ameaça de extinção - não se reproduz com tanta facilidade - pois está sendo devastada clandestinamente através de mão-de-obra relativamente barata - de moradores locais, que dependem desta atividade para a sustentação da família - pagas pelos senhores madeireiros que usam para fabricação de compensados (tapumes de construções, na fabricação de móveis, carrocerias de caminhões, assoalho de container, embarcações para navegação, caixaria de construção e ainda como isolamento acústico), embarcações e pasta celulósica.

Sobretudo, o desmatamento massivo é nocivo e também ameaça a vida das tribos indígenas locais, como a dos Mundurucus, que vivem em confrontos contínuos pela sua sobrevivência e proteção de suas terras, isso quando não são destituídos de seu território sob ameaça de pistoleiros a mando dos madeireiros, como já acontecera.

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Referências: 1. "Samaúma". IGUi ecologia <http://www.iguiecologia.com/samauma/>
3. "Samaúma, a árvore da vida". Samaúma viagens <http://www.samaumaviagens.com.br/samauma-arvore-da-vida/>
4. "Samaúma - a rainha da floresta". Caliandra do Cerrado <http://www.caliandradocerrado.com.br/2009/05/rainha-da-floresta.html?m=1>

Lúcida da Silva, é meu nome psicológico

domingo, 21 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Eu vivo sóbria o tempo todo. Não cedo ao benefício da embriaguez. Eu não posso esquecer onde estou. Ninguém pode me carregar se não sabe para onde almejo caminhar depois daqui.

Se tens a quem amar

domingo, 14 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Nos tempos sombrios meu peito salta com mais força.
As emoções ficaram mais flácidas?

Tenho o mesmo sentimento da criança que espera pela retirada do sutiã:
hora desespero, noutra felicidade.
Ficaram mais afloradas as sensações?

Eu não tenho nada.
Nem a posse da contenção.

Não há tempo mais preciso que este para que amem, os amantes.

Minha história é dureza e ainda não aprenderam a me amar.

Eu escrevo porque sofro.
Em múltiplas unidades.
Quando não estou escrevendo, estou sofrendo.

Hasta la victoria!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018 2 comentários
A fé enfraquece, mas não morre. O coração desacelera, mas ainda dilacera. A mente cansa, mas ainda arde. O sono caminha de volta para a casa, mas quando bate a porta, saqueado é pelo medo. 

De tudo, não estamos inteiramente infelizes. Existe uma única felicidade que não se ausenta, nem por um minuto: a certeza de que nossa alma não foi corrompida. Já é vitória!



Poema da revolta e rebeldia

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"Eia! Essas revoltas contidas
Que aparecem na juventude
Dos doidos poetas
E que com eles dormem!

Tenho a minha revolta
Que dorme em cama dura
Sobre tábuas frias e estreitas
E que dá rebeldia às letras

Uma rebeldia de eternidades
Passada de mãos em mãos
De caneta para caneta

Poeta é revolta, poesia é rebeldia
Poeta sem revolta é poeta morto
Poesia sem rebeldia é letra morta.

II

Voem livres meus versos e desafiem os hipócritas
Voem livres minhas letras e desfaçam as máscaras
Tirem de todo tirano a pintura da mentira
Sejam denúncia, sejam justiça, sejam revoltas

E tragam para os nossos dias a Esperança

Porque a rebeldia nada mais é do que isso
A incansável maneira de se desejar outra realidade
Pois este mundo que foi mal inventado e nos é imposto
É sonho de poucos e de muitos apenas tronco e açoite."

Fernando Nandé. "Poema da revolta e rebeldia" <link>

Ninguém quer [ser] um Saul Goodman

sábado, 6 de outubro de 2018 Nenhum comentário
James Morgan McGill, intimamente chamado de Jimmy McGill, é um advogado em exercício na cidade de Albuquerque no estado de Novo México.

Jimmy, harmoniza a atividade profissional com o cuidado pelo irmão mais velho Chuck, que sofre de uma  doença psicossomática, uma hipersensibilidade eletromagnética que o impede de estar e permanecer na presença ou proximidade de equipamentos eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, luz solar... tornando-o prisioneiro em sua própria casa.

A série tem o nome de "Better Call Saul" (é melhor ligar para o Saul!) e conta como Jimmy se tornou Saul Goodman. Este segundo nome da personagem, trata-se de um jogo de palavras que significa "'S'all good, man!" (está tudo certo, cara! - basicamente, é a resposta para quando um delituoso o contata).

A história é um preludio da série "Breaking Bad" e começa mostrando o estado atual de Saul, após o termino de Breaking Bad - quem assistiu Breaking Bad, sabe como e qual foi o desfecho de Saul.

Certo é que, o que transformou Jimmy em "o degenerado Saul", foram as fraudes, obviamente dolosamente intencionadas quais cometeu com convicção.

Num dado momento, Jimmy passa a se relacionar com uma mulher incrível - ouso concluir que ela é "a coisa mais bonita da vida dele" -, Kim Wexler, advogada. 


Por sua vez, a senhorita Wexler é completamente o oposto de Jimmy - sou assumidamente descrente do pensamento que "opostos se atraem".

Kim, se desdobra e cria braços para todas a vezes que fora necessário ser a defesa de Jimmy, em processos judiciais. Renuncia atividades do dia, sem nem mesmo medir as tuas importâncias, para ir ao encontro de Jimmy quando o mesmo está com qualquer dificuldade, até mesmo emocional.

Contudo, Jimmy nunca reconhece todo o esforço da parceira, pelo seu bem-estar. Sempre é pouco e mostra esse pensamento toda vez que a cobra mais e mais, sem mesmo agradecê-la pelos feitos.

Pode ser que os opostos se atraem, mas não permanecem juntos. Vacilões não conseguem permanecer em relacionamento de qualquer natureza com pessoas integras, pois estas não se dobram às suas corrupções.

Jimmy se corrompeu pelo caminho da vida. Aparentemente, até na alma.

Como profissional fraudulento, as coisas começam a desandar.

[Parece spoiler, mas nota-se de cara, sem muito esforço pelos olhos do espectador:]
Em "Breaking Bad", continuação de "Better Call Saul", Kim não aparece. Concluamos o desfecho...

Nunca vou assumi-lo como Saul Goodman. A diferença é que os fraudes sob a pele de Jimmy, eram mais leves. 

Ao Jimmy, destino parte de minha pena.

prudente como a serpente

domingo, 30 de setembro de 2018 Nenhum comentário
não excites o meu amor,
até que queiras.

Nosso destino há de ser um só (Se quiseres)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018 Nenhum comentário
Ante, trocaram o segredo das fechaduras,
ergueram muralhas no quintais,
minaram as calçadas...

Quando a fera romper as grades e o concreto,
Decerto, ninguém há de ser poupado

Mas tu,
Inocente alvo, presa primeira
De tudo, ainda seremos filhos do Deus de Davi,
Pequenos, juntos, a colocaremos por terra.

"Meu coração tá pequeno!"

quinta-feira, 27 de setembro de 2018 Nenhum comentário
A passos largos, chego ao segundo ponto de ônibus mais próximo - o primeiro: menos gente, mais perigoso -, olhei a previsão de chegada da linha, sentei num banco vazio.


Surge um senhor. Diz algumas palavras. Solta murmurinhos reclamões e ameaça partir. Então desligo a música e disponho a ouvi-lo.

- "Ah, agora cê ouviu? Fica nesse WhatsApp"
- "..."

[Não sabe que a ferramenta não é minha prioridade. Certo é, que estava escolhendo uma lista de reprodução para o momento]

Roupas aparentemente limpas, exalando odor etílico. Corotinho, - de qualidade ruim, consumido pela classe trabalhadora - de meio litro de pinga barata, em mãos.

- "Desculpe, eu tava chorando, desculpe!"
- "Todo mundo chora, senhor!"
- "Dizem que homem não pode! Sou caipira, lá de Minas! Cê já chorou?"
- "Sim, senhor"
- "E por quê?"
- "Ah, não sei. Não lembro, as vezes acontecem umas coisas na vida..."
- "Isso, por isso que a gente chora"
- "Hum..."
- "As pessoas me desprezam, mas tenho o meu valor"
- "Sim, senhor. Importante ter essa consciência"
- "As pessoas não dão valor em mim. Cê não sabe da minha vida"
- "Justamente, não sei"
- "Mulher é um bicho..."
- "Não senhor!"
- "Mulher é um bicho mais inteligente que homem!"
- "Não, não podemos pensar assim..."
- "Mas são... Eu fui traído e tô apaixonado..."
- "Que triste"
- "Você já fez isso? Ou alguém já fez isso com você?"
- "Não senhor, felizmente"
- "Então, cê não sabe"
- "Graças a Deus"
- "Eu amava... amo essa mulher"
- "Complicado"
- "Nove anos juntos! Eu fui sincero, oh, falei que ficaria com ela pro resta da vida... ela também disse"
- "... sua esposa?"
- "Mas ela me traiu"
- "Ela já deve ter se arrependido"
- "Não importa. Outro dia vi ela..."
- "Em algum momento algo se perdeu"
- "Oh, eu amo aquela mulher"
- "É assim, as vezes as pessoas são egoístas e nos machucam. Devemos tentar não magoar quem a gente ama"
- "Isso mesmo..."
- "..."
- "Eu sou um cara legal. Sou um bom mecânico, gosto de jogar futebol lá no XV de Novembro. Sou goleiro (e disse que as vezes também ocupa outra posição que não faço ideia qual seja)."
- "Ótimo. Importante ter essa consciência. / Jogue bola pra passar o tempo!"
- "Você é legal e bonita... sabe disso?"
- "Sei sim"
- "Oh, todas essas pessoas aí... aquela ali com a camiseta do supermercado, né?"
- "Rs..."
- "Ninguém liga pra mim, ninguém me dá valor... Eu tô bebendo sim, mas ninguém sabe dos meus problemas. Eu bebo mas fico consciente..."
- "Muito bem"
- "Sou respeitador..."
- "Hum..."
- "Meu coração ama ela... Quanto tempo cê acha que leva pra deixar de amar?"
- "Não sei não. O tempo vai dizer..."
- "Me disseram que são dois anos!"
- "Não existe receita. O tempo vai dizer"
- Moça, amanhã o que cê vai pensar de mim?"
- "Pensarei nada não, senhor... não posso julgar as pessoas!"
- "Viu? Cê é inteligente. As pessoas são o que pensam...Gosto de você. Amo você"
- "Hum..."
- "Amo todo mundo..."
- "Ok!"
- "Ok, é o que?"
- "Está certo, tudo bem"

[O ponto esvaziou-se e enchi de medo...]

- "Com todo respeito, cê é bonita. E tá conversando comigo. Sou feio, tô bebendo..."

[Gesticulou que apertasse sua mão. Apertei.]

- "Cê é gente boa..."
- "Bom saber..."
- "Então tchau!..."
- "O senhor já vai?"
- "Não, estou esperando o ônibus, mas... tchau!"
- "Tchau"

[Embora a solitude seja minha confidente, aquarianos gostam de gente, de seres, vivos.]

Encaixo os fones e ligo a música. Ao fundo, sigo ouvindo:

- "Meu coração ta pequeno! Meu coração tá pequeno! Eu tô apaixonado! Já fiquei com outras, mas eu sou sincero... não digo que amo, se não amo... (e disse umas coisas que objetificam mulheres)"

O ser humano é um bicho sensível, humano. A infidelidade fere amores imortais. A SOLIDÃO É FERA, A SOLIDÃO DEVORA.

Desci no ponto mais perto de casa. Passei no mercado da esquina, comprei um bolo de laranja... e começa a tocar:

"Não há ser humano que aguente
Tanta solidão vai acabar com minha raça
Não há nada que eu faça
...
Bebendo pra entender o que cê fez comigo
Um copo de cerveja, um coração ferido"

Chego em casa. Subo a escada e ao fim do corredor, está lá, Sophia (a criança que mais amo no mundo), com um body de fundo branco estampado com o tigre da turma do urso Pooh.

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O final feliz dos contos, aquele provoca desejos intangíveis, construídos sob uma visão única possível do amor, esse mal nunca me enganou. Por que o amor não cabe em nenhum confinamento. Nem na literatura. Nem mesmo no peito.

Final feliz é isso. Ainda que triste ou desmotivad@ com as batalhas inertes da vida, ao fim do dia, o amor estar te esperando. 
Se foi minha última prosa? A última vez que vi o amor ao fim do corredor vestindo body branco? Final feliz.

AMAR É FORTALEZA, FONTE DE VIDA.

26 de Setembro de 2018.
 
Desenvolvido por Michelly Melo | Ilustração por Gabriela Sakata